Em 2010, a produtora Gaming Minds lançou Patrician IV, um jogo de simulação econômica e comércio ambientado na era da Liga Hanseática. Longe de ser um jogo de ação com gráficos exigentes, Patrician IV prometia ser uma experiência estratégica para os amantes de economia e história. No entanto, mesmo com esse escopo modesto, o jogo rapidamente ganhou fama por um motivo inesperado: sua má otimização.
Má otimização em um jogo modesto
Apesar de suas qualidades como simulador comercial, Patrician IV sofria com problemas técnicos que afetavam o desempenho de maneira desproporcional ao que o jogo entregava visualmente. Jogadores da época relataram travamentos, queda de frames em cidades mais movimentadas, uso excessivo da CPU e problemas de carregamento — tudo isso em um jogo que deveria rodar de forma fluida até mesmo em máquinas medianas de 2010.
Um exemplo concreto dessa limitação veio anos depois. Em 2016, um usuário brasileiro compartilhou sua experiência ao tentar rodar Patrician IV em um notebook HP trazido dos Estados Unidos. Mesmo sendo um equipamento novo à época, o jogo "penou" para rodar. Isso não se deu por conta da exigência gráfica, mas da forma como o jogo foi programado: a engine usada era mal otimizada e não fazia uso eficiente dos recursos modernos, como múltiplos núcleos de CPU ou aceleração gráfica adequada.
O tempo passou — e os processadores venceram a má programação
O contraste veio anos depois. Em 2024, o mesmo jogador testou Patrician IV no novo notebook Vaio adquirido por seu pai. Equipado com um processador de geração moderna, SSD e gráficos integrados Iris Xe, o jogo finalmente rodou a 60 FPS cravados, sem engasgos ou travamentos.
Esse salto de desempenho revela duas coisas:
-
O avanço tecnológico dos computadores de entrada, que hoje contam com recursos outrora exclusivos de máquinas intermediárias ou avançadas;
-
Como a má otimização pode ser um obstáculo mais duradouro que os requisitos gráficos. Um jogo bem otimizado pode envelhecer com dignidade; um jogo mal feito tecnicamente só se salva com força bruta, ou seja, hardware muito superior ao exigido na época.
Um lembrete para desenvolvedores
O caso de Patrician IV serve como alerta para os desenvolvedores de jogos e softwares: otimização importa. Jogos simples, mas mal otimizados, perdem sua vida útil e frustram jogadores por anos. Já títulos bem programados, mesmo com gráficos mais exigentes, mantêm desempenho aceitável por muito tempo — um exemplo é The Witcher 3, que mesmo exigente, sempre rodou de forma estável em configurações recomendadas.
Conclusão
A história do desempenho de Patrician IV mostra que o tempo não cura tudo, especialmente quando o problema está na base do código. O jogo precisou esperar mais de uma década até que o avanço da tecnologia fosse suficiente para compensar suas falhas técnicas.
E assim, o que deveria ter sido um leve simulador de comércio medieval se tornou um pequeno exemplo da máxima da computação: não existe hardware suficiente que compense um software mal feito — a não ser depois de muitos anos.
Nenhum comentário:
Postar um comentário