Há uma verdade que se impõe aos olhos daqueles que se recusam a aceitar a decadência como estado natural das coisas: a república, como sistema político, nasceu de um pecado original contra a ordem estabelecida por Deus. Quando os homens decidem derrubar os tronos que ainda sustentam o altar, não estão apenas negando a autoridade do rei, mas estão se insurgindo contra o próprio Rei dos reis. Essa constatação não é apenas uma tese filosófica ou uma lembrança romântica de tempos passados, mas uma verdade vivida — sobretudo por quem cresceu nas ruínas da república brasileira.
O Brasil é, por excelência, a prova viva de que a república não redime — apenas corrompe, divide e destrói. Desde o golpe militar que instaurou a república em 1889, o país experimentou uma sequência ininterrupta de instabilidade, autoritarismo judicial, desrespeito à propriedade, manipulação das massas e, sobretudo, a aniquilação da cultura cristã enquanto fundamento da vida pública. A chamada “República Federativa do Brasil” tornou-se, na prática, um império da desordem institucional, onde o povo é apenas plateia da guerra entre facções travestidas de partidos.
É desse contexto que falo quando olho com esperança para o povo polonês — um povo que sofreu muito, mas que ainda guarda, em sua alma coletiva, a memória da realeza como um vínculo de unidade e santidade nacional. A Polônia, cuja história foi forjada sob a coroa de reis que sabiam ser servos de Deus, jamais deveria ter renunciado à sua monarquia. E quando ouço que nomes como Grzegorz Braun — deputado do Konfederacja Wolność i Niepodległość — defendem a restauração da monarquia, vejo nisso não um saudosismo imprudente, mas um lampejo de sanidade em meio à escuridão política da Europa moderna.
Braun, católico convicto, cineasta e homem de combate cultural, é uma figura singular na política polonesa. Ele entende, como poucos, que a verdadeira soberania de uma nação não está nas urnas nem nos parlamentos, mas na fidelidade a uma ordem superior — a ordem cristã. Sua simpatia pela monarquia não é um capricho ideológico, mas um reflexo de sua compreensão de que só uma autoridade ordenada ao bem comum e legitimada por Deus pode restaurar a unidade entre os poloneses.
Em suas próprias palavras:
"A alternativa pode ser dupla: ou o autoritarismo secular e coletivista, ou seja, pura tirania — simplesmente o governo de alguma junta — ou a autoridade santificada, ou seja, justamente a monarquia católica."
"A monarquia é, portanto, uma escolha não apenas política — mas também ética e estética."
"Sou monarquista, rezo pelo retorno do rei."
Se Deus me der uma esposa polonesa, creio que essa aliança será mais do que pessoal: será política e espiritual. Trarei comigo a memória amarga da república brasileira — essa fábrica de miséria moral e material — para, ao lado do povo polonês, ajudar na reconstrução de uma Polônia verdadeira, real no mais pleno dos sentidos: real porque cristã, real porque monárquica, real porque fiel à sua vocação histórica.
Não falo aqui de levantar uma dinastia por nostalgia aristocrática, mas de restaurar o trono como símbolo visível da realeza de Cristo sobre as nações. Uma monarquia católica em solo polonês não é um retorno ao passado, mas um passo à frente — um avanço rumo a um futuro ordenado pela justiça, pela verdade e pelo amor a Deus.
Assim como a França teve seus contrarrevolucionários, e o Brasil teve Dom Sebastião do Monte Carmelo em sua mística nacional, talvez esteja na hora de a Polônia erguer seus restauradores — não armados de ideologias modernas, mas de fé viva, memória histórica e coragem profética.
E que, se Deus quiser, eu esteja entre eles.
Pois assim também cumpro o propósito ouriqueano, que é servir a Cristo em terras distantes.
Não é por vaidade, mas por vocação; não por nostalgia, mas por fidelidade. Pois aquele que serve a Cristo como Rei, em qualquer lugar da Terra, está sempre em sua Pátria verdadeira — aquela que não tem fim.
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