A expressão "Revolução Industrial" costuma sugerir uma ruptura. A maior prova disso é que a própria palavra "revolução", empregada na historiografia moderna, remete à ideia de uma transformação súbita, capaz de alterar profundamente a ordem política, econômica ou social.
Entretanto, essa percepção talvez seja menos adequada para se compreender o fenômeno histórico da industrialização europeia do que para descrever acontecimentos como a Revolução Francesa, pois nas últimas décadas, diversos historiadores econômicos têm demonstrado que aquilo que convencionamos chamar de Revolução Industrial foi, em grande medida, o resultado visível de processos iniciados muitos séculos antes, pois a indústria moderna não surgiu do nada, já que foi um processo que amadureceu muito llentamente, acompanhando a evolução das instituições, das técnicas, dos mercados e das formas de organização da sociedade.
Essa perspectiva aproxima autores que, embora pertencentes a tradições intelectuais distintas, convergem na valorização da história de longa duração. Entre eles destacam-se Fernand Braudel, Jan Luiten van Zanden, Douglass North, Joseph Schumpeter e, em outro plano, Ludwig von Mises.
A longa duração como método
Fernand Braudel revolucionou a historiografia ao propor que a história fosse compreendida segundo diferentes temporalidades: os acontecimentos políticos pertencem ao tempo curto; as conjunturas econômicas desenvolvem-se em décadas, ao passo que as grandes estruturas da civilização — geografia, instituições, costumes, formas de produção, mentalidades e técnicas — pertencem ao tempo da longue durée.
Segundo essa perspectiva, os eventos deixam de ser considerados causas absolutas da história, uma vez que se tornam manifestações superficiais de movimentos muito mais profundos.
A Revolução Industrial pode ser interpretada exatamente dessa maneira, pois ela não representa o nascimento da economia moderna, mas a exteriorização de estruturas que vinham amadurecendo ao longo de muitos séculos.
Jan Luiten van Zanden e as raízes medievais da industrialização
É precisamente essa a contribuição de Jan Luiten van Zanden em The Long Road to the Industrial Revolution, pois sua investigação desloca a pergunta tradicional: em vez de perguntar por que a Inglaterra industrializou-se primeiro, procura compreender como a Europa construiu, desde aproximadamente o ano 1000, as condições institucionais necessárias para que a industrialização fosse possível.
Nesse percurso destacam-se:
- crescimento das cidades;
- fortalecimento das corporações urbanas;
- expansão do comércio;
- desenvolvimento dos mercados de trabalho;
- aperfeiçoamento dos direitos de propriedade;
- aumento gradual da produtividade agrícola;
- ampliação da especialização econômica.
A industrialização deixa de ser um fenômeno isolado do século XVIII e passa a constituir o resultado cumulativo da própria civilização medieval. Essa conclusão aproxima Van Zanden de autores como Jean Gimpel e Robert Lopez, que igualmente destacaram o dinamismo econômico da Idade Média.
A contribuição institucional
Essa leitura também converge com Douglass North, pois segundo esse autor o crescimento econômico depende da qualidade das instituições, uma vez que ela reduzem custos de transação, tornam previsíveis as relações econômicas e permitem que indivíduos realizem investimentos de longo prazo.
Van Zanden fornece justamente a reconstrução histórica desse processo, pois as instituições não aparecem prontas - ela são construídas lentamente, uma vez que cada geração acrescenta um elemento à arquitetura institucional recebida das gerações anteriores e a economia torna-se, portanto, consequência de um longo processo civilizacional.
Schumpeter e a continuidade do capitalismo
Joseph Schumpeter acrescenta outra dimensão importante: muito embora seja lembrado principalmente pela teoria da destruição criadora,ele também costumava isnsitir na idéia de que o capitalismo europeu possuía profundas raízes medievai, pois o banco; o crédito; a contabilidade; as cidades comerciais; as feiras internacionais, tudo isso antecede muitos séculos antes das fábricas inglesas.
A inovação tecnológica da Revolução Industrial, portanto, somente pôde florescer porque encontrou uma infraestrutura institucional previamente consolidada.
O significado de "revolução"
Essa interpretação convida a refletir sobre o próprio conceito de revolução, pois historicamente o termo latino revolutio designava um movimento circular, um retorno, uma volta completa, como a revolução dos astros. Ao longo da modernidade, especialmente após as revoluções políticas dos séculos XVII e XVIII, a palavra passou a ser associada sobretudo à ruptura.
Ludwig von Mises chamava atenção para essa mudança semântica ao discutir o uso histórico do conceito de revolução. Embora não estabeleça, como categoria historiográfica consagrada, uma oposição entre um "sentido romano" e um "sentido germânico" do termo, sua reflexão ajuda a perceber que o significado moderno não esgota a riqueza histórica da palavra.
Sob essa perspectiva, a Revolução Industrial pode ser entendida menos como uma ruptura absoluta e mais como a culminação de um ciclo histórico extremamente longo.
O evento não rompe completamente com o passado. Ao contrário - materializa tendências que se consolidavam na sociedade havia séculos.
Da nacionidade enquanto estrutura histórica
Essa forma de interpretar a história oferece um ponto de contato com a teoria do nacionismo institucional, pois se instituições econômicas levam séculos para amadurecer, também a nação não pode ser reduzida a um ato jurídico nem a um momento revolucionário, uma vez que ela constitui uma realidade histórica construída gradualmente.
Sua formação envolve:
- tradição;
- religião;
- direito;
- economia;
- língua;
- costumes;
- memória coletiva;
- autoridade política.
Esses elementos não aparecem simultaneamente, uma vez que são sedimentados pelas gerações.
Nesse sentido, a nacionidade pertence precisamente ao domínio da longa duração descrita por Braudel, pois ela funciona como estrutura civilizacional sobre a qual se desenvolvem os ciclos econômicos. Nesse sentido, a economia nacional deixa de ser mera consequência do mercado e passa a ser expressão institucional da própria continuidade histórica da comunidade política.
Essa leitura aproxima-se também do Sistema Nacional de Economia Política de Friedrich List, pois para ele a riqueza nacional depende da capacidade institucional de organizar o desenvolvimento econômico, uma vez que os mercados não surgem isoladamente - essa ordem surge a partir de uma comunidade histórica capaz de preservar continuidade jurídica, confiança social e planejamento de longo prazo.
Conclusão
A interpretação tradicional da Revolução Industrial tende a privilegiar máquinas, fábricas e inovações técnicas, mas a perspectiva da longa duração inverte essa ordem: antes das máquinas vieram as instituições, antes das fábricas vieram as cidades, antes do capitalismo industrial vieram séculos de aprendizagem econômica. Nesse contexto, a industrialização deixa de ser uma ruptura histórica para tornar-se a manifestação mais visível de um longo processo civilizacional.
Sob essa ótica, a própria ideia de nação também deixa de ser compreendida como construção artificial ou produto exclusivo do Estado moderno. pois ela aparece como uma instituição histórica de longa duração, cuja continuidade possibilita tanto o desenvolvimento econômico quanto a estabilidade política.
Assim, Braudel oferece o método, Van Zanden reconstrói a evolução econômica, North explica o papel das instituições, Schumpeter evidencia a continuidade do capitalismo europeu e List ressalta a dimensão nacional do desenvolvimento. Em diálogo crítico com esses autores, a teoria do nacionismo institucional pode ser compreendida como uma tentativa de integrar essas diferentes contribuições em uma visão segundo a qual a economia, a autoridade política e a cultura nacional pertencem ao mesmo processo histórico de amadurecimento civilizacional.
Bibliografia Comentada
BRAUDEL, Fernand. Civilização Material, Economia e Capitalismo: Séculos XV–XVIII. 3 vols.
Esta é, provavelmente, a principal referência metodológica para compreender a economia como fenômeno histórico de longa duração. Braudel desloca a atenção dos acontecimentos para as estruturas permanentes da civilização: geografia, técnicas, formas de comércio, instituições e mentalidades.
Sua contribuição mais importante para a tese desenvolvida neste artigo é demonstrar que os grandes processos econômicos amadurecem lentamente, durante séculos. A industrialização passa a ser interpretada como consequência de estruturas históricas profundas, e não apenas como resultado de invenções tecnológicas ou decisões políticas pontuais.
Leitura indispensável para qualquer teoria institucional da nação.
VAN ZANDEN, Jan Luiten. The Long Road to the Industrial Revolution: The European Economy in a Global Perspective, 1000–1800.
Van Zanden oferece uma reconstrução histórica da lenta formação das condições econômicas que permitiram a Revolução Industrial, pois sua principal inovação consiste em deslocar o início do processo para a Idade Média, mostrando como cidades, mercados, produtividade agrícola, instituições jurídicas e organização do trabalho evoluíram conjuntamente durante aproximadamente oito séculos.
O livro fornece importante sustentação histórica para a interpretação segundo a qual a industrialização representa o ápice de um longo processo institucional.
LIST, Friedrich. Sistema Nacional de Economia Política.
List rompe com a abstração do liberalismo clássico ao sustentar que a riqueza depende do desenvolvimento institucional da nação, pois a economia deixa de ser vista exclusivamente como mercado para tornar-se patrimônio histórico de uma comunidade organizada. Sua noção de economia nacional constitui um dos pilares da teoria do nacionismo institucional, sobretudo quando articulada à perspectiva histórica de Braudel e Van Zanden.
NORTH, Douglass C. Institutions, Institutional Change and Economic Performance.
North demonstra que o crescimento econômico depende da qualidade das instituições: direitos de propriedade, estabilidade jurídica, previsibilidade contratual e redução dos custos de transação explicam parte significativa das diferenças de desenvolvimento entre sociedades.
Sua obra oferece o fundamento econômico que complementa a reconstrução histórica realizada por Van Zanden.
SCHUMPETER, Joseph A. History of Economic Analysis.
Embora seja conhecido principalmente pela teoria da destruição criadora, Schumpeter dedica grande atenção à evolução histórica do pensamento econômico, pois ao enfatizar as raízes medievais do capitalismo europeu, mostra que o crédito, o sistema bancário, a contabilidade e o empreendedorismo antecedem em muitos séculos a Revolução Industrial. Sua abordagem reforça a continuidade histórica do desenvolvimento econômico europeu.
GIMPEL, Jean. The Medieval Machine.
Gimpel procura demonstrar que a Idade Média foi muito mais inovadora tecnologicamente do que normalmente se imagina: moinhos hidráulicos, relógios mecânicos, metalurgia e engenharia aparecem como antecedentes diretos da modernidade industrial.
A obra enfraquece a ideia de uma ruptura radical entre Idade Média e Revolução Industrial.
LOPEZ, Robert S. The Commercial Revolution of the Middle Ages, 950–1350.
Lopez concentra-se na expansão do comércio europeu medieval, pois o desenvolvimento das feiras, das cidades mercantis, das rotas internacionais e das instituições comerciais revela que a economia europeia já apresentava elevado grau de dinamismo muito antes da industrialização.
Sua pesquisa complementa as análises de Braudel e Van Zanden.
MISES, Ludwig von. Liberalism; Theory and History.
Essas obras não tratam especificamente da Revolução Industrial medieval, mas oferecem importantes reflexões sobre evolução histórica, instituições e transformações políticas.
Sua discussão acerca do conceito moderno de revolução e da evolução das instituições sociais é particularmente úti Embora Mises não formule uma teoria da longa duração semelhante à de Braudel, suas observações ajudam a compreender como determinados conceitos históricos mudam de significado ao longo do tempo.
TOCQUEVILLE, Alexis de. O Antigo Regime e a Revolução.
Tocqueville demonstra que a Revolução Francesa preservou diversas estruturas administrativas herdadas do Antigo Regime, pois a ruptura política convive com profundas continuidades institucionais.
Sua análise constitui importante precedente metodológico para interpretar outras "revoluções" como culminações de processos históricos anteriores.
WEBER, Max. Economia e Sociedade.
Weber oferece uma teoria abrangente das formas de autoridade, burocracia, racionalização e organização institucional. Embora sua explicação sobre as origens do capitalismo difira em vários pontos da de Braudel, ambos convergem ao reconhecer que desenvolvimento econômico depende de fatores institucionais complexos.
DAWSON, Christopher. Religion and the Rise of Western Culture.
Dawson procura demonstrar que a civilização europeia somente pode ser compreendida a partir de suas raízes religiosas, pois mosteiros, universidades, direito canônico e cultura cristã aparecem como elementos estruturantes da sociedade medieval.
Sua obra permite integrar economia, cultura e religião numa mesma narrativa histórica.
LE GOFF, Jacques. A Civilização do Ocidente Medieval.
Le Goff mostra que muitas instituições normalmente consideradas modernas nasceram durante a Idade Média: universidades, bancos, corporações de ofício, novas formas jurídicas e organização urbana constituem o pano de fundo institucional da economia europeia.
Sua pesquisa reforça a continuidade entre mundo medieval e modernidade.
Bibliografia complementar para o nacionismo institucional
A síntese apresentada neste artigo sugere que a formação da economia nacional não pode ser explicada exclusivamente por fatores de mercado nem exclusivamente por decisões políticas. Ela depende da interação entre estruturas históricas, instituições, tradição cultural, autoridade, religião e organização econômica.
Nesse sentido, uma teoria do nacionismo institucional pode beneficiar-se da leitura integrada dos autores acima:
- Braudel fornece o método da longa duração.
- Van Zanden reconstrói historicamente a lenta formação da economia europeia.
- North explica o funcionamento econômico das instituições.
- List introduz a dimensão nacional do desenvolvimento.
- Schumpeter evidencia a continuidade histórica do capitalismo.
- Gimpel, Lopez e Le Goff aprofundam as raízes medievais da economia moderna.
- Dawson integra cultura, religião e civilização.
- Tocqueville demonstra que revoluções frequentemente preservam estruturas anteriores.
- Mises contribui para a reflexão sobre instituições, mudança histórica e evolução dos conceitos políticos.
Lidos em conjunto, esses autores sugerem que o desenvolvimento econômico é inseparável da continuidade institucional. A Revolução Industrial aparece, assim, menos como uma ruptura do que como a manifestação histórica de estruturas civilizacionais construídas ao longo de séculos. Essa perspectiva oferece um terreno fértil para o desenvolvimento de uma teoria da nacionidade entendida como instituição histórica de longa duração, sem reduzir sua explicação a um único fator econômico, político ou cultural.
Direito, Instituições, Religião e Civilização
BERMAN, Harold J. Law and Revolution: The Formation of the Western Legal Tradition.
Poucos livros dialogam tão diretamente com a tese do nacionismo institucional quanto esta obra, pois Berman demonstra que a Revolução Papal dos séculos XI e XII produziu uma verdadeira transformação institucional do Ocidente. O desenvolvimento do direito canônico, das universidades, da autonomia dos tribunais e da sistematização jurídica criou condições que, séculos depois, favoreceriam o florescimento dos Estados modernos e da economia de mercado.
A grande contribuição de Berman consiste em mostrar que o desenvolvimento econômico não pode ser separado da evolução jurídica. Nesse sentido, sua obra aproxima-se naturalmente de Douglass North, pois enquanto esse autor demonstra que boas instituições reduzem custos de transação, Berman procura explicar historicamente como essas instituições jurídicas surgiram.
Para a teoria do nacionismo institucional, esse livro representa um dos principais fundamentos da dimensão jurídica da nação.
DAWSON, Christopher. The Making of Europe.
Dawson procura compreender a formação da Europa como resultado da integração entre herança clássica, povos germânicos e Cristianismo. Ao contrário de interpretações exclusivamente econômicas ou políticas, Dawson identifica a religião como princípio ordenador da civilização, pois sua obra oferece importante fundamento para compreender a nação como realidade cultural antes mesmo de constituir-se como realidade estatal. Nesse sentido a nacionidade deixa de ser apenas uma categoria jurídica e torna-se uma tradição histórica compartilhada.
DAWSON, Christopher. Religion and the Rise of Western Culture.
Complementando a obra anterior, Dawson demonstra que a civilização europeia nasceu da síntese entre Igreja, mosteiros, universidades, direito e cultura clássica, pois sua interpretação dialoga diretamente com Jacques Le Goff, Harold Berman e Fernand Braudel.
MARITAIN, Jacques. O Homem e o Estado.
Maritain distingue cuidadosamente povo, Estado e nação, pois para el a nação constitui uma realidade histórica e cultural, enquanto o Estado é instrumento jurídico destinado ao bem comum.
Essa distinção torna-se extremamente relevante para uma teoria do nacionismo institucional, pois a nação não se reduz ao Estado, já que ele existe para servir a comunidade nacional e aperfeiçoar a liberdade de muitos de modo que a nação seja tomada como um lar em Cristo, por Cristo e para Cristo. Essa concepção aproxima-se da tradição aristotélico-tomista.
LEÃO XIII. Rerum Novarum.
Embora conhecida principalmente por se tratar da questão operária, a encíclica estabelece princípios fundamentais sobre propriedade, autoridade, associações intermediárias e função social da economia.
Sua importância para o presente estudo reside em mostrar que a ordem econômica deve estar subordinada ao bem comum.
PIO XI. Quadragesimo Anno.
Aprofunda a doutrina da subsidiariedade, pois instituições intermediárias — família, município, associações profissionais, cooperativas — aparecem como elementos essenciais da ordem social. Essa concepção institucional aproxima-se surpreendentemente da perspectiva histórica de Braudel.
JOÃO PAULO II. Centesimus Annus.
Ao analisar o colapso do socialismo, João Paulo II enfatiza a importância das instituições livres, pois mercados dependem da moral, da cultura e do direito, já que a economia não é uma esfera isolada. Essa visão converge significativamente com a de Douglass North.
TOMÁS DE AQUINO. De Regno.
Tomás compreende a autoridade política como ordenação racional voltada ao bem comum, pois a finalidade do governo não consiste apenas em preservar a ordem, mas em aperfeiçoar a vida da comunidade. Essa concepção oferece fundamento filosófico para se compreender instituições enquanto instrumentos de aperfeiçoamento da liberdade.
ARISTÓTELES. Política.
A cidade existe naturalmente, pois o homem realiza sua natureza vivendo em comunidade política e a economia aparece subordinada à vida moral e política. Essa perspectiva torna-se importante para evitar interpretações puramente economicistas da história.
BURKE, Edmund. Reflexões sobre a Revolução na França.
Burke talvez seja o maior filósofo da continuidade institucional, pois sua crítica dirige-se justamente às tentativas de reconstrução completa da sociedade mediante abstrações. Uma vez que as instituições constituem patrimônio acumulado pelas gerações, mudanças legítimas devem respeitar essa continuidade histórica.
Sua filosofia aproxima-se surpreendentemente da longa duração de Braudel.
HAYEK, Friedrich A. Law, Legislation and Liberty.
Hayek distingue instituições espontaneamente desenvolvidas daquelas artificialmente planejadas. Embora sua perspectiva seja distinta da de List, ambos reconhecem que instituições acumulam conhecimento ao longo do tempo, fornecendo importante reflexão sobre evolução institucional.
OAKESHOTT, Michael. On Human Conduct.
Oakeshott entende a política como continuidade histórica, não como engenharia social. Sua crítica ao racionalismo político aproxima-se de Burke e Braudel, pois as instituições representam sabedoria incorporada pela experiência coletiva.
Síntese Geral
A leitura conjunta desses autores permite visualizar uma estrutura teórica relativamente coerente.
Aristóteles e Tomás fornecem a filosofia da comunidade política.
Maritain distingue povo, nação e Estado.
Dawson explica a formação cultural da civilização cristã.
Berman reconstrói o nascimento das instituições jurídicas.
Braudel apresenta o método da longa duração.
Le Goff, Lopez e Van Zanden demonstram historicamente o amadurecimento econômico medieval.
North explica economicamente a eficiência institucional.
Schumpeter evidencia a continuidade histórica do capitalismo.
List introduz a economia nacional.
Burke e Oakeshott oferecem uma filosofia da continuidade institucional.
Hayek analisa a evolução espontânea das instituições.
Por fim, a Doutrina Social da Igreja fornece o horizonte normativo: a economia existe para servir à pessoa humana e ao bem comum, não o contrário.
Tomadas em conjunto, essas obras permitem compreender a nação como uma realidade histórica de longa duração, cuja identidade se forma pela interação entre cultura, direito, religião, economia e autoridade política. A industrialização deixa de ser um episódio isolado da modernidade para ser vista como uma expressão madura desse desenvolvimento institucional secular. Nessa perspectiva, a nacionidade não é apenas um sentimento de pertencimento nem um vínculo jurídico, mas uma instituição histórica que organiza, preserva e transmite um patrimônio civilizacional entre gerações.
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