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domingo, 18 de maio de 2025

A Boa-Fé na Oração: Quando a Virgem Maria, nossa advogada, rejeita a causa


“E orando, não useis de vãs repetições, como os gentios.”
(Mateus 6,7)

No tribunal da graça, Cristo é o Juiz justo, e Maria Santíssima é nossa Advogada. Mas nem toda causa merece ser levada à sua mesa. Entre os muitos pedidos feitos todos os dias à Mãe de Deus, há aqueles que, espiritualmente, não têm mérito algum – ou pior, correm o risco de ser casos de litigância de má-fé.

I. O Justo Juiz e o Valor da Oração Bem Ordenada

Jesus Cristo nos ensinou a orar com simplicidade, verdade e confiança. A oração não deve ser instrumento de manipulação, nem meio de fazer valer vontades pessoais. A oração cristã, para ser eficaz, deve estar conforme a vontade do Pai.

Cristo não prometeu atender qualquer súplica, mas sim aquelas feitas em Seu Nome (Jo 14,13-14), ou seja, conforme Sua verdade, justiça e misericórdia. Pedir o que é vão, desordenado ou contrário ao Evangelho é, nesse contexto, invocar o nome de Deus em vão, o que configura uma infração espiritual grave.

II. Maria, a Advogada que Discerne Causas

A tradição da Igreja chama Nossa Senhora de “Advogada nossa”, como reza a oração da Salve Rainha. Mas poucos compreendem a profundidade desse título. Um verdadeiro advogado não aceita toda e qualquer causa: ele analisa, pesa, e rejeita as que são injustas ou infundadas. Ele é o primeiro juiz da viabilidade do pleito.

Maria, cheia de sabedoria e unida perfeitamente à vontade de Deus, não leva ao seu Filho qualquer súplica que contrarie a verdade eterna. Como Mãe da Sabedoria, ela purifica, aperfeiçoa e, se necessário, silencia nossos pedidos. Ela é Mãe, mas não é cúmplice do erro.

III. Pedir pelas Intenções do Papa: O Que Está em Jogo?

Na prática devocional católica, costuma-se rezar “pelas intenções do Santo Padre” como forma de demonstrar comunhão com a Igreja. Essa prática, entretanto, não é um cheque em branco espiritual. Ela pressupõe que tais intenções estejam em conformidade com a fé católica e a missão confiada a Pedro.

O problema surge quando o fiel, conhecendo bem as palavras e ações de um Papa que muitas vezes ambiciona metas políticas, ecológicas ou ideológicas, percebe que há intenções que, longe de serem evangelizadoras, soam como desvio de missão. Rezar indiscriminadamente por essas intenções pode ser, em linguagem teológica, um ato de má-fé espiritual.

V. Litigância de Má-Fé no Tribunal Celestial?

No campo do Direito, litigância de má-fé é o ato de quem move uma causa judicial de forma desonesta, abusando do sistema judiciário. Ora, no plano espiritual, ao levar-se à intercessão da Virgem uma intenção sabidamente errada ou ambígua, o fiel corre o risco de cometer um equivalente espiritual.

É como se o advogado (Maria) recebesse uma petição indecorosa e dissesse: “Esta causa não passa de uma tentativa de enganar o Juiz. Rejeito.” Maria, por amor ao Filho e ao fiel que a invoca, não levará à presença do Justo Juiz uma súplica que insulte a verdade ou subverta a justiça.

V. O que devemos pedir, então?

A resposta é clara: devemos pedir que o Papa – como todo fiel – se converta cada vez mais à vontade de Deus. Devemos rezar para que suas intenções sejam purificadas e conformadas ao Sagrado Coração de Jesus. Assim, pedimos o que é reto, verdadeiro, católico.

Rezar pelas intenções do Papa não significa rezar por tudo o que ele deseja, mas rezar para que ele deseje aquilo que Deus quer.

Conclusão

Num tempo em que até os títulos mais santos podem ser instrumentalizados para propósitos terrenos, é urgente restaurar a inteligência espiritual da oração. Oração não é magia. A intercessão de Maria não é moeda de troca. O Céu não é um balcão de favores. É preciso orar com reta intenção, com fé viva e com discernimento.

Porque o justo Juiz conhece os corações. E o Advogado, se é bom, não patrocina causas ruins.

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