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domingo, 31 de janeiro de 2016

Mais argumentos refutando a noção liberal de que corpo é propriedade

Há quem me pergunte: Dettmann, se não somos donos do próprio corpo, por que seríamos donos de nossos bens materiais? Em que sistema cairíamos?

Respondo:

1) O corpo, dentro da tradição cristã é, morada da alma. Devemos cuidar de nosso corpo da mesma forma como cuidamos do templo que é consagrado a Deus.

2.1) Tudo o que conquistamos, as propriedades, decorrem das nossas faculdades. As propriedades, fundadas no direito das coisas, são perpétuas, pois admitem sucessão - eis aí porque propriedade é um complexo de bens adquiridos por conta do trabalho acumulado ao longo do tempo.

2.2) Aquilo que decorre da faculdade decorre do espírito e deve ser distribuído, com base na bondade e na generosidade. Devemos usar nossos bens de modo a nos prepararmos para a vida eterna - eis o sentido da utilidade das coisas, pois o trabalho, o exercício das nossas faculdades a serviço da comunidade, é causa de santificação.

2.3)  O corpo, por não ser perpétuo, não admite sucessão - logo, não é propriedade, mas morada. Por isso, não existe reencarnação.

3.1) Cada alma tem seu próprio invólucro, marca da sua individualidade - a verdade não precisa ser minha ou sua para ser nossa. Eis aí porque Cristo, quando voltar, prometeu ressuscitar os que estiveram em conformidade com o Todo que vem de Deus ao longo da vida.

3.2) Jesus prometeu reerguer o templo em três dias - ele estava falando do templo de seu corpo. Se somos imitadores de Cristo, então tomemos o nosso corpo como se fosse templo do senhor e não como propriedade.

3.3) Se o corpo for tomado como se fosse propriedade, teríamos o poder de usar, gozar e dispor de nosso corpo, podendo até mesmo destruí-lo e isso é dizer que temos poder divino, coisa que não temos.

3.4) Quem tem o poder usar as coisas tenderá a abusar, pois a propriedade é um direito absoluto, quase divino. Por isso que existem limites dentro da lei natural que disciplinam a relação do homem com as coisas.

3.5) E como já falei, corpo não é coisa, mas morada. Se fosse coisa, haveria escravidão, coisa que é contra a tradição cristã.

3.6) Só o Deus verdadeiro tem o direito de nos escravizar, pois Deus é bom. Só Ele tem o poder de vida e de morte sobre nós.

José Octavio Dettmann

Rio de Janeiro, 31 de janeiro de 2016 (data da postagem original).

sábado, 30 de janeiro de 2016

O que é uma tradução?

1) O que é uma tradução senão uma cópia de um pensamento em uma língua A e convertida para a língua B, com todas as suas nuances, virtudes e defeitos?

2) Como toda cópia, tem seus altos e seus baixos - elas revelam a natureza imperfeita do ser humano. Eis aí que ele é criatura e não Deus, tal como o libertarismo quer nos impor, através de políticas públicas que fomentam o relativismo moral.

3) Se eu quiser ser um tradutor perfeito, então eu devo conhecer o pensamento do autor que pretendo traduzir. Conhecer sua vida, suas angústias, as dificuldades epistemológicas com as quais ele teve de lidar, de modo a produzir aquilo que pretendo traduzir depois.

4) Se o estilo é o homem, então a  vida, a personalidade, as circunstancias de vida do traduzido são parte do cabedal que compõem a tradução. Converter tudo isso de um modo mais fiel possível ao original não é tarefa das mais fáceis.

5) Há quem advogue que os livros não devem ser traduzidos, de modo a honrar as tensões da realidade que resultaram na produção desse livro. E que o ideal seria que todos lessem na língua original. Eu estou de acordo - o problema é que na nossa sociedade não existe uma cultura de liberdade, de modo a que pessoa busque o conhecimento por si própria. Ter uma família está cada vez mais sendo desincentivado - e mesmo que você forme a sua família, você será forçado a ter de pôr seu filho na escola, de modo a que ele vire rato de laboratório das pedagogas, que ensinam tudo o que não presta e que decorre dessa República maldita.

6) Outro fator que inviabiliza essa cultura de liberdade está no fato de que muitos tomam o país como se fosse religião de Estado. Se o país é tomado como se fosse religião de Estado, então a verdade decorrerá da lei positivada do Estado, fundada em sabedoria humana dissociada da divina. E todos os subsídios econômicos e civilizatórios que instituirão a ordem do bem-estar social dependerá de todas essas políticas públicas - e isso é caro e vazio. Não é à toa que essa falsa nacionidade, fundada num amor a um falso Deus, está entrando em colapso. E é justamente isso que está matando a civilização fundada no Deus verdadeiro - ela criou um vácuo de poder, que está sendo aproveitado pelos muçulmanos.

7) Enfim, sem essa cultura de liberdade, fundada no Deus verdadeiro, jamais haverá preservação, tradução, muito menos desenvolvimento cultural e civilizatório.

Método para se traduzir um livro

1) Copie as frases de um livro (em inglês, em francês ou em outra língua qualquer) e tente traduzir as frases do parágrafo. 

2.1) Se o parágrafo seguinte atualiza ou contextualiza o parágrafo traduzido, atualize a tradução. 

2.2) Se o entendimento do parágrafo depender de uma informação complementar, de modo a entender o que está sendo escrito, então vá para a bibliografia indicada pelo autor.

3) Do texto traduzido para o português, refaça o estilo, de modo a ficar o mais simples possível. Se necessário, faça a análise sintática dos termos da oração, de modo a entender o que está sendo produzido.

Da importância de se copiar à mão para se traduzir um texto melhor

1) Se ao copiar o livro à mão você imita o estilo dos escritores, você tende a aprender os erros e acertos do escritor, que é um ser humano tal como todos nós - um ser imperfeito.

2) Da posse do conhecimento dos altos e baixos do livro, você faz uma tradução para o vernáculo e uma versão melhorada desse autor, de modo a que na sua língua os vícios desse autor sejam corrigidos.

3) Como escritor de língua portuguesa, você deve ser às vezes o autor da língua original, de modo a dizer as coisas de modo a que um falante da língua portuguesa possa entender. E o método mais natural de imitação que se pode conceber é copiando sentenças à mão e traduzindo, de modo a ficar o mais simples e completo possível.

Da importância de copiar textos de modo a imitar o estilo dos grandes escritores ou melhorá-los

1) Inspirado numa matéria que vi sobre uma estudante do ABC que copiou a Bíblia, tratei de copiar os Princípios de Economia Política, de Carl Menger, não só para praticar a caligrafia como também para extrair informações importantes do livro que estou copiando.

2) O lado bom de estar copiando à mão é que você está honrando todo o esforço intelectual de quem escreveu o livro - você passa a raciocinar da forma como o escritor pensou e passa a ver outras maneiras de introduzir um texto mais simples, de modo a que fique mais claro e objetivo.

3) Além disso, se os parágrafos forem enumerados, você terá uma referência do que pode ser tirado do livro e comentado. Até mesmo as notas de rodapé, coisa que muitos não notam, passam a ser vistas com mais detalhes. A leitura fica mais ativa e você tende a aproveitar mais o trabalho.

4) Quem acha isso atraso de vida não passa de um débil mental. Se é preciso imitar os grandes escritores, então a melhor forma de se desenvolver o estilo é copiando os textos dos grandes escritores e vendo a sua viabilidade literária. Se o estilo faz o homem, então o homem se só se torna um escritor quando imita os melhores e os sintetiza num só corpo - o dele próprio, que serve a todos os outros dentro de suas circunstâncias.

Matérias relacionadas: http://adf.ly/1WBXmz

Como os antigos e os modernos enxergavam os bens?

A) Definição dos antigos sobre os bens:

1) Aristóteles (em seu livro sobre a Política) define a natureza dos bens como tudo aquilo que visa ao bem-estar e à felicidade dos homens, sem o qual a vida humana seria impossível. 

2) Essa definição está relacionada aos aspectos éticos da finalidade dos bens. Isso influenciou decisivamente o pensamento medieval, que passou a relacionar os bens com a vida eterna. Tudo o que nos prepara para a vida eterna e para conformidade com o Todo que vem de Deus é útil - e por essa razão é um bem, pois atende as nossas necessidades humanas, tanto carnais quanto espirituais.

B) Definição de Bens segundo Forbonnais (princípio da definição moderna sobre os bens):

Bens: tudo aquilo que não produz receita anual (frutas e móveis preciosos)

Riqueza: tudo o que produz receita anual, produto interno bruto

1) Tudo aquilo que não produz receita anual é um bem escasso, difícil de ser produzido em massa, difícil de ser impessoalizado, pois o seu custo elevado não compensa a iniciativa de massificá-lo. Justamente por ser um bem escasso, valioso, esse bem tem um valor bem elevado.

2) Todo bem escasso é um bem servido, voltado para todos aqueles que amam e rejeitam as mesmas coisas, tendo por Cristo fundamento. Um bem servido é um bem a serviço do bem comum, destinado ao bem-estar e à felicidade dos homens. Logo, um bem públco. Por ser um bem fora do comércio, por não produzir renda regularmente, em todas as épocas do ano, não está sujeito á tributação.

3) Todo bem que produz receita regularmente, que possui um ciclo econômico definido, é um bem econômico, pois produz riqueza. Essa riqueza se dá através da produção bens móveis destinados ao atendimento das necessidades da população (economia massificada) e através dos frutos decorrentes dos rendimentos da terra, seja na forma de aluguéis ou arrendamento, para o caso da agricultura. A riqueza produzida por essas duas atividades - uma, de natureza econômica, e outra, fundada em direito real - gera o direito de o Estado tributar essa riqueza, através do imposto de renda.

4) Enfim, o começo do socialismo começa na definição moderna de Forbonnais, que leva em conta a relação entre a riqueza e os interesses de Estado - algo já relacionado aos tempos renascentistas.

5) A partir do momento em que a definição deixou de levar em conta os valores da vida eterna, tudo se reduziu ao mais puro utilitarismo. Como a intervenção do Estado na economia se dá por vias utilitaristas, pragmáticas, então a relegação da vida eterna gerou a noção de materialismo, base para o totalitarismo.

Fontes: Princípios de Economia Política, de Carl Menger - nota 1 do Capítulo 1

José Octavio Dettmann

Rio de Janeiro, 30 de janeiro de 2016 (data da postagem original).

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Ninguém quer o bem do Brasil

1) Ninguém quer o bem do Brasil, pois este renega as suas origens. Como deliberaram as coisas sem consultar professores de história - ao eliminar praticamente tudo o que vem antes de 1500 ou de 1789, para a doutrinação gritante e das brabas -, agora o "conselho comum" quer eliminar as letras da terra lusa, berço do idioma falado no Brasil.

2) O objetivo é idiotizar, manter as pessoas na ignorância invencível. "Divide e dominarás" - Quem controla o conhecimento, mesmo para o mal, controla o rebanho.

3) É doutrinação bananeira pura! A mais descarada. E os imbecis ligados a área de educação... bem, todos devem ser iletrados comunistas do MEC ligados ao Foro de SP!

4) Precisamos urgentemente acabar com o Foro, com os partidos ligados ao mesmo, com a deforma ortográfica lulista e com o MEC.

Arthur Benderoth de Carvalho​