Olavo de Carvalho, mestre de muitos que buscam a verdade neste tempo de dissolução, sempre insistiu em um ponto que parece simples, mas que exige do espírito mais do que erudição: a atividade intelectual é uma atividade pública. Pensar não é um luxo reservado ao privado, ao esconderijo da mente ou à condescendência das rodas fechadas. Pensar, ensinar, escrever, formar opinião — tudo isso se dá sob os olhos de Deus e, por isso mesmo, diante da comunidade dos que O servem e dos que O rejeitam.
Foi à luz dessa consciência que optei, desde sempre, por não restringir o alcance das minhas postagens nas redes sociais, em particular no Facebook. A ausência de restrições não é um gesto de vaidade ou de exibicionismo, mas de responsabilidade. Se escolhi tornar públicos meus pensamentos, é porque me comprometi, não apenas com os homens, mas com Deus, a não dizer a primeira asneira que me vem à cabeça, como tantas vezes vi acontecer — inclusive em relações próximas.
Lembro-me de uma namorada que tive, que confundia franqueza com imprudência. Tudo o que lhe passava pela mente era imediatamente lançado ao mundo, como se pensar antes de falar fosse uma espécie de censura interna insuportável. O resultado era previsível: ofensas gratuitas, ideias malformadas, juízos tolos. Ao contrário disso, quem assume sua vocação intelectual perante Deus precisa pensar duas vezes, rezar uma terceira, e só então falar — se for o caso.
Esse compromisso atrai pessoas. Elas me adicionam, talvez buscando algo mais sólido, talvez por mera curiosidade. Mas como elas restringem o acesso às próprias postagens, não me é possível discernir antes de aceitar. Aceito, então, na esperança. Mas já aconteceu, como recentemente, de me deparar com um perfil que só trazia bobagens — pensamentos rasos, ideias vulgares, postagens banais. E a única atitude coerente diante de tal panorama foi o bloqueio. Não por desprezo à pessoa, mas por constatar que daquela alma, naquele estado, nada se aproveitava.
O Evangelho é claro: “Pelos frutos os conhecereis” (Mt 7,16). E ainda: “Não deis aos cães o que é santo, nem lanceis aos porcos as vossas pérolas” (Mt 7,6). O princípio é o mesmo: há um discernimento a ser feito. Quando se trata de formar comunidade intelectual e espiritual, a seleção é inevitável — não por orgulho, mas por fidelidade à missão.
Vivemos tempos em que muitos querem ser ouvidos, mas poucos desejam ouvir. Muitos escrevem, mas não se responsabilizam por cada palavra. Muitos opinam, mas quase ninguém está disposto a ser julgado pelas suas ideias. Por isso, reitero: quem se compromete publicamente com o pensamento, compromete-se com a Verdade, e por isso mesmo, com o próprio Deus.
Essa é uma batalha pela integridade da alma — e pelas almas daqueles que ainda podem ser despertos do torpor. Que o Senhor nos conceda discernimento para falar quando for preciso, silenciar quando for prudente, e rejeitar o que deve ser rejeitado por amor à Verdade.
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