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quarta-feira, 1 de março de 2017

Dúvida que o Nova Portugalidade poderia me esclarecer

1) Se nós recebemos a missão de ir servir a Cristo em terras distantes, tal como foi estabelecido em Ourique, então até mesmo as cidades tinham que sentir os efeitos dessa missão, de modo a que fossem preparadas para a segunda vinda de Cristo, o que faria dessas cidades novos paraísos, portos de chamado para o Novo Mundo.

2) Será que o Nova Portugalidade tem um bom argumento quanto à alegação das faculdades de urbanismo de que as cidades no Brasil não tinham desenho arquitetônico?

3) A razão pela qual levanto tal dúvida é que todos (ou quase todos) os professores de urbanismo que levantam tal argumento são esquerdistas. E este argumento é usado para justificar o argumento de que Portugal foi um mau colonizador, o que é sabidamente falso. O argumento, praticamente unânime dos professores de urbanismo, faz com que a ideologia quinhentista sobreviva e que o Brasil continue pobre, espiritualmente falando.

José Octavio Dettmann

Rio de Janeiro, 1º de março de 2017.

Notas sobre o estilo literário eficaz

1) Fora do círculo dos literatos de ofício, quase todas as pessoas, mesmo relativamente cultas, escrevem de maneira ingênua, usando as primeiras palavras que lhes vêm à cabeça, confundindo o que sentem ao escrevê-las com o que o leitor vai sentir ao lê-las. Sobretudo não calculam o que o leitor malicioso pode fazer com as suas afirmações mais cândidas e inocentes. 

2) O malicioso malícia por instinto - é impossível detê-lo. O que se pode é escrever de tal modo que a tentativa de maliciar se autodenuncie no ato, expondo o malicioso quase que automaticamente a um ridículo ou a uma hostilidade ainda maiores do que ele quis impor à sua vítima. Mas isso é uma habilidade propriamente literária, pois exige anos de aprendizado. É por isso que recomendo aos meus alunos que se abstenham de polêmicas. Quando se saem mal numa discussão, imaginam que lhes faltaram "argumentos", quando noventa por cento das dificuldades não estão nos argumentos, e sim na mera formulação inicial da tese.

3) Ainda sobre a expressão escrita. Vocês já repararam que nenhum dos meus odiadores de estimação jamais DISCUTE o que eu digo, limitando-se antes a roer pelas beiradas, seja falsificando as minhas palavras, seja me atribuindo crimes e vícios imaginários nos quais só outros iguais a eles acreditam?
É porque escrevo de modo a dissuadir antecipadamente os amantes de discussões ociosas, carregando nas tintas da obviedade ao ponto de que nenhuma objeção razoável lhes vem ao cérebro, só emoções toscas e fantasias pueris que mal conseguem expressar sem tropeços e incongruências de toda sorte. Isso me poupa trabalho, porque, no caso de uma investida mais ambiciosa, bastam cinco ou seis linhas de resposta para estourar um balão de muitas laudas.
4) A limitação intrínseca dessa técnica literária é que ela não funciona com plateias de imbecis e analfabetos funcionais, mas isso não é um grande problema porque certamente não é nesse tipo de platéias que espero colher leitores e ouvintes.

5) Por isso não posso dizer que meus escritos são sempre construtivos, estimulando de maneira constante e invariável somente a inteligência dos inteligentes. Ao contrário: com igual constância estimulam também a imbecilidade dos imbecis, seja para revelá-la aos próprios olhos deles, curando-os, seja para enroscá-los nela até que se enforquem nas suas próprias tripas.

Olavo de Carvalho - via Artur Silva (https://www.facebook.com/arturjorg/posts/10205801925383512)

Distrito do Porto, 1º de Março de 2016.

Notas sobre lógica paraconsistente e lógica fuzzy

1) Lógica paraconsistente é puro sofisma. Como ficaria, então, a lógica fuzzy e sua real aplicação na computação?

2.1) A produção de certos resultados na computação por meio da lógica fuzzy não se dá pelo fato de existirem "níveis de verdade", como defendem os defensores da lógica paraconsistente. Por estupidez e arrogância abismais, estes presumem ser possível extrapolar os conceitos da lógica clássica para universos infinitamente maiores que os da ciência cartesiana, ou como a filosofia ou mesmo a metafísica poderiam conceber - o que levaria a fulminar a verdade, ao criar uma espécie de pós-verdade.

2.2.1) Os resultados da lógica fuzzy são explicados pela lógica clássica, considerando uma realidade muito simples que os cientificistas orgulhosamente fingem ignorar: os modelos cartesianos - e mais ainda, os modelos computacionais - são limitados, pois são subconjuntos extremamente pobres da realidade (por mais complexidade que o ser humano possa lhes inferir). Desta forma, ao ignorar as contradições de ambos os modelos, a lógica fuzzy extrapola e viola a ambos e em alguns casos (que, por vezes, nos parecem muitos) é capaz de encontrar soluções que estes modelos logicamente falhos não encontrariam.

2.2.2) O que os programadores, como eu, fazem é simplesmente mascarar isso, de modo a aparentar que se encontrou o resultado, assumindo possivelmente verdadeiras as contradições. A contradição, neste caso, fica evidente ao se romper a lógica desses modelos logicamente falhos; no entanto, ao se comparar o resultado obtido com a realidade (material, no caso), vê-se verdade - o que dá a impressão de que o modelo é válido, mas essa verdade oriunda-se da negação do modelo.

3) Em outras palavras, a lógica fuzzy é apenas um método de extrapolação. Um paralelo disso são as cartomantes, que uma hora ou outra acertam mesmo o futuro, mas isso não significa que elas possuem algum poder sobrenatural.

Douglas Bonafé (https://www.facebook.com/dsbonafe/posts/1285201234848224?pnref=story)

Pouso Alegre, MG - 25 de fevereiro de 2017.

Não é ordem e progresso, mas desordem em progresso

1) Na época em que cursei faculdade, houve um colega que me disse o seguinte: "em São Gonçalo, todo progresso se dá à base de puxadinho".

2) Considerando que nossas cidades são verdadeiras desordens urbanas, verdadeiras zonas, a ordem do dia se dá pela desordem. E o que é progressismo revolucionário senão desordem em nome da ordem, o feio tomando o lugar do belo?

3) Creio que minha colega Priscila Neri, como arquiteta, não vai gostar do que digo, mas parece que todas (ou quase todas) as cidades são que nem São Gonçalo: muitas delas sequer tem desenho urbano e são verdadeiros puxadinhos em progresso, pois toda vez que vejo aquele programa, o Brasil visto de cima, eu sinto um verdadeiro desgosto.

4.1) Uma vez eu vi fotos de um amigo meu que vivia na Noruega (hoje ele mora em Recife).

4.2) As casas lá são bonitas e é tudo organizado, pelo que via das fotos do lugar (ele morava em Oslo). Por que não podem fazer o mesmo aqui? Como posso tomar um país como sendo meu lar se só há feiura e deformidade em todo lugar? Afinal, Cristo não é o mais belo dos homens justamente por ser verdadeiro Deus e verdadeiro homem, além de ser o belíssimo esposo das mulheres mais devotas, que seguem uma vocação religiosa?

4.3) Se isso não é conforme o Todo que vem de Deus, então a feiura arquitetônica e urbanística leva à apatria - e a maior prova disso é Brasília, uma verdadeira Babilônia, uma cidade fundada no amor de si e prova viva de que o Estado é e deve ser tomado como se fosse religião, em que tudo está no Estado e nada pode estar fora dele ou contra ele. Nada mais medonho e revolucionário do que isso.

José Octavio Dettmann

Rio de Janeiro, 1º de março de 2017.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Notas sobre o potencial do uso do twitter

1) Antes de escrever profissionalmente, a partir de 2014, eu tive o costume de escrever aforismos.

2) Quando criei minha conta no twitter, vi que o limite de caracteres não me permitia que postasse textos completos, tal como costumo fazer no facebook.

3) Durante muitos anos, somada a uma rotina bem ocupada, eu não tinha uma solução para o problema. E hoje encontrei a solução: vou postar aforismos naquela rede social.

4) Aforismos pedem poucos toques e textos inteiros podem ser construídos a partir dessas frases de efeito.

José Octavio Dettmann

Rio de Janeiro, 28 de fevereiro de 2017.

Notas sobre a importância da integração facebook-empowr para o trabalho contra-revolucionário

1) Tão importante quanto fazer um trabalho organizado no facebook é ocupar espaço postando matérias relevantes no empowr, tal qual venho fazendo.

2) Por enquanto não disponho de todos os meios necessários para sacar os créditos que recebi por conta do serviço que prestei no empowr (não disponho de cartão de crédito ainda, embora já tenha um celular mais moderno, adquirido recentemente). Se tivesse todos os meios de ação de que necessito, certamente eu teria sacado esse dinheiro e usado para continuar a promover a página de escritor que tenho no facebook.

3.1) Já falei para os meus pares para fazerem a ocupação de espaço no empowr, mas ninguém me deu ouvidos.

3.2) Se me dessem ouvidos, certamente haveria uma maior integração entre essas duas redes, o que fomentaria uma atividade contra-revolucionária mais organizada, uma vez que cada agente disporia de capital suficiente para organizar esse projeto de maneira organizada, sem ficar de pires na mão, contando com a escassa ajuda que vem.

José Octavio Dettmann

Rio de Janeiro, 28 de fevereiro de 2017.

Notas sobre a relação entre economia e nacionidade

1.1) Negócio vem do latim nec ocius (não-ócio - ou seja, atividade).

1.2) A natureza da atividade pode ser econômica, cultural ou religiosa - se a atividade for organizada, trata-se de empreendimento. Se for fundada na conformidade com o Todo que vem de Deus, isso implica servir aos necessitados - e servir aos necessitados é dar a cada um o que é seu. Quando isso é feito sistematicamente, envolvendo a toda a comunidade dos que tomam o país como um lar tendo por Cristo fundamento, trata-se de distributivismo.

2.1) O Código Civil de 2002 conceitua empresa como uma atividade economicamente organizada. Trata-se de um reducionismo, coisa que é fora da Lei Natural.

2.2) Para quem vive a vida fundada na conformidade com o Todo que vem de Deus, o trabalho salvífico de ir servir a Cristo em terras distantes é e deve ser organizado (na linguagem da época de 1500, isso era chamado de feito de empresa) - e toda a colaboração dos fiéis de modo a manter este trabalho salvífico funcionando em meio a tempos de incerteza é um verdadeiro lucro, o que não deixa de ser um milagre.

3.1) As primeiras noções de país tomado como se fosse um lar implicam organização das coisas de modo a que isso nos prepare para a vida eterna. Eis aí o ponto de contato entre economia e nacionidade.

3.2) Quando a organização do lar deixa de perseguir a vida eterna e tende a se concentrar na riqueza enquanto sinal de salvação, temos aí o divórcio da nacionidade com a nacionalidade - e é neste ponto em que ética e economia se divorciam de tal maneira a edificar uma ordem libertária e conservantista, a ponto de edificar liberdade para o nada, fundada no relativismo ético, cultural e religioso. O surgimento da economia moderna surge a partir do ponto em que Estado e Igreja estão rompidos - e o primeiro passo se deu na Reforma Protestante e até desaguar na Revolução Francesa e nas Revoluções Libertárias de 1820, 1830 e 1848.

4.1) A grande diferença entre capitalismo e distributivismo está no fim a ser perseguido. Enquanto no primeiro a riqueza tende a um fim em si mesmo, fundado no amor ao dinheiro, o segundo faz da riqueza um instrumento para a promoção do bem comum, de modo a que o país seja tomado como se fosse um lar em Cristo - e é dentro desse senso que temos uma escola que nos prepara para a pátria definitiva, que se dá no Céu.

4.2) Se é verdade que os fins justificam os meios, então os fins do capitalismo tendem a voltar-se para o ilícito, o que leva ao socialismo, enquanto no distributivismo somente os fins legítimos levam ao uso de meios legítimos, fundados na conformidade com o Todo que vem de Deus. Até porque a Lei de Deus está acima da positiva, que pode perverter-se por meio da ação revolucionária.

José Octavio Dettmann

Rio de Janeiro, 28 de fevereiro de 2017 (data da postagem original).