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segunda-feira, 31 de agosto de 2020

Por que encontrei nos estudos a minha razão de ser diante dessa crise que assola o Brasil, desde que a capital foi pra Brasília?

1) Em matéria de notícia pessoal, não tenho nada a contar. Basicamente não saio de casa (não só em razão da peste chinesa, como também a cidade onde moro, o Rio de Janeiro, passou a ser uma cidade cuja razão de ser se perdeu, desde que a capital mudou-se para Brasília).

2.1) Como não há muitas opções na cidade de lazer, voltei minha vida para dentro de casa, para os estudos. 

2.2.1) Basicamente, o trabalho intelectual tornou-se a razão de ser da minha vida, meu sustento pessoal ante a essa ordem de coisas onde nada faz sentido. 

2.2.2) Por isso, quando falo de política, história, direito e filosofia, eu me sinto realizado - estou remando contra a maré, já que estou me elevando, não me rebaixando a este mundo decadente que se impõe sobre a minha cidade.

3) Posso correr o risco de ser chato quanto a isso, mas esta é a única coisa que eu faço, pois foi justamente a que sobrou, enquanto todas desabaram ante a mais completa falta de sentido imposta pelo conservantismo político da república brasileira.

4) E sobreviver ao conservantismo, à perda completa de sentido da vida, é o segredo para poder progredir, se expandir e superar essa ordem odiosa de coisas. Isso não pode vencer você, uma vez que isso não está me vencendo. Conheço bem as razões deste mal - estou lutando contra isso na minha vida particular. O único meio de ação possível é escrever para quem me ouve na rede social, já que sair à rua não é possível.

5.1) Fujo das pessoas vazias e das que não se interessam por política porque não dá para se ter uma conversa produtiva com elas.

5.2.1) Viver alheio a este estado odioso de coisas não é uma opção, pois não há o direito de ser tolo, mas o dever de aprender a realidade de modo a vivermos a vida em conformidade com o Todo que vem de Deus. 

5.2.2) Por isso, ser inteligente, ser capaz de compreender as coisas tais como elas são, é um dever fundamental para a própria sobrevivência neste vale de lágrimas. 

5.2.3) Buscar felicidade nele é, portanto, uma grande tolice - a única coisa que pode nos deixar satisfeitos, momentaneamente felizes, é compreendermos a razão pela qual fomos feitos: para servirmos a Cristo em terras distantes, tal como foi estabelecido em Ourique. E desde 1822 nos desviamos desse caminho, dessa razão de ser. Por isso que esta luta se impõe não só a mim, mas também a quem me ouve, pois o Brasil precisa voltar aos trilhos o quanto antes, antes que sucumba.

José Octavio Dettmann

sábado, 29 de agosto de 2020

Da importância do conhecimento da história local para se formar bons vereadores

1) Fernando Melo, do canal Comunicação e Política, falou que a palavra vereador está muito relacionada à palavra vereda (caminho).

2) Eu poderia ser um bom candidato - como meu conhecimento de história do município do Rio de Janeiro é nulo, eu não posso contribuir em nada para o bem comum, neste aspecto.

3) Se meu conhecimento fosse bom, poderia oferecer propostas e até apontar alguma direção, algum caminho, o que me tornaria candidato natural à vereança.

4.1) Se fosse historiador formado e tivesse acesso aos arquivos públicos do Município do Rio de Janeiro, meu projeto seria escrever um livro contando a História da Cidade do Rio de Janeiro da sua fundação até os dias atuais. 

4.2) Isto seria um importante subsídio para se tomar a cidade como um lar em Cristo, o que é essencial para se criar caminhos que levem a cidade a ter um novo sentido, desde que deixou de ser capital.

4.3) Como bem apontou Ítalo Lorenzon do canal Terça livre, o Rio de Janeiro decaiu porque perdeu o seu completo sentido. E para se recuperar o seu completo sentido, então devemos estudar a História do município, coisa que sequer é ensinada nas escolas municipais. 

José Octavio Dettmann




Notas sobre Brasília, enquanto capital que resume a mentira de que o Brasil foi colônia de Portugal

1) Quando a capital foi deslocada para Brasília, foi-se quebrado o elo entre a classe política e seu povo. A capital foi fundada no meio do nada, inacessível a qualquer pessoa do povo. Até hoje, Brasília é única capital do planeta que não é cortada por ferrovias. 

2.1) Se o Brasil foi separado de Portugal sob alegação de que era colônia de Portugal, então Brasília foi construída sob a estética da não-sujeição ao verdadeiro Deus e verdadeiro Homem, negando o real propósito para o qual o Brasil foi fundado; para servir a Cristo em terras distantes.  

2.2) Essa cidade resume toda essa comunidade imaginada pela maçonaria,  esses animais que mentem e que rejeitaram a pedra que é hoje a pedra angular, pedra esta que nos deu um sentido de vida em Ourique. Como o animal que mente tem a alma feia, então a alma da cidade é feia e vazia. 

2.3) Ela é a síntese do processo de conservar o que é conveniente e dissociado da verdade na forma de cidade - um verdadeiro horror metafísico. Ela é tudo menos uma capital - ela não passa de um posto avançado de modo a incentivar o povoamento do interior - uma das razões pelas quais ela foi concebida.

3.1) A restauração do sentido de ser Brasil tomado como um lar em Cristo precisará e necessitará do Rio como capital novamente, ainda que como segunda capital. 

3.2) Na verdade, o Rio é a capital verdadeira, pois o povo vai ter-se com seus governantes e representantes legítimos de modo a serem ouvidos e terem seus desejos atendidos.  Esta cidade resume a essência da verdadeira democracia, enquanto Brasília personifica o autoritarismo.

3.3.1) Brasília será um posto avançado, quando muito a sede do Poder Executivo. E a função desta cidade será executar os grandes projetos de desenvolvimento econômico e social essenciais ao progresso da nação. Se a cidade foi concebida para incentivar a ocupação do interior, então que ela mantenha o seu sentido neste aspecto. 

3.3.2) Com o tempo, a cidade vai sendo remodelada de modo a perder este horror metafísico para o qual ela foi concebida, visto que ela nega aquilo que decorre de Ourique. Esta cidade terá sua beleza, em função da razão daquilo para a qual foi projetada - e esta beleza não é própria de capital, mas de ser posto avançado visando a integração nacional. Por isso, Brasília é, na verdade, a capital secundária - ela nunca será a capital principal, pois ela acessório que a sorte do principal: a mentira de que o Brasil era colônia de Portugal.

José Octavio Dettmann

Rio de Janeiro, 29 de agosto de 2020 (data da postagem original).

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Série 1:










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Matéria relacionada:

A arquitetura modernista nasce do autismo de Le Corbusier: http://hideadew.com/2aW6

Nota sobre uma importante característica das capitais

1) A capital é mais do que a cidade que serve de residência para o primeiro cidadão da república, o príncipe. Ela resume o país em todas as suas qualidades: o que é Buenos Aires senão um belo resumo do que há de bom na Argentina, de modo a ser tomada como um lar em Cristo? E o Rio de Janeiro, em relação ao resto do Brasil, por ser o seu coração? 

2) O segredo para se descobrir o país em toda a sua essência ou beleza é visitando sua capital ou morando nela por alguns anos. Todo um cenário de exuberância se revela quando conhecemos a vida interna de uma nação a partir da sua capital, uma vez lá é o lugar onde o povo vai ter-se com os políticos de modo a buscar a justiça. 

3.1) Na monarquia, as cortes de relação funcionavam sempre na capital - o soberano tirava um dia da sua agenda escutando o povo pessoalmente, em audiência no palácio - e todos os problemas eram resolvidos. A maior prova disso eram as audiências de D. Pedro II aos sábados na Quinta da Boa Vista durante seu tempo de Reinado. 

3.2) O segredo do poder moderador da monarquia estava justamente no fato de o imperador em pessoa escutar as queixas de seu povo. Por isso que a monarquia funcionava, já que nenhum presidente, com exceção de Bolsonaro, tinha o costume de escutar o povo de modo a tomar providências.

José Octavio Dettmann

quarta-feira, 26 de agosto de 2020

Todo começo é difícil - notas sobre esta importante lição de maiêutica

1) Recentemente, eu comecei a me dedicar a aprender programação em lua, uma vez que pretendo a fazer modificações para o Civilization V.

2.1) Quando comecei, disseram-me que este trabalho era bem difícil, principalmente para quem está começando na arte de programar. 

2.2) O lado bom de todo começo ser difícil é que ela gera um parto na sua alma, a ponto de gerar uma nova faceta na personalidade de quem mete a mão na massa, de modo a dominar a nova arte. Como esse parto da alma aponta para missão de que devo servir a Cristo em terras distantes usando esta nova habilidade, então eu devo me santificar através deste trabalho de fazer modificações para o Civilization V de modo a beneficiar outros jogadores. 

2.3) A maior prova disso é que passei o dia inteiro tentando modificar a Guilda dos Mercadores da Civilização de Gênova, de modo a esta construção única ser conquistada pelos Qin. Esta conquista implicará a conquista da mecânica dessa construção única a ponto de mudar o jeito de ser de sua civilização, tal como ocorrem com as verdadeiras conquistas. 

3) Além de escritor, digitalizador, tradutor e revisor ortográfico, estou fazendo modificações para o Civilization V, embora esteja ainda longe da perfeição. Este não é o único jogo onde vou fazer modificações, mas é o começo. Farei modificações para outros jogos também, já que me especializarei na programação em lua e em XML.

4.1) Para servir a Cristo melhor, devo aprender novas habilidades, sobretudo aquelas onde não me sinto vocacionado.

4.2) A expansão desse estado de coisas, desse império de cultura, depende muito do ser em constante expansão. Mas esse ser não pode estar cheio de si até o desprezo de Deus - é preciso que a pessoa morra para si mesma de que modo essa expansão produza efeitos salvíficos em todos, a ponto de gerar fé reta, vida reta e consciência reta no maior número possível de pessoas. Por isso mesmo, o império de Cristo estabelecido em Ourique é o império do humildes, não dos ambiciosos, a ponto de forjar domínio sobre o que é inferior.

José Octavio Dettmann

Rio de Janeiro, 26 de agosto de 2020.

domingo, 23 de agosto de 2020

Notas sobre uma situação engraçada que já me aconteceu

1) Certa ocasião, meus pais chamaram o veterinário para aplicar vacina no Dave, nosso border collie.

2) O veterinário, em vez de escrever Dave, escreveu Dove (pomba em inglês, paloma em espanhol).

3) Além de o meu cachorro sofrer de ideologia de espécie, pois às vezes pensa que é tatu, agora ele tem nome social: ele se chama Paloma. Parece que o veterinário duvidou do fato de meu cachorro ser macho.

4.1) Cachorro trans? Daqui a pouco isso vira moda. Mas o objeto não será o cachorro, mas o ser humano mesmo. Outro dia, eu vi uma maluca se autodeclarar gato. Agora, imagina um jovem rapaz se enquadrando nessa situação pela qual meu cachorro acabou de passar?

4.2) Se a situação já está ruim hoje, vai ficar mil vezes pior num futuro não muito distante.

sábado, 22 de agosto de 2020

Administração e teoria do sigilo - razões históricas e cristológicas

1) Todo nobre - quando é elevado por Deus a fazer um trabalho em prol do bem comum, ainda que em terras distantes - ele passa a ser chamado de administrador, pois age mediante o chamado de Deus ou do vassalo de Deus na terra, os reis das nações cristãs. 

2.1) As razões pelas quais ele é chamado se fundam em Deus - e Cristo, enquanto verdadeiro Deus e verdadeiro Homem, tem sempre boas razões para chamar alguém, uma vez que conhece o homem por dentro, uma vez que foi igual a nós em tudo, exceto no pecado. 

2.2) Por isso, não nos cabe entrar na mente de Cristo, mas dizer sim ao seu chamado e executar o que ele nos pede para fazer, uma vez que isso visa à salvação de todos os que crêem n'Ele.

2.3.1) Enquanto Portugal serviu a Cristo em terras distantes, os que administraram a expansão portuguesa fizeram sigilo das coisas de tal maneira a evitar atiçar a cobiça dos invejosos, dos que seriam capazes de lançar aos mares em busca de si mesmos, em busca de glória pessoal. Por isso, destruíam documentos, preservando um certo senso de mistério, como se tivessem imaginado o materialismo histórico que viria a nos dominar um dia.

2.3.2) É em busca dessa vanglória que muitos acabaram fundando impérios de domínio em terras distantes e esses povos recém-libertos dessa má influência são a personificação da má consciência coletiva, uma vez que tendem a ser uma imagem distorcida do espelho do colonizador diante do espelho da eternidade. 

2.3.3) A má obra desses impérios de domínio que surfaram na onda da expansão portuguesa constitui uma porta de abertura para uma nova expansão. Vários países serão povoados de tal forma de modo a abrigar a Lusitânia Dispersa, que tomará os dois lugares como um mesmo lar em Cristo. Assim, países como os EUA trocarão a nefasta obra maçônica pela herança portuguesa, sem renunciarem a sua origem inglesa.

3.1) Um dia, cedo ou tarde, os americanos serão chamados a servirem a Cristo em terras distantes, de modo a converter o mundo inglês, desfazendo a nefasta obra do Rei Henrique VIII.

3.2) Quando estou falando em vasos comunicantes, eu me refiro justamente a isto. A ação dos missionários protestantes aqui se funda não em Cristo, mas na busca de si mesmos, tal como fez a Espanha. E essa ação será anulada quando a América for convertida à verdadeira, religião, fundada na conformidade com o Todo que vem de Deus.

José Octavio Dettmann

Rio de Janeiro, 22 de agosto de 2020 (data da postagem original).

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Notas para uma Teoria Cristológica do Império, fundadas a partir da história da expansão do mundo português

1) Em razão do esvaziamento da linguagem que se deu ao longo destes últimos anos, hoje eu concebo a palavra rico como algo ou alguém pleno ou cheio de alguma coisa, enquanto o pobre é algo ou alguém vazio de alguma coisa. Por esta razão, a relação do rico com o pobre é a mesma dos vasos comunicantes - por osmose, as virtudes saem dos meios de maior concentração para irem preencher os meios de menor concentração, até se igualarem.

2.1) Por essa razão o pobre (ubogi), o portador da pobreza evangélica, sempre é rico em humildade, de virtude. 

2.2) Conforme vai se santificando através do trabalho e ganhando o respeito dos que habitam a mesma cidade que ele, a ponto de amarem e rejeitarem as mesmas coisas tendo por Cristo fundamento, mais ele é elevado por Deus de modo a promover o bem comum, a ponto de ser tornar um nobre (bogaty).

3.1) Por essa razão, o nobre é a personificação do pobre que há em nós, a ponto de ser capaz de dizer sim a Deus e servir a Ele dentro dos dons e talentos que foram a ele reservados. Ele é o perfeito representante dos cristos-mendigos, a ponto de a política na terra ser a continuação da trindade, a ponto de a cidade refletir o espelho de justiça no Céu, a Jerusalém Celeste.

3.2) Se o nobre é chamado para servir a Cristo em terras distantes, então ele se torna pobrador (povoador). Ele tem a missão em Cristo fundada de semear a terra recém-descoberta de gente portadora da pobreza evangélica de tal modo que o país seja livre em Cristo, por Cristo e para Cristo. Esses pobres darão testemunho da verdade, convertendo os povos que se encontram em terras distantes ao que ensina o Evangelho.

3.3) Um verdadeiro império de cultura será criado no verdadeiro Deus e verdadeiro Homem - e esse império nunca estará sujeito à tirania e à dominação dos animais que mentem e que vivem a conservar o que é conveniente da verdade, ainda que tentem perverter a ordem das coisas com a odiosa mentira de que o Brasil foi colônia de Portugal, a ponto de trair tudo o que foi sagrado, estabelecido em Ourique.

José Octavio Dettmann

Rio de Janeiro, 22 de agosto de 2020.

Do cristão médio como verdadeiro homem médio, enquanto medida de justiça

1) Quando cursei Direito na UFF, em uma das aulas eu ouvi falar do critério do homem médio como medida de justiça. Para eles, o homem médio é o bom pai de família.

2.1) Esta não me parece a melhor medida, já que ela foi pensada no homem como a medida de todas as coisas, pois o homem, por conta de sua natureza decaída, é animal que erra e pode se desdobrar num animal que mente, se for separado do direito e da justiça.

2.2.1) O melhor critério é Deus como a medida de todas as coisas, sobretudo o verdadeiro Deus e verdadeiro Homem, que é Nosso Senhor Jesus Cristo.

2.2.2) Cristo foi-nos igual a tudo, exceto no pecado - por isso, ele está livre do critério do homem como animal que erra ou do homem como animal que mente. Ele tem duas naturezas: ele é rosto divino no homem e rosto humano de Deus - por isso, o melhor critério de justiça. 

3.1) Não é à toa que afirmei que cristologia é antropologia aperfeiçoada, uma vez que Ele é a mônada, a menor unidade para se fazer ciência - o dado irredutível, por ser a verdade em pessoa. Cristo trabalhou durante a juventude, Cristo é Rei, Cristo é sacerdote e amou tanto sua esposa, a Igreja Cattólica, que eu, enquanto homem, devo amar minha esposa neste fundamento, uma vez que isso convém no Senhor.

3.2) Por ser a medida de excelência, devo julgar o cristão médio tendo por base os melhores que souberam imitar ao verdadeiro Deus e verdadeiro Homem sem medida - os santos. O bom cristão é bom pai de família, ama sua igreja e se santifica através do estudo e do trabalho - por isso, ele é o verdadeiro homem médio, a ponto de nos dar a verdadeira noção de justiça: capacidade de enxergar a justiça através da ação dos homens, pois a verdade é o fundamento da liberdade.

3.3) Qualquer definição de justiça que não passe por Cristo implica servir ordem com fins vazios, a ponto de estar à esquerda do Pai no seu grau mais básico.

José Octavio Dettmann

Rio de Janeiro, 22 de agosto de 2020 (data da postagem original).

sexta-feira, 21 de agosto de 2020

Shakespeare, sobre o protestantismo

"Este diabo cita as Escrituras em seu favor -
Alma caída que dá testemunhos sagrados.
É como um vilão com um sorriso no rosto:
Maçã boa por fora, mas podre por dentro."

-- William Shakespeare, O mercador de Veneza

José Octavio Dettmann

Rio de Janeiro, 21 de agosto de 2020.

quarta-feira, 19 de agosto de 2020

Nunca encare de frente um inimigo poderoso

1) Um inimigo poderoso é como uma montanha. A melhor forma de escavá-la é escavando pequenas pedras, de modo a formar um túnel.

2) Esse túnel é como uma catacumba - serve de muralha subterrânea para te proteger das ações do inimigo, assim como serve de porto seguro para você cavar outros túneis por dentro da montanha de modo que você descubra seus segredos e assim poder dominá-la e derrubá-la no longo prazo.

3) Esses segredos podem ser preciosos, desde tesouros enterrados a pergaminhos antigos de uma civilização perdida no tempo. Às vezes você encontra armadilhas, mas você pode desmontá-las, se for inteligente o bastante.

4.1) Um inimigo poderoso, para ser derrotado, pede dissimulação e estratégia para ser derrotado. Nunca o encare de frente, pois ele é organizado e poderoso. 

4.2) Cavar túneis numa montanha é a tática de guerrilha mais básica que há. E as catacumbas nada mais são do que tática de guerrilha aplicada a uma guerra espiritual contra um poderoso império fundado no homem tomado como se fosse um Deus, esse animal que mente.

José Octavio Dettmann

Rio de Janeiro, 19 de agosto de 2020.

Como fugir da ideologia e do materialismo histórico: da literatura de ficção como ferramenta auxiliar no estudo da História e de outras ciências correlatas

1) Marco Aurélio, o último dos cinco bons imperadores romanos, disse em suas meditações que devemos estudar os impérios do passado, de modo a entendermos o movimento do presente e assim compreendermos o futuro. Este é o segredo da análise política, visando a previsão de eventos futuros.

2) Como a ciência e a técnica estão a serviço da ideologia e como nem todos têm acesso a fontes primárias ou sabem paleografia, a melhor forma de você contar o que você sabe é narrando histórias, na forma de literatura. Na ficção, você não é obrigado a provar o que você diz - e você fica livre para demonstrar, através da persuasão racional, as coisas de modo que elas façam sentido para quem lê.

3.1) Trata-se da retomada da História como um ramo da literatura. Você precisa reunir os cenários possíveis e torná-los possíveis de serem imaginados. 

3.2) Afinal, tudo o que está na política é reflexo da literatura - por isso, a melhor solução para o estudo da ciência social é escrever ficções científicas de cunho histórico, econômico ou filosófico, coisa que não foi tentada antes.

3.3) Não busque inventar algo destituído de sentido para fazer ficção. Busque algo obedecido e conhecido e junte as histórias de modo que um cenário possível possa ser contado, ainda que isso não tenha de fato acontecido naquela época.

4) A História do Novo Mundo é muito maior do que os homens que viveram aqueles tempos e suas circunstâncias. É preciso se ver o que não se vê - por isso, o estudo da História como literatura especulativa ou imaginada pode dar uma dimensão muito maior do que o materialismo histórico. Eis a verdadeira ficção científica que deve ser perseguida.

José Octavio Dettmann

Da conquista da Grécia e da idéia de trindade

1) Eu ouvi falar que na Grécia Antiga os gregos já criam na trindade: Zeus, Poseidon e Hades constituíam uma trindade.

2.1) Na verdade, não era bem uma trindade, mas um triunvirato de três deuses. 

2.2) Como esses deuses não tinham onisciência, na verdade eram seres humanos tornados deuses. E os deuses dos pagãos não passam de demônios. 

2.3) Por mais que houvesse coisas boas na mitologia, aquela era uma explicação provisória, uma verdade frágil - ela não resistiria ao surgimento da filosofia pré-socrática, onde a política na polis passou a ser a razão de ser da Grécia Clássica. 

2.4) O que não fazia sentido na mitologia começou a ser seriamente questionado. E ao invés de o erro ser consertado, ficou-se a fazer como os sofistas fizeram: a conservar o que era conveniente e dissociado da verdade.

3) Quando o cristianismo chegou à Grécia, a nova doutrina religiosa tomou a filosofia para si e a transformou em teologia. E a teologia se tornou arquitetura - a antiga mitologia, cujo panteão mais parecia uma maloca, deu lugar à uma Santa Habitação Celestial de modo a abrigar todos os amigos de Deus. Eis a cristologia como aperfeiçoamento da mitologia, a ponto de dar sentido a todas as coisas.

4.1) Cristo, ao descer até a mansão do mortos, derrotou Hades. Já que Cristo venceu a morte e como Ele e o pai são um só, então Zeus, o deus mais importante do Olimpo, foi destronado pelo verdadeiro Deus, o criador do Universo. Já Poseidon, o deus dos mares, foi substituído pelo Espírito Santo, uma vez que a ave no céu pode cruzar mares inteiros e ir a outros continentes em busca de condições melhores de vida. 

4.2) Como os seres humanos no ser em si são como aves, isso marcou a expansão da fé através conquista dos mares, a partir do senso de servir a Cristo em terras distantes. Assim a política dos descobrimentos se tornou a política enquanto continuação da trindade, essa unidade composta de três pessoas que sintetizam e resumem a essência divina, a verdade enquanto fundamento da liberdade.

José Octavio Dettmann

Rio de Janeiro, 19 de agosto de 2020.

Do aburguesamento paulista e do abrasileiramento do brasileiro

1) Durante os tempos romanos, os latifúndios tinham pequenas vilas associadas de modo a prestar serviços de beneficiamento do que era produzido nessas terras. Era o princípio da agro-indústria, sendo o artesanato a versão mais primitiva dessa atividade economicamente organizada.

2.1) Durante os tempos medievais, esses latifúndios evoluíram na figura do feudo e as vilas passaram a ser fortificadas, a serem chamadas de burgos. 

2.2) Além de terem a proteção do senhor feudal e da Igreja, seus habitantes, os burgueses (anteriormente chamados de vilões ou habitantes das vilas) gozavam de ampla liberdade para poderem se organizar e se associar. Guildas começaram a surgir e atividade econômica ficou mais organizada, a ponto de a vila funcionar como um organismo vivo. 

2.3) Com o desenvolvimento das vilas em cidades, muitas delas ganharam cartas de franquia e passaram a se tornar cidades-Estado independentes, a ponto de terem seu próprio príncipe ou Rei. Eram de fato pequenas repúblicas.

3.1) As pessoas ficaram tão cheias de si, em razão do progresso decorrente de tanta proteção, que começaram a fazer da riqueza sinal de salvação, a cuspir no prato em que começaram. 

3.2) Por incrível que isso possa parecer, as muralhas dos burgos, que antes protegiam a cidade dos inimigos, passou a dar causa para o fechamento da alma dos seus cidadãos para a verdade, a ponto de conservarem o que é conveniente e dissociado da verdade. Eis o espírito burguês, marcado pela autoconfiança arrogante, cuja causa se dá nos constantes tempos de prosperidade e progresso que esta sociedade experimentou

4.1)  ìtalo Lorenzon, do Terça Livre, apontou que os paulistas, em razão do aburguesamento, abriram mão do espírito bandeirante e estão aceitando se submeter à tirania de João Dória, visto que São Paulo se tornou a terra do trabalho, a terra onde a riqueza se tornou sinal de salvação. 

4.2) Em razão disso, muitos estão conservando o que é conveniente e dissociado da verdade, a ponto de serem incapazes de lutar por sua liberdade em tempos difíceis. E neste ponto, ele tem razão.

4.3.1) O aburguesamento do paulista é o abrasileiramento do brasileiro no seu microcosmo, como já apontou Tito Lívio Ferreira. 

4.3.2) O Brasil em 1822 fechou sua alma à verdade, quando abraçou a mentira de Bonifácio de que era colônia de Portugal. E isso gerou o fechamento da alma e do espírito que povoou o país de modo a ser tomado como um lar em Cristo, por conta da missão que recebemos em Ourique de propagar o evangelho a povos que se encontram em terras muito distantes.

4.3.3) Como São Paulo é a capital geográfica do Brasil, segundo Jaime Cortesão, então o ciclo está completo. A civilização nesta terra entrará em processo de homeostase logo, em razão da sua completa falta de sentido.

José Octavio Dettmann

Rio de Janeiro, 19 de agosto de 2020.

Texto Relacionado:

Homeostase civilizacional, de Jorge Boaventura: http://raboninco.com/1orbS

terça-feira, 18 de agosto de 2020

Da importância da guilda numa economia de cunho protecionista

1) Sempre que há falta de matéria-prima ou quando um determinado produto está proibido de ser comerciado numa determinada cidade, região ou país - em razão de algum interesse político fundado naquilo que se conserva de conveniente e dissociado da verdade -, a melhor solução é visitar a guilda da sua profissão. Eles sempre oferecem produtos interessantes a um preço justo - e por meio desses produtos que eu poderei fazer os meus produtos.

2.1) Como a guilda é uma associação de famílias que se unem em razão de interesses em comum que são próprios de uma determinada profissão, eles costumam ter uma rede de inteligência própria, sem mencionar que eles costumam vender os produtos de maneira discreta e sigilosa, feita tão-somente aos membros associados da guilda de modo a ajudá-los em tempos de crise, tal como um segredo comercial. 

2.2) Não se trata de conspiração contra o público - na verdade, aquilo é uma lembrança de que a verdadeira fé um dia foi perseguida - uma lembrança do tempo das catacumbas, um mecanismo de defesa feito de tal modo que a política conservantista não prejudique a verdade, o verdadeiro fundamento da liberdade.

3.1) Eis a prova cabal da importância das guildas para o protecionismo econômico, enquanto cultura. 

3.2.1) Quando os políticos conservam o que há de conveniente e dissociado da verdade, a ponto de inviabilizar a liberdade econômica de um povo, as catacumbas costumam ser o local onde a liberdade de mercado costuma ser praticada. 

3.2.2) Ela é o ponto de partida para a organização da resistência. De um protecionismo educador, a verdadeira liberdade vem à tona - e as guildas costumam ser os corpos intermediários diante de uma situação de crise. Este é o tempo de dispersão, de fazer negociação entre as guildas locais de modo a obter os favores de outros reinos de modo a conseguir combater o estado de opressão reinante.

4.1) Se a guilda tiver influência política junto à cidade, região ou reino que lhe serve de abrigo, as alfândegas tendem a atuar como uma espécie de casa de intermédio - eis aí a prova cabal da relação entre comércio e governo. 

4.2.1) A grande vantagem de se ter uma alfândega cooperando com as guildas locais é que grandes quantidades de produto podem ser vendidas, convertendo o desperdício, decorrente de superprodução ou boicote comercial, em lucro. Essas grandes quantidades de produto - que ficam nos armazéns e que não podem ser deslocadas por meio de navios, por ser impratícável - são representadas por meio de títulos de crédito, os títulos de commodities. 

4.2.2) Esses títulos costumam ser tomados como bens de primeira necessidade, uma vez que convertem algo pesado e difícil de carregar em algo leve e fácil de carregar. Esses títulos são abençoados, uma vez que a autoridade que os emitiu ama e rejeita as mesmas coisas tendo por Cristo fundamento, uma vez que está assegurando o valor desse bem em caso de um eventual sinistro.

4.2.3) Esses títulos são vendidos na Europa, através das guildas locais. O comprador do título passa a ser titular desses bens que se encontram num armazém no Novo Mundo. Se ele quiser ser influente na cidade onde está esse armazém, ele começa a investir na indústria da cidade de tal maneira a processar essas matérias-primas em produtos industrializados, ponto de obter grande lucros. 

4.2.4) Ao investir dinheiro numa fábrica na cidade onde fica esse armazém, ele acaba aperfeiçoando a economia local - tudo isso fundado em arranjos políticos que se dão nas catacumbas da guilda. E esse investidor se torna uma espécie de benfeitor da cidade, a ponto de ser agraciado com títulos de nobreza, a ponto de ter direito de votar e ser votado na cidade, a ponto de tomá-la como um lar em Cristo, por conta de ter servido a Cristo em terras distantes, ao investir em atividade econômicas organizadas que favoreçam o desenvolvimento econômico dessa cidade, favorecendo assim a integração dele e de sua família com a comunidade local que acolhe essa nova família.

5.1) Por meio dessas guildas, os mercadores recebem informações privilegiadas a partir de informantes que ficam a acompanhar os mercados na pátria-mãe, assim como nos demais mercados internacionais, bem como a situação política das cidades.

5.2) Com base nisso, os comerciantes dessas casas de intermédio despachavam os produtos usando seus próprios navios privados, sem a necessidade de haver uma marinha mercante para fazer todo esse trabalho, deixando o governo da cidade, aliado da guilda, livre para focar no povoamento e defesa da região. 

5.3) A partir desses contatos comerciais e de alianças dinásticas, que podem se refletir no âmbito político, os interesses dos povos do além-mar são representados junto às cortes. E por meio desses acordos políticos, o comércio com a Europa continua, mesmo que haja uma revolução em curso.

6.1) Essas casas de intermédio incentivavam a interiorização do povoamento, de modo a descobrir mercadorias ainda mais interessantes para o comércio - em geral, essas casas de intermédio ficam na cidade mais central da região, a ponto de assumir a função de escoadouro, deixando as outras cidades livres para exercerem a função de produzir matérias-primas, enquanto outras ficam livres para se dedicarem à indústria. 

6.2) Essa interiorização do povoamento faz com que a força expedicionária dos exércitos conservantistas acabe tendo uma certa resistência ao retomar as cidades rebeldes de volta, se houver uma luta pela liberdade, pela não-sujeição a esse odioso estado de opressão, uma vez que o império de Cristo - fundado para se servir a Ele em terras distantes, um império de cultura fundado na verdade como fundamento da liberdade - foi pervertido em império de domínio dos animais que mentem que governam a pátria-mãe. Como essas tropas não conhecem o terreno, terminam sempre vítimas de emboscada.

José Octavio Dettmann

Rio de Janeiro, 18 de agosto de 2020.

Da reabsorção do conhecimento adquirido enquanto circunstância - notas sobre isso fundadas na minha experiência pessoal

1) Ao longo dos anos 2000, principalmente no ano de 2004, eu tomei contato com as idéias da Escola Austríaca de Economia, principalmente as idéias de Friedrich August von Hayek. Um dos artigos que mais me influenciou a questão do uso do conhecimento na sociedade. 

2) Ao longo dos anos 2010, quando tomei contato com o pensamento do professor Olavo de Carvalho. Ele citou uma lição importante de Ortega y Gasset: que a verdadeira medida do homem está nele mesmo em suas próprias circunstâncias. Se gênio é quem inventa a própria profissão, então ele faz isso reabsorvendo as circunstâncias de modo que elas tenham um sentido de vida para ele.

3) Durante minhas investigações, tomei conhecimento da filosofia da crise de Mário Ferreira dos Santos e a questão da logoterapia de Viktor Frankl. Reunindo todos esses dados acumulados ao longo do tempo, eu pude retrabalhar esse conhecimento adquirido de modo a dar uma releitura das coisas de modo que apontassem para aquilo que é realmente importante: para a conformidade com o Todo que vem de Deus. Essa releitura é na verdade é a reabsorção do conhecimento adquirido ao longo do tempo, enquanto circunstância.

4) É através da releitura dessas coisas à luz da verdade, do verdadeiro fundamento da liberdade, que você consegue construir pontes de tal maneira a ligar a Terra ao Céu. Para que se eu seja construtor de pontes, eu devo me revestir de Cristo - por isso, eu devo morrer para mim mesmo de modo que o verdadeiro Deus e verdadeiro Homem faça santa habitação em mim, através da Santa Eucaristia. Este é o segredo para ser um bom filósofo e amigo de Deus sem medida.

José Octavio Dettmann

Rio de Janeiro, 18 de agosto de 2020.

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A busca pelo conhecimento disperso no mundo se dá por conta de vivermos tempos de crise

1) Na escola austríaca, o homem quando sente algum desconforto, sempre vai buscar alguma coisa que lhe agrade, de modo a satisfazer suas necessidades, uma vez que ele está em busca de si mesmo, tal como fez a Espanha ao lançar-se aos mares, sem mandato do Céu. Durante o processo de busca, ele vai reunindo o conhecimento que está disperso no mundo de modo a fazer esta descoberta.

2) A causa desse processo de busca é sempre movida por uma crise, isto é, quando a situação conhecida e comumente obedecida já não responde aos desafios dos novos tempos. Isso leva a tempos onde os homens se separam, por conta de prezarem mais o conveniente e dissociado da verdade, a ponto de estarem cada vez mais à esquerda do pai.

3.1) Os tempos de separação, de diácrise, tendem a ser encerrados por tempos de reunião, de síncrese. 

3.2) A descoberta decorrente do fato de se reunir o conhecimento disperso no mundo pode felizmente apontar para a conformidade com o Todo que vem de Deus, levando o que estava antes separado a reunir-se novamente. E o sentido dessa unidade original, antes perdido, passa a ser renovado, pois a verdade foi reconhecida e voltou a ser obedecida. É o que vai acontecer com o Brasil, quando conhecer sua verdadeira história - todo aquele processo revolucionário de 1822 será posto abaixo, posto que se fundou na mentira.

José Octavio Dettmann

segunda-feira, 17 de agosto de 2020

Do mercador e do sacerdote - lições históricas de economia à luz da filosofia da crise de Mário Ferreira dos Santos

1) Dois cultos eram associados a Hades: o culto a Thanatos (o deus da morte) e Pluto (o deus do dinheiro).

2) Os mercadores da Grécia Antiga eram trabalhadores que induziam à sociedade a um comportamento concupiscente e crematístico. Eles praticavam a usura, a ponto de serem vistos como verdadeiros marginais. Eles, como os vendilhões do templo em Jerusalém, são a negação da filosofia.

3) Desde que Cristo derrotou Hades, houve uma revolução no comportamento ético do mercador. Ele passou a colaborar com a comunidade atravessando bens e serviços escassos - sua conduta era rigidamente controlada pela guilda dos mercadores, além de serem fortemente fiscalizados pelos príncipes das cidades, que estavam prontos a aplicar a doutrina do justo preço na sociedade.

4) Com a chegada de grandes quantidades de ouro da América, com a reforma protestante e com a presença cada vez maior de judeus na classe mercantil, o pecado começou a entrar novamente por esta classe de homens, a ponto de afetar a sociedade por completo. 

5.1) Se o amor de si até o desprezo de Deus faz os homens se dispersarem e perecerem por conta do fato de conservarem o que é conveniente e dissociado da verdade, o que os leva a uma vida completamente destituída de sentido, por outro lado há uma classe de homens que agem tais como se fossem outros Cristos de tal maneira a reunir as ovelhas perdidas em razão do pecado. 

5.2) Se a autoridade aperfeiçoa a liberdade de muitos,  então os melhores escritos de economia sempre terão a salvação e a vida eterna como o maior objetivo de todas as coisas, uma vez que verdade conhecida é verdade obedecida, como diria Platão. 

5,3) Afinal, ele foi testemunha ocular da decadência da democracia grega e da maneira como mataram seu mestre Sócrates. E os prazeres da vida concupiscente levaram à sociedade de sua época à ruína, à completa falta de sentido, a ponto de deixar de existir historicamente.

José Octavio Dettmann

Rio de Janeiro, 17 de agosto de 2020.

Do empréstimo de livros físicos como investimento na atividade econômica organizada de um digitalizador - considerações sobre isso

1) Vamos supor que eu peça a um amigo tantos reais emprestado de modo a comprar um livro A. Esse livro seria digitalizado e o dinheiro arrecado com a venda de edições digitais desse livro seria usado para pagar os juros que são devidos a esse investimento que ele me fez. Para que o pessoal não venha a me chamar de pirata, considere que o livro é antigo e o autor tem mais de 70 anos de falecido - portanto, livre de direitos autorais.

2) Em contraproposta, o amigo não tem o dinheiro demandado, mas empresta um livro B nessas condições que falei. Digitalizado o livro, o exemplar é devolvido. E uma vez feitas as vendas do livro digital, uma parte do que é arrecadado é dada para o meu amigo na qualidade de cômodos da coisa digitalizada, uma vez que o livro B deu causa para minha atividade econômica organizada, a ponto de servir de investimento. E a todo investimento cabe juros, por ser justamente produtivo.

3.1) No mundo da digitalização, o investimento no trabalho do digitalizador se dá na forma de dinheiro ou na forma de coisas, no caso os livros. 

3.2) O livro emprestado facilita meu trabalho de ganhar dinheiro - tenho só o trabalho de digitalizar; o dinheiro emprestado leva a ter de planejar a aquisição do material qualidade, a ponto de escolher o melhor material com o menor custo possível. Por envolver toda uma operação mais complexa, os juros devidos em razão do tempo e do trabalho gasto tenderão a ser mais altos, em razão do custo de oportunidade.

3.3) Por essa razão, um empréstimo de coisa infungível nunca é gratuito. Trata-se de um investimento fundado na qualidade pessoal do digitalizador. Esse empréstimo deve ser pago com honras - por isso, uma parte da venda dos e-books é devida na forma de juros, pois acessório segue a sorte do principal.

3.4) Uma vez paga a dívida, os lucros auferidos da venda do livro B, se forem acumulados, servir-me-ão de base para comprar o livro A. E quando começar a vender cópias digitalizadas do livro A elas gerarão juros sobre capital próprio, visto que a cópia digital do livro B é parte do meu acervo, de minha propriedade.

4.1) Eis a economia fundada na fungibilização do que antes era infungível, como um livro antigo.

4.2) Para quem trabalha com design, para quem vive de copiar coisas, o empréstimo nunca será gratuito. O empréstimo de coisa a ser copiada e que vai ser vendida na forma de digital é uma forma de investimento. Como se deu coisa em vez de dinheiro, é uma dação de investimento.

José Octavio Dettmann

Rio de Janeiro, 17 de agosto de 2020 (data da postagem original).

Notas sobre arquitetura sagrada - da mitologia como explicação provisória do mundo até a chegada de Cristo, que deu sentido ao logos

1) O Antigo Testamento narra todo o caminho que foi preparado para a vinda do Adão definitivo, que substituiu o primeiro, pois este pecou. Por esta razão, o Antigo Testamento Hebraico contém toda uma explicação do mundo provisória, que seria revista quando o verdadeiro Deus e verdadeiro Homem viesse.

2) O Antigo Testamento Hebraico tem mais ou menos o mesmo peso das mitologias grega e romana - explicações provisórias acerca da origem das coisas antes que chegasse o verdadeiro Deus e verdadeiro Homem, que daria sentido a todas as coisas, a ponto de todos viverem a vida em conformidade com o Todo que vem de Deus.

3) A mitologia é a primeira habitação que se faz no Céu; a Cristologia é a arquitetura, a segunda construção que atualiza a primeira. Trata-se da obra do segundo Adão, que faz com que a construção original tenha seu sentido completo e acabado em Cristo. É a antropologia definitiva, o verdadeiro fundamento para se entender os homens, pois Cristo foi-nos igual a nós em tudo, menos no pecado. É a mônada, o dado irredutível da ciência.

4) Quando os cristãos converteram os gregos, eles estudaram mitologia, a filosofia e como o horizonte cosmológico grego começou a ser demolido a partir da retórica dos sofistas e de seu charlatanismo. Esse charlatanismo já estava degradando a polis.

5.1) A conversão dos gregos levaria não só a restauração da ordem do ser das coisas, tal como havia na mitologia antiga. Essa mitologia seria atualizada, pois ganharia seu completo sentido em Cristo Jesus, uma vez que muitas explicações provisórias dessa mitologia acerca da realidade apontam para a conformidade com o Todo que vem de Deus, uma vez que Cristo venceu a morte e se tornou o novo Senhor do Olimpo.

5.2) Afinal ele era mais poderoso que esses deuses, pois era onisciente - por isso, mais humano que esses deuses, a ponto de ser o verdadeiro rosto do Deus vivo, o Deus da criação do universo.

José Octavio Dettmann

Argumentos cristológicos acerca da economia da salvação

1) O arado serve à espada. Não é toa que os colonos, os que lavram a terra, eram as forças de reserva em caso de guerra no tempo feudal. Em tempos de crise, eles pegavam a espada por seu senhor e por Cristo Jesus.

2) Ares, o deus da guerra na mitologia grega, não era odiado por Hades, o deus do submundo. Os soldados mortos se tornavam os colonos que iam habitar o submundo, a ponto de ser um enorme latifúndio, um enorme feudo improdutivo. Os colonos mortos lavravam o subsolo, a ponto de gerar as riquezas minerais - como morto não se reproduz, as gemas e os metais nobres, usados para cunhar moedas, não se reproduzem, tal como o ouro e a prata.

3.1) Quando Cristo veio trazer a espada, uma das primeiras coisas que Ele fez foi descer a mansão dos mortos e derrotar Hades.

3.2) A morte deixou de ser o fim, mas o recomeço de uma nova vida em Cristo. Os soldados que morreram lutando o bom combate deixaram de cultivar minerais e passaram a ser intercessores no Céu - eles passaram a ser santos, amigos de Deus. Foi a partir daí, da vitória da vida sobre a morte, que se estabeleceu a confiança como a base da riqueza, a ponto de a moeda se tornar um título de crédito de natureza fiduciária, um símbolo de verdade, de justiça servida à causa da verdade, enquanto fundamento da liberdade.

4) Não foi à toa que foi na Idade Média, a época onde os homens mais colaboraram com o projeto salvífico de Deus, que se surgiu o banco e o título de crédito. Foi a época onde os povos trocaram o paganismo bárbaro pelo cristianismo.

José Octavio Dettmann

Rio de Janeiro, 17 de agosto de 2020.

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https://blogdejoseoctaviodettmann.blogspot.com/2020/08/notas-sobre-arquitetura-sagrada-da.html

Notas sobre a vantagem de estar instalado num determinado lugar (lições básicas de História da Civilização Humana)

1) O lado bom de se estar fixo num lugar é que você sabe ao menos onde o sol nasce e onde o sol se põe. Por isso, você tem uma idéia de direção.

2) Da idéia de direção vem a idéia de endereço. E do endereço a noção de domicílio, a de ser encontrado de modo a responder pelos compromissos que você assume perante a sociedade, no tocante ao bem comum.

3.1) Quando se é nômade, errante, você não sabe pra que lado vai. Você é que nem esta república: você é uma biruta de aeroporto - você vai até onde o vento, ou a ambição estúpida, apontar. 

3.2) É por esta razão que bárbaros errantes eram mais perigosos do que os exércitos regulares das civilizações rivais. Eles vinham sem aviso - e como todo bom marginal, eles faziam guerra como se não tivessem nada a perder. A mera vitória em batalha já é lucro para eles.

3.3) Embora sejam terrivelmente agressivos, eles não são páreo quando lidam com os exércitos de um rei que investe em inteligência, que manda exploradores de modo a fazer reconhecimento do território de tempos em tempos de modo a evitar a instalação e a expansão dessas pragas em forma humana, desses indesejados.

José Octavio Dettmann

Rio de Janeiro, 17 de agosto de 2020.

Notas sobre uma lição que aprendi como vendedor de ebooks

1) Desde que comecei a fazer campanhas de modo a vender os e-books que digitalizo, uma coisa é certa: eu aprendi o significado de que o freguês sempre tem razão, principalmente se ele sabe mais do que eu.

2) Tive excelente conversa de História do Brasil com um doutorando recentemente que extrapolou a mera relação de compra e venda, a ponto de se tornar uma verdadeira parceira, se essa conversa continuar ocorrendo ao longo do tempo.

3.1) Do ponto de vista de quem estabelece uma atividade econômica organizada de vender e-books digitalizados, principalmente aqueles que são difíceis de achar, eu estou oferecendo mais do que e-books, mas também minha experiência de investigador na seara das ciências sociais.

3.2) O fato de estar exercendo a mercância é um fato muito pouco comum entre os que fazem ciência social - e neste ponto, estou me enquadrando na definição de gênio de Ortega y Gasset: estou inventando minha própria profissão, a ponto de exercer influência na sociedade num cenário onde as universidades estão todas aparelhadas por comunistas. Como a internet foi o único cenário livre que me sobrou, então eu abracei estas circunstâncias como se fossem a minha e fiz disso minha razão de ser.

3.3) De certo modo, por conta disso, estou reintroduzindo a idéia do pensador econômico voltar a ser um homem que se santificou através do trabalho de servir a outros homens, a ponto de vender-lhes livros capazes de torná-los ainda mais inteligentes, uma vez que o propósito do livro é livrar as pessoas do mal da ignorância, a ponto de ser um verdadeiro remédio contra a ideologia. E esta, sem dúvida, é a missão, embora não seja a única.

José Octavio Dettmann

Rio de Janeiro, 17 de agosto de 2020.  

Sobre a questão de não seguir os conselhos dos economistas

1) Roberto Campos dizia que uma das maneiras mais seguras de falir uma empresa é seguir os conselhos de um economista. 

2) Neste ponto, ele tem razão. Os primeiros economistas da História eram pessoas que trabalharam como mercadores, membros de uma guilda de mercadores. Como eram homens especializados nas operações de troca, uma das artérias vitais de uma sociedade civilizada, eles acabavam se tornando uma classe essencial da sociedade, cujos interesses deviam se harmonizar aos demais interesses das outras classes de modo que houvesse uma concórdia e assim houvesse o pleno desenvolvimento da comunidade, fundado no princípio do bem comum. O processo de construção da concórdia se dava através do diálogo e do convencimento políticos, às vezes por meio de laços de casamento, a ponto de isso se tornar a base da política na sociedade.

3) Se a amizade é a base da política na sociedade, a ponto de as pessoas amarem e rejeitarem as mesmas coisas tendo por Cristo fundamento, então tudo deve ser voltado para a vida eterna. E o caminho mais seguro para a vida se dava por meio da santificação através do trabalho ou do estudo. E o processo de concórdia entre as classes é essencial. É por essa razão que os mercadores com muita experiência prática podiam escrever sobre este assunto, a ponto de assessorar os príncipes sobre esta matéria. Às vezes, o próprio mercador era o príncipe.

4.1) Sacerdotes e monges podem escrever sobre economia também, principalmente em tempos de crise, quando a classe mercantil amar tanto a si mesma de tal forma a se tornar um órgão necrosado, gerando uma fé metastática na sociedade de tal maneira que a contamina por completo, a ponto de morrer por conta de perder seu completo sentido, em Cristo Jesus. Por essa razão, quando padres e monges escrevem sobre economia, eles agem como a última reserva moral da nação tomada como um lar em Cristo.

4.2) O maior exemplo disso é a Escola de Salamanca, que escreveu seu pensamento econômico num tempo em que a Espanha, por conta de ir aos mares por si mesma, sem mandato do Céu, trouxe de volta da América grandes quantidades de ouro e prata, revolucionando e muito o imaginário das pessoas a ponto de muitas perderem a amizade com Deus por conta disso. 

4.3) A grande quantidade de ouro e prata trazida da América moldou o imaginário da salvação através da riqueza, a base da ética protestante e o espírito do capitalismo. É dentro de um cenário cultural protestante que surge a economia enquanto disciplina técnica, enquanto ramo do estudo do governo de uma nação. A matemática começou a reinar nesse cenário, não a observação e os muitos anos de prática no comércio, seja como mercador, seja como empresário. Foi aí que a economia se tornou ciência.

4.4) Com o passar do tempo, a ciência econômica foi se pervertendo, a ponto de ser escrava da ideologia. Economistas constituem uma classe de intelectuais orgânicos tais como são os sociólogos, os historiadores, certos juristas e até mesmo teólogos hereges, ligados à teologia da libertação. Por isso mesmo, eles constituem uma verdadeira classe ociosa - consomem os impostos da sociedade, visto que muitos deles são professores de universidades federais, e não produzem um conhecimento que preste, no tocante a fazer a sociedade brasileira recuperar o sentido de tomar o país como um lar em Cristo, por conta da missão que recebemos em Ourique. 

5.1) É por essa razão que não sigo conselho de economista nenhum. Para eu saber alguma coisa de economia, a melhor coisa a fazer é estabelecer uma atividade econômica organizada e aprender as coisas com a experiência. A partir da experiência, eu medito sobre isso. O que foi pensado anteriormente servirá de subsídio para mim, desde que esteja consoante com a realidade, com o que é conforme o Todo que vem de Deus. 

5.2) A verdade é o fundamento da liberdade - e aí não cabe nenhuma ideologia ou distorção fundada no fato de se conservar o que é conveniente e dissociado da verdade, algo que é próprio dos animais que mentem.

José Octavio Detmann

Rio de Janeiro, 17 de agosto de 2020.

Meditações sobre a questão do lucro na economia salvífica

1) Se lucro é ganho sobre a incerteza, posto que este mundo é um vale de lágrimas, então ele não é a essência do negócio, mas o acidente, uma vez que o fim da empresa é servir ao próximo, não o fim em si mesmo, fundado no amor de si até o desprezo de Deus. Até você começar a ganhar dinheiro com a atividade econômica organizada que você monta, você certamente precisará alocar recursos que sejam capazes de dar subsídio a esta atividade por muito tempo até ela ser capaz de pagar-se por si mesma.

2.1) O momento em que a empresa começa a se autopagar se dá quando você já tem uma relação bem desenvolvida e articulada com a comunidade para a qual você serve. Quando você ganha a confiança dos seus clientes, aí você ganha legitimidade para crescer e diversificar seus negócios.

2.2) E quando você já tem dinheiro suficiente para crescer, aí você recebe a permissão de estabelecer mais um negócio a partir dos que administram a cidade de modo a aperfeiçoar a liberdade de muitos. E, para isso, você precisa convencê-los de que você pode atender a demanda da cidade neste aspecto, em particular. 

2.3) Este é um aspecto da política antiga - própria do Antigo Regime e anterior aos tempos do liberalismo - que se perdeu. É melhor ter uma permissão fundada na honra de bem servir, posto que se trata de uma conversa de Cristos que servem visando ao bem comum do povo, do que buscar a si mesmo, expandindo-se sem limite a ponto de matar os pequenos negócios, que em muitos casos constituem a razão de ser de famílias inteiras.

José Octavio Dettmann

Rio de Janeiro, 17 de agosto de 2020.

domingo, 16 de agosto de 2020

Notas sobre a relação entre esquerdismo e favelização

Toda favela é criação da esquerda, sem exceção. Seja de partidos políticos disfarçados em seus coletivos, seja de ONGs, seja de políticos do estilo Erundina. Há mais variações, mas todas dentro do espectro esquerdista. Não há cidade brasileira que não tenha sua maloquinha surgida da noite para o dia.

Dizem que são pessoas expulsas de suas terras onde a plantação não vinga mas, estranhamente, elas se amontoam em arremedos de cidades, as favelas, onde não deixam nenhum lugar para plantação destruindo a natureza original para erigir barracos e não deixando espaço para o que dizem querer: plantar.

Não é um contra-senso?

O comunismo abomina o que diz defender: o campesinato. A própria história da revolução russa mostra o genocídio causado pelos comunistas (Lenin, Stalin, Trotsky e outros) contra a população rural para tornar a URSS uma potência industrial urbanizada.

Em livros de brasileiros que estiveram na antiga URSS (Osvaldo Peralva e Orlando Loureiro) há descrição das verdadeiras favelas em que o operário soviético vivia, casebres insalubres.

Quatro arquitetos soviéticos escreveram o livro "A Cidade Comunista Ideal" deixando de lado todo contato com a natureza numa sociedade administrada. O aspecto da cidade comunista ideal é a arquitetura de Brasília. Grosso modo, o urbanismo de Brasília não difere do urbanismo das favelas, embora mais espaçado e mais chic, mas onde a natureza passou longe. Basta comparar a arquitetura de Oscar Niemeyer com a de Frank Lloyd Wright.

A Cidade Universitária onde está a USP também é o estilo comunista ideal, com seus horrorosos e desconfortáveis prédios em meio a descampados cujas faculdades se hostilizam. A velha empáfia soviética ou comunistóide, como queira.

O que os comunistas mais desejam é o "adensamento populacional", isto está em livros, nos "estudos de urbanismo" e até nas entrevistas nas rádios e TVs. Quanto mais espremida está uma população, mais fácil um poder centralizador obrigando-a a um comportamento padrão.

Este fenômeno não ocorre apenas no Brasil, também a imigração ilegal desenfreada na Europa tem feito isso em tempos recentes com locais em que nem a polícia pode entrar, locais que são estopins dos recorrentes quebra-quebras dos supostos coitadinhos vítimas da sociedade. Os livros de Theodore Dalrymple são repletos de casos.

Desmontar favelas é um grande passo para desmontar a esquerda. Se a esquerda se fortaleceu na Europa, foi também graças a seu exército de coitadinhos importados sob as mais diversas desculpas esfarrapadas.

Como desmontar? Há inocentes ou oportunistas coniventes?

Obviamente que no Brasil há N entraves em todas as leis, inclusive as que não dizem respeito diretamente ao assunto mas são cruciais para impedir que as coisas mudem (a própria CF, a CLT, o emaranhado de leis tributárias, leis de assistencialismo etc.), sem contar a gritaria insana de afirmações estúpidas de qualquer esquerdista amante de jargões.

Não é fácil, mas não é impossível.

Lucília Coutinho

Facebook, 16 de agosto de 2020.

https://www.facebook.com/lucilia.sim.1804/posts/2720219791530051

Quando uma relação de compra e venda vira parceria - relatos da minha experiência pessoal

1) Hoje me apareceu um futuro doutorando que se interessou em comprar o livro José Bonifácio, O Falso Patriarca, além do livro de Assis Cintra, O Homem da Independência.

2) Durante a conversa, ele me contou que ele estava fazendo uma pesquisa mostrando como os maçons entraram no Brasil através da universidade de Coimbra, ao longo da Era Pombalina. Ele me disse que todos eles eram árcades - toda essa imagem bucólica poética que havia nas arcádias era um ensaio para a construção de comunidades imaginadas, feitas de modo a agradar ao ego inflado desses animais que mentem. Essas comunidades imaginadas seriam a prefiguração da cidade comunista ideal, a ponto de a cidade se tornar uma verdadeira favela arquitetônica, tal como é a Brasília, de Niemeyer.

3) O futuro doutorando me contou que Silva Alvarenga escreveu um poema árcade satírico chamado O Desertor, onde eles zombavam dos jesuítas da Universidade de Coimbra, que estavam sendo expulsos de Portugal e de seus domínios. Eles eram retratados como os arautos da ignorância e do obscurantismo.

4) Enfim, isto foi mais do que uma venda: trata-se de uma parceria acadêmica completa. Só o contato com este cliente já me trouxe ganho sobre a incerteza, mais do que a venda dos livros.

José Octavio Dettmann

sábado, 15 de agosto de 2020

Notas sobre a relação entre filantropia e pirataria digital

1) Nego é tão sem noção que botaram o link do IMUB contendo a obra de Assis Cintra digitalizada de graça (no caso, O Homem da Independência, esse que digitalizei e que estou pondo à venda por R$ 60,00). Bani o idiota da minha página. Agora, já não tenho mais direito de vender os meus produtos na internet.

2) Essa cultura do gratuito ser mais gostoso do que o pago deveria ser proibida. Eu assisti aos vídeos do Loryel, eu anotei as bibliografias, comprei as cópias indicadas, digitalizei-as e agora eu tenho o direito de vendê-las, uma vez que o referido livro está livre de direitos autorais, posto que o autor já tem mais de 70 anos de falecido. Por isso, posso vender meu trabalho sem violar direito alheio.

3) Deveria ser proibida expressamente a divulgação de PDF's livres de direitos autorais de maneira gratuita. Afinal, alguém teve o trabalho de digitalizar e esse trabalho deve ser remunerado. Só deveria ser gratuito a quem não tem condições de pagar - a quem é muito pobre, mas que está muito interessado em ter conhecimento.

4.1) A gratuidade só é justa a quem é pobre, para quem é necessitado de Cristo.

4.2) O beneficiado pela caridade consome, mas assume nos méritos de Cristo a dívida moral de pagar o que deve com juros e correção monetária a quem o ajudou, o bogaty, o rico nos méritos de Cristo. Por isso, em razão da honra, que faz com que a dívida por vontade própria jamais se prescreva, ele paga tudo o que deve a quem lhe prestou o favor.

5.1) Gratuidade por gratuidade é como arte tendo por fim a própria arte: trata-se de um fim vazio.

5.2) Se forneço ebooks a toda e qualquer pessoa, sem me importar com o credo ou com a religião, então estou promovendo filantropia, uma vez que estou incentivando as pessoas a conservarem o que é conveniente e dissociado da verdade. E o que a mão esquerda dá pode ser tomada com a mão direita, uma vez que o filantropo ama o homem, o animal que mente,  uma vez que é incapaz de ver o verbo que se fez carne nas pessoas.

6) A filantropia, por essa razão, não passa de publicidade. Ela não é cristã - trata-se de um tipo de parasitismo, cuja aplicação se dá a obras cujo direito autoral já está expirado ou desapropriado. Trata-se de aproveitamento de uma brecha legal existente na legislação que rege o direito autoral, uma vez que o direito natural foi desconsiderado, por conta de Deus estar morto, como diria Nietzsche.

7.1) A iniciativa do IMUB de disponibilizar obras gratuitas e sabotar o trabalho daqueles que põem a venda material livre de direitos autorais de modo a tirar o justo sustento deveria ser proibida.

7.2) A maior prova de que o IMUB faz filantropia é que os estatutos da organização vedam a vinculação dos membros do grupo à Santa Religião Católica ou a qualquer outra religião - por isso é um grupo secular, de caráter quase maçônico. Se não vejo Cristo na minha ajuda assistencial ao pobre, então não faz sentido ajudar, pois isso promove o nome dos animais que mentem por pura vaidade

8) Para se combater a ação da maçonaria e dessas associações civis de caráter secular, é preciso que a filantropia seja combatida. Ela é uma forma de pirataria.

9.1) A caridade, em Cristo fundada, é sempre bem-vinda; a filantropia, não. Além disso, é da confusão da caridade com a filantropia que a esquerda e a maçonaria deitam e rolam. Como isso não é de Cristo, então isso não pode ser amparado por lei,  uma vez que gera liberdade com fins vazios.

9.2) Um exemplo disso são as ações do Rotary Club. As ações do grupo têm em vista um mundo melhor - você quer algo mais esquerdista do que isso?

9.3) Empresas como Google e suas subsidiárias, como o Google Books - ligadas aos globalistas -, são todas elas ligadas a essa mesma lógica, a ponto de concentrar muito poder em poucas mãos.

José Octavio Dettmann

Rio de Janeiro, 15 de agosto de 2020.