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quarta-feira, 30 de abril de 2025

Quando tentaram assassinar Robert Sarah

Quando, em 1979, com apenas 34 anos, Robert Sarah foi nomeado arcebispo de Conacri, em sua Guiné natal, ele não herdou apenas uma cadeira episcopal: ele também herdou uma sentença de morte.

Seu antecessor, monsenhor Raymond-Marie Tchidimbo, passou oito longos anos na prisão, sob um regime brutal que via a Igreja como uma ameaça direta. O ditador Sékou Touré, autoproclamado líder de uma revolução socialista, fez da Guiné um país onde a fé cristã mal sobreviveu, sempre na clandestinidade ou na humilhação.

Sarah aceitou a nomeação com plena consciência de que ele poderia ser preso, torturado ou morto. Não era uma hipótese distante: já em 1984, após a morte de Touré, um embaixador alemão confirmaria o que muitos suspeitavam: seu nome era o primeiro de uma lista negra de pessoas destinadas a serem eliminadas.

No entanto, o destino – ou melhor, a Providência – interveio. Em março de 1984, durante uma visita oficial aos Estados Unidos, Sékou Touré sofreu um derrame. Ele foi hospitalizado em Cleveland e morreu alguns dias depois. O plano para eliminar Robert Sarah desmoronou junto com a vida do tirano. A vida do jovem arcebispo foi salva no último momento, como se o próprio Deus tivesse decidido escrever uma história diferente para ele.

Longe de se intimidar, Sarah viajou pelas aldeias mais esquecidas da Guiné naqueles anos perigosos, sustentando os fiéis na esperança e na fé. Ele conheceu em primeira mão o sabor da perseguição, do medo diário, do martírio silencioso que tantos católicos na África também sofrem hoje.

Hoje, em um momento em que a Igreja enfrenta o sequestro do padre Ibrahim Amos na Nigéria, e o recente assassinato do padre Sylvester Okekuohwu, não bastam discursos amigáveis e gestos de solidariedade. É necessária uma liderança que entenda que a fé é contínua a custar vidas em muitas partes do mundo, e não como uma estatística, mas como uma realidade vivida na carne.

Robert Sarah, que nasceu em uma aldeia de lama e extrema pobreza, que resistiu sob um ditador brutal e que foi quase eliminado pelo regime socialista, tornou-se um símbolo de uma Igreja que não se envergonha dos sofrimentos e que, em reuniões episcopais, não se curva à tirania do politicamente correto.

Jaime Gurgelgui

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