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sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Todo conservantista comete crime comissivo por omissão

1) Não opor-se ao erro é aprová-lo - é conservar o que é conveniente e dissociado da verdade. 

2) Quem fica reclamando demais e nada faz não é digno de ser conservador, pois por omissão está permitindo que se atente contra tudo o que se funda na verdade, em Cristo. Por não estar conservando dor nenhuma e ajudando, com a omissão, a ver o mesmo Cristo ser crucificado repetidas vezes, ele está se tornando conservantista.

3) Por isso que eu digo que o inimigo mais temível no movimento não é nem o comunista ou o libertário, mas o conservantista. O moderado conserva o que conveniente e dissociado da verdade - e só por conta disso já prepara o caminho para o radical, totalitário.

José Octavio Dettmann

Rio de Janeiro, 29 de janeiro de 2016 (data da postagem original).

Notas sobre a filosofia japonesa

Para o filósofo japonês Tetsuro Watsuji, a única escolha moral verdadeira do indivíduo é a do auto-sacrifício em prol da comunidade. Este filósofo confrontou a filosofia ocidental apontando para o individualismo a que tendem assumir na ética - para ele, a ética não é uma questão de ação individual, mas de esquecimento ou sacrifício do próprio eu, de modo que o indivíduo possa trabalhar em benefício de uma comunidade mais ampla. Ele chamou a isto de "estar entre".

Em seus primeiros escritos (entre 1913 e 1915), ele introduziu o trabalho de Søren Kierkegaard e Friedrich Nietzsche, mas em 1918 voltou-se contra esta posição, criticando o individualismo filosófico ocidental e atacando a sua influência sobre o pensamento japonês e a vida no Japão. Isso levou a um estudo das raízes da cultura japonesa.

Flávio Fortini

Facebook, 29 de janeiro de 2016 (data da postagem original).

Do anti-olavismo como uma forma de conservantismo

Um mérito não se pode negar à campanha anti-olavista. A sanha devoradora da sociedade antropofágica permaneceu, até recentemente, uma força constante, mas discreta, um mal secreto que rastejava nas sombras em busca das suas vítimas e só se tornava visível pelos seus efeitos de longo prazo, por sua vez nem sempre ostensivos e espetaculares. Escritores, artistas, filósofos e sábios iam definhando e morrendo, sacrificados e servidos na mesa da estupidez sem que se pudesse identificar pelo nome um grupo de culpados. Velascos, Tirapanis e similares, agora, encarnam essa força odienta a maligna com uma presença ostensiva, com uma teatralidade histriônica que jamais poderá voltar ao conforto do anonimato. Pela primeira vez a antropofagia brasileira tem exemplares individualizados que podem ser isolados e colhidos para estudo. São como o abscesso que, traz à flor da pele a infecção longamente escondida no fundo do organismo.

Quem acha que me envolvo em "briguinhas" não entende NADA do que está acontecendo. O anti-olavismo é o fenômeno sociopolítico MAIS IMPORTANTE E REVELADOR DO MOMENTO. Nele está a chave de toda a disputa de poder neste país. Esperem e verão.

Olavo de Carvalho

Notas do Olavo de Carvalho sobre o libertarismo

Os termos "direita" e "esquerda" têm vários níveis de significado, que correspondem a fenômenos reais especificamente diferentes, que os nossos lindos doutrinadores e comentaristas de mídia confundem até chegar à alucinação completa. 

1) Desde logo significam “ideologias”, isto é, modelos gerais de sociedade, documentados historicamente em textos e justificados por interpretações da realidade histórico-social modeladas numa linguagem aparentemente científica, mas criadas propositadamente para justificá-los. 

2) Vêm em seguida as auto-imagens justificadoras dos grupos políticos ativistas, as quais só correspondem às ideologias muito esquematicamente, apelando não raro à imitação da linguagem adversária, como por exemplo quando uma facção direitista se apresenta como defensora da “justiça social” ou o esquerdista apela a “valores cristãos”. Esses dois níveis não podem, de maneira alguma, ser descritos e analisados com os mesmos conceitos. 

3) Num outro nível, existem os grupos e partidos reais, liderança e militância. Suas ações só coincidem com a auto-imagem e com a ideologia de maneira remota e hipotética, pois, mesmo supondo-se que tenham o sincero desejo de realizar as metas ali delineadas, têm de primeiro tomar o poder. Estratégia e tática de tomada do poder confundem ainda mais os vários níveis de discurso, por causa das exigências imediatas da disputa, das alianças e da propaganda. 

4) Temos, portanto, não uma oposição dual, mas uma complexa dialética de SEIS elementos que se combinam das maneiras mais imprevistas em cada situação concreta. A confusão leva os observadores mais inexperientes a desistir de saber o que são direita e esquerda e, portanto, até a negar que elas existam. 

5) Essa incapacidade camufla-se, com freqüência, numa afetação de superioridade olímpica, onde o sujeito, justamente por não conseguir entender o fenômeno, acredita que o “superou”. O dr. Feuerstein destaca, entre as principais deficiências da inteligência humana, a dificuldade de seguir DUAS linhas de raciocínio ao mesmo tempo. Imaginem agora o que os nossos iluminados doutrinários e comentaristas conseguiriam fazer com SEIS linhas simultâneas. Anos de treino no modelo dialético da cruz de seis pontas são o mínimo necessário para fazer de alguém um verdadeiro cientista político.

6) Tanto a “direita” quanto a “esquerda”, por sua vez, subdividem-se em vários fenômenos especificamente diferentes, que só podem ser descritos por conceitos criticamente elaborados e distintos. Só para dar um exemplo, o “liberalismo” é um termo que abarca no mínimo seis correntes ideológicas distintas, às quais correspondem na esfera política real não sei quantos grupos entremesclados e confundidos. Não posso explicar isso aqui por extenso e, portanto, só vou dar, a título de amostra, os nomes de seis ideologias liberais:

6.1) Liberalismo econômico teórico de Adam Smith (que só tardiamente viria a ter alguma encarnação política).

6.2) Liberalismo antimonárquico.

6.3) Liberalismo anticatólico.

6.4) Liberalismo anti-estatista. (austríaco).

6.5) Liberalismo católico (herético), condenado em várias encíclicas papais, e antecessor, não raro colaborador, de uma corrente esquerdista, a teologia da libertação. 

6.6) Liberalismo pós-moderno (misto de economia de livre-mercado e de “liberação sexual”, de drogas, etc.)

7) Cada um desses liberalismos aproveita-se, às vezes, da lingüagem de alguns dos outros, criando uma confusão dos demônios. Entendem por que digo que não existem cientistas políticos no Brasil?

8) Os cultores da "unidade" não parecem ter percebido o que está acontecendo: o fenômeno MAIS SIGNIFICATIVO na política brasileira de hoje é o surgimento, dentro do quadro geral da "direita", de uma facção que pretende representar o melhor do direitismo, a sua versão mais linda e civilizada, e que já entra em cena, desde seus primeiros momentos, fazendo uso maciço dos mesmos procedimentos de ASSASSINATO DE REPUTAÇÕES característicos do comunopetismo. Isso, por si -- sem contar o esforço dessa facção para desviar o movimento popular de seus objetivos originários e transformá-lo em servidor da mesma classe política que ele abomina -- já não prenuncia nada de bom.

Olavo de Carvalho 

Facebook, 29 de janeiro de 2016 (data da postagem original).

Kim Kitaguiri x Lech Walesa

Um verdadeiro líder popular age diretamente junto à população, longe das câmeras e dos sorrisos paternais da grande mídia. Um fantoche age sobretudo diante dos holofotes, só se comunicando com a população pela telinha.

O Lech Walesa passou décadas organizando a militância popular - ele só apareceu na mídia quando já era um quarentão. Se, depois de protestos que levaram dois milhões de pessoas às ruas, em vez de passar a organizar a militância no seio da sociedade -- nas escolas, nas igrejas, nas sociedades de bairro --, uma mente iluminada prefere andar a pé até Brasília para pedir que Suas Incelenças votem um "impeachment", só um cego, surdo, mudo e mentecapto não percebe que a referida criatura está boicotando o movimento popular em vez de fomentá-lo. A simples teimosia de continuar discutindo uma coisa tão óbvia já denota alto grau de analfabetismo político praticamente incurável. 

Olavo de Carvalho

Da importância da censura, de modo a nos proteger das heresias políticas

1) Há quem diga que imprensa se combate com imprensa

2) Num mundo libertário, onde todos têm o direito de dizer a sua própria verdade, o simples fato de não haver censura fomenta o relativismo moral, a ponto de se alimentar uma alta traição.

3) O maior erro de nosso Imperador foi não ter exercido sua autoridade, de modo a defender a aliança do altar com o trono, edificada desde Ourique. A imprensa deve ser livre para falar tudo aquilo que decorre de Cristo e que é conforme o Todo que vem de Deus; se ela pregar liberdade fora da liberdade de Cristo, ela estará edificando liberdade para o nada, o que nos tornará cativos da tirania e do totalitarismo.

4) Não opor-se ao erro é aprová-lo - e não censurar artigos de jornal de modo a edificar heresia política entre nós constitui causa de apatria sistemática a longo prazo.

5) Infelizmente, neste ponto, nosso Imperador foi omisso, pois não nos protegeu de um mundo cada vez mais contaminado pela mentalidade revolucionária decorrente da Revolução Francesa. Os republicanos tiveram liberdade para pregar sua heresia política, derrubaram o Imperador e agora estamos nessa desgraça há 127 anos. Eis a lição política que não pode ser esquecida.

A cultura do diploma é um acessório da cultura do corpo tomado como se fosse propriedade

1) A cultura do diploma está intimamente relacionada à cultura de que o corpo é propriedade: se sou dono do meu corpo, então eu sou dono de todos os poderes que me forem atribuídos, por força do título que me vier a ser conferido pelo diploma.

2) Se sou portador do meu diploma e dono do meu corpo, então eu sou um Deus. E por isso, posso fazer o que eu quiser. Eis aí a República.

3) Os parlamentares recebem diploma desde que são eleitos. Como esse é um diploma, eles se acham mais deuses ainda - e usarão e abusarão do poder, pois pensarão que o mandato é de sua propriedade.

4) Se vocês querem acabar com a corrupção, então vocês devem acabar com a cultura do diploma, assim como a nefasta cultura libertária que gera a noção de que eu sou dono do meu corpo, idéia essa nefasta, própria dos que pregam a liberdade fora da liberdade de Cristo.

5) Se sou livre em Cristo e conforme o Todo que vem de Deus, então eu sou escravo do verdadeiro Deus - e devo servir a Ele de modo que o pais viva na conformidade com o Todo que vem de Deus. Se sou escravo de Deus, então ninguém pode me tratar mal, pois Deus é bom e o homem é criatura, pois não pode saber de tudo e nem pode fazer o que é impossível, muito menos estar presente em todos os lugares ao mesmo tempo, seja no passado, no presente ou no futuro, pois tudo isso a Deus pertence. É por esse fundamento, como servo de Deus, que sou livre. 

6) Combater o republicanismo cultural implica combater o libertarismo, que prepara o caminho para o comunismo.