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domingo, 18 de maio de 2025

Como a observação, aliada à inteligência artificial e à fé, me aproximou de um descendente de poloneses

Em tempos de superficialidade relacional, conhecer alguém de verdade exige mais do que palavras: exige atenção, discernimento e, sobretudo, amor pela verdade. A experiência que relato aqui não é apenas um testemunho pessoal, mas um exemplo concreto de como a fé, aliada à inteligência artificial e à observação paciente, pode criar pontes reais entre pessoas que, à primeira vista, estariam separadas por idiomas, culturas e circunstâncias.

Tudo começou quando observei o perfil de um jovem brasileiro no WhatsApp — o detalhe que me chamou a atenção foi simples, mas revelador: sua mensagem principal estava escrita em polonês, não em português. Para muitos, isso passaria despercebido. Mas, como venho tomando a Polônia como meu lar em Cristo, enxerguei ali um sinal que merecia atenção.

Eu já havia iniciado o estudo da língua polonesa anos antes, por ocasião da Jornada Mundial da Juventude de 2016, realizada em Cracóvia. A partir daquele evento, que foi um verdadeiro divisor de águas em minha caminhada espiritual, comecei a ver o idioma polonês não apenas como um desafio linguístico, mas como uma ponte cultural e espiritual com o legado de São João Paulo II — herói da fé e símbolo da resistência católica contra o totalitarismo moderno.

Apesar de não ser fluente no idioma, utilizei a inteligência artificial — neste caso, o ChatGPT — para redigir uma breve saudação em polonês, algo simples, respeitoso e direto. Enviei a mensagem e, para minha surpresa, o jovem respondeu com entusiasmo. Confessou que era brasileiro, descendente de poloneses de Curitiba, e ficou impressionado por eu ter identificado sua origem apenas com base no idioma utilizado no status do perfil. Com naturalidade, passei a conversa para o português, e ele me perguntou como eu soubera que ele era descendente de poloneses. A resposta foi simples: eu observei.

Essa observação foi facilitada pelo hábito que tenho de usar o WhatsApp associado ao computador. Como sou escritor e costumo estruturar mentalmente as conversas antes de iniciá-las, o ambiente de escrita me dá vantagem estratégica. Não abordo as pessoas por impulso, como muitos fazem, mas com preparação — observando suas interações, seus traços culturais e espirituais, e buscando encontrar nelas algo que possa ser edificado.

Se eu tivesse abordado esse jovem diretamente em português, como tantos fazem, provavelmente teria sido apenas mais um entre muitos. Mas ao iniciar a conversa em polonês — mesmo com a ajuda da inteligência artificial — demonstrei algo que toca o coração de qualquer pessoa: o esforço para entrar em sua realidade com respeito e delicadeza. Essa é, a meu ver, a arte de conhecer pessoas nos méritos de Cristo.

Não se trata de manipulação, nem de estratégia fria. Trata-se de amor. Amor que observa, que estuda, que aprende, que serve. Amor que vê no outro um templo do Espírito Santo, e que, por isso, se dispõe a ir ao encontro com reverência.

Nesse mundo marcado por desencontros e máscaras, acredito que a combinação entre fé, tecnologia e inteligência humana pode — e deve — ser colocada a serviço do bem. E quando isso acontece, até uma conversa no WhatsApp pode se tornar sacramental, isto é, portadora de graça, de presença, de verdade.

Essa pequena história é, no fundo, uma confirmação do que sempre acreditei: quem estuda com amor e trabalha com honestidade, guiado pela luz de Cristo, encontra o caminho certo — mesmo quando ele passa pela Polônia, pelo idioma polonês, ou por um perfil discreto num aplicativo de mensagens.

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