Embora eu ainda não domine a língua polonesa com fluência, considero a terra de São João Paulo II como meu lar em Cristo tanto quanto o Brasil, país onde eu nasci. Essa convicção não é fruto de um sentimentalismo vago, mas de uma certeza espiritual fundamentada na comunhão dos santos e no chamado cristão de alargar as fronteiras do amor e da verdade.
Desde que iniciei minha caminhada de aprofundamento intelectual e espiritual, percebi que não basta amar a verdade em silêncio. É necessário transmiti-la — especialmente às almas que, embora distantes geograficamente, compartilham conosco o mesmo batismo, a mesma fé católica e o mesmo anseio por um mundo mais justo, mais verdadeiro, mais santo. Foi assim que nasceu em mim o desejo de compartilhar com o povo polonês os escritos que produzo em português, na esperança de que eles também possam encontrar neles algo de útil para sua formação e vigilância histórica.
A memória como serviço
O Brasil, como tantas outras nações latino-americanas, passou e ainda passa por processos políticos marcados por figuras dúbias, discursos populistas e uma manipulação constante da verdade. Esse processo deixou cicatrizes profundas em nossa sociedade, mas também nos ensinou lições preciosas sobre liberdade, moralidade pública, fé e resistência cultural.
Ao traduzir meus textos para o polonês, levo aos irmãos da terra de São João Paulo II uma memória histórica — não para impor julgamentos estrangeiros, mas para oferecer um espelho: “vejam o que vivemos, para que não sejam enganados por semelhantes farsas”. É um ato de amor cívico e cristão: alertar, partilhar e fortalecer a vigilância do espírito.
Um intercâmbio de bênçãos
Se por um lado ofereço à Polônia minhas experiências como brasileiro católico, por outro recebo dela um tesouro espiritual imensurável. São João Paulo II foi — e continua sendo — um farol que ilumina o caminho da verdade no meio da tempestade relativista que assola o mundo moderno. O exemplo dos mártires poloneses, dos intelectuais que resistiram à opressão comunista, da cultura que soube preservar sua identidade mesmo sob o peso da tirania, tudo isso me enriquece profundamente.
Portanto, o que faço ao traduzir não é apenas um exercício linguístico. É um gesto de aliança. É minha forma de dizer: “Esta terra me acolheu espiritualmente; que meus escritos, ainda que humildes, retribuam algo dessa graça”.
Nos méritos de Cristo, por uma fraternidade real
Vivemos tempos em que o discurso da fraternidade é repetido à exaustão, mas raramente vivido com verdade. A fraternidade real nasce da verdade partilhada, do amor exigente, da confiança que se constrói não apenas com palavras doces, mas com testemunho firme. Ao unir o Brasil e a Polônia com a ponte da linguagem e da história, tento viver essa fraternidade não como uma ideia abstrata, mas como uma missão concreta — nos méritos de Cristo.
Que aqueles que leem meus textos em polonês saibam: eles não foram escritos com perfeição gramatical, mas com fidelidade espiritual. São escritos de alguém que os considera irmãos, e que deseja vê-los livres, firmes e conscientes diante das ameaças do mundo moderno.
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