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terça-feira, 4 de abril de 2017

A beleza realmente importa - e muito

1) A verdadeira beleza aponta para Deus - e a beleza física é acessório que segue a sorte do principal, que é a beleza de caráter. Por isso, o fundamento da beleza aparente é apontar para a beleza transcendente, aquela que se dá através de atos, coisa que é própria dos santos, que estiveram no mundo sem serem mundanos.

2) Se os atos no mundo estão em conformidade com o Todo que vem de Deus, então há um quê de divino nessa pessoa - e essa pessoa não será a causa que te leva à fila da confissão, mas para a fila da comunhão.

3.1) Se enxergo beleza nessa pessoa, beleza essa que me leva à esperança de um dia estar no Céu junto com aquela pessoa, então eu encontrei uma boa razão para a vida a dois.

3.2) Se, contudo, enxergo beleza nessa pessoa de modo a possuir o seu corpo, usufruir-me dele e descartá-lo quando este definhar ou perecer, então já estou em pecado desde o momento em que a desejei com maus sentimentos. Por isso, devo evitar essa pessoa, pois meu corpo está em descompasso com o meu ser, já que isso acabou se tornando ocasião de pecado.

José Octavio Dettmann

Rio de Janeiro, 4 de abril de 2017 (data da postagem original).

A autoconfiança faz a pessoa pensar que ela é uma espécie de microcosmos do Estado laico - o que é ilusório

1) Pessoas que se sentem autoconfiantes e que vivem as coisas em conformidade com o Todo que vem dos livros de auto-ajuda vivem a ilusão de que são governos. É como se a mente fosse o governante e o corpo - seja ele próprio ou alheio -  fosse o governado.  Acreditam que - agindo de maneira independente, sem depender de outrem - todas as coisas se arranjam, o que cria o efeito de que o mercado se auto-regula, como se isso não fosse composto de pessoas, mas de máquinas que funcionam na mais perfeita ordem.

2) Essa mentalidade é suicida, pois mata o corpo, já que submeter-se à escravidão dos próprios desejos leva a escravizar a todos ao seu redor. Se não há corpo, então não há fundamento para a mente operar, pois o fundamento dos governantes são os governados, que devem ser tomados como parte da família do governante.

3) Por isso que na monarquia há uma relação de coordenação entre mente e corpo, enquanto na república a norma é o descompasso. E quando há descompasso sistemático, nós temos anomia, pois as pessoas acabam sendo escravas de seus próprios desejos, o que acaba edificando liberdade para o nada, o fundamento da mentalidade revolucionária, da escravidão - e da morte.

José Octavio Dettmann

Rio de Janeiro, 4 de abril de 2017.

Notas sobre o egoísmo enquanto pecado contra a bondade e seus efeitos na política

1) Uma coisa eu aprendi pela experiência: só se fala uma vez e de uma vez por todas. Se a pessoa não te deu atenção, a insistência só confirma a tese de que você é um idiota útil. E eu detesto ser feito de idiota.

2.1) Nada é mais atentatório contra a bondade do que o egoísmo, coisa que leva à fisiologia, politicamente falando.

2.2) Se a bondade é um atributo do Espírito Santo, então quem age dessa forma não merece o perdão de Deus. E governos que agem dessa maneira são ilegítimos e não podem ser obedecidos jamais.

José Octavio Dettmann

Rio de Janeiro, 4 de abril de 2017 (data da postagem original).

segunda-feira, 3 de abril de 2017

Notas sobre a psicologia porra-louca da minha geração

1) Ao longo da minha vida de estudante - limitada tão-somente a Bangu, e a mais nenhum outro território, até o advento da Rede Social em 2004 -, eu já lidei com várias pessoas que tinham o costume de me convidar para ir a algum lugar. E quando chegávamos no dia combinado, a pessoa simplesmente desmarcava ou furava comigo.

2.1) Acredito que esse tipo de postura deve estar relacionada à vida livre e sem compromissos, onde cada um tem a verdade que quiser, a ponto de ser um porra-louca.

2.2) Isso não se reduz a uma pessoa só - muitos são assim e isso tende a ser universal. E isto é uma amostra de uma psicologia social altamente conservantista, que conserva o que é conveniente e dissociado da verdade. E isso é nefasto, mesquinho. Isso confirma a tese do Olavo da cultura de fingimento que está instalada nesta terra e que é anticivilizatória por essência.

3) As pessoas não conseguem ver em mim a figura de Cristo, mesmo que se digam católicas, nominalmente falando. E por não fazerem de seu sim um sim e de seu não um não, elas acabam causando danos, a tal ponto que estão semeando no seio da Terra de Santa Cruz o senso de não se crer em fraternidade universal, coisa essa que vem de Cristo.

4.1) A psicologia porra-louca deve vir do fato de que essas pessoas se acham especiais - e isso vem desses livros baratos de auto-ajuda ou de livros românticos que todo mundo lê.

4.2.1) Essas pessoas se acham seres eleitos por Deus, ao passo que o outro, que é solenemente ignorado, é um condenado - e o condenado é um concorrente que deve se danar; de alguma forma, com a minha presença, eu represento uma séria ameaça para esses seres doentes.

4.2.2) Se isso é buscar a felicidade, passando por cima de qualquer compromisso estabelecido, então isso é a desgraça completa. Se tomo chapuletada dessa gente a vida inteira, então eu sou um bem-aventurado, pois compreendo perfeitamente a miséria dessa gente que conviveu comigo e que nada aprendeu de mim, por falta de interesse e boa vontade.

4.3) Creio que há uma cultura protestante instalada na psique de nossa sociedade e que vai muito além das inúmeras igrejas heréticas que se edificaram por aqui por força da imunidade tributária concedida a a templos de qualquer natureza, decorrente desta atual Constituição. Isso tem edificado liberdade para o nada e fortalecido o amor de si a tal ponto que as pessoas não conseguem mais enxergar umas nas outras o Cristo que há nelas - e isso cria uma modernidade líqüida.

4.4) O que sei, com base na minha vivência pessoal, é que essa geração que está com seus 35 a 40 anos agora, a minha geração, vai ser uma desgraça completa - e isso vem de berço, pois muitos vêm de família desestruturada, dado que esta é a primeira geração nascida do advento da lei do divórcio, de 1977.

4.5) Já a geração nascida de 1986 até o início ou meados dos anos 90, essa é bem mais conservadora - e o renascimento do Brasil virá dessa geração que vem imediatamente após a minha.

5) Se eu tiver de julgar as coisas com base na amostra dos que conheço aqui online, eles certamente salvarão o país - e eu tenho de passar o pouco que sei, após muitos anos de vida nos estudos.

José Octavio Dettmann

Rio de Janeiro, 3 de abril de 2017.

Para se tomar o país como se fosse um lar em Cristo é preciso fazer do sim um sim e do não um não

1) Eu não entendo por que as pessoas são incapazes de fazer do sim um sim e de seu não um não.

2) É raro eu convidar alguém. E quando convido é para almoços ou jantares paroquiais, onde a comida é boa e só é preciso pagar pelo convite (já que é um almoço ou um jantar beneficente). A pessoa diz sim, mas esta simplesmente não aparece, nem me liga para desmarcar e me dizer as razões pelas quais não vai. Chega a ser humilhante esperar por alguém que simplesmente não aparece. Eu me sinto um palhaço.

3) Eu levo meus compromissos a sério. Se por alguma razão eu não posso ir a algum lugar, é porque não posso, pois meus pais me esperam em casa, seja para o almoço, seja para o jantar. E os convites que as pessoas me fazem é sempre sem planejamento, em cima da hora - e não é assim que fazemos as coisas, aqui em casa.

4) Estou cansado de levar a sério quem é infiel nessas coisas. Como poderei constituir família com uma pessoa que me é infiel nessas pequenas coisas? Isso é prova cabal de que esta pessoa me será infiel na amizade ou no casamento.

5) Que este seja o meu critério agora - se alguém furar um combinado comigo e não der uma boa razão para não honrar seu compromisso comigo, que seja bloqueado e banido da minha vida pessoal, seja ela profissional ou íntima. Afinal, não fazer do sim um sim e do seu não um não é fingimento - e como os nascidos nesta terra são especialistas nisso, estão agindo como verdadeiros apátridas, dado que estão a conservar o que é conveniente e dissociado da verdade, a ponto de não amarem e rejeitarem as mesmas coisas tendo por Cristo fundamento.

José Octavio Dettmann

Rio de Janeiro, 3 de abril de 2017.

domingo, 2 de abril de 2017

Se a comunicação com Deus se dá de forma meditada, então a confissão vai além do verbo, pois Jesus vê a alma da pessoa

1) Confessei meus pecados. Para a próxima quaresma, eu me comprometo a não comer carne nas sextas-feiras, tal como os poloneses costumam fazer. Tenho falhado miseravelmente neste ponto.

2) A impressão que tive nesta confissão é que confessei pecados que tinha mesmo que ainda não os tenha declarado ao meu confessor, o padre Jan - e isso se deu  porque não me lembro das coisas ruins que causei aos meus semelhantes, após tanto tempo decorrido.

3.1) Deus sabe tudo - mesmo que não diga, por força de não me lembrar mais dos males que causei aos meus semelhantes, eu busquei a confissão da forma mais sincera que pude.

3.2) Sinto que consegui fazer uma excelente confissão, dado que toda a minha comunicação com Deus se dá de forma meditada - por ter este hábito, a confissão, ainda que não declarada labialmente, se estende a todos os pecados que estão em meu pensamento.

3.3) Afinal, se o ouvinte é onisciente, então ele pode ler a minha mente. É isso que eu realmente aprecio - eu aprecio comunicação não-verbal.

José Octavio Dettmann

Rio de Janeiro, 2 de abril de 2017.

Notas sobre os problemas da sistemática do Recurso Extraordinário para o STF

1) Digamos que, no curso do processo, a sentença tenha causado uma ofensa direta à Constituição Federal. Pela atual sistemática da constituição, o interessado pode entrar com o recurso extraordinário direto para o STF. Ele pode recorrer ao STF ainda que o recurso especial, que julga uma possível violação da lei federal, esteja sendo apreciado no STJ ou pendente de julgamento por parte daquele Tribunal.

2.1) Se não estou enganado, o recurso extraordinário não pede o prequestionamento - ou seja, que você tenha discutido seu caso no TJ e no STJ, antes de vir ao STF. Basta que seu caso seja julgado em única ou última instância. E única instância pressupõe haver uma violação frontal da constituição em plena primeira instância, que é a do juiz que atua sozinho em sua vara.

2.2) Se o caso tiver repercussão geral reconhecida, o seu caso será julgado - e o feito fica sobrestado até a decisão da causa. E uma vez a causa decidida, por força de haver uma repercussão geral, isso fará com o que o RE tenha eficácia contra todos, já que o RE se tornou uma espécie de sucedâneo recursal para aqueles que não têm o direito de propor uma ADIN (Ação Direta de Inconstitucionalidade).

3.1) Com isso, o sistema difuso praticamente morreu no Brasil, pois é possível suprimir instâncias de modo a se conseguir o que deseja.

3.2) E se somarmos o fato de que há juízes esquerdistas no PT, basta que se recorra de maneira extraordinária ao STF e que seu caso tenha a repercussão geral reconhecida que você poderá correr o risco de o STF dar provimento ao seu pedido, legislando onde o Congresso não legisla.

3.3) E neste caso, o RE vira sucedâneo para o mandado de injunção, uma vez que não é preciso esperar o Congresso legislar: é só mandar para o STF e pronto.

José Octavio Dettmann

Rio de Janeiro, 2 de abril de 2017.