Durante muitos anos, eu considerava praticamente impossível cumprir a recomendação de ler cerca de oitenta livros por ano, dada pelo professor Olavo de Carvalho. O principal obstáculo não era apenas o tempo dedicado à leitura propriamente dita, mas todo o trabalho envolvido no acesso e na consulta às obras.
Essa percepção começou a mudar quando, por ocasião da organização da declaração do imposto de renda de 2026, minha mãe encontrou um vídeo ensinando a utilizar o smartphone como scanner por meio do WhatsApp e o compartilhou comigo. Transcrevi o conteúdo do vídeo no Turboscribe e o Chat GPT resumiu o texto em instruçções passo-a-passo a ponto de ser capaz de reproduzir o procedimento com perfeição.
A partir daí, o smartphone deixou de ser apenas um telefone e passou a integrar meu método de estudo. Como eu já possuía experiência utilizando tripé com câmera digital, adquiri um tripé específico para smartphone na Shoppe. Com o apoio de um peso de papéis para manter livros de bolso abertos, eu agora consigo digitalizar obras com uma qualidade que antes era difícil alcançar com a câmera digital tradicional.
Outro aspecto que me chamou a atenção foi a inteligência do scanner do Whatsapp. Mesmo quando o livro é fotografado de cabeça pra baixo, o sistema identifica automaticamente a orientação correta da página, corrige a perspectiva e acaba produzindo imagens prontas para o processamento. Posteriormente, utilizo o Snapter para tratar as fotografias e, depois de concluída a captura de todas as páginas, organizo-as em um único arquivo PDF destinado exclusivamente ao meu estudo.
Eu agora conheço alguns sites de inteligência artificial capazes de ler e-books em voz alta - o que ampliou significativamente minhas possibilidades de estudo. Posso ouvir uma obra atentamente em momentos apropriados e marcar as páginas que considero relevantes para depois submetê-las à análise da IA para esclarecer conceitos, identificar relações com outros autores e confrontar diferentes fontes.
Na prática, o fluxo de trabalho passou a ser composto por cinco etapas: digitalização, tratamento das imagens, geração do PDF, leitura em voz alta e análise crítica assistida por inteligência artificial. Cada ferramenta executa uma função específica, reduzindo o tempo gasto com tarefas mecânicas e permitindo concentrar maior esforço na compreensão do conteúdo.
Essa experiência modificou minha percepção sobre a recomendação de ler um grande número de livros por ano. O que antes me parecia uma meta praticamente inalcançável pelos métodos tradicionais tornou-se tecnicamente viável graças à integração entre dispositivos móveis, aplicativos de digitalização e inteligência artificial. A tecnologia não substitui o estudo sério nem a reflexão pessoal, mas elimina grande parte das barreiras operacionais que dificultavam o acesso ao conhecimento.
Por fim. compreendi que o maior benefício dessas ferramentas não está apenas na quantidade de livros que se consegue percorrer, mas na possibilidade de transformar a leitura em um processo contínuo de pesquisa, revisão, comparação de ideias e aprofundamento intelectual.
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