Durante o período inicial da Revolução Industrial, a Inglaterra apresentou indicadores sociais e econômicos que a destacaram em relação a outros países europeus.
No século XVIII, o país registrou uma das maiores mobilidades sociais de seu tempo, com trabalhadores passando da condição de operários à de proprietários de negócios e contribuindo para a formação de uma ampla classe média — aspecto estrutural do processo de industrialização raramente enfatizado no ensino básico brasileiro.
Por volta de 1800, a renda média inglesa era pelo menos o dobro da observada em outras nações europeias. Entre 1750 e 1831, a população britânica aumentou de cerca de 6 milhões para 14 milhões de habitantes, crescimento associado principalmente à queda das taxas de mortalidade, que diminuíram aproximadamente 41% entre 1740 e 1821.
Inovações técnicas tiveram papel relevante nesse processo. A semeadeira mecânica, inventada em 1701 e difundida a partir de meados do século XVIII, ampliou a produtividade agrícola e aumentou a oferta de alimentos, contribuindo para a redução de preços e para maior segurança alimentar.
Antes da industrialização, a maior parte da população europeia vivia em pobreza estrutural, com altas taxas de mortalidade infantil e epidemias recorrentes. Com a expansão produtiva, bens antes restritos à elite — como roupas mais resistentes, calçados duráveis e livros — passaram a ser produzidos em larga escala e vendidos a preços mais acessíveis.
O trabalho infantil, frequentemente tratado como fenômeno típico das fábricas industriais, já existia em diversas civilizações antigas e medievais. Registros históricos mostram crianças trabalhando em sociedades como Egito, Grécia, Roma e Europa medieval. A diminuição gradual dessa prática ocorreu quando o aumento dos salários familiares permitiu sustentar filhos sem depender do trabalho deles.
O período também coincidiu com avanços científicos e tecnológicos relevantes. Entre exemplos frequentemente citados estão a máquina a vapor desenvolvida em 1765 e a vacina contra a varíola criada em 1796. Décadas depois, novas descobertas médicas ampliaram o impacto das transformações científicas iniciadas nesse contexto.
Além disso, houve expansão de profissões especializadas e surgimento de novos campos acadêmicos, como sociologia e psicologia, acompanhando a ampliação do ensino formal e da produção intelectual.
No século XX, alguns países que adotaram economias socialistas registraram escassez de produtos, restrições à escolha profissional e punições legais relacionadas ao desempenho laboral. Entre 1940 e 1955, mais de 36 milhões de pessoas foram condenadas na União Soviética por faltas ou atrasos no trabalho, e cerca de 250 mil foram executadas.
Bibliografia comentada
📘 The British Industrial Revolution in Global Perspective — Robert C. Allen
Estudo quantitativo que analisa salários, preços e produtividade para explicar por que a Revolução Industrial começou na Inglaterra. Destaca fatores econômicos estruturais, como custos de energia e mão de obra.
📘 The Enlightened Economy — Joel Mokyr
Interpretação que enfatiza o papel das ideias, da ciência aplicada e da cultura intelectual do Iluminismo como motores das inovações tecnológicas.
📘 The Age of Revolution — Eric Hobsbawm
Clássico da historiografia social que contextualiza a Revolução Industrial dentro das transformações políticas e sociais globais entre 1789 e 1848.
📘 The Making of the English Working Class — E. P. Thompson
Obra fundamental para compreender a formação da classe trabalhadora inglesa, suas experiências culturais e condições sociais durante a industrialização.
📘 Bourgeois Dignity — Deirdre McCloskey
Defende que mudanças culturais e valorização social do comércio e da inovação foram decisivas para o crescimento econômico moderno.
📘 A Farewell to Alms — Gregory Clark
Analisa a história econômica de longo prazo e argumenta que a Revolução Industrial representou ruptura inédita com milênios de estagnação material.
📘 Modern Times — Paul Johnson
Panorama histórico do século XX que inclui análises críticas de sistemas políticos e econômicos modernos, frequentemente citado em debates sobre capitalismo e socialismo.
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