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segunda-feira, 26 de junho de 2017

Por que o conservadorismo não é uma ideologia?

1) Destutt de Tracy definiu ideologia como um conjunto de idéias pensadas pelo homem de modo a se negar a metafísica, a realidade transcendente, coisa que nos leva à conformidade com o Todo que vem de Deus. Enfim, ideologia é uma gnose, pois o conhecimento é mais importante do que a realidade, a verdade em pessoa.

2) Evidentemente, coisas são pensadas e justificadas de modo a se conservar o que é conveniente e dissociado da verdade. Em termos de análise documental, ao invés de nos reportarmos ao que os cronistas do reino de Portugal dizem, interpretamos os documentos de maneira distorcida, uma vez que um Estado fundado de modo a servir a Cristo em terras distantes não é uma coisa legítima, já que fomos "colônia" de Portugal. E essa justificação leva à descristianização geral de nossa sociedade, enquanto projeto de poder - e é por isso que digo que conservantismo é estar à esquerda do pai no seu grau mais básico, já que isso prepara o caminho para coisas mais graves, ao edificar toda uma falsa ordem que faz com que a liberdade seja voltada para o nada, divorciada da verdade - o que nos leva ao aprisionamento da alma e à morte.

3.1) É por essa razão que digo que conservadorismo não é ideologia, pois conservar a dor em Cristo é conservar a memória do verbo que se fez carne e que habitou em nós, por ser a verdade em pessoa. E isso tem caráter salvífico.

3.2.1) Se Cristo é a verdade e veio nos trazer a espada, então é inequívoco dizer que Ele quis um Império para si - e escolheu os portugueses para a tarefa de servir a Ele em terras distantes.

3.2.2) E nós conservamos a dor de Cristo quando tomamos as terras em que moramos como um lar em Cristo e fazemos com que os melhores de nossa gente se casem com a gente local. Se casamos com a gente local, é porque nós nos importamos com a salvação da gente que habita essa terra em que vamos morar - e é por conta disso que casamento é um ato nobre, dado que é mútua assistência e mútua santificação, o que faz como que o senso de tomar o país como um lar em Cristo seja distribuído em todos os lugares do mundo.

3.2.3) O filho do casamento tem vínculo com a terra dos portugueses e vínculo com a terra da gente local, a ponto de se tornar um diplomata perfeito, unindo os nós-nacionais de modo a criar um tecido social fundado em duas culturas virtuosas que possam fazer o país ser tomado como se fosse um lar em Cristo, a chamada internacionidade, dado que o todo é maior do que a soma das partes. Contudo, isso não nega a existência das partes, de modo a se fazer uma análise isolada de sua composição, por meio de análises reduzidas.

4) É isto que faz com que Portugal seja um império de cultura e não um império de domínio.

José Octavio Dettmann

Rio de Janeiro, 26 de junho de 2017.

Notas sobre a relação entre Filosofia e História - o caso do pau-brasil

1) Em História, documento é monumento. Os fatos devem ser narrados da forma como estão registrados nos documentos - isso se vierem de cronistas do reino de Portugal; como eram diplomatas a serviço da coroa, eles não podiam mentir ao Rei, sob pena de lesa-majestade (o que prepara o caminho para um crime de lesa-pátria). E como todo funcionário público, o diplomata registra os fatos, certifica e dá fé às coisas. Por isso, você pode tomar estes fatos como se fossem coisa, já que a Coroa está servindo a Cristo, tal como se deu em Ourique.

2.1) De posse de toda a documentação, você poderá desenhar uma cenário do que aconteceu, seja para o bem, seja para o mal.

2.2) O que é bom, fundado na conformidade com o Todo que vem de Deus, precisa ser conservado, pois é conveniente e sensato fazer isso, uma vez que podemos ver o cordeiro sendo imolado de modo a nos salvar dos nossos pecados - e foi do sacrifício definitivo do cordeiro que passamos a ter a verdadeira liberdade fundada na caridade - o verdadeiro liberalismo, em que se conserva a memória da dor de Cristo por meio da eucarisitia.

2.3.1) O que é ruim precisa ser consertado. Exemplo: se o negócio de pau-brasil, da forma como foi organizado, gerou uma má consciência que povoou o imaginário da pátria durante séculos e que perdura até hoje, então essa má consciência precisa ser reformada - e não justificada, como fazem os marxistas. Aqui entra a lição de Heródoto de que é preciso conhecer os erros do passado de modo a modificarmos o presente e não cometermos os mesmos erros no futuro.

2.3.2) Embora exista a anilina, um corante sintético que cria o mesmo vermelho produzido pelo pau-brasil, a árvore tem sua utilidade para a produção de violinos de excelente qualidade. E a música erudita necessita de violinos de boa qualidade de modo a que a alta cultura possa prosperar enquanto atividade organizada e servir seus semelhantes na verdade e na conformidade com o Todo que vem de Deus, pois o que é belo sempre aponta para Deus.

2.3.3) Por isso, é conveniente e sensato reflorestar o país com pau-brasil e explorá-lo de maneira racional, por meio de manejo florestal, de modo a favorecer o desenvolvimento desta atividade organizada, pois isso pode fazer com que o país seja tomado como se fosse um lar, ao usar seu símbolo mais importante de modo a conseguir divisas importantes. Trata-se de uma atividade organizada moralizante e favorece um ciclo de capitalização moral, coisa que nos prepara para a pátria definitiva, que se dá no Céu. 

2.3.4) Como é uma atividade voltada para as futuras gerações, isso faz com que possamos esperar dois ciclos de Kondratiev (dois ciclos de 60 anos, dois ciclos de relação entre pai e filho) de modo que possamos abater um certo número de árvores que nos serão necessárias para atender a necessidade humana por música erudita, que é uma necessidade massificada, dado que leva ao consumismo, a uma liberdade voltada para o nada, fundada no aproveitamento das coisas ser igualmente voltado para o nada, por conta de ser altamente predatório.
José Octavio Dettmann

Rio de Janeiro, 26 de junho de 2017.

domingo, 25 de junho de 2017

Aforismos sobre a relação entre guerra, política e cultura

1) Guerra é a continuação da política por meios violentos. (Clausewitz)

2) Política é uma expressão da cultura, tal como o corpo é uma porção limitada de matéria, daquilo que tem forma e ocupa lugar no espaço. (José Octavio Dettmann)

3) A verdadeira causa de uma guerra usta é trocar toda uma cultura fundada no fato de se conservar o que é conveniente e dissociado da verdade por aquilo que decorre do fato de se conservar a dor de Cristo, dor essa que edificou a verdadeira liberdade, dado que o verbo se fez carne. E a mudança do errado pelo certo implica uma guerra cultural, já que a política é uma expressão da cultura e a guerra e a continuação da política por meios violentos, se os meios pacíficos falharem, por conta da obstinação no conservantismo. (José Octavio Dettmann)

4) Se Portugal é um império de cultura, então é preciso estar atento aos primeiros 3 pontos. Não é pelo pacifismo que serviremos a Cristo em terras distantes; isso não é conforme o Todo que vem de Deus, muito menos aquilo que herdamos em Ourique.

José Octavio Dettmann

Rio de Janeiro, 25 de junho de 2017.

Da mudança do regime como ponto de partida para a restauração da cultura (e da verdade sobre a qual este país foi fundado)

Intervenção - feito por intermédio de vênia (licença). E isso pede legitimidade, algo previsto e autorizado em lei.

1) Sempre que há um conflito de interesses entre a classe política e a população, uma solução precisa ser buscada. Esta solução se chama intervenção.

2) Uma dessas formas é a jurisdição, mas isso só funciona quando as regras do jogo são observadas. Quando isso não ocorre, um estado de exceção precisa ser provocado de modo que a relação entre o povo e a classe política volte ao normal. E isso se faz por meio de intervenção militar, prevista na Constituição.

3) Da forma como a República foi construída, por meio de golpe contra a Coroa e por meio de falsificações históricas da realidade, pouco importa se a constituição existe ou não existe, dado que não passa de uma folha de papel que não observa o que foi fundado em Ourique. O que ocorre é que, após a intervenção militar, a constituição é reescrita de modo a manter viva esta ordem conveniente e dissociada da verdade. Já passamos por 6 constituições, sendo que uma vez a cada 25 anos, em média, a constituição é reescrita.

4,1) E como já falei, o conservantismo é estar à esquerda do pai no seu grau mais básico.

4.2) O grande número de vezes em que a carta foi reescrita mostra que a solução pede mudança do regime de volta para a monarquia, uma vez que o exercício do Poder Moderador faz com que o conflito de interesse entre os poderes, ou entre a classe política e o povo, se encerre com a convocação de novas eleições até que haja um grupo de pessoas com a legitimidade necessária para representar os interesses da população de modo a cuidar da coisa pública e fazer o país ser tomado como se fosse um lar em Cristo e continuar aquilo que foi estabelecido em Ourique.

4.3) A principal vantagem da monarquia é que, sendo o monarca neutro, é que o poder moderador protege o povo de maus governos. Mas o mau governo é aquele que perverte tudo o que é de mais sagrado, fundado na conformidade com o Todo que vem de Deus, ainda que o faça de modo populista. Afinal, popularidade não é sinônimo de amizade para com a verdade, com aquilo que fez de Portugal uma nação.

5.1) Mas a monarquia só não basta. Como já foi dito pelo professor Loryel Rocha, a política é uma expressão da cultura, tal como um corpo é uma porção limitada da matéria (daquilo que tem forma e ocupa lugar no espaço).

5.2) Para haver uma mudança, a cultura precisa ser trabalhada - para isso, você precisa trocar as falsificações históricas fundadas na alegação de que o Brasil foi uma colônia - construidas desde a separação do Brasil do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves - pela verdade. E isso se faz ensinando a História do Brasil de maneira verdadeira, começando desde a fundação de Portugal na batalha de São Mamede até a aclamação de D. Afonso Henriques como Rei de Portugal na batalha de Ourique (nessa batalha, Nosso Senhor Jesus Cristo diz para ele sobre a missão que os portugueses teriam de modo a servir a Cristandade em terras distantes, o que viria a resultar nos descobrimentos portugueses em favor da causa cristã).

5.3) O Brasil é um desdobramento do que houve em Ourique. Como o país era província do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, ele nunca foi colônia, pois nunca teve um tratamento jurídico diferenciado, em relação ao que se aplicava em Portugal e Algarves. Como parte integrante do Reino Unido, muitos nativos do Brasil foram servidores públicos em Portugal e atuaram nos territórios da África e Ásia (e esta parte não é contada). Por isso, nada mais justo que se faça o resgate dessa parte da História que nos foi sonegada.

José Octavio Dettmann

Rio de Janeiro, 25 de junho de 2017.

quinta-feira, 22 de junho de 2017

Notas sobre a relação entre keynesianismo e usura

Róger Badalum: Entendo que, para consumir, é preciso produzir primeiro. Com o capital sendo fator de produção primordial, e a poupança sendo a condição sine qua non para a existência do capital. Aí veio Keynes mudando tudo, aumentando o consumo para então aumentar a produção, com o pobre pagando a conta com a inflação.

José Octavio Dettmann: A produção pede ocupação das coisas de modo a servi-las de maneira organizada. O consumo vem depois que se tem uma relação de confiança entre quem produz e quem consome, o que demanda tempo. Quando a relação se torna impessoal, fundada no fato de se amar mais o dinheiro do que a Deus, então ocorre esse absurdo que você falou.

José Octavio Dettmann: Se você estimula o consumo de modo a forçar mais produção, isso é indício de que você ama o dinheiro mais do que a Deus. Se você ama mais o dinheiro do que a Deus, a pessoa não terá escrúpulos em cobrar por coisas que não deram causa a uma atividade produtiva. E isso enseja enriquecimento sem causa, o que é condenado pelo Direito Civil.

José Octavio Dettmann: Há uma tendência a se interpretar a economia de uma maneira mecânica. Se um determinado produto está sendo muito demandado, tende-se a pensar que o preço vai aumentar automaticamente. Mas isso nem sempre acontece - há alguns que estão satisfeitos com o preço que cobram que preferirão manter o mesmo preço de modo a continuar suprindo a demanda. Eles só poderiam aumentar o preço se houvesse uma justa razão para isso, como o aumento do custo de produção, mas para isso eles precisariam informar aos clientes e serem transparentes com eles, dizendo-lhes os motivos determinantes que farão o preço ser alterado. E essa transparência é uma questão cultural, coisa que não está sendo exigida hoje em dia.

José Octavio Dettmann

Rio de Janeiro, 22 de junho de 2017.

Se nações decorrem de um único ser virtuoso, então o gentílico de certas nações podem decorrer da profissão que esse ser virtuoso exerceu

1) Quando lemos a Bíblia, observamos que nações inteiras decorriam de um único homem virtuoso.

2) São Josemaria Escrivá falava sobre a santidade através do trabalho. A maior prova disso é que nomes de família decorrem de uma profissão, tal como vemos nos sobrenomes ingleses.

3) Se um homem santo, virtuoso, é operário como São José, então não seria estranho supor que o senso de tomar o país como um lar decorra de uma profissão. No caso da Terra de Santa Cruz, a primeira profissão exercida foi a de extrator de pau-brasil (brasileiro).

4.1) Há uma tese de que o Brasil tem esse nome por conta do pau-brasil. Por isso, não acho estranho que brasileiro se torne marca daquele que toma o Brasil como um lar, por força de servir nesta terra tendo por Cristo fundamento. Isso faz do Brasil uma província que faz com que o mundo português fundado em Ourique se engrandeça. E o Brasil é tão grandioso que era plano antigo da coroa transferir sua sede para esta terra.

4.2) Há quem diga que a profissão de brasileiro não era uma profissão nobre por conta da forma como ela foi estabelecida: uma economia predatória. Mas aí a culpa se deu pela forma como esta atividade foi organizada; a extração de pau-brasil não seguiu uma ética cristã, mas a judaica, já que Fernando de Noronha era judeu e tinha conexão com os Médici de Florença, os primeiros banqueiros do mundo. Os judeus praticam usura porque não consideram os cristãos seus irmãos, mas membros de uma seita dissidente que aceita Jesus como messias. E neste ponto a economia nasceu descristianizada, apesar de o país ter nascido nobre, por conta de a terra ter sido batizada na primeira missa, o que faz do descobrimento um desdobramento daquilo que foi edificado em Ourique.

5.1) Em A Ética Protestante e O Espírito do Capitalismo, a cultura protestante é fortemente relacionada a essa visão judaizante.

5.2) Isso se deve ao fato de que eles dividem o mundo entre eleitos e condenados e o eleito é aquele que é rico. Como todos querem ser ricos, então todos buscam o trabalho ou a burla. Ou a combinação de ambos.

5.3) E foi aí que a liberdade passou a ser voltada para o nada já que a santidade não estava sendo buscada por meio de um trabalho, de uma atividade organizada de modo a ajudar os que necessitam, mas a riqueza enquanto sinal de salvação por força do mérito próprio. E foi neste ponto que a produção de riqueza, que deveria se voltada de modo a se tomar o país como um lar, passou a ser dissociada da ética, o que cria sistemáticos conflitos entre as classes profissionais e não concórdia, como naturalmente se espera num mundo que vive a vida em conformidade com o Todo que vem de Deus.

6) Essa contradição de economia descristianizada e nação nobre oriunda do que foi fundado em Ourique é algo que deve ser levado em conta, quando estudarmos os problemas brasileiros que impedem com que o país seja tomado como se fosse um lar em Cristo, pois é da descristianização que vemos o país ser tomado como se fosse religião em que tudo está no Estado e nada pode estar fora dele ou contra ele. Pois é do amor ao dinheiro que se concentra o poder de usar gozar e dispor em poucas mãos, já que é por meio do abuso do poder econômico que se tem corrupção e perversão de todas as instituições que edificam o senso de nacionidade da terra.

José Octavio Dettmann

Rio de Janeiro, 22 de junho de 2017.

Afinal, o brasileiro é santo ou apátrida? Resposta a uma pergunta interessante

Róger Badalum me fez esta pergunta: será que os brasileiros estavam mesmo servindo em terras distantes quando exploravam pau-brasil?

Eu respondo:
1) São Josemaria Escrivá falava da santidade através do trabalho. E o primeiro trabalho que houve aqui era extrair pau-brasil, a primeira riqueza existente. Além disso, a forma mais básica de economia para se tomar o país como um lar é a atividade extrativista, uma vez que a mão que extrai é a mesma que preserva.

2) O pau-brasil era uma riqueza valorizada, por conta da tinta que era produzida. Como era uma atividade braçal, não é uma profissão em si mesma condenável.

3) O problema está na ganância: como essa madeira era muito valorizada, então eles foram desenvolvendo uma atividade econômica predatória, sem repor o que se plantou.

4) Como diz o professor Loryel Rocha, onde se ama mais o dinheiro do que a Deus, há usura. E é na usura que a profissão perde sua dignidade e se torna escravidão, já que os abusos nas relações trabalhistas levam à escravidão.

5) E neste ponto, você pode dizer que o brasileiro é apátrida, dado que não está servindo a Cristo em terras distantes, mas a si mesmo em terras distantes. Talvez o caráter dinheirista de nosso povo esteja relacionando ao que houve nos primórdios.

6) O negócio de pau-brasil começou com Fernando de Noronha, que era judeu - e os judeus são famosos pela prática da usura. Ele obteve concessão para explorar comercialmente pau-brasil e escravos. E foi aí que começou o problema. A economia neste caso já nasceu descristianizada.

José Octavio Dettmann

Rio de Janeiro, 22 de junho de 2017.