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segunda-feira, 19 de maio de 2025

O Pombo de Toga e A República Batizada (no sentido brasileiro do termo)

Luiz Roberto Barroso é mais que um magistrado. É o retrato vivo, o espelho nítido, daquilo que a república brasileira sempre foi: um regime batizado não com águas puras, mas com substâncias turvas, como se faz com gasolina adulterada ou cachaça misturada com formol nas feiras clandestinas.

No Brasil, “batismo” é eufemismo de fraude. E a república foi, desde sua origem em 1889, uma fraude contra a história. Seu batismo não veio da vontade popular, não brotou de um clamor das ruas, nem foi parido pelas entranhas legítimas de uma nação em maturação. Foi um golpe militar contra os nossos pais fundadores — os monarcas da Família Imperial Brasileira — homens que, com todos os seus limites, ainda respeitavam o princípio de autoridade, a ordem natural das coisas e o tempo orgânico da história.

Dizer que Barroso é um pombo de toga é mais do que uma imagem: é um diagnóstico. Ele sobrevoa os escombros daquilo que foi nossa monarquia cristã, pousa com arrogância nas colunas ocas da República e, com suas decisões barroentas, marca território como quem faz necessidade — não justiça. Não busca purificar as instituições, mas antes, confirma a vocação deste regime para a encenação, para a maquiagem jurídica, para a pose vazia diante das câmeras e a sujeira atrás dos bastidores.

Quando Barroso afirma que o STF é o “editor final da democracia”, o que está dizendo, em bom português, é que o povo pode até escrever sua história — mas será ele, com sua pena de barro, quem riscará as frases que não agradam à elite ilustrada que se crê dona do Brasil. Ele não interpreta a Constituição: ele reescreve o enredo, rebatiza os termos, adultera o conteúdo.

Essa república — parida sem povo, sem plebiscito e sem oração — sempre precisou de pombos assim. Não águias, não leões, não anjos. Mas aves de praça, aves que ciscam entre os restos do poder e tornam habitual a presença da sujeira. Barroso não trai a república: ele é sua expressão mais coerente. Se ela foi batizada com óleo sujo, ele é o que sobrou na garrafa.

E nós, povo brasileiro, seguimos empurrando esse carro com motor fundido, esperando que um dia pegue no tranco. Mas enquanto aceitarmos como normal esse batismo bastardo de 1889 — enquanto aceitarmos como legítimos os sacerdotes do barro — não sairemos do lugar.

A restauração de nossa sanidade política exige antes de tudo a coragem de reconhecer: fomos enganados. A república foi batizada como se batiza gasolina: para render mais no curto prazo, mesmo que destrua o motor no caminho. E Barroso — com toda sua pose e retórica — é apenas o frentista de plantão.

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