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terça-feira, 29 de maio de 2018

Toda crise produz uma oportunidade para se viver a vida em conformidade com o Todo que vem de Deus - um exame das minhas circunstâncias de vida

1) Se devo crer na providência divina, então eu vou começar a rezar mais vezes de modo que todos os livros que encomendar dos EUA cheguem aqui onde eu moro em segurança. Se eu fizer isso nessas pequenas coisas, então serei capaz de fazer isso nas grandes, tal como acontece nessa greve dos caminhoneiros, por exemplo. Sinto que essa é a oportunidade perfeita para fortalecer a fé.

2) Se produzo minhas reflexões tendo o Santo Espírito de Deus por meu guia, então devo me colocar sob a dependência de Deus de modo que os livros que encomendei para os meus estudos não sejam extraviados, nem cheguem aqui queimados ou chamuscados

3) É provável que a segunda remessa chegue daqui a um ou dois meses, quando completa seis meses desde que a despachei pra cá, pro meu domicílio.

José Octavio Dettmann

Rio de Janeiro, 29 de maio de 2018.

segunda-feira, 28 de maio de 2018

No Brasil, as encomendas viraram cápsulas do tempo

1) Eu fiz duas encomendas de livro: uma em novembro do ano passado e outra em janeiro deste ano.

2) Estamos no dia 28 de maio de 2018 - e só agora a encomenda de novembro chegou.

3) Entre novembro de 2017 e maio deste ano muita coisa ocorreu: houve greve dos correios, a central de distribuição de Jacarepaguá pegou fogo e os caminhoneiros fizeram uma paralisação, bem ao estilo de uma secessio plebis romana. O país ainda está sentindo os efeitos disso e eu recebi a encomenda de novembro intacta (eu pensava que não iria receber nunca ou que viria toda queimada, chamuscada).

4) Convenhamos: um beduíno do deserto - se percorresse uma longa estrada que vai de Minden, Nevada (onde fica o armazém da Shipito, onde ficam minhas coisas quando faço compra nos EUA) até o Rio de Janeiro - faria esse percurso em bem menos tempo, ainda que no lombo de um camelo. Passaria por vários caravançarais, vários funduques, encararia a selva amazônica, um monte revolucionário pelo caminho, falsos índios cobrando pedágio, o banditismo do Brasil e aqui chegaria em bem menos tempo. Até mesmo uma tartaruga seria bem mais eficiente que o correio no quesito entrega.

5) Enfim, minha encomenda acabou virando uma cápsula do tempo. Em seis meses, tudo pode acontecer no Brasil. Afinal, a História é contada por meio de artefatos - e essa minha encomenda de fato tem muita história pra contar, se pudesse falar, é claro.

José Octavio Dettmann​

Rio de Janeiro, 28 de maio de 2018.

domingo, 27 de maio de 2018

Greve dos caminhoneiros? Uma meditação sobre isso

1) A natureza da greve, no direito do trabalho, é exceção de contrato mal cumprido.

2.1) Quem concentra os poderes de usar, gozar e dispor vai usar e abusar do poder de direção sobre aquele que está a ele subordinado por força de um contrato, já que o abuso do poder econômico leva a tratar sistematicamente os desiguais de uma maneira injusta, fazendo da economia de mercado uma economia de sujeição, por força da perversão que os liberais fizeram a respeito da liberdade, pois as pessoas agora estão conservando o que conveniente e dissociado da verdade, que é a riqueza como sinal de salvação.

2.2) Por esta razão, o direito do trabalho é o direito que rege os contratos de prestação de serviço de natureza civil em tempos de hipossuficiência, já que as partes contratantes são desiguais, a ponto de a parte que tem menos poder ser forçada a aderir aos termos de quem tem mais poder, por força da necessidade. Não é à toa que isso é a crise do instituto contratual, a ponto de a liberdade ser voltada para o nada. Não é à toa que a sindicalização e a greve são meios de defesa dos interesses dos empregados em face dos abusos de um mesmo empregador. Como a união faz a força, então juntos eles conseguem aquilo que não conseguiriam sozinhos, individualmente falando.

3.1) Autônomo, que eu saiba, não está sujeito a um contrato. Ele é particular colaborador com a iniciativa pública - por isso, é tanto um permissionário quanto um concessionário, quando está exercendo atividade economicamente organizada na forma de uma empresa.

3.2) Se o Estado é tomado como se fosse religião, em que tudo está no Estado e nada pode estar fora dele ou contra ele, então a autonomia termina sendo pervertida em emprego público - como essa perversão precariza a relação de permissão, então ele não goza dos benefícios previstos em lei que rege o emprego público, dado que não são celetistas. O próprio surgimento de um sindicato de autônomos é admitir que tudo está no Estado e nada pode estar contra ele ou fora dele. Isto é um indício do problema crônico de proletarização geral da sociedade em que nos encontramos.

4.1) Se o Estado é tomado como se fosse religião, então a exceção do pacto social mal cumprido é a via do lockout e a "greve" dos autônomos, se observarmos esta realidade jurídica torta, defeituosa. Mas essa exceção do pacto social mal cumprido só pode ser feita quando o Estado tomado como se fosse religião atenta contra aquilo que decorre da conformidade com o Todo que vem de Deus.

4.2) Em tempos de país descristianizado, o que se trocará é uma tirania de Estado máximo por uma tirania de Estado mínimo, já que o mercado está sendo tomado como se fosse Deus, uma vez que a riqueza se tornou uma espécie de salvação. E o mínimo é também o máximo, já que liberdade fora verdade leva à tirania e ao agigantamento do Estado - e isso não é solução.

José Octavio Dettmann​

Rio de Janeiro, 26 de maio de 2018.

sexta-feira, 25 de maio de 2018

Exercício arbitrário das próprias razões, mesmo que o mérito seja justo e patriótico, é ato de apatria

1) Mesmo que no mérito você esteja correto, você põe tudo a perder quando você exerce arbitrariamente as próprias razões.

2) Ainda que o mérito da reivindicação dos caminhoneiros tenha caráter patriótico, os métodos apátridas, próprios dos terroristas que bloqueiam as estradas e ainda fazem todas as classes produtivas reféns de uma classe só, põem tudo a perder, pois isso leva à luta de classes e não à concórdia.

3) Joice Hasselmann falou na tal "garra patriótica" dos caminhoneiros. Neste ponto, ela está completamente errada - e está induzindo muita gente a caminhar na pista errada, a ponto de ser uma desinformante.

4) Essa ligação com o movimento globalista maçônico-sionista que ela tem comprova a tentativa de desinformação esquerdireitista.

José Octavio Dettmann

Rio de Janeiro, 25 de maio de 2018.

A verdade sobre essa greve dos caminhoneiros

1.1) Uma das coisas que me chamou a atenção nessa greve de caminhoneiros foi o extremo grau de organização do movimento.

1.2) Isso denuncia ação de gente de sindicato com vastíssima experiência no setor, como bem apontou o jornal Crítica Nacional. Isso explica certamente os métodos questionáveis, como bloquear as estradas de modo a frustrar o ir e vir das pessoas, o que é ilegal, pois é ato próprio de terrorismo.

2) Um movimento espontâneo não cobriria todo o movimento território nacional - e se fosse espontâneo, não haveria bloqueio das estradas, já que o caminhoneiro estaria vendo no motorista um irmão necessitado da estrada livre.

3) O amor de si até o desprezo de Deus é próprio de quem busca o poder, pois usarão métodos terroristas para conseguirem o que querem, forçando a redução dos impostos, sem se importar com o reajuste fiscal que precisa ser feito, por conta de um rombo deixado nas contas públicas após 13 anos de PT.

4) Quando dizem que liberal é ponta de lança de comunista, isso não é à toa. Não é à toa que muitos dos que divulgavam vídeos a respeito do bloqueio das estradas eram relativos a sites como o Avança Brasil, que é maçônico, revolucionário, o que torna ainda mais evidente que esta ação não tem nada de espontânea.

5.1) Enfim, trata-se de uma verdadeira ação para se seqüestrar do povo todas as ações que devem ser feitas de modo que ele seja verdadeiramente livre.

5.2) E como foi bem apontado pelo 3 em 1, trata-se de uma extorsão mediante seqüestro. Mas seqüestro de um país inteiro de seu povo, de modo a se conseguir o que se deseja. E mesmo que paguem o resgate, eles não ficarão satisfeitos.

José Octavio Dettmann​

Rio de Janeiro, 24 de maio de 2018.

https://criticanacional.com.br/2018/05/24/o-dirigente-sindical-que-lidera-a-greve-dos-caminhoneiros/

Notas sobre o mapa da ignorância

1) O professor Olavo de Carvalho falou a respeito do mapa da ignorância.

2) Para se mapear a ignorância, é preciso duas coisas: saber o que está sendo conservado conveniente e dissociado da verdade, bem como aquilo que deveria ser percebido, mas não o é por conta do órgão da inteligência não estar desenvolvido na maioria das pessoas, por serem incapazes de ver o que não se vê, uma vez que a inteligência entre as pessoas está distribuída desigualmente.

3.1) A maior parte do que precisa ser mapeado está naquilo que se conserva conveniente e dissociado da verdade.

3.2) Conhecer a verdade oculta por trás do conservantismo é recolher uma jóia preciosa que foi engolida pelo seu cachorro. Essa jóia não será digerida pelo organismo do animal e terminará sendo expulsa por meio da excreção. Até recuperá-la, você terá de limpar camadas e camadas de cocô até recuperar o bem precioso.

3.3) É exatamente assim quando lidamos com conservantistas - em meio a tanto besteirol defecado pela boca ou por escrito, há algumas coisas interessantes e que apontam para a verdade. É preciso que isso seja retido e não esquecido. Enfim, é como procurar ouro no meio do lixão.

José Octavio Dettmann

Rio de Janeiro, 25 de maio de 2018.

quinta-feira, 24 de maio de 2018

Se nenhum homem deve dominar outro homem, então nenhuma classe deve dominar outra classe, a ponto de inviabilizar as atividades economicamente organizadas da classe dominada

1) O ideal da República em Roma é que nenhum homem deve dominar outro homem. Da mesma forma nenhuma classe deve ter poder sobre outra classe, a ponto de inviabilizar suas atividades profissionais, tal como vemos atualmente.

2) Se os caminhoneiros param, eles forçam todas as outras classes a parar, forçando um verdadeiro conflito sistemático de interesses qualificado pela pretensão resistida de uma só classe. E caberá ao Estado ter de compor esse conflito de modo que a concórdia seja restaurada.

3.1) Altos impostos inviabilizam que muitos caminhoneiros sejam donos de seus próprios caminhões.

3.2) O banditismo força que muitos troquem o trabalho autônomo pelo trabalho subordinado - se houver uma greve patronal, lockout, eles serão forçados a obedecer.

3.3) O país não tem navegação de cabotagem, nem ferrovias, aumentando ainda mais o poder dos caminhoneiros ou das empresas transportadoras, pois passam a concentrar muito poder em poucas mãos, a ponto de terem poder de vida e de morte sobre aquilo que é feito no país.

3.4) Se você somar tudo isso à ganância, à cultura de riqueza como um sinal de salvação, o caos está feito.

José Octavio Dettmann

Rio de Janeiro, 24 de maio de 2018.

Quem concentra os poderes de usar, gozar e dispor é capaz de fazer lockout: o caso da greve patronal das transportadoras

1) Como foi dito, o Estado não deve ser forte nem fraco, mas eficaz. O caminho do meio é, pois, o caminho da eficácia.

2) E um dos fundamentos da eficácia se dá em negociar com classes profissionais essenciais à economia da nação ainda quando o problema é um germe, de modo a atender suas reivindicações justas, como vemos com a classe dos caminhoneiros, reintegrando-as ao senso de tomar o país como um lar em Cristo. Durante o governo Dilma os caminhoneiros já haviam parado por conta do preço do diesel. E parece que o pessoal de Brasília ainda não aprendeu a lição - é preciso baixar os impostos de modo que muitos caminhoneiros possam comprar o seu próprio caminhão.

3.1) É sintoma de fraqueza, de anarquia, quando a riqueza se torna uma espécie de salvação de tal maneira que aqueles que concentram os poderes de usar, gozar e dispor em poucas mãos acabem determinando uma greve patronal de modo a parar toda a economia do país, como que num efeito dominó.

3.2) Muitos dos caminhoneiros não são donos dos instrumentos de trabalho - eles são empregados que seguem a ordem do patronato, das empresas de transporte.

3.3) Quem tem esse enorme poder faz do Estado fraco uma religião, pois tudo está no Estado mínimo e nada pode estar fora dele ou contra ele, o que faz do liberalismo uma versão anã do fascismo. E a república brasileira neste fundamento é essencialmente fascista, pois pratica um socialismo de nação, seja no Estado agigantado na sua versão reduzida, mínima. E isso, somado ao que falei no artigo anterior, é um verdadeiro desastre.

4.1) Se todos os caminhoneiros fossem donos dos seus próprios caminhões, jamais haveria uma greve de tamanhas proporções, pois ninguém estaria dependente dos favores do Estado totalitário ou de seu equivalente mínimo. E muito deles não adotariam táticas terroristas aprendidas de grupos como MST ou do MTST, de Guilherme Boulos, a ponto de buscarem um exercício arbitrário das próprias razões, ainda que justas, já que isso é servir liberdade com fins vazios.

5) A carga tributária é altíssima, o que faz com que tudo esteja nas mãos do Estado - e neste ponto eles têm razão. Mas fechar a estrada e impedir que a população comum não possa circular é exercício arbitrário das próprias razões: ou seja, crime. Então, os dois lados estão errados.

José Octavio Dettmann

Rio de Janeiro, 24 de maio de 2018.

Sara Rozante: Essa inflação é injusta. O prof. Angueth tem um artigo falando sobre esse tipo de abuso.

Notas sobre a conseqüência prática dos 50 anos em 5, de Juscelino Kubitschek

1) Efeito prático da promessa dos 50 anos em 5, de JK: todo o transporte se reduziu à rodovia. Nenhum investimento em ferrovia ou navegação de cabotagem foi feito.

2) Quem fala que República é progresso é "jênio" (com j). Basta que os caminhoneiros tenham consciência de classe e façam uma greve, ainda que com fim justo, que o país pára, com os preços dos alimentos e dos combustíveis subindo até a estratosfera, por conta da inflação de demanda, por conta de nossas falhas de infra-estrutura.

3.1) Enfim, quem governa o país não entende nada de geopolítica.

3.2) Eis a lição que fica: o transporte de bens e de pessoas não pode ficar reduzido à rodovia. Precisamos de ferrovia e cabotagem também (será que esses néscios não percebem nós temos muitos rios?)

José Octavio Dettmann

Rio de Janeiro, 24 de maio de 2018.

Comentários:

Eric Fernando: JK era um comunista sem-vergonha, assim como todos políticos são desde 25 de março de 1922, data de fundação do PCB, o partidão. 

Notas sobre a necessidade de uma rede social católica

1) Em tempos de facebook censurando o pensamento sério como se fosse notícia falsa, penso que seria muito mais sensato se houvesse uma rede só nossa, composta por pessoas que amam e rejeitam as mesmas coisas tendo por Cristo fundamento.

2) Uma rede social católica seria uma boa idéia, já que, segundo o professor Olavo, somente o catolicismo ofereceu uma resistência mais séria ao comunismo, por força de sua unidade, já que a união faz força, ao se conservar a dor de Cristo.

3.1) Quem fala em "unir a direita" está mentindo.

3.2) Quem está à direita do Pai já é unido a Ele, pois está conservando a dor de Cristo porque sabe que é livre n'Ele, por Ele e para Ele. Logo, essa direita já está unida há pelo menos 2018 anos e fazendo o que o Crucificado de Ourique nos mandou fazer: servir a Cristo em terras distantes.

3.3) Logo, unir quem conserva a dor de Cristo com quem conserva o que é conveniente e dissociado da verdade é promover a divisão, a insensatez - é exatamente isso que gente como Rodrigo Constantino está propondo fazer.

José Octavio Dettmann

Rio de Janeiro, 24 de maio de 2018.

quarta-feira, 23 de maio de 2018

Só quem foi verdadeiro Deus e verdadeiro homem é que sabe nos dizer o que é necessidade humana concreta

1) Só alguém que é verdadeiro Deus e verdadeiro homem é que conhece as reais necessidades humanas, já que ele é a verdade em pessoa.

2) Cristo foi igual a nós em tudo, exceto no pecado. Por isso, ele é o fundamento para se tomar o país como um lar e para se organizar a produção de modo a construir um legado para as futuras gerações, na forma de um bem comum que faz com que esse senso de nacionidade se torne uma realidade concreta.

3.1) Por isso, toda busca pela verdade leva necessariamente a se imaginar o que Cristo faria se estivesse nas circunstâncias em que estamos hoje, muito diferentes daquelas de sua primeira vinda.

3.2) Se verdade conhecida é verdade obedecida, então a constante imaginação da segunda vinda em diferentes épocas faz com que atualizemos as coisas a ponto de conservarmos o que é conveniente e sensato, sem que caiamos no risco do conservantismo insensato, fundado no amor de si até o desprezo de Deus.

José Octavio Dettmann

Rio de Janeiro, 23 de maio de 2018.

Notas sobre emulação, para o bem e para o mal

1) Vamos supor que você deseja jogar um jogo de videogame antigo no seu computador. Você pega um emulador de mega drive, que imitará o comportamento da máquina, embora não seja a máquina, e rodará a rom do jogo de modo a você jogá-lo sem problemas.

2) Um ator, para fazer bem o seu papel, imitará o comportamento de pessoas reais. Vamos supor que o ator faça o papel de um mentiroso: ele emulará todo o comportamento que é próprio do mentiroso dentro dos limites do papel - quando ele não está atuando, ele volta a ser uma pessoa normal.

3) O ator, por imitar diferentes tipos de ser humano, é capaz de compor um personagem de modo a atingir um propósito específico. Ele reproduz tantos modelos que é capaz de criar um modelo próprio, podendo fomentar a possibilidade de um tipo humano que jamais sequer foi imaginado. E nesse ponto, a arte dramática é capaz de fomentar a imaginação.

4) A hipocrisia dos atores pode ser usada para fins pragmáticos, de modo a se conseguir o que se deseja, ao se conservar o que é conveniente e dissociado da verdade. E isso em política é altamente desastroso, pois perverte todos os valores.

5) Por isso mesmo, a emulação na política leva à perda da liberdade, pois se as pessoas deixam de estar em conformidade com o Todo que vem de Deus, então o país é mergulhado na desgraça, a ponto de a civilização ser destruída pelos bárbaros, que são islâmicos, já que o fingimento cria um vácuo sistemático de poder, ao relativizar e as esvaziar os valores pelos quais nos fazem tomar o país como um lar em Cristo, fazendo com a liberdade seja servida com fins vazios.

José Octavio Dettmann

Rio de Janeiro, 23 de maio de 2018.

O desejo mimético é fundamental para a economia? Notas sobre a emulação e a imitação

1) A mimesis pode ser tanto emulação quanto imitação.

2) Se o desejo mimético é a a base para se organizar o país de modo a produzir riqueza, edificar um bem comum e tomar o país como um lar em Cristo de modo a nos preparar para a pátria definitiva, a qual se dá no Céu, então o fundamento da imitação é Cristo, que é verdadeiro Deus e verdadeiro homem.

3) Se você imita o verdadeiro Deus e verdadeiro homem, então você está buscando o caminho da excelência. Como o caminho da excelência se dá na amizade sistemática com Deus, então isto é um hábito altamente eficaz, pois o exemplo da santidade é distribuído a todo aquele que o presenciou, a ponto de se tornar uma história digna de ser eternizada por escrito.

4) Se o desejo mimético visa imitar um homem fundado no amor de si até o desprezo de Deus, então a pessoa conservará o que é conveniente e dissociado da verdade. Buscará a riqueza como um sinal de salvação, já que o mundo está dividido entre eleitos e condenados.

5) É do desejo mimético de emular homens ricos em má consciência que muitos buscarão ídolos e bens imaginários que saciem necessidades fundadas no fato de se conservar o que é conveniente e dissociado da verdade, que são arremedo de necessidades humanas concretas, como moradia, abrigo, comida e outras coisas. Essas necessidades humanas imaginárias são poder absoluto, riqueza, eterna juventude e imortalidade (e essas coisas são conseguidas tanto por magia, quanto por elixires, rituais satânicos ou por meio de sacrifícios humanos e de animais - e isso basicamente é ineficaz, pois os bens desejados ou prometidos não são entregues, uma vez que é impossível entregá-los).

6) Enfim, o desejo mimético pode levar à vida eterna ou à danação. Por isso, é preferível imitar ao verdadeiro Deus e verdadeiro homem a emular alguém rico em má consciência, fingindo ser o que é não é.

José Octavio Dettmann

Rio de Janeiro, 23 de maio de 2018.

Notas sobre o pior tipo de conservantista que há

1) Existem determinadas estrelas aqui na rede social que pagam de cruzado e que adotam um aparente discurso de defesa da fé católica. Conhecem muito bem a doutrina, mas não a praticam em suas vidas

2.1) Esse certamente é o pior tipo de conservantista que há, pois ele é lobo disfarçado de cordeiro.

2.2) De nada adianta amizade de discurso com Deus se você não é justo com quem é realmente amigo de Deus em suas atitudes. Tais pessoas são verdadeiros ratos que fingem amar e rejeitar as mesmas coisas tendo por Cristo fundamento de modo a alimentar a sua vaidade - eles são hedonistas, pois gozam dos benefícios inerentes da vida em sociedade católica, mas não querem assumir as responsabilidades inerentes dessa mesma vida fundada na conformidade com o Todo que vem de Deus. A sua vã glória, fundada em servir liberdade com fins vazios, corrói toda a unidade, pois relativiza toda a verdade - para essa gente tudo o que é sólido se desmancha no ar.
 
3.1) Esses elementos perniciosos, que nunca me trataram bem, certamente precisam ser investigados, pois certamente há algo de podre na vida deles que derruba esse castelo de cartas fundado no mais puro fingimento, hipocrisia. 

3.2) Se algo for encontrado, é preciso que se exponha tudo isso em praça pública, pois o conservantista deve ser combatido com troça, já que conservar o que é conveniente e dissociado da verdade é ridículo, o que perturba e muito o bom-mocismo postiço dessa gente.

José Octavio Dettmann

Rio de Janeiro, 23 de maio de 2018.

Notas sobre a má consciência de alguns católicos metidos a celebridade de rede social

1) Vamos supor que você me adiciona por conta do excelente trabalho que faço. E se conheço bem sua fama de grande defensor da fé católica, certamente eu dispensarei você do procedimento que adoto de fazer perguntas sobre as suas intenções de me adicionar.

2) Como cortesia, te mando as postagens do dia - e hoje escrevi uns 6 artigos. Se a recompensa que eu recebo é ser silenciado, que raios de católico é você? Será que não percebe que me censurar é injusto e atenta contra a amizade do Pai?

3) O simples fato de ser silenciado inbox denuncia que a pessoa que me faz isso não é católica no sentido verdadeiro da palavra. Não adianta amizade de discurso ou pose de cruzado se você não é amigo de Deus com outro que é amigo de Deus em suas atitudes.

José Octavio Dettmann

Rio de Janeiro, 23 de maio de 2018.

Devemos cristianizar a ciência e a economia

1) Muitos católicos (geralmente "neoconservadores") têm defendido, com orgulho, que a "civilização ocidental", surgida no Renascimento, capitalista e tecnológica, é "fruto" do Catolicismo. Isto é um equívoco, uma "meia verdade".

2.1) É certo que a ciência e a economia modernas só poderiam ter nascido em solo cristão.

2.2) Ao superar a gnose dualista e o panteísmo dos antigos, proclamando simultaneamente a bondade da criação e sua distinção em relação a Deus, a Igreja superou o terror e o temor reverencial que impediam o conhecimento da matéria. Porém, o surgimento efetivo da nuova scienza está espiritualmente atrelado, mais ou menos conscientemente, à falta de confiança na Providência, ao desejo de controle, e à confiança orgulhosa no poder da razão empirico-matemática, com a rejeição da metafísica e da teologia (que o homem moderno já não entende ou não ama).

2.3)Ao valorizar o trabalho como meio de penitência/santificação, ou a liberdade criativa da pessoa humana ao ser ela imagem de Deus, a Igreja abriu caminho para uma economia de liberdade e de empresa, que superasse a exclusividade de uma economia servil. Porém, a origem concreta do capitalismo está atrelada ao espírito de cobiça e à mesma falta de confiança na Providência acima.

3) Devem ser rejeitadas tais ciência e economia? Não - elas devem ser evangelizadas, trazidas para os eixos.

Joathas Bello

Facebook, 23 de maio de 2018.

https://web.facebook.com/permalink.php?story_fbid=343916189466633&id=100015447638450

Mais sobre o apostolado fundado na alimentação e diversão

1) É próprio da conformidade com o Todo que vem de Deus o acessório seguir a sorte do principal. Para se restaurar a vida fundada na conformidade com o Todo que vem de Deus, é preciso que se restaure a esperança - e isso se dá restaurando o corpo e a alma de cada fiel, após um exaustivo dia de trabalho.

2) A restauração do corpo se dá curando as feridas e as doenças nos hospitais, dando cama a quem precisa dormir nas hosperdarias, comida a quem tem fome e bebida a quem tem sede nos restaurantes, bem como roupa a quem está nu.

3) A restauração do espírito se dá na palavra de Deus e pela santa eucaristia, assim como pela instrução que é dada nas escolas aos que são ignorantes e pelas conversas inteligentes que ouvimos nas cafeterias, de modo que não tenhamos idéias de jerico fundadas no amor de si até o desprezo de Deus, a ponto de perverter toda a atividade intelectual salvífica.

4) Outra forma de restauração do espírito se dá pelo apostolado da diversão - nas casas de restauração do homem é possível ouvir boa música, boa dança e lugares onde podemos jogar jogos de estratégia, essenciais para a contemplação, já que através dela podemos escrever e pensar coisas edificantes.

5) Eis algumas coisas relativas à questão da restauração do corpo e da alma.

José Octavio Dettmann

Rio de Janeiro, 23 de maio de 2018.

Por que o restaurante é também restaurador?

1.1) Restaurar o irmão no corpo e na alma é conservar a dor de Cristo, já que Ele morreu por nós de modo que fôssemos livres da escravidão do pecado. Trata-se de ato magnificente, liberal, caridoso, nobre.

1.2) Por isso quem organiza essa atividade, além de restaurante, é também restaurador, pois cria um ponto de encontro de modo que os ricos e pobres possam se encontrar de modo que o que foi agraciado por Deus (bogaty) ajude ao necessitado (ubogi). Afinal, Deus (Bóg) cria o bogaty (rico) para que este seja usado por Ele para ajudar o ubogi (pobre). E esse encontro decorre de uma sujeição fundada na conformidade com o Todo que vem de Deus já que ambos são irmãos em Cristo.

2.1) Quem conserva o que é conveniente e dissociado da verdade prezará pela eficiência, já que a riqueza se tornou um sinal de salvação. E a indústria de alimentos certamente passou a adotar a mesma lógica da revolução industrial, tal como ocorreu nas fábricas da Ford. Por isso que ninguém fica mais do que 10 minutos num fast food. Por isso, falar que isso é um restaurante salta aos olhos, dado que ninguém será restaurado no corpo e no espírito em apenas dez minutos.

2.2) Dizer que o mundo será salvo pelos eficientes é uma grande falácia. O mundo será salvo pelos caridosos, já que restaurar o irmão no corpo e na alma é eficaz, pois faz as pessoas tomarem o país como um lar em Cristo, o que prepara as pessoas para a pátria definitiva, a qual se dá no Céu.

José Octavio Dettmann

Rio de Janeiro, 23 de maio de 2018.

Por que toda paróquia deveria ter um restaurante e uma hospedaria?

1) Meu amigo Rodrigo Arantes e o professor Loryel Rocha sempre disseram isto: idéias têm conseqüências.

2) Retomando a idéia da casa de restauração de homens (da qual nasceu o restaurante), ela acaba criando um ponto de encontro onde ricos e pobres podem se encontrar. Ou seja, cria um mercado, um ponto de encontro.

3) Se a casa de restauração de homens retomasse a idéia das universidades do centavo ou as "casas de chá de santo dime", como disse no artigo anterior, as conversas inteligentes dos mais esclarecidos iriam ajudar na restauração dos mais pobres. Mais do que o alimento, os pobres seriam restaurados espiritualmente com algum ensinamento edificante.

4) Se essas casas de restauração fossem instaladas numa paróquia, a restauração seria completa, pois a pessoa receberia alimento espiritual e alimento corporal. Como lugar de encontro perfeito, o pobre poderia perfeitamente ser contratado já que emprego é também uma esmola.

5) Outra coisa que poderia ser adicionada em complemento ao restaurante seria um alojamento ou uma hospedagem, onde a pessoa pudesse passar a noite restaurando o seu sono e por conseqüência o seu corpo, enquanto está viajando de um lugar para o outro.

6) Enfim, uma verdadeira trindade: hospedagem, alimentação corporal e a palavra de Deus. Eis algo que todo administrador paroquial deveria fazer de modo a fortalecer nas pessoas idéia da vida fundada na conformidade com o Todo que vem de Deus.

José Octavio Dettmann

Rio de Janeiro, 23 de maio de 2018.

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Opinião - Caio Bellote

Considero que quem rouba dinheiro do cidadão deve perder a totalidade de seu patrimônio e passar o resto da vida atrás das grades.

Dito isto, vivemos em uma nação em que o dinheiro é colocado como um valor maior do que a vida humana e o resultado disso é que é mais fácil um político ser preso por ser corrupto do que por ser um traficante internacional, por ter mandado matar alguém ou por estar envolvido com tráfico de órgãos.

Parece que nossos investigadores se atém aos crimes contra o patrimônio público e evitam mexer nesses vespeiros, talvez para preservar na cabeça das pessoas a ilusão de que o Brasil é um estado democrático, impedindo-as de ver a quantidade de organizações criminosas que existem dentro do Estado brasileiro.

Conheço muitas pessoas que acreditam que o grande crime do Lula foi a subtração de dinheiro do erário e a incompetência administrativa. Essas pessoas não tem a menor curiosidade em saber sobre assassinatos políticos como Celso Daniel e Yves Hublet e consideram o Foro de São Paulo algo insignificante. A existência desse tipo de mentalidade é a prova de uma falha de caráter muito grande que coloca o dinheiro acima da vida humana e da estabilidade moral da nação.

Uma coisa básica que todos de direita deveriam compreender é que mesmo se o Lula e o PT não tivessem roubado um centavo de dinheiro público sequer, ainda assim eles seriam criminosos pelos atos cometidos contra o Brasil.

Só a existência de uma associação criminosa entre o governo brasileiro e nações estrangeiras com o objetivo de submeter a nossa soberania a uma instância internacional que almeja ser uma nova União Soviética é muito mais grave do que trilhões roubados. Assim como é mais grave que o roubo cada detalhe incluso no famigerado PNDH3 que se aplicado legalizaria o aborto até o nono mês de gestação e acabaria com o Congresso Nacional, substituindo-o por sovietes (conselhos populares) formados por grupos revolucionários que teriam poder de vida e morte sobre a população.

Por onde quer que analisemos o Lula e os petistas presos foram condenados pelos menores de seus crimes e a população conhece apenas a ponta do iceberg. Parece que há um esforço das instâncias oficiais do estado brasileiro em manter a sujeira principal embaixo do tapete para que a população não se assuste com a podridão existente em nosso estado e continue se conformando em aceitar nosso atual modelo de governo como a melhor forma possível de gestão para o Brasil.

Caio Bellote Delgado Marczuk

Facebook, 23 de maio de 2018.

https://web.facebook.com/bellote.caio.52/posts/108212126731496

Notas sobre a instituição e perversão dos restaurantes

1.1) Na França, houve uma pessoa que vendia alimentos aos pobres a um preço que eles pudessem pagar.

1.2) Certa ocasião, foi baixada uma regulamentação determinando que a venda de alimentos só podia ser feita nas feiras e mercados situados em regiões específicas da cidade, inviabilizando o comércio livre de alimentos em qualquer área da cidade de Paris, sobretudo aquelas onde a população mais carente tivesse acesso de modo a comprar os alimentos de que necessitasse. Tratava-se de uma medida higienista.

2.1) Então, essa pessoa teve uma idéia: "já que não posso vender alimentos da minha horta, então eu vou abrir uma casa onde os homens pobres possam ser restaurados".

2.2) Como bom católico que ele era, ele abriu sua casa de restauração, alimentando pessoas por um preço que pudessem pagar. A idéia deu tão certo que a casa de restauração se tornou um lugar democrático: pessoas pobres e pessoas mais abastadas estavam no mesmo lugar alimentando-se de comida de excelente de qualidade por um preço que pudessem pagar. E esse homem se tornou "o restaurante".

3.1) A restauração da esperança começa a partir do momento em que o homem é restaurado da fome e do frio, que são acessórios que seguem o principal: a pobreza.

3.2) Logo, o empreendimento da casa da restauração de homens é fundado na conformidade com o Todo que vem de Deus. E não é à toa que essa idéia veio de um leigo católico.

4.1) Nos Estados Unidos, essa idéia se perverteu com a introdução das redes de fast food, pois a cultura na América é a da salvação pela riqueza, fundada no amor de si até o desprezo de Deus.

4.2) Com a industrialização do ato de comer, a tendência foi a comida perder a sua qualidade, a sua essência restauradora: a fome era saciada, mas ela não tinha os elementos nutritivos necessários de modo a restaurar a pessoa para o trabalho no dia seguinte.

4.3.1) Não é à toa que redes como o McDonald's também apóiam iniciativas revolucionárias, como as fundadas na ideologias de gênero, por exemplo.

4.3.2) Elas não restauram os homens - apenas produzem um arremedo de comida que não alimenta e ainda causa doença, como diabetes e hipertensão. Documentários dessa natureza foram feitos sobre isso. 

José Octavio Dettmann

Rio de Janeiro, 23 de maio de 2018 (data da postagem original). 

Artigo complementar a este que escrevi:

Como a comida foi industrializada :http://svencrai.com/1Kab

terça-feira, 22 de maio de 2018

Notas sobre alguns aspectos sociológicos do americanismo

1) Confesso que estou criando um verdadeiro asco a duas perguntas que muitos dos EUA costumam me fazer: "what do you do for a living?" e "what are your plans for today, tonight, tomorrow and so on?"

2.1) Eu sou escritor e darei o melhor de mim para prosperar missão que me foi dada por Deus.

2.2) Esse negócio de me perguntar de onde vem o meu sustento é coisa própria dos pagãos, como disse Jesus. E numa cultura onde a riqueza é vista como sinal de salvação, essa pergunta tende a ser uma verdadeira tortura - a América está certamente cheia de pagãos batizados, como bem apontou o Tiago Tomista.

3.1) O Brasil copiou esse aspecto da cultura americana, relegando a vocação de servir a Cristo em terras distantes ao esquecimento. E isso, aliado ao nosso espírito insolidarista, gerou uma mentalidade dinheirista que não se encontra em nenhum outro lugar do mundo.

3.2.1) Além disso, as coisas no Brasil são muito instáveis e difíceis de serem conseguidas; a vida aqui deve ser vivida dia após dia, pois cada época tem suas especificidades, seus próprios problemas. Só assim teremos a dimensão do ontem, do agora e do depois em perspectiva história, já que tempos difíceis criam homens nobres.

3.2.2) Por isso, quem vive a vida em conformidade com o Todo que vem de Deus não faz planos, pois a vida neste mundo é um vale de lágrimas - Deus, através do Espírito Santo, nos guia para fazer o que deve ser feito, pois devemos preparar o caminho do Senhor. E como prêmio, nós adquirimos algumas riquezas que devem ser guardadas para o futuro, para o tempo de vacas magras.

3.2.3) Esta riqueza, se for bem usada, ajudará na construção do bem comum, essencial para se tomar o país como se fosse um lar em Cristo, fazendo distribuir o bom exemplo às futuras gerações, que imitarão este modelo de amizade para com Deus (santidade).

3.2,4) A maior prova de que a vida não é mecanismo é que o planejamento sistemático da vida reduz a pessoa às suas funções na vida, ao seu papel social, a ponto de se tornar um escravo desse papel.

3.2.5) Se sou carpinteiro, eu posso ser substituído por outro carpinteiro, se o objetivo é fazer as coisas com a mesma perfeição técnica e qualidade. Mas isso é utópico, pois cada pessoa é única - logo, o capricho do meu serviço de carpintaria talvez não possa ser bem feito por quem eventualmente me substitua, o que me torna uma espécie de artista ou artífice. E se for bom no que faço, eu me torno famoso, tal como já houve no passado, sobretudos na Idade Média ou no Renascimento.

4) Enfim, estes são alguns aspectos do americanismo que devem ser desprezados: a salvação pela riqueza e a obsessão pela vida planejada. É ilusão buscar neste mundo o paraíso que devemos buscar na vida eterna.

José Octavio Dettmann

Rio de Janeiro, 22 de maio de 2018.

segunda-feira, 21 de maio de 2018

Sobre a economia de mercado fundada no encontro e sobre a economia de mercado fundada na sujeição

1.1) A verdadeira economia de mercado se pauta no encontro de pessoas na praça.

1.2) Se a praça é o ambiente da sociabilidade, onde as pessoas se conhecem e passam a amar e a rejeitar as mesmas coisas tendo por Cristo fundamento, então é também o encontro onde o necessitado encontra aquilo de que necessita. É essencialmente o lugar onde se serve ao próximo.

2.1) Se as pessoas se encontram na praça, então seus conflitos de interesse se resolvem em praça.

2.2) Por isso que o Fórum Romano era uma praça e um centro comercial - e lá as grandes decisões políticas e judiciais eram feitas, às vistas de todos. Se o Estado é integração, então ele reflete o estado de sua principal praça. Por isso, o Estado garante a liberdade onde o mercado reflete a realidade da praça: um lugar de encontro e não de sujeição. Esse é o Estado de Direito.

3.1) Onde se conserva o que é conveniente e dissociado da verdade, a liberdade será servida com fins vazios.

3.2) A moral será extremamente utilitarista e tenderá a se reduzir ao comando emanado na lei que regula as relações sociais.

3.3) Quando se fala em mercado, não se fala em encontro de vontades, mas na prática humana que interessa ao Estado, já que este parte do pressuposto de que o poder está nas mãos de um príncipe rico e poderoso, no sentido maquiavélico do termo, que pode ser um partido, como bem apontou Gramsci. E ele fará isso concentrando os direitos de usar, gozar e dispor em poucas mãos.

4.1) Se o mercado não se funda em pessoas, mas em ações impessoais que devem ser reguladas pelo direito, já que tudo está no Estado e nada pode estar fora dele e contra ele, então isto é uma característica gnóstica, pois a ações dos homens foram tomadas como coisa em si mesma, sem se levar em conta o caráter de alguém e a natureza do agente que praticou determinada ação.

4.2.1) Se as pessoas são substituíveis umas pelas outras - tanto na posição credora quanto devedora, tal como falei em artigos anteriores -, então as relações econômicas tendem a ser mecânicas e abstratas, pois se reduz à cartularidade e literariedade de um título de crédito. E isso leva ao relativismo moral e a liqüefação dos valores morais, já que tudo se reduziu ao vil metal, que não se reproduz, tal como acontece com um animal ou uma planta. 

4.2.2) Eis o Estado-mercado dos liberais que seguem a linha de Bobbitt: ele necessita do pensamento de Gramsci, Hobbes, Montesquieu e outros pensadores de marcadamente revolucionários. Ele resume bem o estado de natureza hobbesiano, bem típico da cosmologia protestante, onde o mundo é dividido entre eleitos e condenados, uma vez que a riqueza se tornou sinal de salvação e de salvacionismo do próprio status quo do Estado tomado como se fosse religião.
José Octavio Dettmann

Rio de Janeiro, 21 de maio de 2018.

Notas sobre a necessidade de preencher uma lacuna que há nos estudos católicos

1) Penso na existência de uma grande lacuna, em todos os Institutos de Estudos Católicos, no que tange alternativas socioeconômicas para o país.

2) Penso que nos falta um Centro de Estudos Econômicos baseados na Escolástica da Idade Média e principalmente na Escolástica Tardia de Salamanca. Não estou propondo a negação do Sistema Econômico do Distributismo, jamais: quero apenas levantar um contraponto ao Liberalismo destruidor e escravizador profano voltado ao mercado, mostrando o Liberalismo consciente da lapidação do Homem e equilíbrio da sociedade voltada aos preceitos Divinos: que não só existiu, como influenciou as escolas liberais de economia que os Iluministas tomaram para si e desfiguraram de acordo com seus interesses.

3) O Catolicismo Apostólico Romano e seus apologistas têm a função de buscar a salvação de seu próximo; se eles se negarem a influenciar o ambiente onde este próximo está inserido, não fica só mais difícil buscar a salvação de todos como facilita a influência do mal pelo mundo onde jaz o maligno.

Marcelo Dantas

Facebook, 21 de maio de 2018.
https://web.facebook.com/marcelo.dantas.961/posts/1051092711682533

Se o mercado é tomado como se fosse religião, então a economia será escravagista, pois tudo será fundado na sujeição e não no encontro

1) Se a noção de mercado é tomada como se fosse religião, em que tudo está no mercado e nada pode estar fora dele ou contra ele, então o mercado se torna o novo Estado, o novo príncipe. E a economia de mercado se torna sujeição e não encontro.

2) Como todo bom ídolo, o mercado tomado como religião é uma projeção sistemática da alma fundada no amor de si até o desprezo de Deus. E só idólatras vêem a riqueza como um sinal salvação e vêem a sociedade arbitrariamente dividida em eleitos e condenados, a ponto de a usarem de modo a conseguir benefícios.

3.1) Eles não percebem que a própria noção de mercado como sujeição - uma reprodução do estado de natureza hobbesiano - cria uma espécie de solidariedade forçada, mecânica.

3.2.1) Nessa solidariedade mecânica, as coisas tendem a ter um fim em si mesmo, inadmitindo abertura para a verdade, que é Cristo. E como todas as coisas que decorrem do homem são imperfeitas, então essas coisas tendem a se desgastar a ponto de se liqüefazerem ao entrarem em contato com a luz que não se apaga, que é de uma clareza meridiana. E quando essas coisas se tornam líqüidas, ocorre anomia na sociedade, a ponto de haver anarquia. 

3.2.2) A própria contradição dialética das coisas já vai criando os desgastes necessários a essa estrutura mecânica - a alma humana é voltada para a verdade e enxergá-las por meio do exame das contradições presentes nas próprias coisas existentes na realidade já faz com que essa estrutura acabe caindo por si mesma, pois ela é fora da conformidade com o Todo que vem de Deus. Afinal, nada pode subsistir sem Deus.

4) Eis as conseqüências do Estado-mercado fundado na sujeição e não no encontro.

José Octavio Dettmann

Rio de Janeiro, 21 de maio de 2018.

Crítica à afirmação de que devemos usar a sociedade

1) Liberais (libertários-conservantistas, como eu os chamo) falam em "usar a sociedade de modo a conseguir benefícios".

2) Destaco duas coisas: o verbo "usar" e o substantivo "sociedade".

3.1) Sociedade, para poder existir, pressupõe um contrato social.

3.2) Como é um ato inter vivos, ele só obriga quem está vivo e não quem ainda não nasceu. Como não assinei contrato social algum, então não sou obrigado a servir a um Estado tomado como se fosse religião, em que tudo está nele e nada pode estar fora dele ou contra ele.

3.3.1) Como não sou obrigado, por força de contrato, servir a um Estado tomado como se fosse religião, então eu não autorizei ninguém a usar minha força de trabalho de modo a colher benefícios com isso.

3.3.2) Para conseguir isso, a pessoa tem que ser íntegra e me convencer a fazer parte de um projeto onde tanto ele quanto eu colhamos benefícios mútuos. E isto só posso conseguir por meio de uma pessoa que eu conheça e que ame e rejeite as mesmas coisas tendo por Cristo fundamento.

3.3.3) Por isso, é ilusão pensar que conseguirei isso com desconhecidos que me surgiram à tona da noite pro dia reunidos numa mesa de modo a pensar a sociedade do amanhã, o que não passa de ilusão.

4.1) Além disso, o uso pressupõe o descarte.

4.2) Se uso a sociedade para colher benefícios, então não sou obrigado a ser leal a ninguém, o que faz com que a liberdade tenha fins vazios. Isso faz com que a moral seja relativizada, a ponto de o princípio da não-triação não ser observado, pois as pessoas estão conservando o que é conveniente e dissociado da verdade, que é Jesus Cristo.

4.3.1) Se o homem foi reduzido a homo oeconomicus e a um homo faber, então ele se reduziu à coisa, a um nada, a um escravo, a ponto de não ter direito à vida.

4.3.2) Se o principal não tem direito à vida, muito menos o acessório, sua mulher e seus filhos. E mais grave ainda se os filhos nascem com deficiência - para uma sociedade assim, os imprestáveis não têm direito à vida. Eis a eugenia.

5) Se tudo o que é sólido se desmancha no ar, então o caminho da transição entre o sólido e o gasoso está no líqüido. Se o líqüido assume a forma do recipiente que lhe é hospedeiro, então ele está conservando algo conveniente e dissociado da verdade, pois tudo se tornou utilitarismo. Não é à toa que o libertário-conservantista é o navio quebra-gelo do comunismo.

6.1) Seria mais sensato falar em comunidade e não sociedade.

6.2) A comunidade pressupõe comunhão, vida em comum. E a amizade é base da sociedade política. E para isso precisamos amar e rejeitar as mesmas coisas tendo por Cristo fundamento.

6.3) Cada membro da comunidade tem uma vocação - e essa vocação é servida aos demais de modo a gerar uma interdependência, o verdadeiro fundamento da solidariedade. É pela mútua assistência e mútua santificação sistemática que as pessoas tomarão o país como um lar em Cristo, a ponto de se prepararem rumo à pátria definitiva, a qual se dá no Céu.

6.4) Se há uma cultura de mútua assistência e mútua santificação entre as pessoas da comunidade, então o trabalho é o meio de santificar todas as coisas, o que confirma aquilo que São Josemaría Escrivá tanto sustenta. Assim a liberdade, pautada na verdade, terá sua justa utilidade, pois edificará algo concreto e duradouro: o bem comum, enquanto legado para as futuras gerações. E só é possível falar em tradição quando há um bem comum, algo que se incorpora à realidade concreta de tal maneira que faz as pessoas não esquecerem aquilo que foi esquecido. Afinal, a própria presença da coisa lembra às pessoas da necessidade de sua preservação, seu não esquecimento.

José Octavio Dettmann

Rio de Janeiro, 21 de maio de 2018.

Carlos Cipriano de Aquino:

1) Liberais não precisam de religião porque eles já possuem a deles: "o mercado". Tudo o que possa atrapalhar o funcionamento deste os asseclas do liberalismo atacam ferozmente e de todas as formas possíveis, assim como tudo o que o favoreça é defendido como dogma.

2) No fundo, a única coisa que eles querem é que nada atrapalhe o dinamismo peculiar do mercado.

José Octavio Dettmann: No fundo, o mercado para eles é sujeição - no final, pervertem a idéia de economia mercado fundada na conformidade com o Todo que vem de Deus, que se trata de encontro, de descoberta sistemática dos outros, a ponto de conhecer suas necessidades e assim supri-las.

domingo, 20 de maio de 2018

Viver sob a dependência dos pais é aprender a viver sob a dependência de Deus, se seus pais são virtuosos

1) Uma coisa é certa: os pais são a visão mais próxima daquilo que você pode ter de Deus. Se os seus pais são virtuosos, então obedecer a eles e cooperar naquilo de que necessitam é obedecer a Deus.

2) Conviver com os pais é um verdadeiro evangelho. Você aprende a depender de Deus ao depender de seus pais. Enquanto não se constrói a própria casa de modo a abrigar nela a esposa que colaborará contigo, você terá um porto seguro na casa de seus pais.

3.1) O mundo, sobretudo os EUA, ainda está muito encantado com a idéia de família nuclear, que é basicamente abolição da família enquanto porto seguro, a ponto de estar exposto aos riscos sociais dos que vivem para si até o desprezo de Deus
 
3.2) Enfim, esse negócio de ser independente e ter um amor de si a ponto de desprezar Deus não é comigo. Se tiver minha própria casa, eu a terei com a ajuda dos meus pais - e mesmo que eu não consiga uma segunda casa para abrigar a minha esposa e meus filhos, então a casa onde moro com eles já será um porto seguro, pois será o legado que me será passado e que preciso bem cuidar. 
 
3.3.1) Eu encaro o fato de morar com eles como uma oportunidade de poder prosperar, pois morando com eles eu praticamente não tenho despesa e consigo montar uma poupança - trata-se de uma verdadeira incubadora de empresas. Se o país não fosse esse atraso de vida, eu poderia ganhar muito mais dinheiro do que ganho hoje. 

3.3.2) Mas este é o tipo de coisa que não está sob o meu controle - a única coisa que posso fazer é escrever meus textos e falar o que tenho a dizer a quem está disposto a me ouvir. Se ganharei mais doações, por força do meu esforço em prol da verdade, então isso aí decorre da bondade de Deus. Por isso que preciso depender d'Ele, como dependi dos meus pais para poder escrever alguma coisa, quando não sabia ler e escrever, durante meu tempo de criança.
 
José Octavio Dettmann

Rio de Janeiro, 20 de maio de 2018.

sexta-feira, 18 de maio de 2018

Como a serpente é capaz de se limpar na própria sujeira - o caso do direito falimentar enquanto direito pessoal

1) No Gênesis, o pecado original foi induzido pela serpente. Como a serpente é capaz de morder a própria cauda, então ela é o símbolo da vida, a ponto de ser tornar um ciclo, um sistema fechado.

2) Se credores e devedores tendem a ser sucedidos sistematicamente ao longo do tempo, então a pessoa que estiver eventualmente assumindo a posição devedora não saberá quem é o verdadeiro credor da dívida, a ponto de não pagá-la ou pagá-la a um credor putativo. Com a dívida não paga, ou paga a um credor putativo - que pode até mesmo não fazer parte da relação de crédito e débito que circulou no mercado por meio de um título de crédito -, então os credores antecessores tendem a culpar uns aos outros bem como os devedores anteriores tendem a culpar uns aos outros, gerando uma perda da amizade com Deus sistemática. E uma expiação pelo pecado precisaria ser feita.

3) Como o Deus verdadeiro foi preterido por Manon, isso cria uma cultura de eleitos e condenados, configurada na figura da falência.

4) Em países como os Estados Unidos, a figura da falência tornou-se uma espécie de direito pessoal em tempos de crise, a ponto de gerar um verdadeiro negócio para certas empresas comprar dívidas vencidas ou mesmo prescritas, já que isso cria uma relação de negócios com os antigos credores, renovando o ciclo fechado em si mesmo. Como o comunismo, isso é se limpar na própria sujeira.

5.1) A única maneira de quebrar esse ciclo seria esmagando a cabeça da serpente, que se tornou um enorme dragão. E só uma pessoa pode esmagar a cabeça da serpente: a Virgem Maria, como foi atestado no apocalipse de São João.

5.2) Ela é que gerará o Salvador, que restaurará todas as coisas através de um sacrifício que será feito de uma vez por todas, para que tenhamos o perdão por nossos pecados.

José Octavio Dettmann

Rio de Janeiro, 18 de maio de 2018.

Notas sobre a perversão do direito pessoal em direito impessoal - o caso do direito empresarial fundado numa cultura em que a riqueza se tornou um fim em si mesmo

1) No direito fundado na ação humana economicamente organizada, ativo é o complexo de bens que se encontram na titularidade de alguém, em posição credora; passivo, por sua vez, é o complexo de obrigações de dar, fazer e não fazer que se encontram na titularidade de alguém em posição devedora.

2) As relações de crédito são relações pessoais, pois admitem que credor e sucessor sejam sucedidos a título universal, por força de herança, ou a título singular, por meio da cessão tanto da posição credora quanto devedora a outras pessoas estranhas ao contrato que gerou direitos e obrigações, seja a título gratuito ou oneroso. Muito diferente de uma relação personalíssima, que veda essa sucessão, pois essa dívida é fundada numa relação de afinidade de credor e devedor, a poder de gerarem uma affectio societatis, já que os dois são necessariamente amigos ou membros de uma mesma família.

3) Além disso, as relações entre credor e devedor podem recíprocas. A pode ser devedor de B e B pode ser devedor de A. Essas relações recíprocas são relativas a algo que A pode fazer por B e a algo que B pode fazer por A.

4) Se a dívida for posta pra circular - a ponto de credor e devedor serem substituídos por outras pessoas estranhas em suas respectivas posições, enquanto não ocorrer o advento do termo pelo qual a dívida fica vencida -, então a relação de crédito tende a se reduzir às suas funções, que é chamar dinheiro, a ponto de gerar uma espécie de teoria pura da ação humana fundada nisso, do ponto de vista econômico. Como as coisas tendem a se reduzir às suas funções, então assumir a posição credora ou devedora tende a ser muito arriscado. Como isso se tornou uma prática permanente em nossa sociedade, o risco de a dívida não ser paga tende a ser um risco social, a ponto de gerar um problema social, uma crise sistêmica onde os conflitos de interesse qualificados pela pretensão resistida tendem a ser sistemáticos. E nesse ponto, acaba criando um verdadeiro pecado perene, pois a definitividade da jurisdição tenderá a não pôr fim ao problema social.

5) Eis a prova cabal de que isso tem profunda relação com a gnose, pois a riqueza tende a se tornar um fim em sim mesmo, a ponto de se tornar uma espécie de salvação.

6.1) Isso existe porque a transmissão de um direito pessoal não se funda no princípio do idem velle, idem nolle

6.2) Se a transmissão dos bens observasse os princípios da fé católica, a dívida tenderia a ser extinta ou compensada a ponto de elevar o devedor a figura de sócio, a ponto de ambos, credor e devedor, trabalharem um em função do outro. E uma sociedade de confiança seria gerada nessa direção, pois o cedente seria veria na figura do cedido a figura de Cristo - e quem é devedor do cedente seguiria trabalhando com prazer para o cedido, já que Ele é verdadeiro homem, por imita o verdadeiro Deus que assumiu a forma humana.

José Octavio Dettmann

Rio de Janeiro, 18 de maio de 2018. 

quinta-feira, 17 de maio de 2018

Por que a definição de nacionidade de Borneman é falha?

1) Em debate com Ernst Gellner, constante na obra Belonging in the Two Berlins, Borneman estabeleceu a diferença entre nacionidade e nacionalidade. Enquanto nacionidade implica tomar o país como um lar, a nacionalidade - enquanto subproduto do nacionalismo - implica tomar o país como se fosse religião, em que tudo está no Estado e nada pode estar fora dele ou contra ele - eis o socialismo de nação, coisa que leva ao fascismo.

2.1) O problema da definição de nacionidade em Borneman é que não podemos tomar o país como um lar "ensimesmadamente", como diria Ortega y Gasset.

2.2) Tomar o país como um lar depende da presença de um ser concreto que seja capaz de reagir aos fatos da realidade (as circunstâncias sociais, climáticas, econômicas, políticas e culturais) de modo a reabsorvê-los e contribuir para a comunidade política à qual este tem vínculos, por força do domicílio. E ele deve fazer essa contribuição com base naquilo que tem de melhor, que são os seus dons - e esse dons são distribuídos desigualmente a todos os membros da comunidade, da parte de Deus, uma vez que Ele isto como algo bom, de modo a favorecer a integração entre as pessoas, essencial para a solidariedade.

2.3) Os vínculos são medidos à medida em que este descobre outros agentes capazes para tal trabalho e os ensina a poderem fazer o mesmo trabalho que ele faz, de modo que este tenha continuidade, quando vier a falecer - se a união faz a força, então é preciso essas pessoas todas amem e rejeitem as mesmas coisas tendo por Cristo fundamento, já que Jesus é o verbo que se fez carne e que passou a fazer santa habitação em nós, por meio da santa eucaristia.

2.3) Se a verdade é o fundamento da liberdade, então a eucaristia enquanto memorial faz a pessoa agir no mundo com senso de responsabilidade individual, preparando os que habitam na terra natal para a pátria definitiva, a qual se dá Céu - e ele o faz na forma de um legado cultural.

3.1) Quando o país é tomado com um lar em si mesmo, você retira a responsabilidade pessoal, que é própria das pessoas concretas perante o verdadeiro Deus e verdadeiro Homem, e você passa a reduzir tudo a uma responsabilidade institucional, corporativa, reduzindo os seres às suas funções e utilidades, a ponto de tudo ficar nas mãos do Estado. 
 
3.2) Não é à toa que a impessoalidade leva à irresponsabilidade - e a irresponsabilidade leva a pecados perenes. E também não é à toa que o igualitarismo leva ao totalitarismo, pois nega a responsabilidade pessoal, a ponto de afastar as pessoas da conformidade com o Todo que vem de Deus.

José Octavio Dettmann

Rio de Janeiro, 17 de maio de 2018 (data da postagem original).

quarta-feira, 16 de maio de 2018

Onde as coisas não são pautadas pela razão, a vida será um eterno drama

Uma outra americana me pergunta:

_ What do you do for a living? (Ou em bom português: o que você faz na vida?)

Eu respondo:

_ I am a writer. I am using to write about politics, philosophy, laws as well about Brazilian and Portuguese History. (Eu sou escritor. Escrevo sobre política, filosofia, direito, bem como sobre a História do Brasil e a de Portugal).

Ela me pergunta:

_ You seem like a more responsible me! Do you think we can meet in person? Too bad you live very far from me. (Você espelha muito bem uma versão mais responsável da minha pessoa, algo que preciso buscar seriamente. Acha que podemos nos encontrar pessoalmente? Pena que você mora muito longe de mim).

Eu respondo, com toda a sinceridade, já que sou uma pessoa realista, algo que é bem raro em minha terra:

_ Right now, I am unable to visit you in US. Traveling abroad is very expensive in Brazil. I can't guarantee you that I will visit you soon. If I could, I would move into your country. I would consider to move into somewhere safe in US. I know there are some places that are safe, especially if they are not under a liberal gonvernment like Chicago, for instance. (No momento, não estou podendo te visitar nos EUA. Viajar pra fora do Brasil é muito caro. Não posso te garantir que vou te visitar logo. Se pudesse, eu me mudava para o seu país - eu me mudaria para um lugar que fosse seguro, pois sei que há alguns lugares nos EUA que são assim, principalmente se eles não estão sendo governados pelos democratas, os esquerdistas americanos. E esse lugares não são como Chicago, a terra do Obama).

Comentários a este diálogo:

1) Algumas pessoas preferem ter um encontro real. A pessoa com que converso neste diálogo gostou de mim e achou que fosse uma pessoa responsável (como de fato sou - quem me conhece sabe que sou assim).

2.1) Infelizmente, as coisas no Brasil não se pautam pela racionalidade. O país é dominado pela mentalidade revolucionária desde que se separou de Portugal. O Brasil trocou aquilo que se fundou em Ourique (que é servir a Cristo em terras distantes) por uma utopia, pela mania de grandeza, a ponto de querer ser o Império dos Impérios do mundo. E tal como a Espanha, ir em busca de si mesmo é prelúdio de fracasso.

2.2) Não tenho culpa de haver nascido aqui. Desde que a democracia foi restaurada, em 1985, o país foi sendo sistematicamente sucateado. Foram mais de 30 anos de domínio comunista - desde 1994 a eleição está polarizada entre os fabianos e os revolucionários radicais.

2.3) A coisa só foi mudar de figura mesmo a partir do momento em que a internet passou a moldar a política nesta terra, de 2004 pra cá E só em 2014 é que veio de fato uma revolução. Pela primeira vez na História, o povo está acordado e não vai tolerar mais essa palhaçada que há muito tempo nos domina. Há muito a ser feito ainda. Pelo menos, eu tenho um consolo, já que não posso garantir a estas pessoas que encontro no caminho a certeza de que irei visitá-las em seus países.

2.4.1) Se os brasileiros tivessem a cultura de doação, tal como há nos EUA, eu seria muito bem pago para fazer o que faço aqui, fora que seria muito bem protegido de alguma eventual agressão vinda de um comunista.

2.4.2) Por enquanto, eu não tenho isso - e sei que com isso eu não posso contar, pois a mentalidade de conservar o que é conveniente e dissociado da verdade é muito forte por aqui.

José Octavio Dettmann

Rio de Janeiro, 16 de maio de 2018.

Depois dizem que os brasileiros somos imbecis

Uma texana me pergunta:

_ Alguma vez você já esteve nos EUA?

Eu respondi isto a ela:

_ Eu ainda não tive a oportunidade de fazê-lo, mas meu irmão já. Ele esteve na Flórida, em Nova York e em Washigton D.C. Numa segunda viagem, ele também esteve em Los Angeles. Meu irmão e minha cunhada gostam de viajar - eles acabaram de partir pra Europa agora.

_ Parece-me que você não gosta de viajar - disse a texana.

_ Não é isso. É que viajar pra fora é muito caro. Eu não ganho o suficiente pra isso. Se pudesse fazê-lo, eu me mudava para os Estados Unidos - domino bem o inglês e há ainda lugares seguros. O ideal seria que eu fosse para a Polônia, pois o povo de lá tem uma visão de mundo muito parecida com a minha, além de ser muito seguro por lá. Mas ainda não domino a língua deles.

(Depois falam que brasileiro é imbecil. Nas minhas conversas com gente daqui, a única pessoa que não juntava o lé com o cré direito foi a única namorada que eu tive - ela justamente levou um pé na bunda de minha parte porque não assimilava direito a realidade das coisas ditas, fora que gostava de opinar sobre coisas que sequer compreendia, coisa que abomino. Onde foi que eu disse que eu não gosto de viajar? Eu apenas disse que não tive a oportunidade de viajar pros EUA, por conta da falta de dinheiro).

José Octavio Dettmann

Rio de Janeiro, 16 de maio de 2018.