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quarta-feira, 4 de junho de 2025

🕰️ Utopia, Ucronia e Retrofuturismo: uma filosofia da história cristã contra o conservantismo estéril

 Por amor ao Todo que vem de Deus

Vivemos numa época em que o debate sobre passado, presente e futuro foi sequestrado por narrativas superficiais, promovidas por pessoas pessoas qie vvem a conservar o que é conveniente e dissociado da verdade, a tal ponto que alimentam a ação progressista feita de tal modo a destruidor os valores fundados na conformidade  com o Todo que vem de Deus - como a verdade é o fundamento da liverdade, isso ofende os brios dessa gente, pois afinal ambos, são filhos da modernidade revolucionária, incapazes de compreender o tempo segundo a ordem que procede de Deus. Um se agarra ao passado como um museu morto, enquantp o outro destrói o passado em nome de um futuro que nunca se realiza.

Por isso, urge restaurar uma filosofia da história cristã, na qual possamos entender corretamente conceitos como utopia, ucronia e retrofuturismo, não como abstrações modernas, mas como categorias de pensamento ordenadas na conformidade com o Todo que vem de Deus.

🚫 A Utopia: O Não-Ser, o Não-Lugar, o Não-Tempo

O termo utopia, desde sua origem, carrega em si a marca da negação: ou-topos, “não-lugar”. É a construção de um lugar que não existe, nem no passado, nem no presente, nem no futuro. É, portanto, uma negação da realidade criada.

A utopia é sempre uma ruptura com a grande cadeia do ser, uma recusa da ordem divina inscrita na criação. Ela nasce do orgulho prometeico de querer fundar um mundo novo desvinculado da lei natural e da graça. Por isso, toda utopia é, em última análise, uma forma de rebelião contra Deus.

♾️ Do Kairos ao Aión: A Restauração na Guerra Cultural

Se há quem tenha consciência do valor espiritual dessas potências conservadas no kairos — e se houver disposição de guerra cultural movida pela caridade, não pelo orgulho — então é possível realizar a transmutação do kairológico para o aiónico, isto é, para o tempo da permanência, da duração, da eternidade participada.

Esse movimento não é nostalgia, não é saudosismo, nem é regressão. É uma operação espiritual na qual o passado não é idolatrado, mas sim purificado, elevado e restaurado, tornando-se fonte de porvir.

⚔️ A Vitória Contra o Conservantismo Estéril

O inimigo aqui não é apenas o progressismo — este é apenas a consequência final da modernidade. O verdadeiro inimigo é o conservantismo estéril, que consiste em congelar o tempo, transformar a tradição viva em museu, e, com isso, impedir que o bem, a verdade e a beleza sejam restaurados no presente. E não só congelar o tempo, mas impedir que as virtude de uma época boa gerem os frutos de tal forma a consumir toda a sua essência - pois de uma árvore boa só pode gerar bons frutos, enquanto de uma árvore envenenada, nada de bom se aproveita.

Quem conserva o que pe conveniente ainda que dissociado da verdade não vive na graça. Ele não é um guardião da tradição, mas sim um agente de esterilização cultural, pois transforma a memória em peso morto, incapaz de gerar futuro, a ponto de fazer parte da chamada classe ociosa. E, com isso, torna-se cúmplice do progressismo, porque ambos trabalham, de modos distintos, para a destruição do Todo que vem de Deus: um pela destruição aberta; o outro, pela morte por asfixia.

🚀 Retrofuturismo: quem tem passado tem futuro

Aqui nasce o conceito elevado de retrofuturismo, que não é uma estética de nostalgia vazia, mas uma filosofia da história ordenada ao ser.

Retrofuturismo é a certeza de que quem tem raízes no ser, na verdade e na graça, tem também asas para o futuro. Pois o passado, quando transfigurado no kairos e elevado ao aión, torna-se fonte inesgotável de potência criadora, de fecundidade espiritual e de civilização.

É o que Santo Agostinho intuiu quando disse:
"Sero te amavi, pulchritudo tam antiqua et tam nova, sero te amavi." —
A beleza tão antiga e tão nova... tarde te amei!

O que é antigo e belo, porque enraizado no ser, é ao mesmo tempo eternamente novo. E, portanto, capaz de gerar porvir.

Conclusão: A Filosofia da História nos Méritos de Cristo

O trabalho dos homens de boa vontade, portanto, não é conservar como quem guarda um cadáver, nem destruir como quem odeia sua própria história, mas sim restaurar, transmutar, elevar.

Tudo aquilo que, por razões conservantes, foi preservado no kairos — as virtudes, as instituições, as práticas, os modos de ser conformes ao Todo — pode e deve ser trazido de volta, elevado do kairológico ao aiónico.

E se houver vitória na guerra cultural contra o conservantismo estéril, então tudo o que havia de bom no passado será restaurado. Não como uma cópia morta, mas como uma fonte viva de futuro.

Porque quem tem passado — quem tem raízes no Todo — tem porvir, tem futuro, tem amanhã.

Nos méritos de Cristo, Senhor da História.

 📚 Bibliografia Recomendada

1. Filosofia do Tempo e da História

  • Santo AgostinhoConfissões (Livro XI)
    👉 Reflexão profunda sobre o tempo: cronos, kairos e eternidade.

  • Santo AgostinhoA Cidade de Deus
    👉 A oposição entre a Cidade de Deus e a cidade dos homens é uma chave interpretativa para entender a história segundo a ordem divina.

  • Josef PieperO Ócio e a Vida Intelectual
    👉 Mostra como o tempo consagrado ao que é eterno estrutura a verdadeira civilização.

  • Josiah RoyceA Filosofia da Lealdade
    👉 Obra essencial recomendada por Olavo de Carvalho. Reflete sobre a continuidade temporal e a construção de comunidades espirituais, culturais e civilizacionais.

  • Frederick Jackson TurnerThe Frontier in American History
    👉 Importante para compreender o mito da fronteira e seu papel na expansão civilizacional. Serve como analogia para pensar como o kairos pode gerar novas fronteiras espirituais e culturais.

  • Romano GuardiniO Fim da Era Moderna
    👉 Análise da crise da modernidade e das categorias de tempo e história deformadas pela revolução moderna.

🔥 2. Crítica da Modernidade, da Utopia e do Conservantismo Estéril

  • Thomas MoreUtopia
    👉 Leitura obrigatória como ponto de partida histórico. Permite entender a gênese da utopia como projeto fora da ordem natural.

  • Eric VoegelinA Nova Ciência da Política
    👉 Obra clássica que demonstra como a utopia é uma tentativa de immanentização do eschaton — trazer o fim dos tempos para dentro da história, o que gera as ideologias modernas.

  • Eric VoegelinOrdens e História (5 volumes)
    👉 Uma história da ordem espiritual e de como ela se corrompe nas utopias modernas.

  • Russell KirkA Mentalidade Conservadora
    👉 Embora valioso, este livro também revela os limites do conservadorismo moderno quando desconectado da transcendência.

  • Michael OakeshottRationalism in Politics
    👉 Crítica contundente ao racionalismo político e, indiretamente, às utopias revolucionárias.

  • Augusto Del NoceO Suicídio da Revolução
    👉 Uma das melhores análises da modernidade, mostrando como o progressismo e o conservadorismo estéril nascem do mesmo erro metafísico.

  • Olavo de CarvalhoO Jardim das Aflições
    👉 Fundamentação filosófica sobre o problema do tempo, da história e da decadência civilizacional. Essencial.

  • Olavo de CarvalhoO Imbecil Coletivo
    👉 Aqui se percebe com clareza a crítica mordaz contra a paralisia do conservadorismo brasileiro e suas ilusões culturais.

🕯️ 3. Fundamentos Espirituais da Restauração Cultural e do Retrofuturismo Cristão

  • São BoaventuraItinerário da Mente para Deus
    👉 Caminho de ascensão do tempo à eternidade, essencial para entender a elevação do kairos ao aión.

  • Dante AlighieriA Divina Comédia
    👉 Obra-prima da elevação do tempo e da história humana à ordem do Todo.

  • São Tomás de AquinoSuma Teológica, especialmente a I Parte, Questão 10 (Sobre a Eternidade)
    👉 Fundamentação metafísica do tempo, da eternidade e da relação entre Deus e a criação.

  • Bento XVI (Joseph Ratzinger)Introdução ao Cristianismo
    👉 Meditação teológica que ilumina a relação entre fé, história e verdade.

  • Padre Paulo Ricardo – Cursos de Filosofia e Teologia
    👉 Para quem lê em português e deseja uma formação sólida, esses cursos são instrumentos acessíveis de restauração intelectual e espiritual.

🏛️ Bônus: Obras Sobre Retrofuturismo e Restauração Cultural

  • Rod DreherA Opção Beneditina
    👉 Embora limitado pela perspectiva protestante-anglo-saxã, oferece uma reflexão prática sobre como restaurar uma cultura cristã num mundo em ruínas.

  • John SeniorThe Death of Christian Culture e The Restoration of Christian Culture
    👉 Obras-primas da pedagogia cristã e da restauração cultural. Leitura obrigatória.

  • T.S. EliotNotas Para a Definição da Cultura
    👉 Uma análise brilhante sobre como a cultura nasce da religião e morre quando dela se separa.

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