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terça-feira, 18 de abril de 2017

Notas sobre erudição e estilos literários

1) Antigamente, havia guildas de escritores - e cada guilda tinha sua escola de gramática. Se gramática é a construção material da linguagem, então os estilos literários eram construídos por meio de regras que, se devidamente observadas, faziam com que a pessoa dissesse o que era indizível.

2) Afinal, dizer o que era antes indizível e exprimir a coisa de uma maneira bela e edificante - logo, culta - é algo que é conforme o Todo que vem de Deus. Por isso, erudito.

3) A língua portuguesa é uma língua de guerreiros e navegantes. É uma língua própria para a poesia.

4) Se tivéssemos que escrever textos jurídicos dentro da tradição da língua portuguesa, o positivismo jurídico sucumbiria. E os casos forenses seriam descritos em todas as suas nuances de tal maneira que não só a lei seria aplicada mas também criaria um estado de ânimo tal que faria as pessoas não mais delinqüirem. Seria algo realmente genuíno - não essa coisa teatral e insincera que nós vemos hoje.

5) Eu estive jogando Civilization V - e uma das modificações que baixei para o jogo trouxe um povo antigo que viveu na Península Ibérica, anterior à romanização, que tinha por hábito redigir suas leis em verso. Achei isso realmente interessante. Depois vou ver onde coleto mais informações sobre isso.

José Octavio Dettmann

Rio de Janeiro,18 de abril de 2017.

Agora entendo porque dizem que nossa língua é inculta e bela

1) Agora eu compreendo porque a última flor do Lácio é inculta e bela.

2) Se ela não ficar presa a padrões pretensamente eruditos, como o juridiquês, ela é uma língua bela e clara. Basta que se diga as coisas de maneira clara e objetiva. Por isso ela é necessariamente inculta, pois isso acaba jogando as regras do cientificismo, do academicismo na lata do lixo.

3.1) Muitos entendem cultura por virtuosismo ou preciosismo - se é esse o caso, então estão a criar uma antilinguagem.

3.2) Às vezes, certos exercícios que o professor William Bottazzini Rezende e outros latinistas recomendam acabam fomentando má consciência na pessoa, pois esta vai ficar sempre procurando buscar equivalentes semânticos de modo a dizer uma experiência que pode ser exprimida de forma simples e clara, o que faz a pessoa conservar o que é conveniente e dissociado da verdade - e isso é um verdadeiro horror. Como aluno, desobedeceria meus professores neste caso, pois penso ser insensato.

4.1) Acho que o bom senso deveria prevalecer.

4.2) Eu só buscaria esse exercício se estou diante de um caso onde a linguagem atual não é capaz de abarcar a experiência que estou tendo, de modo a exprimi-la melhor. Afinal, como escritor, preciso dizer o indizível - e isso pede um estudo da linguagem, mais ou menos nos moldes das investigações que fiz sobre nacionidade.

José Octavio Dettmann

Rio de Janeiro, 18 de abril de 2017.

Toda copidescagem nasce de uma revisão ainda mais ampla

1) De tempos em tempos, às vezes coleto textos de meus colegas e costumo mais do que fazer uma revisão. Eu procuro alterar o estilo das redações de modo que o texto fique mais claro para o leitor. Alguns, como o Leonardo Faccioni, escrevem no estilo juridiquês, que é altamente incompreensível.

2) Neste caso, tendo a fazer mais uma copidescagem, pois estou atuando como se fosse um tradutor dele, sem sair da esfera da língua portuguesa. Procuro estudar a bibliografia usada pelos meus pares e rastrear os pontos que deram causa aos insights. É um trabalho qualificado e desafiador, pois exige que você domine os assuntos tanto quanto aquele que escreveu o texto, em primeira mão.

3) Meu professor de português dizia que todo tradutor é um traidor. E o maior desafio que faço é escrever as coisas em conformidade com o todo que vem de Deus sem trair o entendimento original adotado, de modo a não causar entropia, perda informação. Por isso, tento não perverter o conteúdo. O que faço é deixar o trabalho mais amigável para o leitor, o que chega a ser um verdadeiro desafio.

José Octavio Dettmann

Rio de Janeiro, 18 de abril de 2017.

segunda-feira, 17 de abril de 2017

O conservantista insensato não passa de um fariseu

1) Se você acha distributivismo fascismo, tal como o Conde Loppeux de Villanueva pensa, então você está confundindo tomar país como um lar em Cristo com tomar o país como se fosse religião, em que tudo está no Estado e nada poderá estar fora dele ou contra ele. Você confunde nacionidade com nacionalidade, que são coisas completamente diferentes. Você confunde o transcendente com o imanente, a ponto de profanar o sagrado.

2.1) Justamente porque você não domina as nuances da linguagem, você estará edificando liberdade para o nada, dado que está conservando o que é conveniente e dissociado da verdade. Você estará sendo um mau servo de Deus, pois é próprio das palavras vazias não delimitarem bem o limite entre uma nuance e outra.

2.2) O verdadeiro liberalismo decorre da verdade e faz da caridade uma ordem magnificente. E esse liberalismo é movido à base de eucaristia - se Cristo não estiver presente em nós e nós n'Ele, como poderemos conservar a dor de Cristo, dor essa que edificou a verdadeira liberdade em nós? O conservadorismo é próprio da Igreja militante, que atua no bem comum servindo a Cristo nesta terra e em terras distantes, já que Jesus é construtor e destruidor de impérios.

3.1) O problema dessa gente é falta de leitura - falta de cultura literária. Ficam presos a um doutrinarismo estéril que faz da santa tradição uma tábula rasa, a ponto de condenarem por herético aquilo que não é ofensivo a Deus. 

3.2) Por conta da falta de sensibilidade, cuja causa se dá na falta de imaginação, essa gente acabou se tornando farisaica, hipócrita - e é bom que arranquem a trave de seus olhos, sob pena de irem para o fogo eterno por força de seu conservantismo insensato.

José Octavio Dettmann

Rio de Janeiro, 17 de abril de 2017.

Maurício Silva: José. poderia por gentileza dizer-nos onde o Conde critica o distributismo, se em algum vídeo ou em publicação do Facebook?

Publicações relacionadas:

 http://blogdejoseoctaviodettmann.blogspot.com/2013/12/distributivism-nao-e-fascismo-e-nem.html

http://blogdejoseoctaviodettmann.blogspot.com/2013/12/critica-de-leonardo-faccioni-ao-conde.html


Maurício Silva: 

1) Acho mesmo que as diferenças semânticas a que você alude entre nacionidade e nacionalidade, ou entre conservantismo e conservadorismo, precisam ser declaradas previamente. O mesmo para liberalismo, que é palavra que a própria Igreja utiliza para condenar a dissociação entre liberdade e verdade em prol de um certo voluntarismo.

2) Dito tudo isso, é forçoso concordar que o meio chamado de tradicionalista exagerou a coisa toda para lá. Numa sanha de se opor ao comunismo, assumiu com unhas e dentes o lado do liberalismo econômico, não raro o de Mises. A esses, a DSI lhes cheira a socialismo, e só por pudor não a condenam publicamente.
 


José Octavio Dettmann:

1) Sobre essas diferenças semânticas que traço, eu parto do pressuposto de que lêem o que escrevo.

2) Além disso, escrevo para um ouvinte onisciente. É o próprio Deus que ouve tudo o que falo. E quanto mais eu falo, mais ele me conta, a ponto de escrever mais, visto que não tenho ouvintes ou leitores reais que realmente se interessam em ir mais a fundo no que escrevo. Estou longe de esgotar a matéria e nem tenho pretensão de fazê-lo.

3) Infelizmente, eu não tenho esses 3 ou 4 alunos que o Olavo têm que leram tudo o que ele produziu. Vamos fazer o seguinte? Se estiver em dúvida, vai lá no meu blog e faz uma busca. Em geral, eu estou retomando uma postagem anterior, ou repetindo as coisas sob um novo ângulo. Tem sido cada vez mais raro trazer algo novo.

4) Usei tudo o que realmente sei. Tirar algo novo daí anda realmente difícil. É como tirar leite de pedra.

domingo, 16 de abril de 2017

Como os produtos da terra santificam a terra em que nascemos?

1.1) É verdade que a história do Brasil pode ser contada por meio dos produtos de excelência desta terra.

1.2) O primeiro deles, o pau-brasil, consagrou a Terra de Santa Cruz como uma terra de excelência. Se para São Josemaria Escrivá o trabalho santifica o homem, então ser brasileiro, extrator de pau-brasil, santificou esta terra inteira.

1.3) O segundo produto da terra - o ouro e os diamantes - consagrou todo o antigo território da capitania das Minas Gerais enquanto escola que prepara para o Brasil tomado como um lar em Cristo. Logo, mineiros, cariocas e capixabas se tornaram escolas de nacionidade, pois são desdobramentos do brasileiro, uma vez que a vocação se desdobrou em outras vocações

2) O Rio de Janeiro é um caso especial, pois este território foi desmembrado da capitania das Minas Gerais de modo a ser capital do Brasil, de modo a melhor fiscalizar a produção de ouro, ao passo que o Espírito Santo passou a ter outro destino, por conta produção cafeeira.

José Octavio Dettmann

Rio de Janeiro, 16 de abril de 2017.

Notas as quatro falácias constantes no conceito de jus solli adotado pela Carta de 1988

1) A lei orgânica que rege a 6ª República Brasileira, a "constituição" de 1988, define brasileiro como aquele que nasce no Brasil, ainda que de pais estrangeiros.

2) Esta definição é fora da lei natural.

2.1) Em primeiro lugar, ela parte do pressuposto de que o Brasil é um país independente - e o marco dessa independência está no descobrimento do Brasil, no ano de 1500 da Era Cristã. E esse ano de 1500 constitui o "marco zero da civilização brasileira" - e para pensadores como Oliveira Vianna, nós estamos no "século VI", o que acaba por se tornar o mito fundador de uma civilização totalitária e descristianizada, fora daquilo que foi fundado em Ourique. E isso contraria o conceito de civilização, pois isso só edifica anarquia, por ser destituído de sentido.

2.2.1) Em segundo lugar, o conceito de nascer não é o mesmo que tomar o país como um lar.

2.2.2) Para se tomar o país como um lar, é preciso que a pessoa tenha consciência de que é descendente de portugueses ou que seja grata aos portugueses por tudo aquilo que se fez a esta terra, tendo por fundamento aquilo que foi edificado em Ourique: de que devemos servir a Cristo em terras muitos distantes.

2.2.3) E nós somos herdeiros disso, uma vez que nosso descobrimento é o desdobramento dessa missão em terras americanas. E por força disso, este é o nosso destino. Por isso, a independência implica necessariamente romper com o nosso passado - o que atenta contra a lei natural, pois viola o princípio da não-traição, o que caracteriza apatria.

2.3.1) Em terceiro lugar, a chuva cai sobre justos e injustos.

2.3.2) Quem é nascido biologicamente nesta terra e acredita nos falsos mitos inventados que levaram à edificação deste governo apátrida, esta República que nos domina há 128, é apátrida. E por ser apátrida, essa pessoa é incapaz de governar a todos aqueles que tomam o pais como um lar em Cristo, visto que não tem autoridade alguma. Por isso mesmo, não poderia se candidatar a cargo algum, seja de vereador, deputado ou mesmo senador.

2.3.3) Logo, apátridas - como o Aloysio Nunes, que está como senador por São Paulo - não representam ninguém, a não ser a ideologia globalista que os sustenta - e quem votou nele está em conformidade com o todo que vem desse nada.

2.4.1) Em quarto lugar, o conceito de nascer pode ser relativizado, pois já há no Brasil um movimento muito forte para o aborto que seja um direito - e não um crime, tal como é na realidade.

2.4.2) Por isso mesmo, a mulher empoderada acabará tendo poder de vida e de morte sobre um ser indefeso. E quem faz isso é apátrida, pois não toma o Brasil como um lar em Cristo, uma vez que está em conformidade com as ideologias que gravitam em torno desta terra, o que significa que ela vive em conformidade com o todo que vem desse nada.

3) Estas são, portanto, as quatro falácias a respeito do conceito de jus solli adotado por esta carta constitucional
José Octavio Dettmann

Rio de Janeiro, 16 de abril de 2017.

Notas sobre a lei de imigração ou do projeto de lei de um apátrida que está chamando outros apátridas para uma invasão branca

1) Se apátrida é todo aquele que edifica liberdade para o nada, então uma das formas de edificar a liberdade para o nada é semear relativismo moral, religioso e cultural - e isso pode se dar por meio de uma lei de imigração, lastreada numa liberdade voltada para o nada. Por isso mesmo, o libertarismo prepara o caminho para o comunismo, para o totalitarismo.

2) Isso não é livre imigração, uma vez que a verdadeira liberdade nasce da verdade. E é da verdade que nasce a amizade, a base para se formar uma sociedade política ao se tomar o país como um lar com todos aqueles que amam e rejeitam as mesmas coisas tendo por Cristo fundamento.

3) Essa lei de imigração não passa de uma invasão branca. O autor do projeto de lei, Senador Aloysio Nunes (PSDB-SP) é comunista e participou da luta armada - logo, um terrorista. Por ser apátrida, ele está preparando o caminho para a invasão de outros apátridas: os muçulmanos.

4) Esta lei é um atentado contra a lei natural, a verdadeira constituição, e um atentado contra a nacionidade desta terra, com base naquilo que foi edificado em Ourique.

5) Se você toma o país como um lar em Cristo, você tem que combater com unhas e dentes este projeto nefasto. Ainda que sejamos poucos, nós salvaremos esta terra, uma vez que temos a coragem de não sermos atuais, pois não vivemos em conformidade com o Todo que vem deste governo apátrida, que é a República.

José Octavio Dettmann

Rio de Janeiro, 16 de abril de 2017.