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domingo, 20 de abril de 2025

A Trindade Pan-Americana: por uma ordem geopolítica fundada na verdade, na liberdade e no amor ao todo que vem de Deus

 A ordem geopolítica pan-americana está em transformação. O que antes era marcado por uma cisão civilizacional entre dois mundos — o mundo anglo-saxão do Norte e o mundo ibérico do Sul — começa, sob a ação providencial e a maturidade das nações, a se configurar como uma unidade simbólica, espiritual e política. Essa unidade não é fruto de um projeto tecnocrático de integração continental, tampouco de uma uniformização globalista. Trata-se de uma conformidade superior: a conformidade com o Todo que vem de Deus.

Quando dizemos que as Três Américas — Anglo-Americana, Hispano-Americana e Luso-Americana — podem dialogar entre si, é porque elas começam a amar e a rejeitar as mesmas coisas. E este critério moral — o amor comum ao verdadeiro Deus e verdadeiro Homem, Jesus Cristo — é o único capaz de sustentar uma unidade verdadeira. Fora desse fundamento, toda tentativa de integração é artificial, inútil e, muitas vezes, perversa.

Essa nova visão é possível porque, antecipadamente, olhamos a política como uma extensão análoga da Trindade divina. Em Deus, Três Pessoas subsistem em perfeita união e distinção. No plano histórico e espiritual das Américas, essa analogia trinitária se revela no caráter simbólico de cada parte do continente:

I. A América do Norte: O Império da Liberdade

A cultura política americana, desde os "Federalist Papers" até os discursos de Abraham Lincoln, sempre exaltou a liberdade como princípio central da ordem social. No entanto, essa liberdade é verdadeira somente quando fundada na verdade — como reconheceu o Papa Bento XVI em suas obras. "A verdade vos libertará" (João 8,32) é também um princípio político. O uso da razão pública para defender a dignidade humana, o direito à vida e à propriedade, reflete essa dimensão do Verbo que ilumina todo homem.

Bibliografia recomendada:

  • The Federalist Papers, de Alexander Hamilton, James Madison e John Jay.

  • "Democracia na América" de Alexis de Tocqueville.

  • "Liberdade e Verdade" de Joseph Ratzinger (Bento XVI).

  • "A Cidade de Deus", de Santo Agostinho.

II. A América Hispânica: O Reino da Justiça

A colonização espanhola foi marcada pela influência da Segunda Escolástica, em especial pela obra de Francisco de Vitoria, que formulou os primeiros conceitos de direitos humanos e de direito internacional baseados no direito natural. A herança hispano-americana está profundamente ligada à ideia de uma ordem justa, não apenas em termos positivos, mas também em termos teológicos.

Bibliografia recomendada:

  • "Relectio de Indis" de Francisco de Vitoria.

  • "De Legibus ac Deo Legislatore" de Francisco Suárez.

  • "A Tradição Clássica do Direito Natural" de Heinrich Rommen.

  • "O Direito Natural e a História" de Leo Strauss.

III. A América Portuguesa: O Império do Espírito Santo

Portugal, desde a Batalha de Ourique, carrega a vocação de servir a Cristo em terras distantes. Essa missão foi transmitida ao Brasil não apenas como herança imperial, mas como missão espiritual. A idéia do "Império do Espírito Santo" — com fortes influências de Joaquim de Fiore — representa a esperança de uma comunidade moldada pelo amor e pela caridade divina, em contraposição à comunidade fictícia planejada pela maçonaria e pela engenharia social moderna.

Bibliografia recomendada:

  • "O Milagre de Ourique" (documentos históricos portugueses).

  • "História do Futuro" de Padre Antônio Vieira.

  • "A Filosofia da Lealdade" de Josiah Royce.

  • "O Jardim das Aflições" de Olavo de Carvalho.

  • "Reforma ou Revolução?" de Plinio Corrêa de Oliveira.

IV. Conclusão: Três Vocções, Uma Missão

A unidade entre as Américas não será feita por tratados comerciais ou por acordos de cooperação. Ela só pode acontecer em torno de um critério comum que transcenda a política ordinária: o amor ao verdadeiro Deus, à verdade e à liberdade ordenada. Trata-se de reconhecer que a história tem uma direção providencial e que a América, enquanto continente, pode realizar uma nova Cristandade, renovada, purificada e santificada pelas três vocações que recebeu: Liberdade, Justiça e Caridade.

Essa Trindade Pan-Americana é, pois, a única alternativa verdadeira à ordem globalista do Anticristo. Não uma utopia, mas uma possibilidade real, fundada na história, na fé e na razão.

 Que o Espírito Santo  que guiou os navegadores, os profetas e os santos do Novo Mundo  nos conduza agora à unidade verdadeira que só pode vir da verdade.

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