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sábado, 28 de outubro de 2017

Se Cristão não pode ser marxista, então isso inclui o fato de que não devemos usar termos marxistas nas encíclicas, como "justiça social" ou "capitalismo"

1) Não adianta só condenar o marxismo, se você não condena a linguagem marxista. "Capitalismo" e "justiça social" são termos marxistas e costumam ser recorrentes em encíclicas. Se a doutrina de Marx et caterva é condenável, a linguagem, seu acessório, deve seguir a sorte do principal.

2) A linguagem marxista é feita de tal modo a ser dúbia, a induzir pessoas de boa-fé ao erro. Desde Pio XII tem sido recorrente usar essa linguagem, uma vez que ela já era de uso corrente, uma vez que não estamos fazendo nosso trabalho de dizer as coisas da maneira correta.

3) Um conteúdo conforme o Todo que vem de Deus pede uma forma canônica de se expressar, de tal modo que deixe transparecer a verdade, pois Jesus é Deus feito homem e é a verdade em pesso. Se o Sumo Pontífice usa linguagem marxista, é como se Cristo estivesse falando em linguagem dúbia, tal como está fazendo o Papa Francisco atualmente - a tal ponto que o verbo deixará de ser carne.

4) Isso vai gerar uma crise do ensinamento ex cathedra, a tal ponto que gerará uma crise de fé, pois a verdade de fé não poderá ser enunciada, por falta de uma linguagem adequada.

José Octavio Dettmann

Rio de Janeiro, 28 de outubro de 2017.

Comentários Adicionais:

Sara Rozante: E não só em matéria de economia e sociedade. Até mesmo em encíclicas que falam sobre ciência há uma linguagem inapropriada.

Notas sobre a guerra semântica - o caso dos ensinamentos papais (de Pio XII até Francisco I)

1) Papas desde Pio XII até Francisco I usaram em suas encíclicas termos como "Justiça Social" e "capitalismo", termos esses que são marxistas e não cristãos.

2) Assim como já vi muito despacho com conteúdo de decisão interlocutória, esses termos eram usados de modo a facilitar a evangelização, uma vez que esses termos estavam enraizados na linguagem comum (ou seja, já naquela época havia marxismo cultural). Se os papas não falassem a linguagem corrente, não haveria santo ensinamento. Embora os termos "justiça social" e "capitalismo" fossem termos marxistas, o conteúdo do ensinamento era católico.

3.1) O leitor precisa tomar cuidado com a origem desses termos e dominar a linguagem de modo a trocar esses termos por outros que melhor expressem a realidade passada nos ensinamentos das encíclicas.

3.2) Por exemplo, devemos trocar "capitalismo" por "economia de mercado", uma vez que "capitalismo" traduz a idéia de capital tomado como se fosse religião de tal maneira que a riqueza seja vista como um sinal de salvação. Se a riqueza é um sinal de salvação, emtão ela permite que todos os indivíduos tenham direito a qualquer "verdade" que desejarem, conservando o que é conveniente e dissociado da verdade, coisa essa que se funda na conformidade com o Todo que vem de Deus.

3.3.1) No caso de "justiça social", há duas construções possíveis: "justiça da sociedade" e "justiça na sociedade".

3.3.2) No primeiro, temos a idéia de autotutela coletiva, ou seja, a noção de que o povo está fazendo justiça com as próprias mãos. E quanto mais democrático for o poder, mais tirânica será essa justiça. Como o Estado representa a coletividade, ele será tomado como se fosse religião - e isso é totalitarismo.

3.3.3) No segundo, nós temos o princípio de que sociedade deve ser vista como um ethos, um ambiente organizado e ordenado onde as pessoas tomam o país como um lar em Cristo sistematicamente, amando e rejeitando as mesmas coisas tendo por Cristo fundamento. Se há senso de justiça numa sociedade onde todos amam e rejeitam as mesmas coisas tendo por Cristo fundamento, então há justiça na sociedade. Como isso vem da sociedade cristianizada, então é legítimo, conforme o Todo que vem de Deus.

4.1) Enfim, é preciso se tomar muito cuidado com a guerra semântica que há, principalmente nos ensinamentos dos papas que governaram a Cristandade desde o pós-guerra até a atualidade. 

4.2) Em algum ponto, os ensinamentos serão dúbios, de tal maneira que os cardeais terão de escrever uma dúbia, pedindo esclarecimento acerca de certos ensinamentos contidos nas encíclicas, tal como estão fazendo com o Papa Francisco I no caso da Amoris Laetitia. Isso vai chegar a um ponto em que intenção de ensinar é uma e o termo empregado na encíclica será outro, de tal maneira que o papa estará ensinando uma heresia, se não tiver cuidado. Eis aí a crise do ensinamento ex cathedra, uma vez que os vigários de Cristo não estão fazendo do seu sim um sim e do seu não um não.

José Octavio Dettmann


Capitalismo, metacapitalismo, nacionalidade e metanacionalidade - a Nova Ordem Mundial nasce de uma sucessão de centralismos

1.1) Se no capitalismo a riqueza é vista como um sinal de salvação, então a aplicação extremada desse conceito leva ao monopólio, à concentração dos poderes de usar, gozar e dispor em poucas mãos.

1.2.1) Como a forma originária de aquisição da propriedade se dá pela ocupação dos bens de modo a se produzir algo organizado para atender aos que amam e rejeitam as mesmas coisas tendo por Cristo fundamento, os que amam mais o dinheiro do que a Deus estão querendo acabar com a instituição familiar, de modo a concentrar mais bens ainda em cada vez menos mãos.

1.2.2) É da família que vem a sucessão - assim, bens adquiridos por força do exercício de uma atividade econômica organizada podem ser legados aos descendentes e a atividade benevolente de servir ao próximo de modo a se ter o pão de cada acaba se perpetuando no tempo e no espaço, de modo a se criar uma tradição, assim como uma estirpe, uma personalidade constante entre diferentes gerações de uma mesma família de modo a se amar e rejeitar as mesmas coisas tendo por Cristo fundamento e não aceitar nenhum domínio tirânico fundado no amor de si, na exploração do homem pelo homem. E é dentro da estirpe bem formada que vem os homens com alma livre, por terem personalidades bem formadas desde o berço.

2.1) Como já existe entre nós uma cultura de que a riqueza é vista como um sinal de salvação, então os metacapitalistas precisarão de um Estado tomado como se fosse religião de modo que toda e qualquer contestação a este tipo de domínio seja fortemente reprimida. E a nacionalidade implica ter relações jurídicas com esse Estado de tal modo que a pessoa seja vista como propriedade desse governo totalitário, como se fosse seu escravo, uma vez que tudo está no Estado e nada pode estar fora dele ou contra ele.

2.2.1) Uma vez que a noção de verdade vai sendo dissolvida no relativismo cultural e religioso, a noção de família sendo progressivamente abolida junto.

2.2.2) Com a abolição da família, também são abolidos os marcos que estabelecem as fronteiras que separam a propriedade pública e e a privada privada, cirando uma verdadeira confusão no microdireito. Ao mesmo tempo, isso também cria uma verdadeira confusão no Direito Internacional Público, o macrodireito, de modo que Estados são fundidos e soberanias terminam extintas para darem a uma Nova Ordem Mundial, comandada por um governo central, a Organização das Nações Unidas.

2.2.3) Eis aí o fenômeno da metanacionalidade, em que vários povos, das mais diferentes origens, são regidos por um direito supranacional, decorrente de um órgão, como vemos na União Européia, de tenta dominar vários povos e interferir nas mais variadas legislações nacionais desde Bruxelas.
2.2.4) Na metanacionalidade, a Europa é tomada como se fosse religião de tal maneira que já não existe mais português, polonês ou espanhol - todos são reduzidos a europeus, uma vez que a dissolução da família leva a dissolução do senso de se tomar um país como um lar, o que leva à dissolução da identidade nacional, do jeito de ser que diferencia um povo e outro. No lugar das diferenças culturais, surge toda uma cultura de massa que padroniza comportamentos, emburrecendo em massa as pessoas.

3.1) Enfim, onde se ama mais o dinheiro do que a Deus, é inevitável uma centralização política, sob o respaldo do poder econômico.

3.2) As monarquias absolutistas, que fundaram Igrejas Nacionais, nasceram da parceira dos reis com os mercadores que desejavam um padrão de pesos e medidas de modo que o comércio fosse facilitado.

3.3.1) Com o tempo, com o amor ao dinheiro se intensificando, as diferenças entre as línguas e culturas tornaram-se um entrave para esses seres gananciosos - e a Nova Ordem Mundial é a radicalização desse processo que começou como uma reação ao feudalismo, coisa que se iniciou desde o advento do renascimento comercial, da passagem da Idade Média para a Renascença.

3.3.2) Neste ponto o pensador Bertrand de Juvenel está correto: quanto maior a concentração do poder, maior o arbítrio. E isso se dá por meio da concentração dos poderes de usar, gozar e dispor em poucas de tal modo que a fronteira entre a propriedade pública e a propriedade privadas sejam dissolvidas, por conta de se promover uma cultura em que a riqueza é um sinal de salvação e que o Estado é tomado como se fosse religião, de modo a matar a fé verdadeira, fundada na conformidade com o Todo que vem de Deus, o que edifica liberdade com fins vazios.

José Octavio Dettmann

Rio de Janeiro, 28 de outubro de 2017 (data da postagem original).

quinta-feira, 26 de outubro de 2017

Ad Iesu per Mariam - para restaurar o Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, recorramos a intercessão de São João Paulo II, a D. Afonso Henriques e à Virgem Maria (sob o título de Nossa Senhora de Fátima)

1) Se Cristo nos mandou servir a Cristo em terras distantes, uma das melhores maneiras é rezando o santo rosário pela restauração do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves. Se os poloneses já montaram o seu exército do rosário, por que não nós também?

2) Ao milagre de Fátima podemos emendar o milagre de Ourique. Se ninguém vai ao Pai senão pelo Filho, então ninguém vai ao Filho senão por sua mãe, a Virgem Maria (ad Iesu per Mariam).

3) Quando rezo pela restauração do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, eu peço a intercessão de Nossa Senhora de Fátima, de São João Paulo II e de D. Afonso Henriques.

4) É por tomar o país como um lar em Cristo que aumento minha fé. Pelo menos, é como ajo quando rezo o terço.

José Octavio Dettmann

Rio de Janeiro, 26 de outubro de 2017.

quarta-feira, 25 de outubro de 2017

A natureza do valor das coisas atende tanto a critérios obejtivos, fundados na verdade em Cristo, quanto subjetivos, pautados numa escolha consciente e responsável

1.1) Antes do advento da Escola Austríaca, a teoria do valor era objetiva, pautada no valor do custo e do tempo gasto em trabalho para se fazer alguma coisa útil.

1.2) O problema do preço do custo é que estava pautado num preço regulado numa regra de direito cuja decisão de seu preço dependia da discricionariedade e do senso de conveniência e oportunidade do príncipe.

1.3.1) Como naqueles tempos já havia se tornado uma realidade o princípio do equilíbrio nas Relações Internacionais (Um Príncipe, Uma Religião, segundo Lutero), as regulações eram voltadas para o nada - o que criava um sério entrave à liberdade, uma vez que os príncipes eram governantes absolutistas que governavam nem sempre de maneira sensata. 

1.3.2) Era essa a pretensa razão pela qual os liberais lutavam contra a monarquia, pois esses entraves se davam mais por influência da religião católica, uma vez que queriam libertar seus países da liberdade em Cristo de modo que o Estado por si só fosse declarado religião. Eis aí a religião da razão de Estado em que tudo está no Estado e nada pode estar fora dele ou contra, levando-nos a um relativismo moral. É dessa liberdade voltada para o nada que vem o subjetivismo - e com ela, o totalitarismo.

2.1) Com o advento da Revolução Francesa e da Segunda Revolução Industrial (anos 1860 a 1870), surgiu-se a concepção de que o valor não pode ser separado da utilidade, da satisfação das necessidades humanas. E neste ponto, surgiu a teoria subjetiva do valor.

2.2) O problema da teoria subjetiva do valor é que o homem é tomado como a medida de todas as coisas - e neste ponto, todo mundo tem direito à verdade que quiser, ainda que conservando o que é conveniente e dissociado da verdade. Tanto os desejos ordenados quanto os desordenados devem ser satisfeitos, já que para o liberal (libertário-conservantista, como eu chamo) não é conveniente fazer juízos de valor a respeito daquilo que é justo ou injusto, uma vez que a riqueza é um sinal de salvação e todos a almejam. E neste ponto, o desejo desordenado leva ao consumismo, a uma ilusão de progresso, pois as pessoas perderam tudo, exceto a razão pela qual elas querem o errado ao invés do certo, dado que querem presentes, em vez de bens futuros.

3.1) Acredito que o valor de um bem se pauta tanto em critérios objetivos quanto também critérios subjetivos, desde que os desejos que norteiam uma boa escolah sejam ordenados em fé reta, vida reta e consciência reta. 

3.2.1) Como a produção de riquezas deve ser direcionada para a promoção do bem comum de modo a tomarmos o país como se fosse um lar em Cristo e assim nos prepararmos a pátria definitiva, a qual se dá no Céu, a produção de riquezas deve pautada em bens concretos e não em bens imaginários - fundados em desejos desordenados, frutos do fato de se conservar o que é conveniente e dissociado da verdade. Esses bens concretos satisfazem as necessidades humanas e espirituais, uma vez que o homem não só se alimenta de pão mas também da palavra de Deus. Por isso mesmo, o valor das coisas é objetivo.

3.2.2) Além disso, como os soberanos são vassalos escolhidos por Deus ou por intermédio da Igreja de modo a servirem aos povos que crêem n'Ele, então eles servem a Deus tanto dentro dos domínios de sua terra quanto em terras distantes, caso recebam um chamado que nem aquele que o Crucificado de Ourique fez a D. Afonso Henriques. Para que uma nação receba tão importante missão em Cristo, essa nação precisa ser devota de tal maneira que isso agrade e muito ao Senhor, a ponto de fazer da intercessão à Santa Mãe de Deus causa de nacionidade, tal como ocorre na Polônia. 

3.2.3) Neste sentido, a autoridade do soberano aperfeiçoa à liberdade em Cristo, uma vez que as leis do Reino não trairão às leis naturais fundadas na conformidade com o Todo que vem de Deus, pois o verbo se fez carne e passou a habitar em nós de tal maneira que o Espírito Santo é nosso guia de modo a cumprirmos a lei mosaica fielmente.

4.1) Dentro dessas leis que aperfeiçoam a liberdade em Cristo, nós temos liberdade para fazer aquilo que é bom - e não liberdade para errar, uma vez que a liberdade não pode ser servida vazia. Afinal, verdade conhecida é verdade obedecida. 

4.2) Neste ponto, os que estão sujeitos à proteção e autoridade do rei pedem permissão a ele para que possam organizar uma atividade econômica e atender a todos aqueles que amam e rejeitam as mesmas tendo por Cristo fundamento, pois todo poder emana de Deus. E neste ponto, povo e soberano são cúmplices uns dos outros, principalmente quando se trata de servir a Cristo numa missão que una a causa nacional à causa universal de levar o Evangelho a toda que criatura da Terra, incluindo a que está nas terras mais distantes.

4.3) Dentro das leis que asseguram a justiça no reino - um valor objetivo e verdadeiro, fundado na conformidade com o Todo que vem de Deus - há certa margem de escolha, de modo que atendamos nossas necessidades presentes ou futuras, sem negligenciarmos nossas necessidades espirituais. 

4.4.1) Quem busca a vida eterna tenderá a apreciar bens futuros a bens presentes de tal maneira que comprará não só o necessário e suficiente para saciar sua fome imediata como também comprará alimentos para se proteger da fome, em tempos de carestia. 

4.4.2) Dessa forma, a utilidade marginal do bem futuro será a mesma do bem presente. A mesma coisa ocorre com relação aos trabalhadores de última hora, quando servem a Cristo em terras distantes - por estarem se dedicando à mesma atividade que os mais antigos, receberão as mesmas recompensas por conta dos serviços prestados.
 
 José Octavio Dettmann

Rio de Janeiro, 25 de outubro de 2017.

Se a inflação decorre de uma decisão, até mesmo ela é subjetiva, pois os motivos que levam ao aumento ou redução de preços são subjetivos. E devemos estudar esses motivos determinantes, de modo a entender se são justos ou não, já que nem sempre os números governam o mundo

1) Mises alega que a inflação se dá em escalas, uma vez que ela percorre toda a cadeia produtiva. E até percorrer essa cadeia produtiva, ela demanda tempo.

2) O problema dessa explicação é que ela é mecanicista demais. Para ser verdadeira, ela precisa admitir como verdadeira a riqueza como um sinal de salvação e que o mundo foi dividido entre eleitos e condenados - ou seja, ela precisa negar o livre arbítrio, o fundamento de uma escolha livre e responsável.

3.1) Uma sociedade é composta de pessoas. E pessoas escolhem.

3.2) Num mundo descristianizado, a maioria preferirá bens presentes a bens futuros - e por força do amor de si sistemático até o desprezo de Deus, elas arderão no fogo eterno por conta de seu conservantismo obstinado.

3.3) A melhor causa que explica a inflação está nos motivos determinantes que fizeram uma pessoa que tem uma atividade econômica organizada a aumentar o preço. Quem consome um serviço prestado tem o direito de saber os motivos determinantes do aumento de preço - e essas razões variam de caso a caso. Em alguns casos, o aumento de preço é justo e em outros é injusto, uma vez que devemos ver no outro o espelho de nosso próprio eu, já que servir ao outro é tomar um país como um lar em Cristo.

3.4.1) O aumento generalizado do preço provocado por uma decisão de governo irresponsável se deve ao fato de que o país é tomado como se fosse religião, em que tudo está no Estado nada pode estar fora dele ou contra ele - como todos têm direito a todo e qualquer tipo de verdade, então conservar o que é conveniente e dissociado da verdade passa a ser mais um tipo de cultura neste "supermercado cultural" o que edifica liberdade para o nada - e isso é muito perigoso, objetivamente falando.

3.4.2) Por isso mesmo, toda inflação decorrente da manipulação da moeda - ou mesmo dos impostos abusivos praticados pelo governo totalitário - gera injustiça sistemática, já que o governo está de costas àquilo que é conforme o Todo que vem de Deus, sendo um verdadeiro inimigo do povo que toma o país como um lar em Cristo.Por isso mesmo, um demônio que precisa ser combatido - por ser ilegítimo, uma cruzada precisa ser feita contra ele, neste sentido.

José Octavio Dettmann

Rio de Janeiro, 25 de outubro de 2017.

Em qual tempo se baseia a lei da preferência temporal? No tempo de Deus ou dos homens?

1.1) A teoria dos juros está fundada numa tendência de que a maioria das pessoas preferem bens presentes a bens futuros, a chamada "lei da preferência temporal".

1.2) Ela foi analisada levando-se em conta o fato de que estávamos no século XIX, onde o processo de descristianização da Europa estava fortemente acelerado, por conta da Revolução Francesa, uma vez que a tendência de preferir bens presentes a bens futuros leva à uma liberdade voltada para o nada, profundamente hedonista e materialista.

1.3) Nela, o egoísmo tende a ser tomado como se fosse uma virtude, justificando o processo de proletarização geral da sociedade, onde a maioria das pessoas deixa de pensar no bem comum, fundada na conformidade com o Todo que vem de Deus, a ponto de passar a colaborar com a própria prole em detrimento da vida comunitária.

2.1) Devemos ver o que não se vê, pois o tempo de Deus não é o tempo dos homens.

2.2) Se as pessoas vissem isso, poderiam renunciar aos bens do presente que não são vantajosos para aquilo que nos prepara para a pátria definitiva, a qual se dá no Céu, em favor desses bens futuros, que virão por meio da providência divina e do trabalho humano que é comandado sob a ação do Espírito Santo.

2.3) Nesse sentido, os juros ditados pelas coisas que se fundam no tempo de Deus são mais liberais que os juros fundados no interesse humano pensado sem Deus, pois os juros arbitrados no tempo dos homens tendem a ser arbitrários, uma vez que a riqueza tende a ser vista como um sinal de salvação, a ponto de isso ser visto como uma usura e perder seu caráter produtivo, por força do abuso, da quebra de confiança.

3.1) Se os juros fundados no tempo de Deus são mais liberais, obviamente não há utilidade marginal decrescente, pois a unidade a ser imediatamente consumida tem o mesmo valor daquela que virá a ser consumida, caso haja necessidade no futuro. Isso faz com que a prudência dê um valor objetivo às coisas, de tal maneira que vejamos aquilo que não se vê.

3.2.1) Digamos que você encontra uma tenda que venda água mineral no meio do deserto.

3.2.2) Você compra uma garrafa de água mineral para matar a sua sede, o que satisfaz a sua necessidade humana mais imediata. Como não sabemos o que virá pela frente, é prudente levar três ou quatro garrafas de água mineral para atender a uma necessidade humana que virá pela frente, caso você continue encarando o deserto. Dependendo do caso, você pode levar o estoque inteiro, se tiver dinheiro para isso, uma vez que não se sabe quando você encontrará uma tenda igual àquela novamente, pois encontrá-la pode ter sido um verdadeiro milagre, já que Deus é bom. Afinal, a onisciência nos foi negada.

3.1) Além disso, se há uma demanda fundada na prudência do consumidor, a ponto de prezar tanto os bens futuros quanto os presentes, é perfeitamente justo se cobrar um preço maior para atender o cliente, desde que isso seja negociado entre as partes.

3.2) Se o preço for alterado unilateralmente, isso constitui quebra de confiança, uma vez que servir ao próximo implica servir a Cristo necessitado, que, como Deus, sabe tudo e pode tudo - por isso mesmo, Ele tem sempre razão, já que o Deus feito homem foi freguês um dia, ao ter sido homem como nós.

3.3) Há duas outras causas para o aumento generalizado de preços.

A) O Estado tomado como se fosse religião manipula a moeda, de modo a criar um imposto indireto e disfarçado, gerando quebra de confiança;

B) ou o aumento dos preços por força da inflação de demanda se dá por conta da ganância dos mercadores, que prezam mais os seus interesses do que o bem comum, já que isso leva a um tipo de concupiscência que atenta contra a ordem pública da cidade - e como isso é um atentado à ordem pública, trata-se de um crime contra a economia popular.

4) Por isso mesmo a lei da oferta e da demanda não é uma lei, pois isso não se dá de maneira automática, já que a ação humana não pode ser vista de maneira mecanicista, já que isso edifica liberdade com fins vazios, a ponto de relativizar os verdadeiros valores fundados na conformidade com o Todo que vem de Deus. E no lugar dos valores fundados na vida eterna, teremos os valores da ética utilitarista, valores esses que são materialistas e hedonistas, causa que edifica liberdade para o nada.

José Octavio Dettmann

Rio de Janeiro, 25 de outubro de 2017 (data da postagem original)..