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domingo, 21 de fevereiro de 2016

Até mesmo dados culturais refutam a utopia do libertarismo

1) Em espanhol, dependiente é o vendedor que atende aos clientes.

2) No comércio, o comerciário (vendedor) age subordinado ao patrão (comerciante - logo, é seu empregado.

3) Na indústria, que prepara o caminho para o comércio, é a mesma coisa.

4) Numa economia onde as relações sociais se dão por instrução e dependência, a tendência é haver conflito de interesses qualificado pela pretensão trabalhista. Eis a justiça trabalhista.

5) Falar numa linguagem liberal em que o empregado é colaborador do patrão não soa muito natural na língua espanhola.

Fazendo jornalismo por minha própria conta



1) Mesmo estando fora de casa, eu sempre dou um jeito de registrar alguma coisa relevante, quando estou na rua.

2) Exemplo disso é este trabalho de Pós-Graduação latu-sensu sobre as relações entre os índios aos tempos da França Antártica, povoamento esse feito por Huguenotes (calvinistas franceses).

3) Os que queriam a independência do Rio de Janeiro levam em conta as antigas relações com a França, seja por conta dessa época, como também a influência arquitetônica da Belle Époque.

4) Eis aí algo que merece ser apreciado. Vou ver se obtenho uma cópia desse trabalho para as minhas próprias investigações.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Tomar o país como se fosse um lar em Cristo assemelha-se a uma saga

1) João Guimarães Rosa escreveu um texto chamado Sagarana, onde rana, em tupi, quer dizer semelhança.

2) Em polonês, rana quer dizer ferida, coisa que nos remete às chagas de Cristo, por conta da Crucificação.

3) Se devemos conservar a dor de Cristo, então nós precisamos fazê-lo o mais rano (cedo) possível, pois a santidade é algo que deve ser buscado com uma certa pressa - eis a nossa esperança. E isso se assemelha a uma saga, pois é a ponte que liga a terra ao Céu.

4) Quando se toma o país como se fosse um lar em Cristo, essa saga vai se distribuindo à população, de modo a que esse imaginário se torne algo comum a todo o povo, coisa que é parte da cultura popular. Eis o distributivismo da literatura como causa do nacionismo e do comunitarismo.

José Octavio Dettmann

Rio de Janeiro, 19 de fevereiro de 2016 (data da postagem original)

Notas sobre a semelhança entre o historiador e o poeta

1) Fala-se muito da semelhança entre o historiador e o poeta - enquanto o primeiro trata do que realmente aconteceu, ao tomar o fato como se fosse coisa, o segundo conta aquilo que poderia ter acontecido, ainda que isso não tenha ocorrido.

2) Quando se toma o país como se fosse um lar, devemos levar em conta o que ocorreu e o que poderia ter acontecido, pois devemos levar em conta o que se vê e o que não se vê. Muita coisa boa poderia ter acontecido, se não tivesse no poder uma quadrilha de criminosos que toma o país como se fosse religião totalitária de Estado e que governa as coisas com base no interesse pessoal e na fisiologia. Como o totalitarismo, o comunismo, é uma erva daninha que parasita essa grande árvore viva e frondosa que é a nação tomada como se um lar em Cristo, ele vai fazendo as coisas até o mundo não passar de uma grande floresta só composta de árvores ocas. Eis o internacionalismo comunismo, pois o nacionalismo totalitário prepara o caminho para isso.

3) Quando se leva conta o que não se vê, você também está levando em conta quem ainda não nasceu, mas que um dia poderá assumir o seu lugar, quando morrer. Eis aí a literatura como complemento dos estudos de História da Pátria: se os documentos são monumentos, então eles nos apontam para aquilo que é conforme o Todo que vem de Deus, pois eles nos apontam tanto para o que aconteceu quanto para o que poderia ter ocorrido. E tudo isso deve ser levado em conta.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

O Brasil nunca foi colônia

1) Há quem diga que o Brasil era colônia de Portugal.

2) Até agora, eu não vi nenhum documento de época, dos poucos que vi nas Revistas de História da Biblioteca Nacional, chamando o Brasil de "colônia". O Brasil já foi Terra de Santa Cruz; o Brasil já foi Estado, junto com o Maranhão; o Brasil já foi vice-reino; o Brasil já foi reino.

3) Se o Brasil fosse colônia, Portugal teria que criar um estatuto colonial, tal como a república Portuguesa criou para a África durante os anos 20.

4) O Brasil só voltaria a ser vice-reino, a ponto de se tornar província ultramarina, como já foi antes. Colônia o Brasil nunca foi; e se ele se tornasse, seria por conta dos nefastos liberais que fizeram a famigerada Revolução Liberal do Porto.

5) O Brasil não fez independência, se por independência entendermos construir um destino dissociado àquilo que foi edificado em Ourique. Houve, na verdade, foi secessão de modo a conservar o que era conveniente e sensato para nós. Só depois, por conta dos modismos e da má influência da cultura francesa sobre o nosso povo, ao longo do Império, é que fomos decaindo até virar este lixo, esta republiqueta que nos domina, que nos leva totalmente para fora da nossa vocação, enquanto pátria. E quem acreditar nessa mentira não passa de apátrida, tal como acontece com a maioria da população, que manteve a república presidencialista quando houve o plebiscito, em 1993.

O Brasil é um Império e não uma nação

1) Para os EUA serem uma nação, eles precisaram romper com as origens.

2) Os EUA surgiram da heresia do Rei Henrique VIII - este rompeu com Roma e fundou uma Igreja. Como ele passou a ser o chefe político e religioso da nação, o país foi tomado como se fosse religião - e quem não comungava dessa sabedoria humana dissociada da divina tinha que sair da Inglaterra e ir para o Novo Mundo. 

3) Por conta do fato de a Inglaterra ser tomada como se fosse religião, por conta do fato de o protestantismo não acreditar em fraternidade universal, os perseguidos começaram a desenvolver uma república democrática - essa sociedade acolheria o fato de que todos os indivíduos têm a sua verdade - e que isso devia ser tolerado, respeitado, já que o Estado não pode se imiscuir em questões religiosas. E isso foi crescendo até o ponto de os EUA romperem com a Inglaterra e forjarem o seu próprio destino.

4) O Brasil, por sua circunstância, jamais será uma nação como os EUA. 

5) O Brasil nasceu em Ourique a partir daquilo que foi dito por Cristo Crucificado a D. Afonso Henriques. Os portugueses serviriam a Cristo em terras distantes.

6) Em 1500, houve o desdobramento da tradição no continente americano - e a nação, colaborando com os portugueses, começou a crescer e a se tornar mais importante do que o território original da própria metrópole, por conta de sua natureza continental. O Brasil, dentro do contexto do Império Colonial Português, cedo ou tarde seria a sede do Quinto Império. A maior prova disso é que, nos momentos de perigo, a corte portuguesa pôs-se a salva no Brasil, quando Napoleão invadiu Portugal.

7) Para o azar do Império Português, a nefasta influência dos valores revolucionários da Revolução Francesa fincou raízes, a ponto de gerar uma revolução liberal no Porto. Por conta desses valores novos, fundados no amor ao dinheiro, tudo que o Brasil conquistou por conta da presença da corte aqui corria o risco de ser perdido - e a secessão foi necessária. 

8) Os valores da nobreza e da alta cultura que vieram com a corte portuguesa deram base ao Império do Brasil. Mas o grande erro, por conta da influência dos valores da revolução francesa, foi pensar que o Brasil era uma nação independente de Portugal. A grandeza do Brasil decorre da grandeza de Portugal - se Cristo não for visto como a razão dessa grandeza, o Brasil será condenado à mediocridade. Ao romper com os valores de Ourique, ao imitar os valores franceses e ao imitar os valores americanos, o país trocou os fundamentos do antigo regime, que eram edificantes e que durariam até a reunificação eventual do Reino Unido, por uma cultura nula e vazia, totalmente deslocada da razão de ser da pátria.

9) Essa maldita mania que os apátridas têm de imitar o que vem de fora e que não tem nada a ver com a pátria é uma constante em nossa história. O maior exemplo é que a maioria pensa em conservadorismo usando uma base importada, ao passo que eu penso dentro de uma tradição que é nossa, herdada de Portugal. O dia em que pararem de pensar que o Brasil é uma nação será uma bênção. O Brasil é um império e foi feito de modo a servir a Cristo em terras distantes - a verdadeira nação imperial por excelência é o Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves - e isso não vai mudar.

Notas sobre a cultura do auto-engano e seu impacto no Brasil

1) Questionar a autoridade de Deus é questionar o postulado de que Deus é bom e justo. A Igreja enquanto esposa de Cristo é acessório que segue a sorte do principal. Se a Igreja não erra, isso é um atestado de que Deus não erra - além disso, Jesus garantiu que o mal não prevaleceria sobre ela.

2) Quando os postulados são questionados, então não faz sentido fazer ciência, pois a noção de verdade desaparece. Se a noção de verdade desaparece, então a noção de realidade, bem como o conteúdo que pode ser extraído daí, desaparece.

3) O conhecimento, então, tende a ser apenas tomado por conta de sua aparência, de sua forma. E isso revela uma intenção de dominar e não de salvar. Não é à toa que a salvação pelo conhecimento, pela forma, nada mais é do que falácia, pois é fingimento, auto-engano.

4) Pensar em independência do Brasil, criando uma realidade política e social dissociada daquilo que foi edificada desde Ourique, leva a que o auto-engano seja a ordem do dia. O fato de Machado de Assis ser a maior referência nessa questão é um atestado do que é o quinhentismo, enquanto subproduto do libertarismo: auto-engano.

José Octavio Dettmann

Rio de Janeiro, 18 de fevereiro de 2016 (data da postagem original).