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domingo, 14 de fevereiro de 2016

Notas sobre a cooperação tecnológica

1) Quando vários países são tomados como se fossem um mesmo lar, o desenvolvimento tecnológico desses países focará mais aquilo que está dentro de suas circunstâncias geográficas e sociais. O desenvolvimento tecnológico deixa de ser algo padronizado e se torna diverso, pois o clima e a diversidade cultural favorecem o desenvolvimento de nichos. E as boas idéias de modo a resolver os problemas mais básicos nas circunstâncias locais podem ser aproveitadas em outros lugares, desde que adaptadas para a realidade desses países importadores da inovação tecnológica.

2) Eis aí outra grande vantagem dos diplomatas perfeitos, os que eventualmente possuem dupla nacionalidade e que tomam países tão distintos, como Brasil e Itália, como se fossem parte de um mesmo lar. Conhecendo as duas circunstâncias, eles tendem a centralizar num único sistema aquilo que é necessário para desenvolver uma pesquisa comum, que tenda a algo universal. E é esse conhecimento que vai fazendo a diferença.

3) A cooperação tecnológica de um País A e B depende de uma comunidade formada de cidadãos de A em união com B. Se não houvesse isso, não haveria a universalização do conhecimento.

Notas sobre a atividade intelectual organizada

1) Aproveitando a idéia do meu contato Fernando Rodrigues Batista, eu vou tentar construir um diário de leituras, copiando diretamente do livro tudo o que julgar relevante. Do que for destacado, farei análises quanto a isso, tal como fiz em alguns pontos dos Princípios de Economia Política, de Carl Menger.

2) idéia é muito boa e vou tentar tirar um dia ou outro para isso. Afinal, preciso ficar desconectado da internet de tempos em tempos, seja para efeito de leitura, seja para efeito de sistematização das idéias produzidas.

3) Antes da rede social, para se escrever algo edificante, eu precisava buscar o conhecimento e centralizar toda a informação dispersa em mim, de modo a produzir uma informação de qualidade. Isso era trabalhoso e caro - e a produção não era muito grande e consistente.

4) Com o advento da rede social, eu não preciso mais ter que correr atrás da informação - a informação vem naturalmente a mim. Basta que eu me associe a todos aqueles que amam e rejeitam as mesmas coisas, tendo por Cristo fundamento.

5) O advento da rede social gerou uma divisão do trabalho intelectual, de modo a que pudesse surgir think tanks, pessoas jurídicas de direito privado cujos empregados são regidos pela CLT e cuja relação de emprego se dá através da internet e da rede social, o que no direito se chama trabalho à distância ou teletrabalho. Esses empregados se especializam com base no que sabem fazer de melhor: alguns compartilham notícias, há outros que fazem análises, há outros que compartilham suas leituras e assim sucessivamente. O grande segredo é filtrar o que realmente interessa. Diante dessa divisão do trabalho, passei a produzir muito mais do que produzia, pois passei a escrever muito mais do que escrevia. Passei a escrever artigos melhores, mais consistentes.

6) Vai chegar um dia em que precisarei de um computador desconectado da internet de propósito, de modo a que eu faça o trabalho de sistematização das idéias. Pois o grande trade-off da rede social é que ela te distrai deste trabalho importante. Enquanto estou focado neste trabalho, muita informação corre solta, paralelamente a esse trabalho - e tudo o que realmente interessa acaba se perdendo. Por isso que o apoio desses colaboradores é muito importante, se a atividade intelectual se tornar uma atividade econômica organizada - e isso só é possível com a ação da livre iniciativa, coisa que o governo tanto reprime.

sábado, 13 de fevereiro de 2016

Para se escrever bem, é preciso uma vida interior muito rica

1) Um escritor necessita de uma vida interior muito rica, de modo a escrever bem.

2) Uma das melhores formas de se desenvolver bem esse trabalho é viver a vida na clausura da própria casa, fazendo-a seu mosteiro. Por isso, viva a vida em conformidade com o Todo que vem de Deus e vá rezando e meditando sobre cada linha de tudo o que você lê ou ouve por aí. Uma vida reta, uma fé reta e uma consciência reta é fundamento para um trabalho muito fecundo. 

3) Você não precisa ler muito para saber das coisas - basta meditar sobre o pouco que se aprendeu e ter muito senso de empiria sobre as coisas. A assistência do Santo Espírito de Deus ajuda a separar a verdade da mentira.

4) Se você leu muito numa fase da vida, na outra você escreve fundado no que você lembra, com base que você já leu ou já ouviu falar. Quando se medita, você passa a ter algo mais fundamentado e qualificado do que aquilo que se funda em leitura demasiada, pois ter a ajuda do Espírito Santo para se escrever pede retidão e nem sempre isso é fácil de ser conseguido. E só por isso tem mais valor - pois a sabedoria não necessita da citação de uma vasta bibliografia. Ela precisa de uma alma cultivada - e só.

José Octavio Dettmann

Rio de Janeiro, 13 de fevereiro de 2016 (data da postagem original).

Notas sobre o comunitarismo editorial

1) Uma editora nasce de modo a atender a comunidade dos que lêem obras de um autor ou de autores que a ele estão associados, tendo por Cristo fundamento.

2) Sem essa comunidade dos leitores, fundada na verdade em Cristo, jamais haverá desenvolvimento cultural, muito menos aperfeiçoamento do idioma, de modo a ser uma santa ferramenta que leva o povo a tomar o seu país como se fosse um lar, em Cristo.

3) A santificação do vernáculo depende da santificação do trabalho do escritor e da capacidade que este tem de pescar homens através de seus escritos. 

4) A dessacralização da língua, por meio de constantes deformações ortográficas, leva à apatria sistemática. Pois a ignorância forjada é uma contra-cultura, já que visa conservar o que é conveniente e dissociado da verdade, fundado na mentalidade revolucionária. Nada é mais diabólico do que isso.

Para se acabar com a cultura de massa, é preciso quebrar o paradigma da impessoalidade

1) Se o marxismo é uma cultura, então ela depende da cultura da liberdade fora da liberdade em Cristo, do fato de que todos têm direito à verdade que quiserem, coisa que foi edificada pelos libertários. E isso leva a uma cultura de massa, que não forma indivíduos - ela apenas entretém as massas de modo a que elas não se revoltem ante ao tédio e à miséria deste mundo em que nos encontramos, completamente descristianizado.

2) O direito de publicar qualquer coisa que quiser - sem depender de permissão ou licença expressa e fundado no fato de que todos têm o direito à verdade que quiserem - criou a cultura de massa. O livro, o disco, qualquer artigo cultural que seja, será precificado no mercado e vendido pelo preço estipulado em loja - e o escritor viverá de seus direitos autorais e não daqueles que ajudou a converter para a verdade, fundado no fato de que todos amam e rejeitam as mesmas coisas, tendo por Cristo fundamento. Com isso, a escrita perdeu o seu caráter evangelizador e passou a ter fins mercenários - e isso transforma a língua num instrumento mercenário, a tal ponto de que qualquer um pode modificá-la por meio de uma penada, através da colaboração da academia brasileira de letras, ocupada por esquerdistas.

3) O escritor tornou-se uma profissão comercial como outra qualquer, e não uma arte, um ofício que leva às pessoas mais próximas a terem consciência daquilo que é verdadeiro e conforme o Todo que vem de Deus. Enfim, a impessoalização da arte, enquanto conseqüência direta da industrialização da cultura, levou ao relativismo moral. Por conta do amor ao dinheiro e por conta da tendência de não se acreditar em fraternidade universal, os editores e os críticos literários mais corruptos, associados a escritores igualmente corruptos, tendem a promover verdadeiros artistas subversivos - e o lixo acaba se tornando luxo, a ponto de o falso, o vazio, ser tomado como se fosse verdade.

4) Certos ofícios, por conta de sua natureza evangelizadora, não podem se render ao deus do dinheiro. O escritor, para semear a verdade, precisa ser mantido através de doações regulares de todos aqueles que ajudou a converter para a verdade, de modo a viverem a vida em conformidade com o Todo que vem de Deus - por isso que escrever é um tipo de sacerdócio. Se os meios de ação real são limitados, então o escritor, para ser bem-sucedido, precisa ser um professor que ensina aos seus pares por escrito - por isso, ele deve servir a todos aqueles que amam e rejeitam as mesmas coisas, tendo por Cristo fundamento. Só por meio de muito trabalho é que ele constrói a comunidade fundada por todos aqueles que vivem a vida em conformidade com o Todo que vem de Deus, tendo por referência o trabalho desse escritor em particular, como vemos em Chesterton ou em Tolkien, por exemplo.

5) É através dessa comunidade construída que temos a sistematização do trabalho escrito, na forma de livros. E esses livros são distribuídos a toda a população, que remunera todo o esforço organizado do escritor. Por isso que, quando essa comunidade é construída, o editor se organiza numa pessoa jurídica, passando a editar livros e a revelar talentos que necessitam de sua proteção e assistência.

6) Nenhuma editora existe sem existir o trabalho do escritor. E a partir do momento em que as editoras passam a amar mais o dinheiro do que a evangelização por escrito, aí é que a cultura morre, pois deixa de ser livre. E a morte da cultura começa pelas relações impessoais de mercado entre escritor e mercado, coisa que passa pelo intermédio de um agente literário. Eis aí a tragédia provocada pela indústria cultural.

Sempre haverá pobres entre nós

1) Sempre haverá pobres entre nós:

1.1) Em primeiro lugar, os pobres que Deus ama, ricos em humildade e sensatez. Esses conseguem antever a sabedoria divina quando ouvem alguém sensato falar ou ver alguém sensato escrever alguma coisa a respeito disso. Antes de conseguir a riqueza material, eles buscavam a riqueza espiritual - e para isso trabalhavam duro, nas duas frentes.

1.2) Em segundo lugar, os pobres que Deus não quer, ricos em dinheiro, mas pobres de espírito. Esses gastam sua energia buscando edificar liberdade fora da liberdade em Cristo, conservando o que é conveniente e dissociado da verdade. Acham que todos têm a verdade que quiserem e que o dinheiro é sinal de salvação, pois acham que foram predestinados a serem salvos, pois acham que Deus de antemão dividiu o mundo entre eleitos e condenados. Por isso que esses pobres protestam contra Deus e contra a razão. Eis aí os bem nascidos, que buscam fundar uma sociedade de bem nascidos cujo critério de salvação se dá por sabedoria humana dissociada da divina, ao se interpretar a palavra de Deus do jeito como achar melhor - eis aí a ordem do aborto, pois a verdade, aquilo que se funda na eternidade, foi retirada da ordem pública e ficou restrita a um pequeno círculo privado, incapaz de se expandir por si mesma.

Tradição implica pessoalidade sistemática

1) O sentido da tradição implica pessoalidade - e isso se mantém constante, mesmo com a sucessão constante das pessoas ao longo do tempo e dos lugares.

2) Jesus falou para 12 - esses falaram para mais alguns, que vieram a ser os primeiros cristãos. Esses falaram para mais alguns - e assim sucessivamente.

3) Todos aprenderam a seguir a Cristo seguindo aquilo que os apóstolos ensinaram, pois eles aprenderam diretamente com Ele.

4) Hoje escrevo para alguns que estão tomando a experiência diretamente comigo. Esses meus primeiros alunos vão passar o que aprenderam comigo a mais alguns. E esses passam para outros - e assim se vai, sucessivamente falando.

5) Se meu leitor de uma geração futura ler o que falo é porque ele aprendeu de alguém que foi meu discípulo. Ele sabe que falo para os sensatos - tanto para os que estão vivos no meu tempo quanto para os que não nasceram ainda. Amo o que não conheço como se fosse meu irmão, se esse amar e rejeitar as mesmas coisas tendo por Cristo fundamento. Esse estará no mundo sem ser apegado às coisas do mundo - e esse será o meu leitor, aquele que é digno de me ouvir, mesmo eu estando morto.

6) Eis aí a grande diferença. A pessoalidade fomenta uma tradição e sua construção é lenta, mas segura; a impessoalidade atende a todos indistintamente, pois parte do pressuposto de que todos têm a sua própria verdade - e o resultado será o relativismo moral. Nada que é mais rápido do que a velocidade da luz tem valor.