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domingo, 21 de janeiro de 2018

Resumo Histórico sobre a República Romana - da queda de Tarquínio, o soberbo, até a ascensão de Cômodo

1) Pouco depois que os romanos se livraram de Tarquínio, o soberbo, os romanos começaram a observar os regimes dos outros povos de modo a imitá-los na virtude, uma vez que um bom regime de governo distribui virtude a todos que tomam o país como um lar. E isso é um caminho que estava sendo preparado para que Cristo, o evangelizador por excelência, pudesse passar, dado que todas as coisas seriam tomadas como um lar n'Ele, por Ele e para eEe.

2.1) De todos os regimes do mundo conhecido, havia dois em especial: o regime político de Esparta, fundado por homens livres dedicados aos negócios públicos e à guerra, e o de Atenas, uma cidade comercial onde todos os homens tinham voz e voto.

2.2) Como a polis ateniense tende a ser tomada como um fim em si mesmo, então a concupiscência dos comerciantes incutiu no povo da cidade a falsa noção de que a riqueza era um sinal de virtude, a tal ponto que os cidadãos mais ricos e influentes da cidade, ao falarem em nome dos mais pobres, começaram a fazer demagogia, o que levou o regime de Atenas a se degenerar.

2.3) Ao verem o exemplo de Atenas e o exemplo de Esparta, a jovem República Romana optou pelo regime da república aristocrática de Esparta, uma vez que a guerra deve ser usada para se defender de uma injúria ou de uma agressão injusta, seja contra Roma ou contra os amigos de Roma.

2.4.1) O exemplo de Roma se espalhou por toda a Península Itálica. 
24.2) Roma expandiu boa parte de seu território por força da proteção que oferecia aos amigos e por conta do casamento do patriciado com a nobreza das cidades-Estado amigas, criando um laço de federação fundado na mais pura lealdade, já que os amigos de Roma se tornaram parte da família Romana, a tal ponto que os soberanos das cidades-Estados amigas deram aos romanos o direito de assumirem o governo das cidades e fazerem delas um lar tal como Roma, que se tornou a capital, o modelo de toda essa República virtuosa. Esse modelo serviria de base para a monarquia republicana portuguesa.

3.1) Num mundo violento e pagão, a República Romana sempre sofreu muito com corrupção, já que o território estava começando a ficar muito grande e dependia de um número cada vez maior de pessoas vocacionadas aos assuntos de Estado de tal maneira a manter o território conquistado, a tal ponto que a República Romana costumava ter crises por conta da relativização de seus valores a cada geração. Isso começou a se agravar quando a República Romana passou a ser comercialmente próspera, após a conquista de Cartago. A concupiscência dos comerciantes estava instalada na República, tal como aconteceu com Atenas. Por força da atividade mercantil, plebeus começaram a ficar ricos. Por força da Lei Canuléia, os plebeus passaram a se casar com patrícios, degenerando a nobreza, a tal ponto que Roma virou oligarquia, a tal ponto que a nobreza foi dividida entre optimates e os populares, os que estavam falando em nome do povo, dos plebeus, fazendo demagogia, criando um verdadeiro governo de facção.

3.2.1) Durante essas crises, havia revoltas constantes, a tal ponto que ditadores eram chamados de modo a dar conta das rebeliões internas. Um desses ditadores foi Sulla. E após a morte deste, Roma foi governada por três homens: César, Pompeu e Crasso.

3.2.2) Com a morte de Crasso, Roma caiu novamento num governo de facção, o que levaria a República a modificar seu regime: Pompeu liderava os optimates e César os populares. César venceu, passou a ter poder absoluto e por isso foi assassinado. Octavio, seu sobrinho, restaurou os valores tradicionais da República, a tal ponto que estabeleceu o principado, onde o primeiro cidadão de Roma, o cônsul, tinha que servir de exemplo de virtude para toda a federação, moderando os conflitos entre os populares e os optimates.

3.2.3) Durante o tempo de César, Roma tomou contato com o Egito. César teve um relacionamento com Cleópatra e com ela um filho, que seria governante de dois povos em sua pessoa.

3.2.4) Para evitar a influência de um governo estrangeiro em Roma, Octavio invadiu o Egito, já que Marco Antônio passou a ser protetor de Cleópatra, a ponto de trair os valores tradicionais da República Romana. E o Egito foi conquistado.

3.2.5) De Octavio até Marco Aurélio, houve uma série de 5 bons príncipes. O último ótimo príncipe, Marco Aurélio, ao invés de deixar o poder nas mãos de um sucessor bem preparado nos assuntos de Estado, quis deixar o poder nas mãos de seu filho, Cômodo.

3.2.6) Como Cômodo vivia conservando o que era conveniente e dissociado da verdade, então a República Romana caiu, a tal ponto que os novos imperadores, por salvacionismo, se proclamavam deuses vivos, ao imitarem o exemplo dos egípcios. Os romanos, desde a conquista do Egito, quiseram imitar os egípcios no tempo dos faraós - como era um dado cultural, então os governantes estavam em conformidade com o Todo que vinha dessa cultura, que relevava as virtudes pelas quais a República Romana foi fundada.

3.2.7) Somente com a adoção do Cristianismo, que dava aos pagãos a herança que o Deus verdadeiro deu aos judeus, por força de tê-los liberto da escravidão no Egito, é que a virtude republicana romana foi restaurada, mas para isso o Império Romano, por força do paganismo, teve que cair.

3.2.8) Os bárbaros foram cristianizados e aprenderam o que de bom havia em Roma, fundando reinos cristãos virtuosos. O primeiro desses reinos cristãos foi a França, que se tornou a filha favorita da Igreja.

José Octavio Dettmann

Rio de Janeiro, 21 de janeiro de 2018.

sábado, 20 de janeiro de 2018

A concentração de grandes complexos fabris em poucas mãos deu causa ao desemprego estrutural, desde que o robô foi introduzido nas indústrias

1) Fábricas são complexos industriais onde a administração é centralizada e focada na tarefa. E a tarefa tende a ser simples e repetitiva.

2) Antes dos robôs, os trabalhos eram feitos por seres humanos. Muitos sofriam de lesões decorrentes do esforço repetitivo.

3.1) Com a implementação do robô, que é muito bom para esse tipo de trabalho, isso causou desemprego estrutural. E esse desemprego estrutural foi gerado por conta de as fábricas terem se tornado a espinha dorsal da economia de uma nação inteira.

3.2) Se o país é tomado como se fosse religião, então o economicismo - o amor ao dinheiro, que é tomado como se fosse Deus - se torna religião - como a indústria transforma matéria-prima em produto de primeira ordem, feito para atender necessidades humanas, então o industrialismo se tornou sinônimo de transformação social, de progressismo inexorável. E com isso, os capitães de indústria passaram a ter a impressão de que tinham poderes mágicos.

4) Um complexo industrial precisa ocupar grandes extensões de terra e ter uma estrutura centralizada para poder funcionar. E isso implica concentrar o poder de gozar, usar e dispor em poucas mãos, dado que só gente endinheirada terá complexos industriais de grande monta.

5) Se o conhecimento para fabricar robôs e todo o material necessário fosse distribuído a toda população comum realmente interessada em produzir produtos que atendessem as necessidades das pessoas sistematicamente, então qualquer casa do país poderia virar uma pequena fábrica, a tal ponto que produtos de tudo quanto é tipo seriam fabricados pelas famílias e poderiam estar disponíveis nos mercados. Haveria uma grande variedade de marcas de tudo quanto é tipo - e isso seria benéfico ao consumidor, dado que ele teria mais liberdade de escolha e poderia levar um produto com qualidade caseira e feito sistematicamente de modo a se preservar a qualidade do produto.

6) Para alguns consumidores mais exigentes, algumas famílias se especializariam no produto mais artesanal, com série limitada. E perceberiam uma alta renda por força disso.

7.1) Na economia familiar, leva-se em conta o fato de que o trabalho enobrece - como ele é feito com excelência, a melhor matéria-prima é buscada e adquirida - e o método para se converter matéria-prima em trabalho acabado é o melhor possível.

7.2) Quando um produto familiar é muito demandado, robôs seriam usados de modo a se atender a demanda com mais eficiência. Mas isso é uma questão de escolha - algumas famílias preferirão trabalhar da forma mais artesanal e outras preferirão trabalhar de modo a atender necessidades de massa. São nichos de mercado diferentes.

7.3) Afinal, numa economia familiar não há competição, mas colaboração - e na colaboração membros da família A (que trabalha com economia artesanal) e B (que trabalha para atender necessidades de massa) podem freqüentar a mesma missa, tomar café da manhã juntos e conversar sobre coisas importantes, a ponto de trocarem conhecimentos entre si. Algo que é inconcebível no mundo moderno, onde o sigilo é a razão de ser todas as coisas, dado que o concorrente é um inimigo que precisa ser eliminado, uma vez que a riqueza virou salvação, num gnosticamente divididos entre eleitos e condenados.

José Octavio Dettmann

Rio de Janeiro, 20 de janeiro de 2018.

Da riqueza como ponte e como muralha

1) A riqueza deve ser usada de modo a criar pontes, facilitando não só a integração entre as pessoas mas também para incutir nelas um senso de responsabilidade, pois é preciso servir aos nossos semelhantes de modo que a ordem que ajudamos a construir também nos sirva, quando mais precisarmos.

2.1) A riqueza não pode ser usada como um muro. É dos inimigos, e não dos amigos, que aprendemos a construir muros, já que as causas de uma guerra de agressão se devem à inveja e à ganância sem limites, o que é fora da conformidade com o Todo que vem de Deus.

2.2) Num mundo dividido entre eleitos e condenados, a riqueza é vista como um sinal de salvação, um tipo de muro - e toda filantropia que fazemos é por força de ajudarmos os eleitos, uma vez que não estamos olhando a quem estamos ajudando, uma vez que o bem, fundado na liberdade, está voltado para o nada, por conta da relativização da verdade.

2.3) Na filantropia, nós fazemos uma verdadeira publicidade, criando uma falsa aparência de bondade - e não é à toa que Cristo disse que a mão esquerda (a mão que recebe) não deve saber o que a mão direita (a mão que doa) faz, dado que é por força desse mistério que vemos a presença de Deus naquela pessoa pessoa que doa.

3.1) Quando a riqueza é usada como ponte, nós reconhecemos que somos competentes e incompetentes ao mesmo tempo.

3.2) Se ajudamos a alguém que ama e rejeita as mesmas coisas tendo por Cristo fundamento, então nós estamos dando liberdade para essa pessoa fazer o que precisa ser bem feito dentro dos limites da doação que fazemos; se dou a ela R$ 100,00, então estou permitindo que essa pessoa se aprimore intelectualmente e escreva artigos melhores, com base nos livros que comprou, dentro do limite de R$ 100,00.

3.3) Se o trabalho dessa pessoa rende muito fruto com pouca leitura, então ela merece muito mais do que R$ 100,00 - ela precisará de mais dinheiro de modo que possa contratar tradutores e transcritores de modo que faça um melhor trabalho possível - e neste ponto, eu preciso ajudá-la a ganhar ainda mais dinheiro, pois esse trabalho intelectual organizado é nobre e santificador por si mesmo. Aqui no Brasil não temos essa consciência, mas nos EUA esse tipo de coiss existe - o professor Olavo falou muito sobre isso em uma de suas aulas.

4.1) Quando a riqueza é vista como um salvação, ela denuncia a salvação do homem de si mesmo por seus próprios méritos, uma fuga da responsabilidade. A famosa cultura do jeitinho brasileiro aponta que as pessoas vêem a riqueza como uma salvação.

4.2.1) O professor Olavo aponta que um povo é dinheirista demais quando tende a investir seu dinheiro em luxos, a ponto de se tornar uma classe ociosa.

4.2.2) Muitas pessoas aqui no Rio estão imitando o exemplo dos emergentes da Barra da Tijuca, gastando o dinheiro como futilidades e não incentivando os verdadeiros trabalhadores a servirem melhor aos seus semelhantes.

4.2.3) Isso é um indicio de que o Brasil imitou os EUA no que há de pior: na ética protestante. Se o Brasil tivesse olhado para sua rica herança portuguesa, poderia ser mais rico ainda, não só materialmente como também espiritualmente - e essas duas riquezas, quando casadas, fazem o país ser tomado como se fosse um lar em Cristo, o que nos prepara para a pátria definitiva, a qual se dá no Céu.

4.2.4) Esta é uma das razões pelas quais eu odeio esses que querem seguir o modelo anglo-saxão, conservando de maneira conveniente e dissociada da verdade essa secessão que o país fez contra Portugal e contra aquilo que foi fundado em Ourique.

José Octavio Dettmann

Rio de Janeiro, 20 de janeiro de 2018.

Uma boa história começa com um boa cadeia causal entre pessoas, fatos, atos, coisas e circunstâncias

1) Um esquema narrativo pode ser criado a partir de uma cadeira causal.

Eis um exemplo:

A) A conhece B

B) B é livreiro

C) B conhece C, que tem uma coleção de livros que herdou de D.

D) C quer se desfazer da coleção herdada. Sabe que B é livreiro e oferece a este a coleção em consignação.

E) A coleção é cheia de livros de poesia, ficção e não-ficção.

F) A demanda por livros de sociologia. Como sociologia é livro de não-ficção, então B consegue vender alguns livros da coleção, que eram de sociologia.

G) Por força de todas essas circunstâncias, B conseguiu fazer a venda para C. E obteve um boa comissão por força do esforço de venda.

2) A forma como você converte esse esquema causal em palavras, diálogos e descrição dos atos dos personagens é que vai fomentar a imaginação do leitor.

3.1) Um ficcionista imaginário não cria do nada. Ele monta esquemas causais antes de criar um esquema narrativo altamente eficaz, de modo a trazer ao leitor as impressões corretas com relação àquilo que precisa ser visto e que não é. E para ver o que não se ver, então é preciso imaginar.

3.2) Se o lucro é ganho sobre a incerteza, então isso precisa ser posto em evidência. E é só por meio de literatura sensata que se combate a má sociologia e a má antropologia fundadas no materialismo histórico-dialético.

José Octavio Dettmann

Rio de Janeiro, 18 de janeiro de 2018.

Notas sobre a importância de se criar uma cultura literária sistemática, onde todos os homens são capazes de fazer registros autênticos do que vêem, ouvem ou sentem

1) Eu sempre tenho por hábito escrever sobre as coisas que faço e sobre o que sei. E sempre que posso, costumo fazer análise das coisas que vejo e ouço.

2) Quando conheço uma pessoa, eu costumo manter um registro das minhas impressões sobre essa pessoa, a respeito do que ela faz ou fala. E com base nisso, vou fazendo análises dessa pessoa, analisando qual seria sua provável reação se ela estivesse numa determinada circunstância de vida. Com base no fato de que isso é possivelmente verdadeiro, um personagem pode ser criado a partir de um modelo humano real que você conheceu na sua própria convivência ou por meio de meios mediatos, como livros, filmes e até noticiário.

3) Quando exerço uma atividade profissional que me leva a lidar com vários tipos de pessoas, eu preciso manter um registro de cada pessoa que conheço, desde seu conhecimento profissional,de suas vantagens e desvantagens personalíssimas fundadas no seu caráter, além de saber que tipos de coisa ela gosta e não gosta de fazer, se ela possui alguma coleção, se tem livros relevantes que podem me ser emprestados ou vendidos e muitos outros detalhes.

4.1) Uma função empresarial pode ser montada com base no conhecimento que você tem acerca das pessoas. 
 
4.20 E quando você conhece a alma de cada pessoa, por força da convivência, você pode fazer a ponte, a corretagem espiritual de modo que haja uma melhor integração entre as pessoas aconteça, de modo que um bom acordo seja bem feito. É por isso que economia é sempre uma relação interpessoal, uma vez que a impessoalidade nega todo esse conhecimento e toda a possibilidade de se conhecer o que decorreria do que as pessoas são ou poderiam ser.

5.1) A cultura do registro pede homens sistematicamente cultivados no domínio da língua e capazes de captar as nuances das coisas por meio dos sentidos. E isso se faz por meio do domínio da linguagem.

5.2.1) Uma relação de oferta e demanda na economia pode ser melhor entendida se você entender o perfil de cada pessoa ao seu redor, em suas circunstâncias, o que pede que você conheça a alma das pessoas sistematicamente.

5.2.2) Neste ponto, o conhecimento de psicologia é essencial para conhecer os motivos determinantes que fazem uma pessoa escolher um critério a e não b de modo a exercer uma atividade econômica organizada, uma vez que o lucro se funda num ganho sobre a incerteza, uma vez que a vida é um vale de lágrimas, uma incerteza sistemática.

5.2.3) Se houver uma cultura literária, onde as pessoas fazem registros autênticos de tudo o que vêem e sentem, então haverá um verdadeiro tesouro a ser explorado nos arquivos das famílias, cheio de experiências humanas e sociais que poderiam ser usadas para se entender um pais inteiro, de modo a ser tomado como se fosse um lar em Cristo. 
 
5.2.4) E neste ponto, o arquivo nacional só será necessário para você entender os atos administrativos e decisórios de um país, dado que essas funções são típicas de governo, uma vez que não há substituto para isso. 
 
5.2.5) Ao comparar o que ocorre no governo e o que ocorre no âmbito do que você conhece das famílias, você poderá dizer se o país se está sendo tomado como um lar em Cristo ou como se fosse religião, em que tudo está no Estado e nada poderá estar fora dele ou contra. 
 
5.2.6) E quando o Estado é tomado como se fosse religião, o que haverá é ignorância sistemática, a ponto de não haver registros de experiências relevantes para a alma humana.

José Octavio Dettmann

Rio de Janeiro, 20 de janeiro de 2018.

Notas sobre distributivismo e robótica

1) Em determinadas tarefas, o homem é o melhor operário. Ele é muito bom em tarefas complexas (como análise e raciocínio, bem como criação, tal como design, arquitetura, pintura, escrita etc)

2.1) Em outras tarefas, o robô é o melhor operário, dado que ele é capaz de fazer tarefas simples e repetitivas.

2.2) Em determinas cirurgias, o robô é necessário, pois o ser humano pode ficar cansado e precisa ser substituído, após muito tempo fazendo o mesmo trabalho - e nem sempre o substituto humano é capaz de fazer o mesmo tipo de trabalho, no mesmo gênero, quantidade e qualidade. Como isso pede repetição, um robô pode fazer, tornando um trabalho humano, antes infungível, fungível. Basta que ele esteja programado a fazer o que operário humano é capaz de fazer tecnicamente, na sua melhor condição física e mental. Assim ele se torna vigário daquele operário humano, enquanto ele recupera suas forças, tecnicamente falando.

3.1) Para que uma família faça da sua casa uma pequena indústria, é crucial que haja alguém na família que seja capaz de criar robôs.

3.2) Se houver na família um artesão, basta que este crie uma peça original, um conceito - e o robô só faz o trabalho de reproduzir a peça em larga escala. Para garantir a autenticidade da peça, o artista assina a peça com uma caneta cuja tinta tem o seu DNA - e a tinta da caneta vem de um fio de cabelo desse artista.

4.1) O maior problema hoje em dia é a possibilidade de as famílias criarem seus próprios robôs e poderem fabricar coisas de modo a atender às necessidades das pessoas sistematicamente, favorecendo assim uma maior integração dessas pessoas. E por força dessa integração, as pessoas se tornam mais responsáveis umas com as outras.

4.2) Fabricar robôs que façam o trabalho de repetir o que já foi feito ainda é caro e pede conhecimento especializado. E esse conhecimento ainda está protegido por sigilo industrial - e é esse sigilo que faz com que as indústrias tenham um grande poder de usar, gozar e dispor, criando um verdadeiro monopólio, criando toda uma manipulação social, através dos sucessivos lobbys no governo de modo a tornar a população refém do amor próprio dos capitães da indústria, pois estes vêem a riqueza como um sinal de salvação, o que é fora da conformidade com o Todo que vem de Deus.

4.3.1) Se o monopólio gera abuso, então seria sensato que o governo aliado à Santa Religião quebrasse o monopólio de tal maneira que qualquer um do povo fosse capaz de fabricar seus próprios robôs, uma vez que é função do governo proteger a sociedade dos abusos, principalmente daquela decorrente do poder econômico (um exemplo disso podemos ver no caso da quebra de patentes de modo a produzir remédios genéricos - é desumano ver pessoas morrerem, uma vez que as empresas amam mais o dinheiro do que a Deus, dado que a riqueza é vista como um sinal de salvação).

4.3.2) Uma medida administrativa poderia ser feita no tocante a remover o privilégio temporário das empresas, se elas começarem a promover produtos que atentem contra os valores da pátria e que fazem o país ser tomado como se fosse um lar em Cristo.

4.3.3) Se essa quebra de patentes acontecer, de modo a impedir que o poderio econômico de uma grande empresa domine uma sociedade inteira, então ocorrerá uma desconcentração da indústria a ponto de fazer a mais humilde casa do país uma pequena fábrica. E neste ponto, a revolução industrial acaba sendo afetada pelo distributivismo, dado que qualquer um pode ter sua própria fábrica, ao fabricar seu próprio robô. O que ocorrerá será uma grande restauração da propriedade, sistematicamente falando - uma contra-revolução industrial, dado que transformar matéria-prima em produto acabado sistematicamente estará ao alcance de todos.

4.3.4) Neste sentido, o distributivismo é a aplicação da virtude republicana dos romanos no campo econômico. A concentração de usar, gozar e dispor em poucas mãos faz um homem dominar outro homem, a ponto de reduzi-lo à escravidão - e foi contra essa tirania que os romanos buscaram a república.
José Octavio Dettmann

Rio de Janeiro, 20 de janeiro de 2018.

quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

Todo católico que se vale da ética protestante no tocante à economia é um herege e cismático

1.1) Todo aquele que se diz católico da boca para fora é no mínimo incoerente, ao se dizer católico e defender uma cultura econômica que decorre do fato de a riqueza ser vista como um sinal de salvação, a ponto de a liberdade de servir ser voltada para o nada.

1.2) Afinal, não dá para ser católico nos costumes e valer-se da ética protestante na economia, uma vez que o espírito do capitalismo é o espírito da riqueza como um sinal de salvação, em que o mundo é dividido de antemão entre eleitos e condenados, em que o objetivo do forte é destruir o fraco e não fundir-se com ele - o que é fora do que a Santa Madre Igreja ensina.

2.1) Todo aquele que vive a vida em conformidade com o todo que vem de Deus deve fazer da sua atividade profissional um apostolado - e esse apostolado deve ser feito de modo que todas as coisas apontem para Deus. E isso é ser Cristão no sentido verdadeiro da palavra.

2.2) Se ele realiza atividade organizada de modo a empregar gente que colabore com ele nesse sentido, então ele deve recrutar gente que ame e rejeite as mesmas coisas tendo por Cristo fundamento. E isso faz da oferta de emprego um tipo de evangelização.

2.3) Afinal, os que estão sujeitos à sua proteção e autoridade são seus amigos e, de certo modo, são como seus filhos. E isso faz da empresa um tipo de família ampliada, um segundo lar.

3.1) Um bom patrão não demite bons empregados, da mesma forma que um pai não nega a paternidade de seus filhos, quando estes pecam miseravelmente contra ele. Na verdade, o que esse bom patrão dá a eles é a liberdade para que possam criar uma empresa afiliada a dele de modo a atuar em outros ramos de atividade, para estes que sejam ocupados. experimentados e explorados, complementando a atividade principal do patrão, uma vez que este, por não ser Deus, não pode dar conta de tudo.

3.2) Por força disso, uma guilda se compõe de empresas associadas por gente do mesmo ramo ou de ramos conexos. E o princípio dessa associação, dessa união se dá por força da amizade, por conta de se amar e rejeitar as mesmas coisas tendo por Cristo fundamento sistematicamente, visto que a riqueza é essencial para se construir um bem comum de modo que o país seja tomado como um lar em Cristo, o que nos prepara para a pátria definitiva, a qual se dá no Céu.

José Octavio Dettmann

Rio de Janeiro, 18 de janeiro de 2018.