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segunda-feira, 21 de abril de 2025

Minnesota e a NBA: do Império dos Lagos ao Íbis das Neves

Se a história tivesse seguido outro rumo, talvez hoje o Minneapolis Lakers fosse comparado ao San Antonio Spurs: um time grande, com tradição vencedora, estabelecido num mercado mediano, porém estável. Mas a realidade seguiu o caminho da expansão — e, com ela, da perda.

Nos anos 1950, os Lakers de Minneapolis dominaram a NBA com o lendário George Mikan, conquistando cinco títulos e criando o molde do que seria uma franquia vitoriosa. Mas em 1960, de olho no mercado televisivo e na expansão da liga para o Oeste, a NBA permitiu (e encorajou) a mudança da equipe para Los Angeles, onde a marca Lakers se tornaria ainda maior, ironicamente mantendo o nome dos “Lagos” em uma cidade sem lagos.

Com isso, Minnesota perdeu seu império esportivo, algo raro numa liga que ainda preservava suas raízes locais. O vazio durou quase três décadas, até que, em 1989, os Timberwolves surgiram para devolver o basquete à terra natal dos Lakers.

Mas o que se seguiu foi um longo inverno — literalmente e esportivamente. Salvo a era Kevin Garnett, em que o time finalmente vislumbrou glória (com destaque para a campanha de 2003-04, final da Conferência Oeste), os Timberwolves se tornaram uma espécie de Íbis da NBA: temporadas vexatórias, decisões questionáveis no draft (como ignorar Stephen Curry em 2009), trocas desastrosas e uma instabilidade crônica na diretoria e comissão técnica.

Enquanto isso, a cidade manteve sua paixão pelo esporte. Minneapolis é uma cidade esportiva, com franquias na NFL, MLB, NHL e WNBA — sendo o Minnesota Lynx, inclusive, uma potência no basquete feminino. Ou seja: o povo de Minnesota merece mais do que um time perenemente em reconstrução.

O contraste é gritante. Se o Lakers tivesse permanecido, talvez tivéssemos visto uma dinastia silenciosa, à la Spurs: discretos, mas letais, com a tradição enraizada em um povo que ama o esporte. Em vez disso, temos um símbolo da transitoriedade e do desrespeito com os pequenos mercados: o time vitorioso migra para brilhar em outra costa, e quem sobra carrega o fardo da nostalgia — e da mediocridade.

Hoje, com o surgimento de Anthony Edwards e a presença de nomes como Karl-Anthony Towns e Rudy Gobert, há esperança de um renascimento. Mas o trauma permanece. Porque o Minnesota que fez nascer os Lakers merece mais do que um substituto enferrujado. Merece dignidade esportiva.

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