A missão católica nas terras da Polônia: notas sobre a situação do escritor brasileiro que transita entre Cracóvia e Varsóvia, movido pelo Milgagre de Ourique
Por muito tempo, vi-me cercado por um Brasil cada vez mais descristianizado, onde falar de Cristo é, muitas vezes, como pregar para pedras. No entanto, à medida que aprofundo minha relação com os poloneses — especialmente com aqueles de Cracóvia e Varsóvia — percebo que há lugares onde o terreno ainda é fértil, onde a palavra ainda encontra acolhida, reflexão e resposta.
Nas minhas recentes postagens em língua polonesa, tenho recebido retornos extraordinários. São mensagens de incentivo, perguntas inteligentes e colaborações que enriquecem meu trabalho e minha visão de mundo. Mais do que isso, são sinais de que a missão cultural e espiritual de um escritor católico não pode se limitar às fronteiras do seu país de origem.
A influência que se planta com raízes católicas
Ainda que eu não tenha direito a voto na Polônia, meu papel ali não é político, mas cultural e espiritual. Através das redes, atuo como um autêntico influenciador digital — não à maneira banal que o termo costuma carregar, mas como alguém que compartilha ideias, valores e experiências que moldam consciências. A experiência brasileira me serve de testemunho: mostro, com honestidade, como o nosso fracasso republicano não foi apenas um erro de sistema, mas, sobretudo, um afastamento de Cristo.
Os poloneses, com sua alma ainda profundamente católica, estão mais abertos a compreender essa perspectiva. Diferente de muitos brasileiros, que rejeitam qualquer apelo à tradição cristã como se fosse um fardo colonial ou uma superstição arcaica, os poloneses sabem, por experiência histórica e sofrimento próprio, que a fé é aquilo que sustenta uma nação quando tudo parece ruir. E talvez por isso me escutem com tanto respeito.
Contra o pecado da estagnação cultural
Falar apenas para os nossos conterrâneos, fechando-se em bolhas ideológicas e culturais, é uma tentação constante — especialmente para os que se identificam com a chamada "direita" brasileira. Mas isso, devo afirmar com clareza, é um pecado contra a missão católica. A fé não é localista. Não é tribal. Ela é, por definição, católica — isto é, universal.
O fechamento da direita brasileira no seu próprio “mundinho” é uma caricatura do que deveria ser uma verdadeira resistência cultural. Muitos se contentam em reforçar seus próprios discursos para os já convencidos, sem a coragem de dialogar com o outro, com o estrangeiro, com o distante. Mas o espírito de Ourique — aquele que mandou levar Cristo a outras terras — exige mais. Exige sacrifício, desapego e disposição para servir a verdade onde quer que ela ainda possa ser ouvida.
O escritor como missionário
É com esse espírito que escrevo para os poloneses. Não para agradar ou para parecer erudito em outro idioma, mas para oferecer, com humildade, a minha contribuição. Ao ser lido por eles, ao receber suas respostas, percebo que algo maior está em curso. A palavra, quando sincera e iluminada pela fé, encontra caminhos que não dependem de passaporte nem de fronteiras nacionais.
Essa é a beleza da missão cristã: ela não termina onde termina a nossa nacionalidade. Ao contrário, é nas terras distantes — nas “periferias existenciais”, como diria o Papa Francisco — que ela mais se prova verdadeira.
Conclusão: entre Cracóvia e Varsóvia, movido pelo milagre de Ourique
Não sou polonês, mas me sinto em casa ao falar com os poloneses. Porque onde há fé católica viva, há um lar em Cristo. Cracóvia e Varsóvia não são apenas grandes cidades da Europa Central: são hoje, para mim, sinais de que a missão continua, que a palavra ainda tem poder e que o escritor, quando fiel ao seu chamado, pode — mesmo à distância — participar da construção de uma civilização enraizada em Cristo.
E que essa missão, inspirada no espírito de Ourique, siga abrindo caminhos. Porque não há verdadeiro patriotismo sem catolicismo, e não há catolicismo autêntico que não se expanda para além de si mesmo.
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