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domingo, 31 de maio de 2015

O liberalismo magnificente não é libertarismo

1) Eu repito sempre: se você não tiver o domínio da linguagem, você conservará o que é conveniente, ainda que isso esteja dissociado da verdade. Você não será conservador - na verdade, você será conservantista.

2) O libertarismo nasce do protestantismo - e o protestantismo é a primeira mentalidade revolucionária que se conhece, pois foi a primeira que contestou a autoridade da Igreja Católica de uma maneira, digamos, "bem-sucedida". Se o protestantismo não acredita em fraternidade universal, então a produção de riquezas será buscada de modo a satisfazer a toda e qualquer necessidade pessoal, por mais desordenada que esta seja. E as pessoas buscarão a riqueza como um fim em si mesmo, sem se importar em ajudar aos irmãos necessitados, no sentido de integrá-los à sociedade.

3) Do protestantismo nasce a livre interpretação da Bíblia, a possibilidade de se interpretar a palavra de Deus com fins particulares. Se as coisas são interpretadas com fins particulares, então todos têm a sua própria verdade, o que leva à edificação de toda uma liberdade fora da liberdade em Cristo, uma liberdade voltada para o nada. E isso não é liberalismo, mas libertarismo.

4) A única liberdade verdadeira se dá em Cristo. E tudo o que se funda na liberdade em Cristo é liberalismo, pois é conforme o Todo que vem de Deus. E tudo que é fundado na liberdade em Cristo é magnânimo. E esse é o sentido medieval do termo. E liberal é aquilo que é verdadeiramente livre em Cristo a ponto de tudo estar em conformidade com o Todo que vem de Deus, pois a verdade é o fundamento da liberdade.

José Octavio Dettmann

Rio de Janeiro, 31 de maio de 2015 (data da postagem original).

Desfazendo o nó da cabeça das pessoas

Há quem diga: "Eu não acho que o capitalismo nasça do protestantismo. Na Idade Média já havia capitalismo - a diferença é que o capital era outro: a terra, as armas e os grãos.

Respondo:

1) Há que se fazer a distinção entre capital e capitalismo.

2) Capital é o complexo de bens que maximiza a produção de riqueza: a terra, o maquinário e os grãos são bens de capital - e esses bens podem ser convertidos em dinheiro, em riqueza móvel, em riqueza que pode circular por todo o território nacional. Se você tomar o capital - esse complexo de bens - como se fosse religião, o que ocorre é capitalismo, pois tudo pode ser convertido em dinheiro ou reduzido a ele, ainda que certas coisas não possam ser exprimidas nele. Enfim, se você toma o capital como se fosse religião, então o dinheiro será tomado como se fosse um Deus.

3) Jesus Cristo disse que não podemos ter dois senhores, a Deus e o Dinheiro.

4) Quem ama o dinheiro necessariamente não acredita em fraternidade universal. E os protestantes não crêem em fraternidade universal - é por conta disso que buscarão liberdade fora da liberdade em Cristo, amparada no seio da Igreja Católica. Quem busca liberdade para o nada tende a conspirar - e, para isso, estimulará os outros à busca dessa liberdade para o nada, fora da autoridade de Cristo, que é a base dessa liberdade verdadeira. Buscar essa liberdade para o nada, como um modo de se edificar uma civilização, é o caminho da mentalidade revolucionária, pois ela rejeita a Deus - e o começo disso foi atentando contra a autoridade da Igreja Católica.

5) Além disso, com base em Leddihn, existem dois tipos de liberalismo:

5.1) Um funda-se na liberdade em Cristo, o que leva ao termo liberal como se fosse sinônimo de magnânimo. A maior prova disso é quando suplicamos à Virgem a intercessão da graça, por intermédio de suas mãos LIBERAIS.

5.2) O outro funda-se na perversão do primeiro conceito, pois busca a liberdade rejeitando os valores mais tradicionais e mais caros, ao se rejeitar a autoridade da Igreja Católica. E essa busca sistemática da liberdade voltada para o nada nasce da tradição protestante, que é uma tradição revolucionária.

5.3) As sociedades que rejeitam a aliança do altar com o Trono são todas LIBERTÁRIAS - pois edificam liberdade para o nada. A liberdade para o nada leva ao fato de que tudo está no Estado e nada pode estar fora dele. E tudo isso nasce da negação da fraternidade universal

6) Nas nações católicas, onde a produção das riquezas é regrada com base na doutrina social da Igreja, a produção das riquezas se dirige à edificação de um bem comum, de tal modo a que o trabalho de um complete o trabalho do outro. E as pessoas cooperam de tal forma a haver uma associação onde os indivíduos sejam valorizados por conta do que fazem de bom para o seu próximo, uma vez que o trabalho é causa de santificação e servir é fundamento da liberdade. E isso leva a uma repartição recíproca das riquezas, por conta dessa colaboração - uma espécie de distributivismo. E esse é o fundamento da sociedade humana, pois todos são sócios no projeto civilizatório.

7) O uso regrado da riqueza, com base em valores morais, nos leva à conformidade com o Todo e isso sempre vai resultar numa economia de livre mercado. E o fundamento dessa liberdade é Cristo Jesus - e é liberal no sentido de magnânimo. E esse é o verdadeiro fundamento, no sentido medieval do termo.

8) Se o conceito de liberdade for pervertido, no sentido de edificar liberdade para o nada, então esse mercado será dissociado de regras morais e atenderá a toda uma finalidade libertária. Logo, esse mercado não é livre - e passará a ser parte integrante da estrutura de poder do Estado.

9) Liberdade sem regras não é liberdade - é libertinagem. E essa liberdade deve se dar na carne, na conformidade com o Todo que vem de Deus.

Fundamentos lógicos do distributivismo

Algo que venho pensando - e que ainda não desenvolvi em artigos:

01) Ao seu irmão, você não emprestará com usura. (Isso está na Bíblia)

02) Amigo é aquele que ama e rejeita as mesmas coisas que você, tendo por Cristo fundamento.

03) Amigo em Cristo é mais chegado que irmão, no sentido biológico do termo. (Isso é mencionado na Bíblia).

04) Amigos em Cristo são verdadeiros irmãos, por conta da fraternidade universal. Dão as coisas aos amigos de maneira generosa e desinteressada, com base no amor ao próximo - e essas coisas dadas têm fundamento produtivo, não só para o amadurecimento pessoal do necessitado, mas no sentido de produzir riquezas, de tal modo a que o país seja tomado como um lar. Distribuir, dar sistematicamente, pede pessoalidade. 

05) Protestantes rejeitam a autoridade da Igreja.

06) Protestantes não crêem na fraternidade universal.

07) As praxes capitalistas nascem de uma ordem onde a usura é livre, por não haver a crença na fraternidade universal.

08) Protestantes praticarão a usura, pois não vêem os católicos e os de outras crenças como irmãos. 

09) A apatria nasce no momento em que ninguém é amigo de ninguém. Ela se funda na inexistência de fraternidade universal sistemática.

10) Como o capitalismo nasce do protestantismo, isso não é conforme o Todo.

11) Se usura é empréstimo de dinheiro sem fundamento produtivo, legítimo, então a riqueza produzida foi fundada num abuso de confiança ou numa extorsão, pois se deu valor mais ao dinheiro do que à pessoa - e isso foi algo voltado para o nada, sem causa e com fins inúteis - coisa que não é boa. Nela, a riqueza é tomada como se fosse religião. Não é à toa que a marca do capitalismo é a impessoalidade.

12) Se país rico e poderoso é medido pela riqueza e pela prosperidade material, nestes fundamentos, então o país será tomado como se fosse reiligião.

13) Quando o país é tomado como se fosse religião, então tudo estará no Estado e nada poderá estar fora dele.

14) Enfim, capitalismo chama o comunismo. E isso é progredir naquilo que está à esquerda do pai.

sexta-feira, 29 de maio de 2015

Por que o protestantismo estraga o conservadorismo? - Parte 3

Há quem me pergunte: Então, eles, os protestantes, não crêem em fraternidade universal? A quais ensinamentos e declarações de líderes e interpretações das escrituras você se refere?

Eu respondo:

1)  O fato de não acreditarem em fraternidade universal está relacionado ao fato de rejeitarem a autoridade da Igreja Católica. E isso começou com Lutero.

2) Além disso, eles pregam a sola fide - só a fé salva. Se você peca forte, você deve crer forte - e isso é insincero. E todos nós sabemos que fé sem obra é fé morta.

3) Se rejeitam a autoridade da Igreja, se pregam o livre exame da Bíblia, da forma como Calvino sugeriu, então eles restauram o senso de que todos têm direito a sua própria verdade, o que atenta contra a fraternidade universal. E a promoção da falsidade, da canalhice, começa quando se deixa de crer na fraternidade universal.

4)  Por rejeitarem a autoridade da Igreja, faziam interpretações particulares através do livre exame, e conservavam isso conveniente, pois eles rejeitavam a autoridade da Igreja - o que contrariava uma carta de São Pedro, pois isso é ir fora da conformidade com o Todo. 

5) Além disso, Santo Agostinho dizia: eu não poderia crer no Evangelho se não fosse por conta da autoridade da Igreja Católica. Pois Cristo é a esposa de Cristo e ele é a verdade.

José Octavio Dettmann

Rio de Janeiro, 29 de maio de 2015 (data da postagem original).

Por que o protestantismo estraga o conservadorismo? - Parte 2

1) Há quem diga que, antes mesmo de o catolicismo crescer como religião nos Estados Unidos, a população já era conservadora, por basear sua conduta na Bíblia.

Eu respondo:

2) De nada adianta a Bíblia, se eles rejeitam a autoridade da Igreja Católica. E ao rejeitarem a autoridade da Igreja Católica, eles conservam o que é conveniente e dissociado da verdade.

3) E ao fazerem livre exame, eles fazem interpretações particulares que são fora da conformidade com o Todo que vem de Deus. São Pedro, em uma carta, já alertava para esse perigo.

4) Santo Agostinho já dizia que não poderia crer no Evangelho se não fosse por conta da autoridade da Igreja Católica.

5) A base para se conservar a dor de Cristo é a Bíblia, a Santa Tradição e o Magistério da Igreja. E para ser conservador, é preciso estar em conformidade com o Todo que vem de Deus.

José Octavio Dettmann

Rio de Janeiro, 29 de maio de 2015 (data da postagem original).

Por que o protestantismo estraga o conservadorismo? - Parte 1

Pergunta de um dos meus leitores: De que modo a religião protestante estraga o conservadorismo americano?

Resposta:

1) No protestantismo, principalmente o puritanismo, dá-se muita ênfase ao fato de que eles não crêem em fraternidade universal. Como não crêem em fraternidade universal, eles não podem conservar aquilo que decorre da dor de Cristo, aquilo que é conforme o Todo que vem de Deus, mas, sim, o que é conveniente, ainda que isso seja dissociado da verdade. A rigor, isso não é conservadorismo - isso é na verdade conservantismo, a ponto de estar à esquerda do pai no seu grau mais básico. E isso é ruim. 

2) A sorte deles é que todos são refugiados - então, apesar de tudo, eles conseguem conservar o que é conveniente e sensato, em meio a muita coisa ruim. Então o progresso, para eles, só vem a partir de uma série de crises - por sua natureza, a sociedade americana é instável, por conta dessas fundações precárias. E para se gerir a nação, só as experiências políticas práticas importam - por isso que reproduziram a fórmula da república romana.

José Octavio Dettmann

Rio de Janeiro, 29 de maio de 2015 (data da postagem original).

quarta-feira, 27 de maio de 2015

Das indiretas como arma de evangelização

1) Adoro indiretas justamente porque elas são cutucadas inteligentes. Quem conserva o que é conveniente e dissociado da verdade é que não gosta delas - pois elas são o convite perfeito para que a pessoa se confesse e passe a conservar aquilo que realmente decorre da dor de Cristo.

2) Por isso que nunca vou levar a sério quem não gosta de indiretas - isso denuncia o caráter maligno da pessoa, quando é confrontada com a verdade, com aquilo que leva à conformidade com o Todo que vem de Deus.

3) Só é lícito usá-las se você está nessa conformidade. Por isso mesmo, uso-as para o bem.