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quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Para se ler um texto, você precisa adaptá-lo ao seu jeito de escrever

1) Quando me são mandados textos para que eu os aprecie, eu tenho o hábito de lê-los como se fosse um escritor.

2) Eu adapto o texto do autor ao meu jeito de escrever, como se eu tivesse escrito aquele texto - eu enumero os parágrafos, simplifico sua linguagem e só aí eu leio.

3) Esses textos que adapto para mim servem de referência para a minha produção textual. Quando faço esses textos dialogarem, eu geralmente coloco a versão modificada e os meus textos, de modo a que as pessoas vejam as coisas na conformidade com o Todo que vem de Deus.

4) Alguns tolos acham que a adaptação é uma forma de perversão, ao alegarem que o estilo é o homem. Se o texto escrito foi feito num estilo ruim, então o homem é ruim - e para eu lê-lo, eu preciso vê-lo como um irmão em Cristo - e isso implica emprestar meus dons de modo que a verdade contida naquele texto de estilo ruim fique ainda mais evidente. E ele passará a ser uma pessoa melhor, ao emprestar meus dons a ele.

5) A cultura da permissão é um ato de vaidade. Se a verdade se impõe por si mesma, então eu devo modificar os textos, de modo a que a verdade seja dita do modo mais evidente possível. Eis aí a licença que nós, escritores, temos - é nossa prerrogativa e devemos bem exercê-la.

Escreva de forma simples e direta - e de uma maneira organizada

1) Eu tenho visto muitos textos bons, escritos da maneira corrida - e dentre os que li, alguns são de um português muito sofisticado, mais preocupado com razões estéticas do que com a verdade contida no discurso. Pura vaidade! Isso pode levar um escritor ao fogo eterno!

2) Ressalvado o que já falei quanto ao estilo corrido, aprendido em nossas escolas, escrever textos em estilo sofisticado, fundado no juridiquês ou no estilo acadêmico, é extremamente ineficaz. Se nós vivemos a vida em conformidade com o Todo que vem de Deus, então precisamos dizer as coisas do modo mais simples e direto. 

3) Todo escritor precisa ser como Cristo, ao escrever. Diga as coisas do modo mais simples e direto. Às vezes, é preciso dizer as coisas em forma de parábola; às vezes, você precisa escrever na forma de dissertação, como costumo fazer habitualmente - quanto mais simples e direto você for, mais você permitirá que a verdade se imponha por si mesma, já que isso edifica ordem pública.

4) Todo texto escrito é um ato de evangelização - por isso, escreva do modo mais direto e simples possível. E todo texto eficaz precisa de eficiência, de texto organizado - por isso que falo tanto em escrever na forma em que as encíclicas papais foram escritas. Escreva textos curtos e só se alongue se for necessário.

5) Escrever de forma simples é lutar contra o pecado da vaidade todos os dias. É um ato de penitência, além de ser um apostolado da diversão. Quem é que não gosta de um texto simples e muito bem escrito, agradável e fácil de ler?

Notas sobre a vantagem de se enumerar textos, mais ou menos da forma como eu faço

1) Quando você enumera os seus parágrafos, você cria uma referência. Além de isso ajudar na leitura, ele permite a retomada da mesma mais tarde, a partir do ponto em que paramos. Isso faz com que um texto muito longo continue sendo lido, pois você vê nele uma noção de progresso - quanto mais você progride na leitura, mais você se aprofundará. 

2) Uma outra vantagem da enumeração do parágrafo está no fato de que um argumento usado no texto X, se combinado a um outro argumento de um texto Y, pode gerar um texto Z, que aborda novas nuances e permite explorar outros territórios desconhecidos. A própria enumeração do texto favorece a engenharia reversa, no sentido de você entender o que está nele posto. É mais ou menos como fazemos com engenharia reversa de software - a enumeração leva à criação de breakpoints, que podem ser aproveitados em outros softwares, uma vez entendido o comportamento do software dentro daqueles parâmetros estabelecidos.

3) Além disso, o próprio parágrafo enumerado pode ser dividido em subenumerações, de modo a ficar mais curto e mais organizado.

4) Quando se enumera tópicos, você cria um sistema de artigos que trabalham de maneira coordenada de modo a produzir um livro ou uma sentença, um conjunto de impressões que te levam a conformidade com o Todo que vem de Deus e que te fazem obedecer à palavra do Criador, ao reconhecer a força invisível da lei natural, fundada na verdade, pois Cristo é exatamente isso: a verdade. O próprio reconhecimento disso cria a obrigação para que os outros a sigam, se eles amam e rejeitam as mesmas coisas tendo por Cristo fundamento. E a justiça neste aspecto acaba se distribuindo por conta da força da sabedoria e do exemplo, por conta de sua finalidade pedagógica.

5) Quando não se tem o hábito de enumerar parágrafos, a coesão textual tende a desaparecer e leitura tende a se tornar enfadonha, chata.

6) Se para escrevermos bem precisamos de um bom modelo a ser imitado, então imitemos os autores de patrística ou as encíclicas papais, quanto ao estilo de enumerar os textos. O texto corrido, aprendido nas escolas, é só falatório - e quanto mais longo e maçante for, mais irrelevante ele se torna.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Notas sobre a terceirização do poder

1) Se a estrutura de poder do Estado tende a delegar poderes, então ela tende a criar pessoas jurídicas. E essas pessoas de direito público, quando são numerosas, levam ao institucionalismo, o que marca o republicanismo, enquanto fenômeno da impessoalidade. A institucionalização se funda nas necessidades do Estado e é indiferente se o beneficiado pela delegação do poder é competente ou não para a tarefa a ser feita.

2) Na república, a acefalia da Chefia de Estado é mascarada pelo institucionalismo, pois não há quem exerça o controle finalístico da instituições, através do poder moderador, que tem também aparatos administrativos. Como não há ninguém a ser imitado, e como os componentes das instituições são constantemente substituídos uns pelos outros, então a tendência é elas não oferecerem resistência quando algum tirano assume o poder, uma vez que os órgãos das pessoas jurídicas de direito público tendem a ser preenchidos por pessoas que fazem do carreirismo um meio de vida e que tendem a tomar seus cargos como se fossem propriedade privada. Somada à certeza da impunidade, esses tiranos tendem a abusar do poder, pois não há uma pessoa, um juiz que refreie esse apetite fundado na fisiologia e no carreirismo.

4) A iniciativa privada tende a imitar a estrutura de poder da iniciativa pública, pois o trabalho da empresa, se impessoalizado e fundado no amor ao dinheiro, se torna uma entidade de iniciativa pública, que tende a se associar com o governo do país. Essa parceria leva a gerar uma oligarquia e a concentrar poderes em poucas mãos, a partir do momento em que empresários e governo tendem a ser sócios. Eis a terceirização do poder político.

5) Como concentrar tudo nas mãos do Estado leva ao colapso do regime totalitário, então a única maneira de se mascarar o totalitarismo se dá através da associação das grandes empresas com o governo. E as atividades de uma Odebrecht da vida tendem a se tornar um longa manus da tirania presidencial, naquilo em que o Estado não é capaz de fazer. E a gênese do Estado empresarial se dá justamente nisso, nessa associação oligárquica,. Por isso que o capitalismo prepara o caminho para o comunismo, pois a associação de monopólios tende a concentração de poder.  

6) Enfim, o Estado empresário não se dará mais na forma de empresas públicas, coisa que marcou o Estado Novo, mas sim da associação de grandes empresas privadas, que possuem concessões do governo, com os eventuais detentores do poder. O regime será todo baseado na corrupção e no conluio.

A terceirização nasce da delegação sistemática do Poder

) O processo de descentralização do poder de direção da empresa começa a partir do momento em que você delega poderes a empregados de confiança - eles são tão competentes no que fazem que é mais conveniente para a empresa torná-los sócios.

2) O empregado convertido em sócio mantém os vínculos com o seu antigo chefe, embora ele tenha mais liberdade para abrir sua própria empresa, cuja atividade complementa a atividade-fim de seu antigo empregador.

3) É mais ou menos a mesma lógica quando se trata das cidades, quando os recursos são escassos ou quando há uma oportunidade de modo a colonizar outros mundos e povoá-los. Certos cidadãos da antiga cidade - os mais corajosos, os mais empreendedores -  vão para outros lugares e fundam uma nova cidade - e essa nova cidade se desenvolve prestando serviços á cidade antiga, através do comércio.

4) A atividade comercial é um território como um outro qualquer. Se a empresa é uma cidade, a fundação de outras empresas que completam a atividade da empresa cria uma região metropolitana, se concebermos a atividade econômica como se fosse uma terra a ser povoada e colonizada. A terceirização, fundada na manutenção dos antigos laços de lealdade e reciprocidade, leva a um colonialismo econômico, no sentido positivo do termo.

5) Essa terceirização não se confunde com a terceirização impessoal, viciada em valores libertários, fundados no fato de que a empresa A tem a sua verdade, onde a sua atividade-fim é como se fosse a expressão máxima dessa verdade - e a empresa B tem a sua atividade fundada nisso também. Quando o dinheiro fala mais alto, essas empresas se associam, da mesma forma como rompem as suas relações.

6) Dentro da tradição cristã, em que a relação subordinada tende a se tornar societária, a terceirização pode levar ao comunitarismo, um outro aspecto do distributivismo.

Nosso poder é limitado por conta do dom que Deus nos deu

1) Uma coisa que gostaria de aprender, se tivesse capacidade para isso, é engenharia reversa de software - nisso aprenderia muita coisa sobre como funcionam os meus softwares preferidos - além disso, poderia criar meu próprio snapter e softwares que usaria só pra mim.

2) Conhecimento é poder - mas o fato de ter o dom da escrita e ser incapaz de compreender a linguagem de programação limita-me o poder àquilo que deve ser feito dentro daquilo que é conforme o Todo que vem de Deus.

3) A simples alegação de que conhecimento é poder remonta ao fato de que o homem poder ser um Deus - e isso leva ao pressuposto de que todos os homens são iguais. Isso não é correto, pois cada homem tem um dom dado por Deus - uns plantam, outros têm habilidades manuais, uns sabem cantar, outros sabem escrever, uns sabem pintar, uns têm o dom de línguas e os outros de interpretá-las, a ponto de traduzi-las. Se a base do poder está dispersa em toda a sociedade, então a base do conhecimento está dispersa na sociedade. Deus deu vida em abudância e distribuiu esses dons, dentro de suas circunstâncias. 

4) Se o conhecimento deve ser buscado, então ele deve ser buscado fundado no fato de que devemos amar e rejeitar as pessoas tendo por Cristo fundamento. Certas coisas são dignas de se aprender, quando são compatíveis com a atividade-fim do seu trabalho - e o serviço de certas coisas deve ser tomado, quando o dom não é compatível com fim da atividade organizada, mas que é essencial para o desenvolvimento da mesma. Por isso que a chamada de outras pessoas estranhas à atividade da empresa é chamada de terceirização - e isso implica um outro tipo de sociedade fundada na associação de várias sociedades por conta da integração da atividade-meio e da atividade-fim. É um mundo novo - e uma meditação sobre isso se faz necessária e urgente. 

Notas sobre o trabalho do Olavo

1) Olavo pode usar o vídeo para gravar suas aulas porque ele tem uma larga experiência como jornalista - e combinada com a sua experiência de filósofo, ele ensina as coisas ao maior número de pessoas possível, uma vez que a situação em que nos encontramos no Brasil precisa ser mudada de maneira urgente.

2) Ele sabe que o mar da impessoalidade é um mar traiçoeiro e perigoso, o mais perigoso dentre todos os mares que os portugueses já navegaram antes. Ele abraçou esse risco e seguiu em frente.

3) Ele conseguiu achar terra e nessa nova terra, nesse novo Brasil, ele continentalizou almas - e isso é uma outra qualidade do Olavo. Para exercer essa coragem pessoal, ele teve de abraçar uma cruz cujo madeiro é de chumbo - a das almas massificadas fundadas nos pseudovalores da Europa Continental: positivismo, republicanismo, conservantismo, salvacionismo, marxismo - enfim, tudo o que não presta. A continentalidade do Brasil é o berço onde as piores idéias sempre prosperam - e foi nelas que as idéias mais nefastas da Europa continental ganharam força, a ponto de os virtuosos viverem ilhados num mar sem fim de medíocres.