Pesquisar este blog

domingo, 7 de fevereiro de 2016

Notas sobre os tipos de escritor que atuam na rede social

1) Existem dois tipos de escritores: 

1.1) O primeiro deles adota a técnica do Blaise Pascal de escrever frases e ir dando continuidade ao tema, se houver demanda quanto a isso. Para fazer isso, o escritor deve ter muita experiência e e ter algo pronto, de modo a conduzir as pessoas para o caminho certo. Este escritor é um condutor que conduz o povo à verdade, na conformidade com o Todo que vem de Deus, da mesma forma como uma mãe conduz uma criança, de modo a se preparar para a vida adulta. Essa é a linha típica do professor Olavo de Carvalho, baseado na técnica socrática.

2) O segundo deles depende do público para o desenvolvimento de seus próprios textos. Ele necessita da interação com o público, de modo a produzir textos melhores. Ele precisa das pessoas mais qualificadas - e quanto mais gente qualificada, melhor. Eu, particularmente, me enquadro neste segundo tipo - este escritor é mais um filósofo, pois parte do pressuposto de que a construção do conhecimento é inacabada - e na rede social a escrita tende a ser um ato mais preciso e racional do que a fala. Por isso, esse escritor não costuma gravar videos, por entender que falar não é tão efetivo quanto escrever. Este escritor demora mais a fazer sucesso, pois visa o longo prazo. Ele é mais voltado para a construção e formação da elite.

O discurso de sustentabilidade se funda no conservantismo

1) Se sustentabilidade é a qualidade de tudo aquilo que pode ser sustentado ou a vir a ser sustentado, então a sustentabilidade se funda na verdade - e tudo o que se ampara na verdade é sustentável.

2) Pregar sustentabilidade num ambiente onde todos têm a sua própria verdade ou onde alegam dizer que a verdade não existe - pois não existe verdade alguma, em nenhum lugar - não passa de discurso que só conserva o que conveniente e dissociado da verdade.

3) Ao se conservar o que é conveniente e dissociado da verdade, o que querem vender é uma ilusão, uma falsa sustentabilidade, de modo a implementar o relativismo moral. Só o que é verdadeiramente sustentável se sustenta naquilo que é verdadeiro, que conforme o Todo que vem de Deus.

sábado, 6 de fevereiro de 2016

A família, e não a nação, é a mônada racional da ciência

1) Há quem fale que a nação é um dado irredutível, por ser mônada racional da ciência.

2.1) O sujeito que fala isso, Pasquale Mancini, parece que não estudou a Bíblia.

2.2) Uma nação virtuosa começa pela virtude de um só homem, que é o patriarca. Como Deus gosta de famílias grandes, então esse homem santo terá uma descendência tão numerosa quanto as estrelas no céu. E por fim, o legado desse homem acaba virando uma nação - e a terra prometida acaba sendo tomada como se fosse um lar, em Cristo.

2.3) O Rei é um patriarca, um chefe de família - e ele olha para os súditos, para os sujeitos à sua proteção paterna, como se todos fossem seus filhos. Então a nacionalidade é a relação de pai e filho que se dá na esfera pública. E isso se dá na forma de governo, pois o pai tutela o filho de modo a que ele se prepare para a vida e que sirva a Cristo em terras distantes, levando a essas terras distantes a noção de que a terra de seus pais deve ser tomada como se fosse um lar da mesma forma como ele toma a terra nova, em que ele serve agora, como se fosse seu lar também.

3) Por isso, a nação - fundada num coletivismo abstrato, impessoal, frio e vazio - não é a mônada, o menor dado dos dados. O verdadeiro menor dado dos dados, este sim irredutível, é família, pois o menor, o mais humilde dos homens, é o maior no Reino do Céus, pois esse homem é o senhor dos senhores sendo o servo dos servos. Se sua autoridade se funda em Cristo, então ele é a razão de ser de todas as coisas - ele é juiz final de todas as causas que envolvam o destino da pátria. Não é à toa que o Rei é árbitro supremo, o que confirma o princípio da ultima ratio regis.

4) Não é à toa que a família é a base de toda a sociedade. Se pátria é família ampliada, então tomá-la como se fosse um lar em Cristo leva a que mais nações tomem a santidade desse Rei como se fosse seu lar também, tornando isso algo ampliadíssimo e diverso, coisa que pode ser levada até os confins da Terra.

A capitalização moral é leva a uma expansão sustentada na verdade

1) Uma expansão sustentada na verdade pede que você vá servindo aos outros de maneira pessoal - quem ama e rejeita as mesmas coisas tendo por Cristo fundamento reterá o que é bom, de maneira sensata.

2) No começo, poucos são os seguidores; só após muito trabalho é que você passa a ter muita gente te seguindo e ouvindo aquilo que você tem a dizer. 

3) Se você faz um bom trabalho, aquele que se importa com o que você diz não só contribuirá financeiramente para a manutenção do seu trabalho, que é digno, como também te indicará para mais pessoas, de modo a ouvirem o que você tem a dizer. E essa pessoa indicará você para os melhores que ela conhece, que amam e rejeitam as mesmas coisas, tendo por Cristo fundamento.

Um pensador público deve se preparar muitos anos em privado

1) Para um pensador desempenhar bem suas funções publicamente na rede social, ele necessita se preparar durante muitos anos em privado, de maneira reservada.

2) Ele deve renunciar a tudo o que se funda na vaidade e parar de conservar o que é conveniente e dissociado da verdade, pois boa parte da tagarelice disfarçada de atividade intelectual se funda no conservantismo, que serve de base para pecados mais graves, pois isso é estar à esquerda do Pai no seu grau mais básico. E o que é moderado prepara o caminho para o radicalismo fundado naquilo que está à esquerda do Pai.

3) Antes de começar a falar o que falo, eu estudei durante muitos anos. E quando senti que estava pronto para falar o que penso, eu não parei mais. Se você deseja debater comigo, então eu aconselho que se prepare. Não tenha pressa - faça o que deve ser feito e depois venha me procurar. Se eu não estiver vivo até lá, não se preocupe; você pode dialogar comigo no campo da eternidade, seja comentando, seja meditando ou completando tudo aquilo que disse. Você pode refutar tudo aquilo em que estiver errado, pois eu não sou o dono da verdade.

Comentários sobre um conselho de Dom Bosco

1) Se D. Bosco dizia para falarmos pouco de nós mesmos e menos ainda dos outros, uma vez que isso dá causa à maledicência, isso é um bom conselho.

2) Um auto-retrato diz muito sobre você. Fazer isso freqüentemente é falar muito sobre você, só que de uma forma não-verbal. E o exibicionismo é uma manifestação do pecado da vaidade.

3) Por isso, não faça da rede social uma feira, de modo a exibir a sua vaidade. Esse republicanismo virtual não é sensato. Portanto, faça bom uso da tecnologia: busque conhecimento, exponha-se pouco e comente só aquilo que é bom e necessário - é isso que faço todos os dias.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

A nacionidade pré-existe a nacionalidade

1) Quando falo que a questão de se tomar o país como fosse um lar em Cristo pré-existe, isso quer dizer que não posso pensar que estou vinculado ao meu país por conta do nascimento se tomarmos por verdade que o homem é uma folha do papel e que as ideologias que compõem o Estado vão o preenchendo na medida em que ele vai se formando e se capacitando para a vida. Pois critérios abstratos tendem a ser critérios relativos, totalitários, fundados em sabedoria humana dissociada da divina, que tende a conservar o que é conveniente e dissociado da verdade, a qual tem por Cristo fundamento.

2) Se o país é tomado como se fosse um lar em Cristo, os vínculos com esse lar são reais, absolutos, permanentes - Cristo fez de D. Afonso Henriques e seus sucessores reis de Portugal e de todas as terras onde Portugal fosse chamado de modo a servir a Ele em terras distantes. Se D. Afonso Henriques é o pai da minha pátria, então eu sou filho dele eternamente. E isso é a verdadeira nacionalidade, fundada naquilo que é conforme o Todo que vem de Deus.

3) Quando critico o nacionalismo, eu critico também seu falso produto, a nacionalidade moderna, cuja origem reporta ao iluminismo e a tudo aquilo que se funda em sabedoria humana dissociada da divina.