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quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Sobre a finalidade das teorias puras

1) Quando se fala em Teoria Pura de alguma coisa, geralmente está se referindo ao que Kant tanto prega: estudar a coisa em si mesmo, em sua forma, como se ela tivesse a sua própria verdade.  Isso implica tomar a forma como se fosse uma verdadeira religião, o que é um certo tipo de Sola Scriptura. E não foi por acaso que essa desgraça nasceu em um solo protestante, pois acessório segue a sorte do principal.

2) Toda análise sociológica que toma o fato social como se fosse coisa tende a fazer uma análise pura, sem levar em conta se isso é ou não conforme o Todo que vem de Deus, posto que não há autoridade que nos remeta valores verdadeiros e eternos, base fundamental para se estudar a realidade, pois a bondade de Deus não pode ser questionada, uma vez que é postulado. Tomar o fato social como se fosse coisa diz muito mais sobre a intenção da análise: se os homens querem ser deuses ou afirmarem que nem mesmo Deus vai dinamitar essa verdade, tal como disseram com relação ao Titanic, então isso é um claro indício de desonestidade intelectual. Isso é um atestado de mentalidade revolucionária. Isso é um tipo de confissão.

3) Quando se pensa em termos formais, isso só revela os interesses escusos do investigador ou de um grupo de investigadores de modo a que consigam o poder, ao levar todos os ouvintes a acreditarem que aquilo é mesmo uma verdade, pois esse trabalho se tornou uma espécie de sacerdócio. Enfim, essa investigação, pretensamente científica, não passa de pura falsificação, de fingimento, pois não é conforme o Todo que vem de Deus.

5) Se Kant influenciou no positivismo de Comte e no positivismo de Kelsen, e o Brasil foi herdeiro dessas duas tradições nefastas, então é perfeitamente possível afirmar que isso é a conforme à natureza dos apátridas que nasceram e moram nesta terra, que agem contra aquilo que foi edificado em Ourique. Isso produziu uma cultura que precisa ser extirpada, pois ela prepara o caminho para o totalitarismo comuno-petista.

6) Enquanto essa cultura não for extirpada das nossas universidades, de nossos meios acadêmicos, é perfeitamente possível que o comunismo volte ainda com mais força, pois eles tendem a tratar essa gente com afável cortesia, tal como fez Hayek. E isso não pode ser tolerado.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Notas sobre a lógica jurídica

1) A lógica jurídica ou deôntica leva em conta o seguinte: 

1.1) a lei permite ou não permite determinada conduta; 

1.1.1) Quando permite, essa conduta tipifica como algo facultativo (um direito) ou como algo obrigatório, um dever

1.1.1.1) Quando tipifica um dever, ela estabelece os requisitos legais para o cumprimento estrito desses deveres, assim como uma sanção de modo a punir quem age contra a lei.

2) A lógica jurídica parte do pressuposto de que a lei é a suprema manifestação da justiça, pois nela encontramos os parâmetros necessários modo de a que encontremos a verdade no seio das relações humanas e assim declarar o que é certo e errado, de modo a se fazer justiça. Por conta disso, obedece a uma lógica formal, clássica, de um mundo tipicamente pagão, como foi o grego ou o romano.

3) Em si, isto não está errado. O problema é que, por conta do pecado original, o homem pode escolher estar em conformidade com o Todo que vem de Deus ou conservar o que é conveniente e dissociado da verdade. Deus permite o pecado de modo a que os sensatos compreendam os seus erros e se reconciliem com Deus.

4) Quando governantes ricos em sabedoria humana dissociada da divina assumem o poder, as leis todas obedecerão a essa lógica - e conservarão o que é conveniente e dissociado da verdade. Por conta disso, o que a lei proíbe ou permite se torna algo insensato, pois salta à lógica daquilo que é fundado no verdadeiro, naquilo que é conforme o Todo que vem de Deus. Como Deus é a verdadeira constituição, essas leis são naturalmente inconstitucionais, pois atentam contra as leis de Deus, fundadas na bondade e na caridade.

5) Kelsen, quando olhava para um sistema constitucional fundado na forma, ele adotava elementos do raciocínio clássico pagão, que tomava o fato da lei como se fosse coisa, como se o homem fosse um Deus. Se a lei A da Constituição fosse contraditória na realidade e no seu conteúdo com a lei B da mesma Constituição, para ele não haveria contradição, pois a constituição é a expressão, a forma máxima da verdade, dentro do território da nação, pois a Lei Suprema não tem termos inúteis, mesmo que seu conteúdo fosse contraditório. E o constitucionalismo levaria ao país ser tomado como se fosse religião - e a jurisdição constitucional seria o sacerdócio. Ou seja, o juiz da Suprema Corte seria equiparado a um Papa.

6) É fato sabido que a lógica clássica, ou formal, é falha - ela não abarca a estrutura da realidade, pois o homem é pecador e está sempre em constante contradição, onde alguns conservam o que é bom e sensato, ao passo que outros conservam o que há de mais insensato, ponto de quererem estar no lugar do próprio Deus verdadeiro. Se Deus não for levado em consideração, é impossível encontrar o conteúdo da realidade nas coisas que foram postas e assim encontrar a justiça. Pois o mundo foi criado - e Deus nos deu razão de modo a que investigássemos as coisas, pois estas nos apontam para aquilo que é conforme o Todo que vem de Deus.

7) Quando se estuda a lógica paraconsistente, nós examinamos se as leis humanas estão em consonância ou em contradição com as leis de Deus. E as leis são produtos de uma ordem que foi edificada em Aliança do Altar com o Trono, tal como se estabeleceu em Ourique, ou a partir da separação da Igreja com o Estado, de modo a que todos tenham a verdade que quiserem, o que edifica liberdade para o nada, tal como se deu nesta República. O Estado, que é um fruto do homem, está sujeito às contradições, pois as instituições seguem a sorte de seu principal, o homem, marcado pelo pecado original.

8) Numa ordem de pecadores, o Estado será totalitário e a apatria será sistemática; numa ordem de virtuosos, a santidade será sistemática e o país será tomado como se fosse um lar em Cristo. O que protege a santidade do país é a permanente vigilância. O católico deve estar sempre atuando na política de modo a que a ordem que prepara para a santidade não se corrompa. A liberdade constitucional, enquanto natural right, depende do fato de que esta ordem precisa estar em conformidade com o Todo que vem de Deus, de modo a ser justa - e isso pede eterna vigilância.

O salvacionismo mata o natural right pela entropia

1) Com X = 0, o que salvacionismo impede é o acúmulo de experiências decorrentes de um natural right.

2) Sem a presença de uma tradição constitucional viva, ela terá que ser reconstituída historicamente - e isso será extremamente trabalhoso. Pois a política leva em conta todas as tensões e contradições da realidade, de modo a que o conveniente e sensato seja preservado, de modo a que as pessoas possam progredir, em termos de ordem, dentro da conformidade com o Todo que vem de Deus.

3) O salvacionismo - a tentativa de se reescrever a constituição dentro de uma ordem instável, sem Deus - é altamente destrutivo, pois favorece a mentalidade revolucionária, por conta da sucessiva entropia, pois mata todas as tensões de realidade regidas pela Carta Constitucional vigente.

Salvacionismo só coloca as coisas no X=0, mas não Y=0

1) Quando você está jogando um videogame, você vai progredindo do início até o final.

2) Nos anos 80, quando não havia cartão de memória de modo a salvar o jogo do ponto em que se parou, você tinha que resetar o jogo. E você voltava tudo à estaca zero.

3) Como política sem Deus é um jogo de guerra de facções, marcado por sabedoria humana dissociada da divina, então a Constituição tende a ser o eixo x da ordem binária, marcado pelo ser e não ser conforme à Constituição, onde do zero até o mais infinito é tudo aquilo que é conforme à constituição, ao passo que do zero ao menos infinito é contrário à constituição. O que salvacionismo faz é jogar as coisas no X= 0, quando se reescreve a constituição, isso toda vez que a fé que decorre do fato de se conservar o que é conveniente e dissociado da verdade entra em metástase, por conta dos sucessivos pecados humanos acumulados que se tornaram sociais e sistemáticos.

4) Deus é o autor do tempo  - e o tempo, quando rege os atos humanos fundados na Lei Eterna, conserva o que bom, conveniente e sensato. Esses atos jamais serão apagados. Tudo o que se funda no conservantismo sensato é um vir-a-ser conservador, ao passo que tudo que conserva a dor de Cristo pede uma aliança do Altar com o Trono, o que impede o salvacionismo, cujo reset, na teoria dos jogos, só favorece a mentalidade revolucionária, pois dá uma sobrevida aos insensatos que preparam o caminho para a mentalidade revolucionária.

5) A Aliança do Altar com o Trono protege o país do salvacionismo, bem como da não-traição às verdades mais caras do Evangelho.

Mapeando a direita do Brasil: desde a esquerda que se declara de Direita até a verdadeira, fundada naquilo

1) Se tivermos que fazer um mapa da direita no Brasil, teríamos que fazê-lo desde o ponto mais baixo da irrelevância (como são os que idolatram o regime militar, a república golpista, que não passam de esquerdistas que se dizem de direita), passando pelos conservantistas que querem salvar o país adotando fundamentos importados de uma outra república falida, já que são tão protestantes quanto eles, até chegar ao nível da paracompletude, fundada naquilo que foi edificado pelo Cristo Crucificado de Ourique. 

2) Para a paracompletude se tornar real, nós não podemos nos contentar com o que está disponível - é também preciso agir servindo os valores dessa ordem de modo a que o não ser do conservantismo, que leva à apatria e à heresia, se torne ser conforme o Todo que vem de Deus, em que o eu-nacional se case com aquilo que foi fundado na pátria do Céu, edificado desde Ourique. O eu-nacional precisa se casar com o eu-universal - e esta é a verdadeira ordem do ser do mundo português como um todo, pois da Aliança entre o Altar e o Trono nasce a nação dos virtuosos, pois a pátria terrena se torna escola para a pátria do céu, onde navegar é preciso e viver para o nada não é preciso. Eis a ordem da coragem.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

O conservantismo é o jardim das aflições do filósofo que há em mim

1) Agora eu vejo o jardim das aflições que há em mim. Só quem filosofa é que percebe isso. É um jardim cheio de hidras - cada cabeça que você corta, surgem umas 20 no lugar daquela que foi cortada.

2) É o horror metafísico por excelência. Para cada conservantista que você elimina, existe uma horda de zumbis lá fora sendo chamados daquilo que não são: brasileiros.

3) O conservantismo deve ser primeiro extirpado, abortado do meu ser, pois eu sou um pecador - quando eu odeio o pecado que há em mim, eu me torno conservador verdadeiro, pois carrego a cruz mais ternamente, já que vejo em minhas mãos a chaga de Cristo, pois conservo em mim a dor que ele sofreu na cruz. O exemplo da santidade de Padre Pio explica bem isso que eu falo, pois ele tinha as mesmas chagas, fisicamente falando. 

4) Hoje, passei por essas tensões metafísicas. Eu luto contra o demônio todo os dias quando escrevo - não deixo ele se apoderar de mim como se apoderou de tantas outras pessoas. A vaidade é o pior pecado do escritor, fora a desonestidade intelectual e a maledicência.

Exemplo de uma sociologia paraconsistente

1.1) Não-ser: heresia

1.2) Conservantismo insensato: o acúmulo de conhecimento fundado em sabedoria humana dissociada da divina produz uma série de argumentos ontológicos inconsistentes. E um vir-a-ser herético (um não-ser)

1.3) Conservantismo sensato: quem é sensato e bom experimenta todas as coisas e fica com o que é conveniente, pois isso é bom no Senhor. E ao ver isso, ele enxerga a estrada por onde Jesus, o evangelizador por excelência passou, assim como o histórico da preparação dessa estrada de modo a que Ele um dia passasse e proclamasse a suma verdade.

1.4) Conservador: do acúmulo do que é conveniente e sensato, ele passa a conservar a dor de Cristo e estar em conformidade com o Todo que vem de Deus.

2) Entre o conservantismo sensato e o insensato, muita coisa precisa ser conhecida de modo a que aprenda a conversar a dor de Cristo e ser Cristão. Eis aí porque os dogmas são desenvolvidos, de modo a que o conservantismo insensato seja transformado em conservantismo sensato, de modo a que os bons caminhem na estrada de Jesus.

3) Entre a a verdade e o erro existem muitas tensões, muitos graus de tensão - essas tensões nos fazem com que carreguemos o peso de nossa cruz. A vida reta, a fé reta e a consciência reta, alimentadas através do Jesus eucarístico, fazem com enfrentemos com coragem esses graus de tensão em toda a sua plenitude, passando da insensatez para a razão fundada na fé verdadeira. Eis aí a chave para se converter conservantismo insensato em sensato - e daí chegamos ao conservadorismo, quando estamos à direita do Pai.