Pesquisar este blog

segunda-feira, 19 de maio de 2025

Da desorganização acadêmica ao resgate da excelência: reflexões de um sobrevivente da universidade pública brasileira

Quando entrei para a Universidade Federal Fluminense, era extremamente organizado. Tinha metas, métodos e uma clareza interior que me movia rumo à excelência. A aprovação em um vestibular tão concorrido parecia a coroação de anos de esforço — um rito de passagem para um futuro promissor. Mas, ao longo dos anos, fui percebendo que aquela mesma estrutura que me atraiu pela promessa de formação sólida era, na prática, um ambiente que corroía tudo aquilo que eu era.

A faculdade foi me “esculhambando” aos poucos, sem pressa, mas com eficiência. A cultura da mediocridade, a politização desmedida, a burocracia kafkiana e o desrespeito à individualidade foram minando a minha organização, o meu entusiasmo, e até mesmo a minha identidade. Cheguei a um ponto em que ser organizado já não fazia sentido — parecia que, ao me esforçar para manter um padrão de excelência, eu era alvo de chacota, como se o zelo fosse ridículo, como se a bagunça institucional devesse ser aceita com naturalidade.

Durante muito tempo, engoli isso em silêncio. Não podia desonrar meu pai e minha mãe — eles se sacrificaram para que eu tivesse aquela oportunidade. Honrá-los era mais importante que qualquer diploma. Então fui até o fim, mas saí marcado. O trauma da vida acadêmica pública deixou suas cicatrizes.

Hoje, com o tempo, o amadurecimento e a distância, tenho buscado algo que havia perdido: o compromisso com a excelência. Estou voltando lentamente ao que eu era — não por pressão externa, mas por fidelidade a mim mesmo. Reorganizar a vida é, neste momento, um ato de resistência e cura. Recusar o padrão da desordem, mesmo que normalizado pela universidade, é uma forma de reafirmar a dignidade pessoal.

Se um dia eu tiver filhos, o conselho será claro: não se prendam ao mito da universidade pública como única via legítima de formação. Vivemos outros tempos. A educação a distância é uma realidade consolidada, e o conhecimento verdadeiro não está preso a paredes de concreto nem à vaidade institucional. Hoje podemos dizer com tranquilidade: mande as instituições opressoras para as urtigas. O que importa é o conhecimento, não o diploma.

Aliás, se o diploma fosse realmente importante, bastaria um calígrafo, um artista e uma gráfica. O que vale é o saber incorporado, vivido, capaz de transformar a realidade e servir aos outros com inteligência e justiça. A forma como esse saber é adquirido precisa ser livre, responsável e voltada à verdade — não ao simulacro burocrático que domina muitas universidades.

Portanto, essa não é uma confissão amarga, mas uma declaração de liberdade. A universidade me desorganizou, sim — mas não destruiu quem eu sou. E agora, passo a passo, estou recuperando minha essência. O que não me matou, fortaleceu. O trauma foi real, mas o retorno à excelência será ainda mais profundo. E desta vez, por convicção própria — e não para agradar ninguém, senão a Deus e à minha consciência.

Nenhum comentário:

Postar um comentário