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terça-feira, 16 de setembro de 2025

Estratégia de Arbitragem Financeira: livros, milhas e CDB

No Brasil, a Constituição Federal estabelece imunidade tributária para livros, jornais, periódicos e o papel destinado à sua impressão (art. 150, VI, “d”). Em termos práticos, isso significa que a compra de livros está livre de tributos como ICMS, IPI, ISSQN e Imposto de Importação. Essa peculiaridade, muitas vezes ignorada pelo consumidor comum, pode ser explorada de maneira inteligente dentro de um ciclo de arbitragem financeira que combina cultura, acúmulo de pontos, geração de liquidez e investimentos em renda fixa atrelados à taxa Selic.

A seguir, descrevo um método de oito etapas que, quando aplicado com disciplina, permite multiplicar o retorno de algo aparentemente simples como a compra de livros na Amazon brasileira.

1. A compra inicial: livros sem impostos

O ponto de partida é adquirir livros vendidos diretamente pela amazon.com.br (e não por vendedores do marketplace). Nessa condição, o consumidor se beneficia da imunidade tributária prevista pela Constituição. O gasto com livros, portanto, já nasce sem a erosão causada pela carga fiscal.

2. Campanhas de acúmulo: 10 pontos por real

Ao aguardar campanhas específicas da Livelo, cada real gasto em livros pode render 10 pontos. Esse é o primeiro multiplicador da estratégia, garantindo que a simples aquisição de conhecimento também se transforme em capital potencial.

3. O turbinamento: 10x dentro da Livelo

Com os pontos creditados, entra o turbinamento. A Livelo permite multiplicar os pontos em até 10 vezes, o que significa que R$ 100 gastos em livros podem se transformar, rapidamente, em 10.000 pontos.

4. Transferência bonificada: 100% para Latam Pass

Em campanhas de transferência com 100% de bônus para o Latam Pass, esses 10.000 pontos se convertem em 20.000 milhas. Mais uma vez, a lógica é esperar o momento certo para maximizar o ganho. 

5. Liquidez imediata: venda no Hotmilhas

As milhas, por si só, têm valor. No entanto, a estratégia prevê convertê-las em liquidez imediata através de plataformas como o Hotmilhas, que paga em D+1. Assim, o consumidor transforma pontos intangíveis em dinheiro no caixa.

6. Do fluxo para o investimento: poupança → CDB 110% CDI

O valor resgatado é transferido para a poupança e, de lá, aplicado em um CDB que rende 110% do CDI. Em um cenário de Selic a 15% a.a., o CDI acompanha (~14,9%). Nesse caso, o rendimento real do CDB chega a aproximadamente 16,4% a.a., bem acima da média do mercado.

7. Rolagem inteligente: só renovar se Selic ≥ 15%

Após três anos de aplicação, a estratégia prevê rolar o CDB apenas se a Selic se mantiver em patamares iguais ou superiores a 15%. Caso contrário, a orientação é manter liquidez até uma nova oportunidade de alta da taxa básica de juros.

8. O fator tributário: declaração e restituição futura

Enquanto vigente o Imposto de Renda sobre investimentos, os rendimentos do CDB devem ser devidamente declarados. Contudo, tramita no Congresso o projeto de lei da deputada Júlia Zanatta que propõe a extinção do IR. Caso aprovado, abre-se a possibilidade de solicitar restituição administrativa ou judicial de tudo o que foi pago nos últimos cinco anos. Nesse cenário, o ganho líquido do investidor seria ainda maior.

Conclusão

Esse ciclo de arbitragem mostra como é possível transformar cultura em capital. Ao comprar livros imunes de impostos, o consumidor não apenas adquire conhecimento, mas também desencadeia uma cadeia de multiplicação de pontos, conversão em milhas, liquidez imediata e investimentos rentáveis em renda fixa.

Mais do que uma simples estratégia de milhas, trata-se de um método de otimização financeira que une prudência, timing e visão de longo prazo. Em um ambiente econômico volátil, saber unir imunidades constitucionais, campanhas promocionais e a disciplina de reinvestir pode ser o diferencial entre um ganho ordinário e um ganho extraordinário.

segunda-feira, 15 de setembro de 2025

Reunião do Copom de setembro de 2025: expectativa de manutenção da taxa Selic em 15%

Na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil, agendada para os dias 16 e 17 de setembro de 2025, a expectativa predominante é de que a taxa Selic seja mantida em 15% ao ano. Esse patamar representa o nível mais alto da taxa básica de juros desde 2006.

Contexto Econômico Atual

Apesar de uma leve deflação mensal em agosto, a inflação anual permanece em 5,13%, acima do teto da meta de 4,5% estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Além disso, o mercado de trabalho continua aquecido, e há incertezas econômicas globais que influenciam a política monetária. Esses fatores contribuem para a decisão do Copom de manter a taxa Selic elevada para controlar a inflação.

Expectativas do Mercado

Pesquisas recentes, como o boletim Focus divulgado em 15 de setembro, indicam que a mediana das projeções para a Selic ao final de 2025 permanece em 15% ao ano. Para 2026, houve uma leve redução na expectativa, passando de 12,50% para 12,38% Reuters. Essas previsões refletem um cenário de inflação ainda acima da meta estabelecida pelo CMN, que é de 3%, com um intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos.

Perspectivas Futuras

Embora a manutenção da Selic em 15% seja esperada para a reunião de setembro, algumas projeções indicam que o primeiro corte na taxa pode ocorrer já em janeiro de 2026, caso a inflação mostre sinais de convergência para a meta do BC. No entanto, essa decisão dependerá da evolução dos indicadores econômicos nos próximos meses.

Em resumo, embora o cenário atual sugira a possibilidade de um aumento da Selic, a expectativa é de que o Copom mantenha a taxa inalterada na reunião de setembro, aguardando uma evolução mais favorável da inflação para considerar futuros cortes.

Vilania, Mentalidade Provinciana e a Aldeia Global: O Brasil entre a vila e o mundo

No português, a palavra vilão possui uma origem surpreendentemente literal: derivada do latim villanus, designava o habitante de uma vila, o camponês ou aldeão que vivia afastado dos centros urbanos e das cortes. Longe de qualquer conotação moral negativa, o vilão medieval era simplesmente alguém provinciano, limitado ao espaço e às preocupações de sua comunidade local. Somente com o tempo a palavra adquiriu o sentido de “malfeitor” na língua, uma mudança semântica fruto da literatura, do teatro e da cultura popular.

Essa etimologia fornece uma lente para compreender problemas contemporâneos na política brasileira. A classe política que se mantém provinciana, com uma visão restrita e limitada do país, cria as condições para a vilania institucional: decisões que preservam privilégios e narrativas convenientes, mesmo quando dissociadas da verdade ou do bem comum.

Olavo de Carvalho criticou de forma incisiva a natureza provinciana e inculta da elite brasileira, destacando que esta permanece confinada à própria “vila”, reproduzindo hábitos e valores que consolidam seu poder imediato, sem se projetar para o universal. Tal mentalidade limita a capacidade do país de agir de forma estratégica e alinhada à verdade, perpetuando uma vilania estrutural que não é apenas moral, mas também política e cultural.

No entanto, a história não permite que a vila permaneça isolada. Marshall McLuhan, em suas análises sobre comunicação, destacou o surgimento da aldeia global, na qual as fronteiras geográficas perdem importância diante da interconexão instantânea entre sociedades, economias e culturas. No Brasil, esse fenômeno se reflete na necessidade de líderes que transcendam a visão limitada da “vila” e compreendam a amplitude das relações globais.

Essa ideia também é explorada por Loryel Rocha em Manifesto sobre o Gran-Brasil: o Império dos impérios do mundo (IMUB, 2023), obra que analisa o potencial do Brasil no contexto mundial e denuncia a incapacidade da elite provinciana de acompanhar as dinâmicas globais. A obra reforça a urgência de superar práticas vilanescas, voltadas apenas à manutenção de interesses locais, e de abraçar uma mentalidade estratégica que permita ao país se tornar protagonista em escala global.

Portanto, compreender a origem do vilão e sua evolução semântica não é apenas um exercício etimológico: trata-se de diagnosticar a mentalidade provinciana que ainda impede o Brasil de atuar plenamente na aldeia global. A superação dessa vilania exige líderes e cidadãos capazes de agir com visão ampla, ancorados na verdade e na responsabilidade coletiva, e não apenas na conveniência imediata de sua “vila”.

Bibliografia

  • Carvalho, Olavo de. O Jardim das Aflições: Mitos e Paradigmas. São Paulo: Vide Editorial, 1995.

  • McLuhan, Marshall. Understanding Media: The Extensions of Man. New York: McGraw-Hill, 1964.

  • Rocha, Loryel. Manifesto sobre o Gran-Brasil: o Império dos impérios do mundo. Rio de Janeiro: IMUB, 2023.

  • Houaiss, Antônio. Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro: Editora Objetiva, 2001.

Do valor do presente no horizonte espiritual

No Brasil, a tradição social associa presentes a datas específicas: aniversários, Natal ou outras celebrações marcadas pelo calendário civil. Para a maioria, o gesto de presentear segue a lógica da obrigação, do costume, ou da convenção social. Mas há quem perceba que o valor de um presente não reside apenas no objeto em si, e sim na intencionalidade, no momento escolhido e na conexão que ele estabelece com quem recebe.

O segredo da generosidade estratégica

A generosidade verdadeira não precisa se submeter às datas fixas. Pelo contrário, a escolha do momento certo para dar um presente — quando o gesto terá o maior impacto e significado — pode transformar um ato comum em algo memorável.

No plano prático, essa visão também pode se articular com inteligência financeira: adquirir um presente de valor em momentos estratégicos, como promoções de Black Friday, otimizar programas de pontos e milhas, e transformar essas oportunidades em capital investido, tudo isso cria um ciclo em que a generosidade e a prudência se reforçam mutuamente. Assim, cada presente dado se torna um ato de amor e de crescimento patrimonial, sem perder a essência da generosidade.

Perspectiva Cultural: o onomástico na Polônia

Enquanto no Brasil o aniversário é a referência, em países como a Polônia celebra-se o onomástico — o dia do santo que dá nome à pessoa. Essa prática desloca a centralidade do presente do calendário biológico para o calendário espiritual. O gesto deixa de ser uma lembrança do simples nascimento e se torna uma homenagem à vida em Cristo, reconhecendo a vocação e o vínculo espiritual da pessoa.

Escolhendo a própria data de receber presentes

Para aqueles que conhecem sua própria identidade espiritual e cultural, a escolha da data para receber presentes pode ser profundamente simbólica. No meu caso, embora o Brasil privilegie aniversários, a data mais significativa seria 19 de março, dia de São José, santo protetor e modelo de fidelidade, além de ser o santo que me dá o nome. Receber presentes nesse dia não seria apenas um gesto material, mas um reconhecimento de quem sou diante de Deus, de minha fé e daquilo que valorizo em minha vida.

Conclusão

A generosidade ganha profundidade quando se liberta do calendário social. Dar presentes em datas estratégicas — por amor, por planejamento ou por significado espiritual — é um ato que transcende o material. No fundo, o valor do presente não é apenas o que se entrega, mas quem se reconhece e quem se honra no momento do gesto, nos méritos de Cristo.

Essa visão une três dimensões: a estratégia financeira, a profundidade afetiva e a consciência espiritual, mostrando que generosidade e sabedoria podem caminhar juntas, edificando relacionamentos, patrimônio e identidade.

domingo, 14 de setembro de 2025

O valor da transmissão de saberes na família

A morte de um pai costuma deixar na família não apenas um luto afetivo, mas também prático: faltam os gestos habituais, as competências cotidianas e as mãos que resolviam os problemas da casa. No entanto, quando uma ausência gera novas presenças, nasce um aprendizado inesperado.

Foi exatamente isso que aconteceu com minha mãe. Com a falta de meu pai, que sempre foi o habilidoso da casa, ela precisou lidar com reparos e consertos. Chamou prestadores de serviço, mas percebeu que muitos não resolviam o que prometiam. Em vez de se resignar ou aceitar trabalhos malfeitos, ela passou a observar com atenção, imitar gestos e buscar soluções em vídeos do YouTube. Pouco a pouco, foi descobrindo em si mesma a engenhosidade necessária para resolver sozinha os problemas que surgiam.

Essa atitude revela algo maior do que simples destreza manual: mostra o valor da resiliência e da curiosidade. Mas, acima de tudo, mostra o espírito de transmissão. Ao contrário de meu pai, que guardava suas habilidades, minha mãe ensina. O que aprende, compartilha. O que descobre, mostra com paciência. Assim, não apenas a casa continua funcionando, mas eu herdo algo que vai além da técnica: herdo a confiança de que, diante de qualquer dificuldade, é possível aprender.

A cultura familiar se constrói também nesses gestos aparentemente pequenos. Não se trata apenas de saber trocar uma resistência, apertar um parafuso ou pintar uma parede, mas de transmitir a convicção de que o conhecimento deve circular, de que a prática se aperfeiçoa no compartilhar. No fundo, a ausência de um habilidoso deu lugar à presença de uma mestra.

É assim que a vida se reinventa: do vazio nasce a abundância, da perda surge a herança, e do silêncio do que não foi ensinado brota a voz paciente de quem decidiu não apenas saber, mas ensinar.

Bibliografia de Apoio

  • Sennett, Richard. O Artífice. Rio de Janeiro: Record, 2009.
    (Mostra como o trabalho manual e a habilidade prática estão ligados à formação do caráter e à transmissão cultural).

  • Bourdieu, Pierre. A Reprodução: Elementos para uma Teoria do Sistema de Ensino. Petrópolis: Vozes, 2013.
    (Analisa como os saberes se reproduzem social e culturalmente, inclusive no espaço familiar).

  • Polanyi, Michael. The Tacit Dimension. Chicago: University of Chicago Press, 2009.
    (Clássico sobre o “conhecimento tácito”, aquele que se aprende pela prática e pela transmissão implícita de gestos e exemplos).

  • Narvaez, Darcia; Immordino-Yang, Mary Helen (orgs.). Moral Development in the Professions: Psychology and Applied Ethics. Psychology Press, 2007.
    (Discute como a aprendizagem ética e prática acontece em ambientes de convivência, como a família).

  • Almeida, Maria Isabel de. Aprendizagem ao Longo da Vida e Educação de Adultos. São Paulo: Cortez, 2016.
    (Reflete sobre como adultos aprendem em contextos não formais, como a experiência de sua mãe).

Promessa, Entrega e Demanda: O elo entre jornalismo e publicidade

No universo do jornalismo, a crítica não se limita a um juízo subjetivo de gosto ou opinião. Ela se fundamenta na comparação objetiva entre o que foi prometido e o que foi entregue. Toda peça jornalística, seja uma reportagem investigativa, um artigo de opinião ou um documentário, carrega em si uma promessa implícita ao leitor: informar, esclarecer, entreter ou transformar. A função da crítica é medir até que ponto essa promessa foi cumprida, oferecendo ao público um parâmetro de avaliação confiável e coerente.

Essa relação entre expectativa e entrega não é exclusiva do jornalismo. Na publicidade, a dinâmica é semelhante: um produto ou serviço é apresentado ao público com base em uma promessa que atende a uma necessidade percebida. Essa promessa pode gerar três tipos de resposta no consumidor:

  1. Demanda satisfeita: quando a entrega corresponde exatamente ao que foi prometido, resultando em satisfação e fidelização.

  2. Demanda reprimida: quando a entrega falha em atender plenamente à necessidade, criando frustração e desejo não realizado.

  3. Demanda latente: quando o produto ou serviço desperta uma necessidade ainda não consciente no público, muitas vezes criando uma nova expectativa.

No jornalismo, essas mesmas categorias podem ser aplicadas. Uma reportagem que cumpre sua promessa atende plenamente à curiosidade ou necessidade informativa do leitor. Por outro lado, uma cobertura incompleta ou tendenciosa transforma uma demanda informativa real em demanda reprimida, frustrando o leitor e minando a confiança no veículo. Por fim, uma reportagem inovadora, que revela fatos inéditos ou perspectivas novas, pode gerar uma demanda latente, despertando interesse em áreas que o público ainda não explorava.

Dessa forma, crítica jornalística e publicidade compartilham um eixo central: promessa versus entrega. No entanto, os objetivos diferem. Enquanto a publicidade busca gerar desejo e satisfação de consumo, a crítica visa assegurar coerência, responsabilidade e efetividade na comunicação. A análise crítica permite, portanto, não apenas avaliar o valor de uma peça jornalística, mas também compreender como a informação circula e influencia a percepção do público, funcionando como um mecanismo regulador que mantém o jornalismo alinhado à sua missão social.

Em última análise, entender essa relação oferece insights preciosos para profissionais de mídia e comunicação: a promessa deve ser consciente, a entrega consistente e a avaliação contínua rigorosa. Só assim é possível transformar a expectativa do público em confiança, informação precisa e engajamento verdadeiro — pilares de um jornalismo ético e relevante.

Referências

  • McQuail, Denis. Teoria da Comunicação de Massa. 7ª ed., Vozes, 2010.

  • Kotler, Philip; Keller, Kevin Lane. Administração de Marketing. 15ª ed., Pearson, 2016.

  • Eco, Umberto. A Obra Aberta. 4ª ed., Perspectiva, 2002.

  • Schudson, Michael. The Sociology of News. W.W. Norton & Company, 2003.

A revogação do imposto de renda e a inversão da relação jurídica: o direito de restituição ao contribuinte

A recente proposta legislativa de Júlia Zanatta, que prevê a revogação do Imposto de Renda, abre espaço para uma análise jurídica interessante: a inversão da relação entre Estado e contribuinte e a possibilidade de restituição de tributos pagos nos últimos cinco anos.

1. A inversão da relação jurídica

Historicamente, o Imposto de Renda representa uma obrigação tributária do cidadão perante o Estado. Com a revogação da lei, essa relação se transforma. O contribuinte deixa de ser devedor e passa a ter uma posição de credor em relação ao Fisco.

Essa inversão é relevante porque altera a dinâmica de atuação do direito: em vez de o Estado cobrar, ele passa a dever devolver valores pagos indevidamente. Em termos jurídicos, há uma verdadeira inversão do direito de ação, na medida em que o sujeito ativo deixa de ser o Estado para se tornar o contribuinte, que poderá exigir judicialmente ou administrativamente a restituição dos valores.

2. O direito de restituição (taxback)

A legislação brasileira prevê que tributos pagos indevidamente podem ser restituídos em até cinco anos, contados do pagamento. Esse prazo quinquenal, previsto no Código Tributário Nacional, limita o alcance do chamado taxback, mas garante ao contribuinte o direito de recuperar valores pagos dentro desse período.

Portanto, caso a lei de revogação seja sancionada, todos os contribuintes que recolheram Imposto de Renda nos últimos cinco anos poderão formalizar pedido de restituição junto à Receita Federal.

3. Procedimento Prático

O processo de restituição ocorrerá em duas etapas:

  1. Pedido administrativo: O contribuinte deve protocolar o requerimento junto à Receita Federal, comprovando o pagamento indevido e sua condição de beneficiário da revogação.

  2. Via judicial (se necessário): Em caso de negativa ou atraso na restituição, é possível ingressar com ação judicial para garantir o crédito tributário.

4. Impacto econômico e social

Além da perspectiva jurídica, a revogação do Imposto de Renda e a restituição de valores pagos podem ter impacto significativo na economia. Os contribuintes terão maior liquidez e poder de consumo, ao passo que o Estado precisará reorganizar sua arrecadação e orçamento.

5. Conclusão

A proposta de revogação do Imposto de Renda é um exemplo claro de como alterações legislativas podem transformar relações jurídicas centenárias. A inversão da relação entre Estado e contribuinte, combinada com a possibilidade de restituição de tributos pagos nos últimos cinco anos, reforça a importância de o cidadão compreender seus direitos e prazos legais.

Bibliografia:

  • BRASIL. Código Tributário Nacional. Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966.

  • REZENDE, João Baptista de. Direito Tributário: Teoria e Prática. São Paulo: Atlas, 2021.

  • MACHADO, Hugo de Brito. Curso de Direito Tributário. São Paulo: Malheiros, 2020.