I. Ortega y Gasset: “Eu sou eu e minha circunstância”
José Ortega y Gasset estabelece que o homem não é substância isolada, mas realidade biográfica situada.
A circunstância não é cenário externo; é o conjunto de condições que:
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Limitam.
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Possibilitam.
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Convocam.
Ela é o “espaço vital” existencial — não no sentido geopolítico agressivo, mas no sentido ontológico: o campo no qual a vida deve decidir-se.
II. A dimensão horizontal: fronteira como possibilidade
A dimensão horizontal corresponde à:
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Expansão.
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Projeto.
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Futuro aberto.
É a fronteira como possibilidade.
Na chave gassetiana, isso é o horizonte de projetos. O homem é projetivo; vive antecipando-se.
Essa horizontalidade é:
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Liberdade.
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Escolha.
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Construção.
Ela corresponde ao eixo da ação.
III. A dimensão vertical: a fronteira como contingência
Mas há também a verticalidade.
Ela é:
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Limitação.
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Condição dada.
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Facticidade.
Não escolhemos:
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O tempo histórico.
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A cultura.
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A geografia.
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A estrutura política.
Isso é contingência.
Se a horizontal é projeto, a vertical é peso.
IV. A cruz existencial
O cruzamento dos dois eixos — horizontal (possibilidade) e vertical (contingência) — forma a estrutura dramática da vida.
Não é metáfora superficial: é estrutura existencial.
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O eixo horizontal sem vertical vira abstração.
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O eixo vertical sem horizontal vira fatalismo.
A intersecção é responsabilidade.
Aqui a leitura se aprofunda: a circunstância não é apenas o que me limita, mas o que me obriga a responder.
V. Szondi e o destino
Leopold Szondi introduz a ideia de destino como estrutura pulsional herdada que se atualiza nas escolhas.
Ele distingue:
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Destino compulsivo.
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Destino escolhido.
A circunstância oferece encontros. A biografia decide como integrá-los.
VI. Mário Ferreira dos Santos e a integração pessoal
Mário Ferreira dos Santos trabalha a ideia de integração dialética:
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A realidade não é negada.
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É integrada hierarquicamente.
Se aplicarmos isso:
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A circunstância não deve ser combatida cegamente.
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Deve ser assumida e ordenada.
Criar “pontes” é integrar contingência ao projeto.
VII. Espaço Vital Reinterpretado
O conceito geopolítico de espaço vital, quando transposto para Ortega, perde seu caráter expansionista e ganha dimensão existencial:
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Espaço vital = conjunto de circunstâncias dadas.
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Fronteira horizontal = campo de ação possível.
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Fronteira vertical = limite estrutural.
O destino emerge da síntese ativa.
VIII. Aplicação à cultura econômica
Se voltarmos aos jogos de simulação:
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A fronteira americana representa predominância horizontal.
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A tradição germânica enfatiza verticalidade institucional.
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A vida concreta exige ambos.
No plano pessoal:
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Você não escolhe sua época.
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Mas escolhe como operar nela.
Essa é a cruz.
Conclusão
Na chave gassetiana:
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A circunstância é o seu espaço vital.
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A horizontalidade é seu projeto.
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A verticalidade é sua condição.
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O destino é a integração ativa entre ambos.
E aqui há um ponto decisivo: o homem não carrega a cruz como vítima da circunstância, mas como agente que a transforma em biografia.
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