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sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Dos dois tipos de troca autística

1) Existem dois tipos de troca autística.

2) A primeira delas é aquela troca mencionada por Mises no livro "Ação Humana". Ela se dá no mundo exterior, quando se troca a isca pelo peixe.

3) Interagir com o ambiente, com o mundo externo, é um tipo de heteronomia. É na verdade uma troca reflexiva - a pesca, do ponto de vista da troca, é um tipo de espelho, onde a oferta da isca revela a demanda pelo peixe e o peixe aceita o alimento, servindo-se de cordeiro de sacrifício, de modo a que eu possa atender às minhas necessidades fisiológicas - de certo modo, um tipo de publicidade. Enfim, o peixe morre para que eu possa viver. É assim que se deu com Cristo, que se tornou alimentou espiritual, através da eucaristia. Ao salvar quem creu nele, ele foi um pescador de almas. E quem creu nele a vida toda acabou encontrando a vida eterna, à direita do pai, como de fato se deu com os santos, que são o modelo de vida reta que devemos seguir.

5) A mesma forma ocorre com o tecelão, vivendo da sua profissão: ele tece tecendo a si próprio, seu destino.

6) Quando se trabalha em troca de alimento, você forja o seu destino. Pois o trabalho enobrece o homem.

7) O outro tipo de troca autística ocorre da forma como mencionei num artigo anterior. Quando se busca o conhecimento disperso pelo mundo afora, ele leva ao planejamento das coisas. As memórias e os dados externos da realidade são comparados e convertidos em signos, que são trocados, através da palavra, causa da negociação e da edificação das coisas. Essa troca ocorre no mundo interior, dentro de mim, onde minha consciência explora todas as possibilidades até chegar a verdade, que nos leva ao caminho de Deus.

8) Toda troca autística que se dá dentro de mim leva à execução de uma vontade. 

9) Essa vontade responde a estímulos fisiológicos, de modo a se alimentar e sobreviver; a estímulos externos, de modo a se evitar um perigo; ou à curiosidade, que decorre de se investigar as coisas que decorrem da criação do pai. Existe ainda a necessidade de se falar as coisas, de modo a que o bem seja edificado ao nosso redor. E isso é caridade, quando se serve aos outros, e prudência, quando se serve a si próprio, de modo a dizer sim a Deus.
 
José Octavio Dettmann
 
Rio de Janeiro, 28 de abril de 2023 (data da postagem original).

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Para aprender a tomar vários lugares como um lar, aprenda a tomar como um lar o lugar onde você necessariamente nasceu


1) Para aprender a tomar vários lugares como um lar, você precisa aprender a tomar o lugar onde você necessariamente nasceu como um lar.

2) Quando você aprender a tomar o lugar em que nasceu como um lar, você aprende a lidar com os problemas e as dificuldades fundadas de se morar no lugar. Em meio às dificuldades, surgem as soluções. Nada substitui a ordem fundada nos sentidos, fundada na vivência.

3) Quando sua presença se distribui em vários locais, ocorre dentro de você uma constante comparação das várias experiências que você passou, por estar em vários locais diferentes. Para diferentes problemas, surgem diferentes soluções - e  a sua experiência será o sistema perfeito onde tudo se integra.

4) Dentro de seu mundo interior ocorre constantes trocas autísticas. Para algo que acontece num lugar X, a solução está no lugar Y. Por isso, você integra os dois locais, de modo a resolver os problemas da vida. E ao integrar os lugares e o conhecimento disperso em diversas circunstâncias em você, você aprende a integrar as pessoas em torno de você, que aprendem a amar e a rejeitar as coisas tendo por fundamento Jesus Cristo. É nele que está a noção de se tomar o país como um lar, com base na pátria do céu.

5) Enfim, para ser um bom político, um diplomata perfeito, você precisa necessariamente tomar como um lar vários lugares, ao longo de uma vida. Deve estar presente nesses lugares de modo permanente, e não apenas de passagem.

Teoria dos três nascimentos


1) Existem 3 tipos de nascimento:

1.1) O nascimento de fato, marcado pelo estar no mundo.

1.2) O nascimento para a vida em Cristo, marcado pelo batismo. Nele aprendemos a tomar a pátria do céu como se fosse um lar.

1.3) O nascimento fundado a partir do momento aprender a tomar terra em que você nasceu ou começou a viver a sua vida como um lar. Quando você aprender a tomar o país como um lar, eis que surge a missão, a necessidade de servir ao país, com base na pátria do céu. Esse momento coincide com o crisma, com a plena capacidade civil para a vida.

2) Uma alma formada, preparada, integrada faz dos 3 nascimentos uma trindade e passa a servir ao país da mesma forma que serviria a Deus. Ao tomar o país como um lar, sua presença se distribui em vários lugares - eis aí a importância da pluralidade de domicílios.

3) Se a pessoa só tem apenas um nascimento, será forjada no anabatismo. Sua formação será direcionada por todos aqueles que rejeitam a pátria do céu - e ele aprende a tomar o Estado como se fosse seu Deus. Se ele admira o Estado sem Deus, sua consciência será marcada por um completo estupor. Enfim, quando adquire a missão de servir a Cristo, seu senso de servir não será sincero, pois aprendeu a tomar por o Estado como se fosse seu Deus, sua religião. 

4) Como os registros do Estado são de cunho local, territorial a pessoa tende a fixar apenas um local e dele não sai. Fica condenado a ficar preso na terra. Tende a dividir as pessoas em classe e tende a ver vida de maneira estamental, onde quem é servo é sempre servo e onde quem é senhor é sempre senhor. 

5) Como fica só preso à cultura nacional, torna-se um monoglota - e aí vira um nacionalista, pois a nação se confunde com a existência do Estado. E tudo para ele está no Estado e nada pode estar fora dele - o universalismo, que é a marca de Cristo, será odiado porque está fora do Estado.

6) Enfim, o anabatismo é um monarquianismo, pois leva a desfragmentação da consciência, pois do nascimento único sistemático surge o coletivismo e a conseqüente negação do indivíduo, assim como do livre arbítrio.

7) O nacionalista, enfim, tende a ver as coisas a partir da lógica de dividir o mundo entre eleitos e condenados. E quem não nasceu no país passa a ser visto como um ser condenado.

Considerações sobre a pluralidade de domicílios voluntários em vários países


1) Quando se tem vários domicílios voluntários, em vários um deles será necessário, pois é impossível estar presente em todos os lugares ao mesmo tempo.

2) Nos demais domicílios, é preciso que haja alguém disponível para representar você, em caso de algo acontecer. Essas pessoas são os procuradores, que geralmente são os administradores do imóvel.

3) Esses administradores não só recolhem os aluguéis, dão quitação, como também praticam todos os atos necessários fundados na procuração. Enfim, os mandatários agem como um longa manus de todo aquele que toma vários lugares como um lar.

4) Esses mandatários atuam como seus diplomatas - eles repassam todas as informações necessárias, de modo a que você atue de modo a conservar as coisas da forma como estão, de modo a que você tome os seus lugares que escolheu para viver como um lar unido em você, em sua carne. E ao tomar diversos lugares como um lar, você deve fazê-lo fundado em Cristo. 

5) Havendo eleições, esses procuradores conduzem sua voz e seu voto, de modo a que seus bens não sejam perdidos, quando se toma um desses países onde você tem domicílio como se fosse religião totalitária de Estado.

Explicando a diferença entre o domicílio necessário e o domicílio voluntário

1) Domicílio voluntário é aquele que se funda no fato de que você tomou o seu lugar como um lar. Ele implica habitar um lugar permanentemente, enquanto as circunstâncias forem favoráveis para se tomar o país como um lar.

2) Domicílio necessário é que se funda por conta de uma relação jurídica. E essa relação se dá por força de ordem pública.

3) O domicílio de um preso é necessário, pois ele deve pagar pelos crimes que cometeu

4) O domicílio de um menor é necessário, pois fica vinculado ao da família, que deve amparar por ele. E para onde a família for, o menor vai junto.

5) O domicílio de um militar é necessário, pois fica vinculado ao comando da sua unidade. Ele pode ser transferido por força da necessidade do serviço.

6) O domicílio de um marinheiro é o do navio onde ele serve. E a residência do navio é onde ele está matriculado na capitania dos portos

7) O domicílio do funcionário público civil é o do lugar onde ele exerce suas funções. Se houver necessidade do serviço, ele será transferido de lugar. 

8) O domicílio eleitoral é necessário, por conta de o voto ser obrigatório no Brasil. Se o voto não fosse obrigatório, o voto se daria em trânsito. Se eu estivesse eventualmente em São Paulo, votaria num político conhecido, de modo a estar quite com os meus deveres de cidadão.

9) Todo domicílio temporário é um domicílio necessário, por conta das circunstâncias. Quando se vive em casa alugada, o domicílio é necessário, por conta de responder aos compromissos fundados na relação de inquilinato.

10) Considerando que são poucos que tomam o país como um lar, são poucos os que tomam o seu país como um domicílio permanente, de modo a se edificar uma civilização fundada em Cristo Jesus - o resto está só de passagem.

José Octavio Dettmann

Rio de Janeiro, 18 de setembro de 2014 (data da postagem original).

Explicando a diferença entre morada, domicílio e residência


1) Domicílio é estar num lugar com ânimo definitivo. Se você é proprietário de um bem imóvel, você poderá usar, gozar e dispor desse bem, fundado em bom direito, enquanto permanecerem as circunstâncias pelas quais você é livre de modo a você poder dispor desse bem que você conquistou, fruto de seu trabalho ou de herança. E as circunstâncias favoráveis dependem de uma boa ordem pública em que você vai se sentir livre para tomar o país como um lar e não como uma religião de Estado, situação essa em que seus direitos serão vilipendiados e destruídos.

3) Residência é estar num lugar com ânimo temporário. Se você mora num lugar por força do trabalho, seu ânimo é temporário. Se o seu ânimo é temporário, você alugará imóveis pelo tempo necessário até que as coisas mudem.

4) Morada é algo que é provisório e precário. Nosso corpo mesmo é morada da alma. Somos fisicamente frágeis, pois podemos ser vítimas de algum acidente e morrer. E como o corpo é morada da alma, devemos cuidar de nosso corpo, de modo a que ele sirva a edificar a nossa alma, de modo a que ela possa dizer sim a Deus, da melhor forma possível.

5) Quando se confunde morada com propriedade, o nosso corpo paga por todos os efeitos dos nossos pecados. Toda conduta pecaminosa afeta o corpo e o espírito, a ponto de a pessoa perecer, ao perder a amizade com Deus.

6) Quando o pecado é sistemático, distribuído a toda população, ele se torna um pecado social. E a escravidão é um grave pecado social, decorrente do fato de se tomar o corpo como propriedade e não como morada ou templo da alma. A escravidão decorre do pecado original, pois decorre de uma sabedoria humana dissociada da divina, que anseia querer ser como um Deus, tal qual é o Pai.

Sobre a necessidade de um novo jeito de se estudar e de se ensinar o direito

1) É muito importante que se faça uma nova maneira de estudar direito.

2) Se você tem formação jurídica e toma o seu país como um lar, você precisa ensinar aos seus irmãos de modo a que aprendam a tomar o seu país como um lar. Isso é um tipo de evangelização.

3) A melhor maneira de fazer isso é estudar a lei de modo a estabelecer estratégias jurídicas que possam levar a boa e segura aquisição, conservação e alienação dos bens da vida e de que modo esses bens devem ser usados usados, gozados e dispostos para que possam servir aos semelhantes, de modo a que coisas boas, conforme o todo de Cristo, possam ser edificadas. O maior exemplo disso está no fato de se adquirir bens imóveis e de que modo esses bens podem bem servir a você, a sua família e aos seus irmãos, na constância de Cristo.

4) Uma boa análise praxeológica sobre a destinação correta e conforme o todo dos bens deve ser feita, de modo a que se edifique a sensação de que o país deve ser tomado como um lar, em Cristo, e não como se fosse religião imanente de Estado totalitário, em que tudo está nele e nada fora dele.

5) Os juristas são estatólatras, são indiferentes à noção de nacionidade e só se preocupam com regras fundadas em sabedoria humana dissociada da divina. Os nacionistas são mais que juristas que estudam a lei - eles se preocupam em como manejar essas regras de modo a tomar o país como um lar, sem perverter ou trair aquilo que é conforme o todo que vem de Deus.