Pesquisar este blog

sábado, 30 de janeiro de 2016

Da importância de se copiar à mão para se traduzir um texto melhor

1) Se ao copiar o livro à mão você imita o estilo dos escritores, você tende a aprender os erros e acertos do escritor, que é um ser humano tal como todos nós - um ser imperfeito.

2) Da posse do conhecimento dos altos e baixos do livro, você faz uma tradução para o vernáculo e uma versão melhorada desse autor, de modo a que na sua língua os vícios desse autor sejam corrigidos.

3) Como escritor de língua portuguesa, você deve ser às vezes o autor da língua original, de modo a dizer as coisas de modo a que um falante da língua portuguesa possa entender. E o método mais natural de imitação que se pode conceber é copiando sentenças à mão e traduzindo, de modo a ficar o mais simples e completo possível.

Da importância de copiar textos de modo a imitar o estilo dos grandes escritores ou melhorá-los

1) Inspirado numa matéria que vi sobre uma estudante do ABC que copiou a Bíblia, tratei de copiar os Princípios de Economia Política, de Carl Menger, não só para praticar a caligrafia como também para extrair informações importantes do livro que estou copiando.

2) O lado bom de estar copiando à mão é que você está honrando todo o esforço intelectual de quem escreveu o livro - você passa a raciocinar da forma como o escritor pensou e passa a ver outras maneiras de introduzir um texto mais simples, de modo a que fique mais claro e objetivo.

3) Além disso, se os parágrafos forem enumerados, você terá uma referência do que pode ser tirado do livro e comentado. Até mesmo as notas de rodapé, coisa que muitos não notam, passam a ser vistas com mais detalhes. A leitura fica mais ativa e você tende a aproveitar mais o trabalho.

4) Quem acha isso atraso de vida não passa de um débil mental. Se é preciso imitar os grandes escritores, então a melhor forma de se desenvolver o estilo é copiando os textos dos grandes escritores e vendo a sua viabilidade literária. Se o estilo faz o homem, então o homem se só se torna um escritor quando imita os melhores e os sintetiza num só corpo - o dele próprio, que serve a todos os outros dentro de suas circunstâncias.

Matérias relacionadas: http://adf.ly/1WBXmz

Como os antigos e os modernos enxergavam os bens?

A) Definição dos antigos sobre os bens:

1) Aristóteles (em seu livro sobre a Política) define a natureza dos bens como tudo aquilo que visa ao bem-estar e à felicidade dos homens, sem o qual a vida humana seria impossível. 

2) Essa definição está relacionada aos aspectos éticos da finalidade dos bens. Isso influenciou decisivamente o pensamento medieval, que passou a relacionar os bens com a vida eterna. Tudo o que nos prepara para a vida eterna e para conformidade com o Todo que vem de Deus é útil - e por essa razão é um bem, pois atende as nossas necessidades humanas, tanto carnais quanto espirituais.

B) Definição de Bens segundo Forbonnais (princípio da definição moderna sobre os bens):

Bens: tudo aquilo que não produz receita anual (frutas e móveis preciosos)

Riqueza: tudo o que produz receita anual, produto interno bruto

1) Tudo aquilo que não produz receita anual é um bem escasso, difícil de ser produzido em massa, difícil de ser impessoalizado, pois o seu custo elevado não compensa a iniciativa de massificá-lo. Justamente por ser um bem escasso, valioso, esse bem tem um valor bem elevado.

2) Todo bem escasso é um bem servido, voltado para todos aqueles que amam e rejeitam as mesmas coisas, tendo por Cristo fundamento. Um bem servido é um bem a serviço do bem comum, destinado ao bem-estar e à felicidade dos homens. Logo, um bem públco. Por ser um bem fora do comércio, por não produzir renda regularmente, em todas as épocas do ano, não está sujeito á tributação.

3) Todo bem que produz receita regularmente, que possui um ciclo econômico definido, é um bem econômico, pois produz riqueza. Essa riqueza se dá através da produção bens móveis destinados ao atendimento das necessidades da população (economia massificada) e através dos frutos decorrentes dos rendimentos da terra, seja na forma de aluguéis ou arrendamento, para o caso da agricultura. A riqueza produzida por essas duas atividades - uma, de natureza econômica, e outra, fundada em direito real - gera o direito de o Estado tributar essa riqueza, através do imposto de renda.

4) Enfim, o começo do socialismo começa na definição moderna de Forbonnais, que leva em conta a relação entre a riqueza e os interesses de Estado - algo já relacionado aos tempos renascentistas.

5) A partir do momento em que a definição deixou de levar em conta os valores da vida eterna, tudo se reduziu ao mais puro utilitarismo. Como a intervenção do Estado na economia se dá por vias utilitaristas, pragmáticas, então a relegação da vida eterna gerou a noção de materialismo, base para o totalitarismo.

Fontes: Princípios de Economia Política, de Carl Menger - nota 1 do Capítulo 1

José Octavio Dettmann

Rio de Janeiro, 30 de janeiro de 2016 (data da postagem original).

Postagens Relacionadas:

Ninguém quer o bem do Brasil

1) Ninguém quer o bem do Brasil, pois este renega as suas origens. Como deliberaram as coisas sem consultar professores de história - ao eliminar praticamente tudo o que vem antes de 1500 ou de 1789, para a doutrinação gritante e das brabas -, agora o "conselho comum" quer eliminar as letras da terra lusa, berço do idioma falado no Brasil.

2) O objetivo é idiotizar, manter as pessoas na ignorância invencível. "Divide e dominarás" - Quem controla o conhecimento, mesmo para o mal, controla o rebanho.

3) É doutrinação bananeira pura! A mais descarada. E os imbecis ligados a área de educação... bem, todos devem ser iletrados comunistas do MEC ligados ao Foro de SP!

4) Precisamos urgentemente acabar com o Foro, com os partidos ligados ao mesmo, com a deforma ortográfica lulista e com o MEC.

Arthur Benderoth de Carvalho​

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Todo conservantista comete crime comissivo por omissão

1) Não opor-se ao erro é aprová-lo - é conservar o que é conveniente e dissociado da verdade. 

2) Quem fica reclamando demais e nada faz não é digno de ser conservador, pois por omissão está permitindo que se atente contra tudo o que se funda na verdade, em Cristo. Por não estar conservando dor nenhuma e ajudando, com a omissão, a ver o mesmo Cristo ser crucificado repetidas vezes, ele está se tornando conservantista.

3) Por isso que eu digo que o inimigo mais temível no movimento não é nem o comunista ou o libertário, mas o conservantista. O moderado conserva o que conveniente e dissociado da verdade - e só por conta disso já prepara o caminho para o radical, totalitário.

José Octavio Dettmann

Rio de Janeiro, 29 de janeiro de 2016 (data da postagem original).

Notas sobre a filosofia japonesa

Para o filósofo japonês Tetsuro Watsuji, a única escolha moral verdadeira do indivíduo é a do auto-sacrifício em prol da comunidade. Este filósofo confrontou a filosofia ocidental apontando para o individualismo a que tendem assumir na ética - para ele, a ética não é uma questão de ação individual, mas de esquecimento ou sacrifício do próprio eu, de modo que o indivíduo possa trabalhar em benefício de uma comunidade mais ampla. Ele chamou a isto de "estar entre".

Em seus primeiros escritos (entre 1913 e 1915), ele introduziu o trabalho de Søren Kierkegaard e Friedrich Nietzsche, mas em 1918 voltou-se contra esta posição, criticando o individualismo filosófico ocidental e atacando a sua influência sobre o pensamento japonês e a vida no Japão. Isso levou a um estudo das raízes da cultura japonesa.

Flávio Fortini

Facebook, 29 de janeiro de 2016 (data da postagem original).

Do anti-olavismo como uma forma de conservantismo

Um mérito não se pode negar à campanha anti-olavista. A sanha devoradora da sociedade antropofágica permaneceu, até recentemente, uma força constante, mas discreta, um mal secreto que rastejava nas sombras em busca das suas vítimas e só se tornava visível pelos seus efeitos de longo prazo, por sua vez nem sempre ostensivos e espetaculares. Escritores, artistas, filósofos e sábios iam definhando e morrendo, sacrificados e servidos na mesa da estupidez sem que se pudesse identificar pelo nome um grupo de culpados. Velascos, Tirapanis e similares, agora, encarnam essa força odienta a maligna com uma presença ostensiva, com uma teatralidade histriônica que jamais poderá voltar ao conforto do anonimato. Pela primeira vez a antropofagia brasileira tem exemplares individualizados que podem ser isolados e colhidos para estudo. São como o abscesso que, traz à flor da pele a infecção longamente escondida no fundo do organismo.

Quem acha que me envolvo em "briguinhas" não entende NADA do que está acontecendo. O anti-olavismo é o fenômeno sociopolítico MAIS IMPORTANTE E REVELADOR DO MOMENTO. Nele está a chave de toda a disputa de poder neste país. Esperem e verão.

Olavo de Carvalho