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terça-feira, 16 de setembro de 2025

Carry Trade com elementos de comércio triangular: uma inovação na literatura econômica (versão acadêmica)

Introdução

O carry trade, no sentido clássico, refere-se à arbitragem financeira baseada em diferenças de taxas de juros entre países. Como notam Keynes (1930) e, mais recentemente, Kindleberger (1978), o capital internacional busca constantemente os fluxos de maior rentabilidade, movendo-se entre moedas e jurisdições.

O presente artigo propõe uma extensão original desse conceito: um carry trade triangular cultural-financeiro, que incorpora não apenas os diferenciais de juros e câmbio, mas também incentivos fiscais e elementos culturais. Tal modelo guarda semelhança com o comércio triangular da Idade Moderna — amplamente descrito por Braudel (1979) e Wallerstein (1980) —, mas reconfigurado para a economia global do século XXI.

1. Do carry trade clássico ao híbrido

O carry trade convencional consiste em tomar empréstimos em moedas de baixo juro e aplicar em moedas de alto juro, capturando o diferencial. Essa prática é central para entender crises financeiras como a do iene japonês nos anos 1990 ou os fluxos de capital para mercados emergentes no início dos anos 2000 (Helleiner, 1994).

No modelo aqui descrito, entretanto, o diferencial de juros é apenas uma camada do processo. O capital circula não apenas em busca de rendimento financeiro, mas também de vantagens fiscais e culturais, aproveitando assimetria regulatória e tributária entre Brasil, EUA e Europa.

2. Estrutura Triangular

O modelo articula três vértices geoeconômicos:

  • Brasil – Taxa Selic elevada, programas de fidelidade como Livelo, e isenção tributária na compra de livros. Aqui ocorre a conversão de reais em pontos/milhas, que funcionam como uma quase-moeda.

  • Estados Unidos (Flórida) – Estabilidade institucional, conta bancária em dólar com acesso a sistemas de pagamento como Zelle, e mercado consumidor formado pela diáspora brasileira e hispânica. Os livros físicos digitalizados são monetizados em dólar.

  • Europa (Portugal e Espanha) – Portugal fornece residência e caminho para cidadania europeia; a Espanha adiciona o detaxe imediato, criando arbitragem fiscal. Esse vértice amplia o ciclo triangular e conecta a operação ao euro.

Assim, o capital circula de forma semelhante ao comércio triangular histórico, mas substituindo escravos, manufaturas e matérias-primas por juros, pontos de fidelidade e bens culturais.

3. O ciclo financeiro

  1. Receita em dólar (venda de livros nos EUA).

  2. Conversão em reais via Wise, aplicados inicialmente em poupança no Brasil.

  3. Conversão de reais em pontos (Astropay + Livelo), aproveitando datas promocionais.

  4. Transferência para Latam Pass em campanhas de 100% bônus.

  5. Venda de milhas em mercado secundário (Hotmilhas), liquidação D+1.

  6. Aplicação em CDBs (110% do CDI), capturando juros elevados da Selic.

  7. Reconversão em dólar quando o câmbio se mostra favorável.

  8. Reenvio do capital aos EUA, reiniciando o ciclo.

Esse percurso caracteriza um verdadeiro carry trade em espiral, no qual o capital se expande a cada ciclo.

4. Comércio Triangular e Capital Cultural

Segundo Braudel (1979), o comércio triangular entre Europa, África e Américas não era apenas mercantil, mas estruturava uma rede de poder global. Analogamente, no modelo aqui descrito, os livros funcionam como mercadorias culturais, dotadas de isenção tributária e alta aceitação simbólica.

O capital cultural, aqui, atua como lastro:

  • No Brasil, livros geram pontos e milhas (capital simbólico convertido em financeiro).

  • Nos EUA e Europa, livros são vendidos a comunidades específicas, criando demanda estável.

  • Digitalizados, tornam-se também ativos imateriais, multiplicando valor sem custos adicionais.

Esse aspecto cultural confere resiliência à operação, pois vincula o fluxo de capitais à circulação de conhecimento.

5. Originalidade e Contribuição

O modelo apresentado se distingue da literatura existente por três razões:

  1. Hibridização – une arbitragem de juros, câmbio, fiscalidade e cultura em um mesmo ciclo.

  2. Triangularidade – reproduz, em chave contemporânea, a lógica do comércio triangular histórico, agora fundada em bens culturais e digitais.

  3. Lastro simbólico – insere a economia da cultura no centro da arbitragem financeira, ampliando a noção de capital para além do monetário, em consonância com a visão de Bourdieu (1986) sobre capital cultural.

Trata-se, portanto, de um novo paradigma teórico, que poderia inaugurar uma vertente de estudos denominada carry trade triangular cultural-financeiro.

Conclusão

A literatura econômica tradicional descreve o carry trade como arbitragem puramente financeira. O modelo aqui proposto demonstra que, na era global, ele pode ser expandido para abarcar tributação, câmbio e cultura, operando de forma triangular entre Brasil, EUA e Europa.

Assim como o comércio triangular da Idade Moderna estruturou o sistema-mundo (Wallerstein, 1980), este novo modelo sugere que o século XXI pode testemunhar a emergência de estratégias híbridas de arbitragem global, em que o capital circula não apenas como dinheiro, mas também como cultura e conhecimento.

Referências Bibliográficas

  • BOURDIEU, Pierre. The Forms of Capital. In: Richardson, J. (ed.). Handbook of Theory and Research for the Sociology of Education. New York: Greenwood, 1986, p. 241-258.

  • BRAUDEL, Fernand. Civilization and Capitalism, 15th–18th Century: The Structures of Everyday Life, Vol. 1. New York: Harper & Row, 1979.

  • HELLEINER, Eric. States and the Reemergence of Global Finance: From Bretton Woods to the 1990s. Ithaca: Cornell University Press, 1994.

  • KEYNES, John Maynard. A Treatise on Money. London: Macmillan, 1930.

  • KINDLEBERGER, Charles P. Manias, Panics, and Crashes: A History of Financial Crises. New York: Basic Books, 1978.

  • WALLERSTEIN, Immanuel. The Modern World-System. New York: Academic Press, 1980.

Carry Trade com elementos de comércio triangular: uma inovação na literatura econômica

Introdução

O conceito clássico de carry trade é bem conhecido da literatura econômica: trata-se da arbitragem financeira que explora as diferenças entre taxas de juros, moedas e riscos entre países. O investidor toma recursos em países de juros baixos e os aplica em países de juros altos, obtendo retorno no diferencial.

O que se propõe aqui, contudo, é uma estratégia inovadora: um carry trade híbrido, no qual se combinam juros, câmbio, incentivos fiscais e culturais. Esse modelo se aproxima do comércio triangular da era moderna — em que mercadorias, capitais e culturas circulavam entre continentes —, mas reformulado para o século XXI, com forte base em programas de fidelidade, digitalização de bens culturais e arbitragem tributária.

1. O modelo estrutural

A estratégia se apoia em três vértices principais:

  1. Brasil – País de juros elevados e políticas de incentivo à compra de livros (isenção de ICMS, ISSQN, IPI e imposto de importação). Aqui, os pontos de programas como a Livelo são multiplicados em datas promocionais, convertendo reais em capital simbólico e financeiro.

  2. Estados Unidos (Flórida) – Porta de entrada no mercado dolarizado. O imóvel em território americano viabiliza contas correntes e savings accounts, além do uso do Zelle, que integra o circuito comercial local. Livros físicos são vendidos para brasileiros e hispano-americanos, com receitas em dólar.

  3. Europa (Portugal e Espanha) – Portugal abre o caminho para cidadania e residência fiscal vantajosa. Já a Espanha oferece o detaxe imediato em livros, criando arbitragem tributária de alto valor. A comunidade hispânica amplia o mercado consumidor e reforça o ciclo triangular.

Assim, forma-se um triângulo geoeconômico: Américas – Brasil – Europa, sustentado por arbitragens financeiras e culturais.

2. O ciclo operacional

  1. Receitas em dólar nos EUA são convertidas em reais via Wise e aplicadas em poupança no Brasil.

  2. Em datas promocionais, reais são transformados em pontos Livelo por meio de compras de livros, com pontuação turbinada via cartão de crédito.

  3. Os pontos são transferidos para a Latam Pass em campanhas de 100% bônus e vendidos no mercado secundário (Hotmilhas), gerando liquidez imediata.

  4. Os recursos em reais são aplicados em CDBs atrelados ao CDI (acima de 110%), com taxas próximas à Selic (15% a.a no exemplo atual).

  5. Após o ciclo de maturação, os rendimentos são reconvertidos em dólar em momentos de câmbio baixo e remetidos para os EUA.

  6. O processo recomeça, sustentando um carry trade em espiral de crescimento.

3. Elementos de Comércio Triangular

O comércio triangular histórico do período colonial articulava três circuitos: manufaturas europeias, escravos africanos e produtos agrícolas americanos. No modelo aqui proposto, temos um triângulo de capitais e cultura:

  • Brasil → Produz capital simbólico (pontos, milhas, livros digitalizados) e financeiro (renda fixa).

  • EUA → Transformam livros físicos em receitas em dólar, aproveitando a diáspora brasileira e hispânica.

  • Europa → Fornece arbitragem fiscal (detaxe, poupança isenta) e mercado consumidor.

O triângulo não se limita à circulação de mercadorias, mas cria valor em quatro dimensões: financeira, cambial, fiscal e cultural.

4. Originalidade e Implicações

Na literatura econômica, o carry trade é geralmente tratado como operação financeira pura. Aqui, no entanto, ele ganha novas camadas:

  • Financeira: arbitragem entre Selic elevada e juros baixos internacionais.

  • Fiscal: aproveitamento de isenções em livros e poupanças.

  • Cambial: conversões estratégicas BRL–USD–EUR em momentos de janela favorável.

  • Cultural: livros como ativos de troca e preservação, criando lastro simbólico e demanda em comunidades específicas.

Essa abordagem rompe a separação tradicional entre finanças e comércio, propondo um modelo híbrido de arbitragem global. É uma contribuição inédita, que merece lugar na literatura acadêmica sob a denominação de carry trade triangular cultural-financeiro.

Conclusão

A estratégia apresentada evidencia que o carry trade do século XXI pode ir além da simples diferença de juros entre países. Ao integrar instrumentos financeiros, políticas fiscais, fluxos culturais e digitais, cria-se uma forma de comércio triangular adaptada à economia global contemporânea.

Esse modelo mostra que o capital não é apenas fluxo monetário, mas também acúmulo de trabalho cultural, conhecimento e arbitragem criativa. Mais do que uma técnica de arbitragem, trata-se de um novo paradigma econômico.

Carry Trade Empreendedor com Livelo: arbitragem cambial sem empréstimos

 O carry trade é conhecido no mercado financeiro como a prática de captar recursos em uma moeda de juros baixos e aplicar em outra de juros altos, lucrando com o diferencial. Essa operação, no entanto, costuma envolver endividamento, com riscos de variação cambial que podem anular o ganho.

O que descrevo aqui é diferente: um carry trade empreendedor, realizado sem recorrer a empréstimos. O capital inicial não foi tomado de terceiros, mas gerado a partir de atividade produtiva: a venda de livros físicos nos Estados Unidos. Essa característica altera o risco, a natureza e o alcance da estratégia.

1. Estrutura bancária entre EUA e Brasil

A base da operação está na presença financeira nos EUA, com duas contas distintas:

  • Checking account: usada para operações correntes, especialmente para receber pagamentos pelo Zelle.

  • Savings account: usada como cofre, para acumulação de dólares ao longo do tempo.

Os livros vendidos a brasileiros e descendentes na Flórida são o ponto de partida: ao invés de recorrer a crédito, o capital nasce da função empreendedora pura — transformar um bem cultural em liquidez financeira.

2. Conversão de dólares em reais

Os dólares recebidos são convertidos em reais e alocados inicialmente na poupança do Itaú, aproveitando o aniversário mais rentável. Aqui, já ocorre o primeiro estágio do carry trade: dólares de juro baixo transformados em reais de juro alto.

3. Multiplicação via Livelo e AstroPay

Aqui está a principal inovação da estratégia: a combinação entre arbitragem tributária e efeito cascata de pontos.

  1. Em datas promocionais da Livelo (10 pontos por real), o dinheiro convertido é transferido para o AstroPay.

  2. Essa carga do AstroPay é reconhecida como compra no cartão, o que gera pontos adicionais.

  3. Com o saldo do AstroPay, adquirem-se livros, bens imunes de ICMS, ISSQN, IPI e Imposto de Importação.

  4. Essas compras rendem novos pontos na Livelo.

  5. O pagamento ainda pode ser turbinado com cartão de crédito adicional, multiplicando novamente os pontos.

Ou seja, o mesmo real gera pontos em três momentos distintos:

  • na carga do AstroPay,

  • na compra do livro (via Livelo),

  • e na quitação com o cartão de crédito adicional.

É um verdadeiro efeito cascata de pontuação, que transforma gastos cotidianos em ativos multiplicados.

4. Conversão de pontos em liquidez

Quando surgem campanhas de 100% de bônus na Latam Pass, os pontos Livelo são transferidos, convertidos em milhas e vendidos rapidamente no Hotmilhas, com pagamento em D+1.

Assim, ativos intangíveis tornam-se liquidez imediata em reais.

5. Aplicação em renda fixa

Os valores obtidos são aplicados em CDBs a 110% do CDI, que, em um cenário de Selic a 15% a.a., rendem cerca de 16,5% ao ano.

Aqui se dá o coração do carry trade: transformar dólares captados a custo zero em reais multiplicados por juros elevados, sem endividamento.

6. Renovação e janela cambial

Após três anos, existem duas possibilidades:

  • Se os juros brasileiros permanecerem altos, renova-se o CDB, ampliando o efeito composto.

  • Se os juros caírem, preserva-se o capital na poupança, isenta de IR, até que surja uma oportunidade de recompra de dólares a preços favoráveis.

7. Recompra de dólares

No momento adequado, recompra-se dólar e transfere-se novamente para a savings account nos EUA. O ciclo se completa:

  • livros → dólares → reais → pontos → milhas → reais → juros altos → recompra de dólares.

Conclusão

Essa estratégia pode ser definida como um carry trade empreendedor com efeito cascata de pontos:

  • não depende de empréstimos,

  • nasce de atividade produtiva (venda de livros),

  • converte cada real em múltiplas rodadas de pontuação,

  • aproveita imunidades constitucionais e o diferencial de juros,

  • e fecha o ciclo com arbitragem cambial.

Diferente do carry trade especulativo clássico, aqui temos uma engenharia financeira autônoma e sustentável, que combina economia real, criatividade nos programas de fidelidade e disciplina estratégica. É um exemplo concreto de como a função empreendedora pode transformar simples dólares de vendas em uma máquina de multiplicar capital no longo prazo.

Dia 01 da Reunião do Copom - 16/09/2025

Hoje, terça-feira, 16 de setembro de 2025, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil iniciou sua reunião para definir a taxa básica de juros, a Selic. A expectativa é de que a Selic seja mantida em 15% ao ano, conforme sinalizado pelo próprio comitê e amplamente aguardado pelos analistas. Agência Brasil+1

Na manhã de hoje, a primeira etapa da reunião teve início às 10h08, com apresentações técnicas sobre a conjuntura econômica, incluindo inflação, atividade econômica e cenário internacional. A decisão final será divulgada amanhã, quarta-feira, 17 de setembro, às 18h30. CNN Brasil

O cenário atual apresenta desafios para o Copom:

  • Inflação ainda elevada: Apesar de uma leve deflação mensal em agosto, a inflação anual permanece em 5,13%, acima da meta de 3% estabelecida pelo Banco Central. Reuters

  • Cenário internacional incerto: A economia global enfrenta volatilidade, o que pode impactar as decisões do Copom.

Economistas projetam que a Selic se mantenha em 15% até o final de 2025, com possíveis cortes graduais apenas em 2026, caso haja reancoragem das expectativas inflacionárias e maior consistência nos fundamentos fiscais e macroeconômicos. VEJA

O mercado financeiro acompanha atentamente as decisões do Copom, que influenciam diretamente o custo do crédito, os investimentos e o crescimento econômico do país.

Estratégia de Arbitragem Financeira: livros, milhas e CDB

No Brasil, a Constituição Federal estabelece imunidade tributária para livros, jornais, periódicos e o papel destinado à sua impressão (art. 150, VI, “d”). Em termos práticos, isso significa que a compra de livros está livre de tributos como ICMS, IPI, ISSQN e Imposto de Importação. Essa peculiaridade, muitas vezes ignorada pelo consumidor comum, pode ser explorada de maneira inteligente dentro de um ciclo de arbitragem financeira que combina cultura, acúmulo de pontos, geração de liquidez e investimentos em renda fixa atrelados à taxa Selic.

A seguir, descrevo um método de oito etapas que, quando aplicado com disciplina, permite multiplicar o retorno de algo aparentemente simples como a compra de livros na Amazon brasileira.

1. A compra inicial: livros sem impostos

O ponto de partida é adquirir livros vendidos diretamente pela amazon.com.br (e não por vendedores do marketplace). Nessa condição, o consumidor se beneficia da imunidade tributária prevista pela Constituição. O gasto com livros, portanto, já nasce sem a erosão causada pela carga fiscal.

2. Campanhas de acúmulo: 10 pontos por real

Ao aguardar campanhas específicas da Livelo, cada real gasto em livros pode render 10 pontos. Esse é o primeiro multiplicador da estratégia, garantindo que a simples aquisição de conhecimento também se transforme em capital potencial.

3. O turbinamento: 10x dentro da Livelo

Com os pontos creditados, entra o turbinamento. A Livelo permite multiplicar os pontos em até 10 vezes, o que significa que R$ 100 gastos em livros podem se transformar, rapidamente, em 10.000 pontos.

4. Transferência bonificada: 100% para Latam Pass

Em campanhas de transferência com 100% de bônus para o Latam Pass, esses 10.000 pontos se convertem em 20.000 milhas. Mais uma vez, a lógica é esperar o momento certo para maximizar o ganho. 

5. Liquidez imediata: venda no Hotmilhas

As milhas, por si só, têm valor. No entanto, a estratégia prevê convertê-las em liquidez imediata através de plataformas como o Hotmilhas, que paga em D+1. Assim, o consumidor transforma pontos intangíveis em dinheiro no caixa.

6. Do fluxo para o investimento: poupança → CDB 110% CDI

O valor resgatado é transferido para a poupança e, de lá, aplicado em um CDB que rende 110% do CDI. Em um cenário de Selic a 15% a.a., o CDI acompanha (~14,9%). Nesse caso, o rendimento real do CDB chega a aproximadamente 16,4% a.a., bem acima da média do mercado.

7. Rolagem inteligente: só renovar se Selic ≥ 15%

Após três anos de aplicação, a estratégia prevê rolar o CDB apenas se a Selic se mantiver em patamares iguais ou superiores a 15%. Caso contrário, a orientação é manter liquidez até uma nova oportunidade de alta da taxa básica de juros.

8. O fator tributário: declaração e restituição futura

Enquanto vigente o Imposto de Renda sobre investimentos, os rendimentos do CDB devem ser devidamente declarados. Contudo, tramita no Congresso o projeto de lei da deputada Júlia Zanatta que propõe a extinção do IR. Caso aprovado, abre-se a possibilidade de solicitar restituição administrativa ou judicial de tudo o que foi pago nos últimos cinco anos. Nesse cenário, o ganho líquido do investidor seria ainda maior.

Conclusão

Esse ciclo de arbitragem mostra como é possível transformar cultura em capital. Ao comprar livros imunes de impostos, o consumidor não apenas adquire conhecimento, mas também desencadeia uma cadeia de multiplicação de pontos, conversão em milhas, liquidez imediata e investimentos rentáveis em renda fixa.

Mais do que uma simples estratégia de milhas, trata-se de um método de otimização financeira que une prudência, timing e visão de longo prazo. Em um ambiente econômico volátil, saber unir imunidades constitucionais, campanhas promocionais e a disciplina de reinvestir pode ser o diferencial entre um ganho ordinário e um ganho extraordinário.

segunda-feira, 15 de setembro de 2025

Reunião do Copom de setembro de 2025: expectativa de manutenção da taxa Selic em 15%

Na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil, agendada para os dias 16 e 17 de setembro de 2025, a expectativa predominante é de que a taxa Selic seja mantida em 15% ao ano. Esse patamar representa o nível mais alto da taxa básica de juros desde 2006.

Contexto Econômico Atual

Apesar de uma leve deflação mensal em agosto, a inflação anual permanece em 5,13%, acima do teto da meta de 4,5% estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Além disso, o mercado de trabalho continua aquecido, e há incertezas econômicas globais que influenciam a política monetária. Esses fatores contribuem para a decisão do Copom de manter a taxa Selic elevada para controlar a inflação.

Expectativas do Mercado

Pesquisas recentes, como o boletim Focus divulgado em 15 de setembro, indicam que a mediana das projeções para a Selic ao final de 2025 permanece em 15% ao ano. Para 2026, houve uma leve redução na expectativa, passando de 12,50% para 12,38% Reuters. Essas previsões refletem um cenário de inflação ainda acima da meta estabelecida pelo CMN, que é de 3%, com um intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos.

Perspectivas Futuras

Embora a manutenção da Selic em 15% seja esperada para a reunião de setembro, algumas projeções indicam que o primeiro corte na taxa pode ocorrer já em janeiro de 2026, caso a inflação mostre sinais de convergência para a meta do BC. No entanto, essa decisão dependerá da evolução dos indicadores econômicos nos próximos meses.

Em resumo, embora o cenário atual sugira a possibilidade de um aumento da Selic, a expectativa é de que o Copom mantenha a taxa inalterada na reunião de setembro, aguardando uma evolução mais favorável da inflação para considerar futuros cortes.

Vilania, Mentalidade Provinciana e a Aldeia Global: O Brasil entre a vila e o mundo

No português, a palavra vilão possui uma origem surpreendentemente literal: derivada do latim villanus, designava o habitante de uma vila, o camponês ou aldeão que vivia afastado dos centros urbanos e das cortes. Longe de qualquer conotação moral negativa, o vilão medieval era simplesmente alguém provinciano, limitado ao espaço e às preocupações de sua comunidade local. Somente com o tempo a palavra adquiriu o sentido de “malfeitor” na língua, uma mudança semântica fruto da literatura, do teatro e da cultura popular.

Essa etimologia fornece uma lente para compreender problemas contemporâneos na política brasileira. A classe política que se mantém provinciana, com uma visão restrita e limitada do país, cria as condições para a vilania institucional: decisões que preservam privilégios e narrativas convenientes, mesmo quando dissociadas da verdade ou do bem comum.

Olavo de Carvalho criticou de forma incisiva a natureza provinciana e inculta da elite brasileira, destacando que esta permanece confinada à própria “vila”, reproduzindo hábitos e valores que consolidam seu poder imediato, sem se projetar para o universal. Tal mentalidade limita a capacidade do país de agir de forma estratégica e alinhada à verdade, perpetuando uma vilania estrutural que não é apenas moral, mas também política e cultural.

No entanto, a história não permite que a vila permaneça isolada. Marshall McLuhan, em suas análises sobre comunicação, destacou o surgimento da aldeia global, na qual as fronteiras geográficas perdem importância diante da interconexão instantânea entre sociedades, economias e culturas. No Brasil, esse fenômeno se reflete na necessidade de líderes que transcendam a visão limitada da “vila” e compreendam a amplitude das relações globais.

Essa ideia também é explorada por Loryel Rocha em Manifesto sobre o Gran-Brasil: o Império dos impérios do mundo (IMUB, 2023), obra que analisa o potencial do Brasil no contexto mundial e denuncia a incapacidade da elite provinciana de acompanhar as dinâmicas globais. A obra reforça a urgência de superar práticas vilanescas, voltadas apenas à manutenção de interesses locais, e de abraçar uma mentalidade estratégica que permita ao país se tornar protagonista em escala global.

Portanto, compreender a origem do vilão e sua evolução semântica não é apenas um exercício etimológico: trata-se de diagnosticar a mentalidade provinciana que ainda impede o Brasil de atuar plenamente na aldeia global. A superação dessa vilania exige líderes e cidadãos capazes de agir com visão ampla, ancorados na verdade e na responsabilidade coletiva, e não apenas na conveniência imediata de sua “vila”.

Bibliografia

  • Carvalho, Olavo de. O Jardim das Aflições: Mitos e Paradigmas. São Paulo: Vide Editorial, 1995.

  • McLuhan, Marshall. Understanding Media: The Extensions of Man. New York: McGraw-Hill, 1964.

  • Rocha, Loryel. Manifesto sobre o Gran-Brasil: o Império dos impérios do mundo. Rio de Janeiro: IMUB, 2023.

  • Houaiss, Antônio. Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro: Editora Objetiva, 2001.