1) Se Portugal foi fundado pelo próprio Cristo de modo a propagar a fé Cristã, pode a esposa de Cristo condenar o propósito de seu marido, que é fundar um Império, uma vez que Ele é senhor dos exércitos?
2) Há uma lenda de que D. Sebastião não morreu - e Cristo prometeu para D. Afonso Henriques que a geração atenuada, a de Avis, voltaria e Portugal teria as bênçãos de Cristo de novo. Portugal espera novamente um descendente de D. Afonso Henriques para reinar sobre o mundo português como um todo. E Cristo cumpre suas promessas.
3) Se há um messianismo em D. Sebastião, não é porque seja ele Deus, mas o ungido por Deus para reinar sobre o mundo até o momento em que o próprio Cristo voltasse à terra e reinasse definitivamente, pois Portugal foi servir a Cristo em terras distantes, uma vez que Cristo quis um Império para si, já que os islâmicos são a maior ameaça à cristandade. Se o próprio Estado foi criado pelo próprio Cristo, como a Igreja Católica condenaria? Não faria sentido. A situação é muito especial. A Igreja é acessório que segue a sorte do principal, que é o Cristo.
4) Em Estados onde o rei foi coroado por meio da Igreja, um corpo intermediário, seria perfeitamente válido falar em Roma locuta, causa finita, pois o Reino é acessório que segue a sorte do principal, a Igreja, que, por sua vez, é acessório que segue a sorte do principal, que é Cristo. No caso de Portugal, a palavra do vigário não seria o bastante, já que foi o próprio Cristo que fundou. Em coisa que o principal cria, a decisão do acessório é precária e corre o risco de ser convalidada, diante de algo que só cabe ao principal se pronunciar diretamente. Isso não quer dizer, todavia, que Portugal é maior do que a Igreja e que o vassalo de Cristo deve ser tomado como se fosse religião a ponto de negar o seu senhor, o que ensejaria com justiça a condenação do sebastianismo como um movimento herético, posto que este tipo de coisa estaria sendo conservada de maneira conveniente e dissociada da verdade.
5) Se você negar Ourique, você jamais entenderá o Brasil e nem Portugal. Algo muito especial aconteceu lá e isso não pode ser negado. É um ser, não um crer. Por isso, não é uma heresia, uma vez que a heresia tem por condão destruir a fé cristã - e o que houve foi justamente o contrário.
José Octavio Dettmann
Rio de Janeiro, 11 de julho de 2017 (data da postagem oriignal).
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