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quarta-feira, 21 de maio de 2025

Grzegorz Braun é um Enéas 2.0: o profeta apocalíptico da Nova Direita Europeia

No teatro político das nações, há personagens que surgem como raios em céu fechado. Não pedem licença. Não têm alianças. Falam sozinhos, contra todos, armados apenas com sua voz, sua convicção e — principalmente — sua visão de destino.

O Brasil teve Enéas Carneiro. A Polônia tem Grzegorz Braun.

Ambos são vistos como excêntricos, ridículos ou perigosos pelos comentaristas oficiais. Mas poucos duvidam de sua inteligência, coerência interna e força de presença. São homens que levam suas ideias ao extremo, sem concessões, ainda que isso custe o conforto da “governabilidade” ou o apoio das elites.

Enéas, nos anos 1990 e 2000, denunciava o entreguismo, o imperialismo, a desmoralização nacional. Queria um Brasil forte, soberano, dono de seu território, com bomba atômica, exército preparado e povo educado. Era estatista, científico, patriota. Quando falava, parecia um trovão: “Meu nome é Enéas!”, e ninguém esquecia.

Braun, já no século XXI, ergue sua voz como um cruzado. Fala em nome de Cristo Rei, denuncia a Maçonaria, o sionismo revolucionário, a OMS, o globalismo, o comunismo reciclado. Quer uma Polônia soberana, católica, armada e vigilante. Quando entra no Parlamento, muitos pensam que é teatro — mas o que ele faz é liturgia. O gesto é um sermão.

Enéas era um cientista. Braun é um profeta.

Mas ambos ocupam o mesmo lugar simbólico: o da voz solitária que denuncia a apostasia de uma nação.

Ambos não cabem nos moldes partidários. Enéas criou seu próprio partido, o PRONA, do zero. Braun tenta atuar dentro da Konfederacja, mas com constantes choques. Ele é o “Enéas 2.0” porque atualiza esse arquétipo para o contexto da nova guerra cultural europeia. Não fala mais em bomba atômica, mas em exorcismo público. Em vez de nacional-desenvolvimentismo, fala em Reino Social de Cristo. Mas a postura é a mesma: radical, apaixonada, indomável.

Se Enéas estivesse vivo hoje, talvez visse em Braun algo de si — com espanto e admiração. E Braun, com sua sensibilidade histórica e seu faro para arquétipos, talvez visse em Enéas um precursor tropical de sua própria missão.

Ambos são lembrados por aquilo que não puderam fazer no poder, mas fizeram no imaginário. Seus gestos valem mais que leis. Suas palavras ficam ecoando no subconsciente político do povo.

E quando a história exigir novamente homens de coragem, alguém lembrará:

Houve um homem que disse a verdade. Mesmo que ríssemos dele. Mesmo que o chamássemos de louco.

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