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sexta-feira, 12 de setembro de 2025

A patota como pequena via da loja maçônica nas faculdades de Direito

A experiência universitária, sobretudo nas Faculdades de Direito, frequentemente revela uma dinâmica curiosa: a formação de patotas. Pequenos grupos de afinidade se organizam em torno de interesses comuns, mas sobretudo de vantagens práticas, criando uma rede de influência fechada que garante privilégios a seus membros e exclui quem não faz parte do círculo.

A patota: rede fechada de influência

Nessas faculdades, não raro a patota controla acesso a estágios, monitorias, oportunidades de pesquisa, cargos em diretórios acadêmicos, atividades sociais e até mesmo a possibilidade de ser notado por professores. Para o estudante que está fora desse circuito, a ascensão depende apenas do esforço próprio e da resistência contra a exclusão velada. Para quem está dentro, abre-se a porta da conveniência: indicações, facilidades e um ambiente favorável ao crescimento.

A analogia com a loja maçônica

Se compararmos a patota a uma “pequena via da loja maçônica”, vemos alguns paralelos:

  • Seleção e segredo: A entrada não é pública nem transparente. É preciso ser escolhido, reconhecido como “um dos nossos”.

  • Espírito de fraternidade seletiva: Dentro do grupo, há solidariedade e defesa mútua; fora dele, a indiferença.

  • Rede de poder: Assim como lojas maçônicas historicamente construíram redes de influência política e social, a patota constrói sua rede no microcosmo acadêmico.

Onde a analogia se rompe

No entanto, a comparação tem seus limites. Enquanto a maçonaria se justifica por um pretenso ideal declarado de elevação espiritual, qualificado por toda uma pretensa ordemm simbólica e filosófica, fundada no que é conveniente e dissociado da verdade, a patota opera de forma imediatista, com um propósito estritamente pragmático: garantir vantagens pontuais aos seus membros. Não há ritual, não há horizonte de transcendência; há apenas conveniência.

A consequência no ensino jurídico

O problema é que essa prática reproduz, em escala acadêmica, uma lógica de poder que depois se expande na vida profissional. O estudante habituado à proteção da patota tende a buscar sempre o atalho da influência em detrimento da excelência do trabalho. O Direito, que deveria se assentar sobre mérito, justiça e objetividade, passa a ser corrompido desde sua formação pela lógica da pequena via.

👉 Em resumo: a patota é mesmo a versão reduzida, e muitas vezes caricata, da loja maçônica — um atalho de poder sem a ordem simbólica que poderia justificar sua existência. 

Como obter a cédula de extranjería na Colômbia: guia completo para brasileiros

A Cédula de Extranjería é um documento de identidade essencial para estrangeiros na Colômbia, especialmente para aqueles que desejam abrir uma conta bancária ou participar de programas de fidelidade como o Puntos Colombia. Abaixo, explicamos como obtê-la, os benefícios fiscais de ser não-residente fiscal na Colômbia e as vantagens de diferentes bancos em Letícia.

🛂 O que é a Cédula de Extranjería?

A Cédula de Extranjería é um documento emitido pela Migración Colombia para estrangeiros maiores de 18 anos que possuam uma visa colombiana válida por mais de 3 meses. Ela serve como identificação oficial no país e é obrigatória para estrangeiros que permanecem na Colômbia por períodos superiores a 3 meses. minjusticia.gov.co

📄 Como Obter a Cédula de Extranjería em Letícia

  1. Obtenção da Visa: Antes de solicitar a cédula, é necessário obter uma visa colombiana com validade superior a 3 meses. Brasileiros podem solicitar a visa em postos de imigração na fronteira ou em consulados colombianos.

  2. Documentos Necessários:

    • Passaporte válido com validade mínima de 6 meses.

    • Cópia da página do passaporte com dados biográficos.

    • Visa colombiana válida.

    • Comprovante de pagamento da taxa de emissão (aproximadamente COP 217.500).

    • Formulário Único de Trâmites (FUT) preenchido online.

  3. Processo de Solicitação:

    • Preencher o FUT no site oficial da Migración Colombia.

    • Efetuar o pagamento da taxa de emissão.

    • Comparecer ao posto de Migración Colombia em Letícia com os documentos originais e cópias.

    • Coletar dados biométricos (foto e impressões digitais).

    • Aguardar a emissão da cédula, que pode levar alguns dias.

É importante observar que, para estrangeiros que permanecem temporariamente em cidades fronteiriças, como Letícia, a apresentação da cédula de extranjería temporária é suficiente para abrir contas bancárias. Bancolombia

💳 Abrindo uma Conta Poupança em Letícia

Com a Cédula de Extranjería em mãos, você pode abrir uma conta poupança em diversos bancos em Letícia. Os requisitos geralmente incluem:

  • Cédula de Extranjería.

  • Comprovante de residência no exterior (como extrato bancário ou fatura de serviços).

  • Comprovante de renda (opcional, dependendo do banco).

  • Depósito inicial (varia conforme o banco).

É recomendável entrar em contato diretamente com os bancos locais para confirmar os requisitos específicos e agendar a abertura da conta.

🎁 Participando do Puntos Colombia

O Puntos Colombia é um programa de fidelidade que permite acumular pontos em compras realizadas em estabelecimentos parceiros, como supermercados, postos de gasolina e bancos. Os pontos podem ser trocados por produtos, serviços ou descontos. Para participar, é necessário:

  • Cadastrar-se no site oficial do Puntos Colombia.

  • Associar sua conta bancária que participa do programa.

  • Utilizar cartões de crédito ou débito vinculados ao programa em compras qualificadas.

Alguns bancos, como o Bancolombia, oferecem vantagens adicionais para clientes que participam do Puntos Colombia, como acúmulo acelerado de pontos e acesso a promoções exclusivas. Bancolombia

🌍 Vantagens Fiscais de Ser Não-Residente Fiscal na Colômbia

Como brasileiro, você é considerado não-residente fiscal na Colômbia se permanecer no país por menos de 183 dias consecutivos ou não consecutivos em um ano-calendário. Isso significa que você não está sujeito à tributação sobre rendimentos obtidos fora da Colômbia, incluindo os juros de contas poupança. Além disso, o Brasil isenta os rendimentos de poupança no exterior de tributação, desde que devidamente declarados.

Essa combinação de isenções fiscais permite que você mantenha seus recursos rendendo na Colômbia sem a incidência de impostos adicionais, desde que cumpra as obrigações de declaração no Brasil.

🏦 Vantagens de Bancos em Letícia

Embora informações específicas sobre os bancos em Letícia sejam limitadas, é possível que instituições como o Banco de la República ou bancos locais ofereçam serviços para estrangeiros. É recomendável visitar as agências bancárias em Letícia para obter informações detalhadas sobre os serviços disponíveis, requisitos para abertura de conta e benefícios oferecidos.

✅ Conclusão

Obter a Cédula de Extranjería na Colômbia é um passo fundamental para brasileiros que desejam abrir uma conta poupança no país e participar de programas de fidelidade como o Puntos Colombia. Além disso, a condição de não-residente fiscal na Colômbia, combinada com as isenções fiscais brasileiras, oferece vantagens significativas para a gestão de recursos no exterior.

O novo FGC e o fim da era dos CDBs “milagrosos”

O investidor brasileiro, especialmente aquele acostumado a buscar CDBs de bancos médios que ofereciam rentabilidades muito acima da média, precisa se preparar para um novo cenário. A partir de junho de 2026, entram em vigor mudanças importantes no Fundo Garantidor de Créditos (FGC) que prometem transformar o mercado de renda fixa.

O que é o FGC e por que ele existe?

O Fundo Garantidor de Créditos é uma espécie de “seguro invisível” criado em 1995 para proteger investidores em caso de falência de instituições financeiras. Sua missão sempre foi evitar o pânico coletivo e dar estabilidade ao sistema bancário, oferecendo cobertura de até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, por instituição, limitado a R$ 1 milhão a cada quatro anos.

Essa proteção se aplica a CDBs, LCIs, LCAs, poupança, letras de câmbio e outros instrumentos. Ao longo das últimas décadas, o FGC cumpriu bem seu papel, garantindo a confiança dos investidores e evitando crises sistêmicas.

O que muda a partir de 2026?

As novas regras foram definidas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) em agosto de 2025 e têm um objetivo claro: reduzir os riscos de bancos médios que vinham atraindo recursos com taxas acima do razoável. Entre as principais alterações, destacam-se:

  • Contribuição extra dobrada: bancos considerados mais arriscados passarão a pagar o dobro da taxa ao FGC (0,02% em vez de 0,01%).

  • Gatilho antecipado: a cobrança da taxa adicional começará quando os depósitos chegarem a 60% do limite de cobertura (antes era 75%).

  • Obrigação de investir em títulos públicos: se os recursos cobertos pelo FGC ultrapassarem 10 vezes o patrimônio líquido do banco, o excedente deverá ser aplicado no Tesouro Nacional.

Na prática, essas medidas reduzem o espaço para bancos menores oferecerem CDBs com retornos muito acima da média.

Impactos para o investidor

O efeito imediato será o fim dos CDBs pagando 130% do CDI de forma recorrente. O novo teto de rentabilidade deve ficar entre 115% e 120% do CDI.

Isso tem dois lados:

  • O lado positivo

    • Menor risco de falência de bancos médios.

    • Mais estabilidade para o sistema financeiro como um todo.

    • Redução das chamadas “armadilhas” de investimentos com rentabilidade ilusoriamente alta.

  • O lado negativo

    • Investidores acostumados a retornos extraordinários precisarão se adaptar.

    • Estratégias baseadas em alto retorno com baixo risco, graças à cobertura do FGC, deixam de ser viáveis.

O que fazer daqui para frente?

O investidor deve retornar a princípios clássicos: diversificação e prudência. Isso significa:

  • Distribuir aplicações entre diferentes instituições.

  • Respeitar os limites de cobertura do FGC.

  • Considerar outros produtos de renda fixa com proteção, como LCIs e LCAs.

  • Analisar a solidez das instituições antes de investir.

Em outras palavras: rentabilidade alta, sozinha, não define um bom investimento.

Conclusão

O novo FGC chega não para punir o investidor, mas para corrigir uma distorção perigosa. A estabilidade do sistema financeiro precisa vir antes da busca por taxas espetaculares.

A mensagem é clara: não existe almoço grátis nos investimentos. A nova fase do FGC reforça essa lição e exige dos investidores uma postura mais consciente, voltada à diversificação e à segurança.

quinta-feira, 11 de setembro de 2025

Do livro ao capital: como transformar conhecimento em retorno financeiro

 O livro, em nossa tradição cultural, sempre foi visto como um patrimônio do espírito. Contudo, no contexto atual, ele pode ser também um patrimônio econômico, capaz de se multiplicar em benefícios financeiros sem perder sua natureza intelectual. Esse processo se organiza em três fases: aquisição, digitalização e sucessão do bem físico.

1. Aquisição estratégica

A primeira fase ocorre no ato da compra. Adquirir livros pela Amazon brasileira significa usufruir da imunidade tributária prevista na Constituição, que isenta livros impressos de ICMS e ISSQN.

Mas a compra não se reduz a um ato cultural: ela pode ser planejada financeiramente. Por meio da Livelo, é possível acionar programas de pontos em condições específicas:

  • Compras abaixo de R$ 100,00 rendem 4 pontos por real;

  • Compras acima de R$ 100,00 podem render 10 pontos por real, quando as campanhas promocionais estiverem ativas.

Uma vez confirmada a pontuação, entra em cena a turbinação, multiplicando os pontos em até dez vezes. A assinatura Livelo garante estabilidade nesse benefício. Quando a pontuação acumulada atinge um patamar relevante, ela é convertida em milhas durante transferências bonificadas. As milhas, por sua vez, podem ser vendidas via plataformas como a Hotmilhas, gerando um cashback superior ao valor gasto na aquisição.

2. Digitalização do patrimônio intelectual

O segundo movimento é a digitalização. Um livro de 300 páginas, ao custo de R$ 0,05 por página, totaliza R$ 15,00 em serviços de digitalização.

Esse valor representa não um gasto, mas um investimento de preservação: o conteúdo passa a existir em meio digital, pronto para atravessar gerações. Contudo, o arquivo digital deve respeitar os prazos previstos na lei de direitos autorais, aguardando o tempo legal antes de poder ser comercializado. Assim, garante-se a conformidade jurídica ao mesmo tempo em que se consolida um patrimônio intelectual acumulado.

3. Sucessão do bem físico

Uma vez digitalizado, o livro físico não precisa permanecer inerte na estante. Ele pode ser revendido, convertendo-se novamente em capital.

Se o comprador estiver na mesma região, o pagamento pode ser feito via Pix, sem complicações. Caso o endereço esteja dentro da área de cobertura de promoções de cashback, como o da Honey (US$ 10,00), esse benefício pode ser usado para cobrir o frete. O resultado é simples:

  • O comprador não paga a entrega;

  • O cashback cobre o custo logístico;

  • Quanto mais próximo for o comprador da sua residência, maior é a margem de lucro na operação.

Conclusão: o ciclo do livro como ativo

Esse modelo mostra como um simples livro pode gerar valor em três dimensões:

  1. Financeira – via programas de pontos, milhas e cashback;

  2. Cultural – pela preservação do conteúdo em meio digital;

  3. Mercantil – pela revenda inteligente do exemplar físico.

Assim, o livro deixa de ser apenas um gasto e passa a ser um ativo multifuncional: fonte de saber, de preservação cultural e de rentabilidade econômica.

No fundo, trata-se de um exercício de visão: entender que a aquisição de conhecimento pode ser simultaneamente um ato de investimento. O mesmo livro que ilumina o espírito também pode sustentar a economia doméstica, se tratado com inteligência estratégica.

Programas de fidelidade como mecanismo de detaxe no Brasil

Ao observar com atenção o funcionamento dos programas de fidelidade no Brasil, sobretudo quando combinados a compras estratégicas em regiões de incentivo fiscal, é possível notar que eles se transformam em verdadeiros programas privados de detaxe para quem sabe utilizá-los de maneira inteligente.

1. O caso Tabatinga: economia imediata

A cidade de Tabatinga (AM), situada na Zona Franca de Manaus, permite que consumidores comprem diversos produtos com isenção de ICMS e ISSQN, além de redução de outros tributos como IPI e PIS/COFINS. Isso significa que um bem que custaria R$ 5.000,00 em São Paulo ou Rio de Janeiro pode ser adquirido por cerca de R$ 3.200,00 em Tabatinga.

Essa diferença não é apenas “economia no ato da compra”, mas uma poupança tributária de R$ 1.800,00, valor que pode ser imediatamente redirecionado para aplicações financeiras.

2. A arbitragem dos pontos Livelo

Quando a compra é realizada em campanhas promocionais, como a Black Friday, um bem de R$ 3.200,00 pode gerar 32.000 pontos Livelo. Com o turbo de 10x, esse valor sobe para 352.000 pontos.

Na sequência, se houver uma promoção de transferência bonificada de 100% para o Latam Pass, o total atinge 704.000 milhas.

Na cotação média de R$ 20 por 1.000 milhas, isso equivale a R$ 14.080,00 em dinheiro vivo ao vender as milhas em plataformas como Hotmilhas ou MaxMilhas.

Assim, a compra de R$ 3.200,00 se transforma em um ativo financeiro de altíssima rentabilidade, com ROI superior a 440%.

3. Da poupança à renda fixa

Mas o ganho não para aí. Os R$ 1.800,00 economizados em tributos podem ser tratados como poupança e direcionados a um CDB com rendimento de, por exemplo, 11% ao ano.

Em três anos, essa aplicação gera algo em torno de R$ 2.465,00, ampliando ainda mais o retorno sobre a compra inicial.

4. O impacto do projeto de lei da isenção do IR

Atualmente, os rendimentos de CDB sofrem incidência de Imposto de Renda regressivo. Contudo, tramita no Congresso um projeto de lei da deputada Júlia Zanatta que propõe a revogação do imposto de renda. Caso aprovado, o rendimento bruto da renda fixa se tornará líquido, maximizando ainda mais o retorno das aplicações provenientes da poupança tributária.

5. Consumo como investimento

A combinação de três fatores — isenção fiscal de Tabatinga, arbitragem de pontos e milhas e renda fixa sem tributação — transforma o ato de comprar em uma espécie de estratégia financeira sofisticada.

O consumidor que aplica esse método não está apenas adquirindo um bem, mas criando um fluxo de capital paralelo:

  • Compra inteligente → Gera economia tributária.

  • Economia tributária → Gera poupança.

  • Poupança → Gera rendimento financeiro.

  • Pontos → Viram milhas.

  • Milhas → Viram dinheiro.

Assim, os programas de fidelidade deixam de ser simples mecanismos de marketing para se converter em verdadeiros sistemas privados de detaxe, acessíveis a qualquer cidadão com CPF e disciplina estratégica.

Tabatinga–Letícia: um hub transfronteiriço de arbitragem de fidelidade e milhas

Introdução

Na fronteira amazônica entre Brasil e Colômbia, as cidades de Tabatinga (AM) e Letícia se encontram em uma convivência cotidiana que ultrapassa a mera geografia. Nesse espaço de livre circulação, onde as barreiras políticas se tornam fluidas, surge uma oportunidade singular: transformar a região em um hub de arbitragem de programas de fidelidade e milhas, explorando as diferenças tributárias e institucionais entre os dois países.

1. O lado brasileiro: Tabatinga e a Zona Franca

Tabatinga integra a Zona Franca de Manaus, instituída pelo Decreto-Lei nº 288/1967. A principal vantagem é a isenção de ICMS e ISSQN sobre bens e serviços consumidos no território.

Esse incentivo já permite que o consumidor local obtenha preços líquidos mais baixos em comparação com outras regiões do Brasil. Quando se associam essas condições a programas de fidelidade como a Livelo, com campanhas de até 10 pontos por real e multiplicadores de assinatura, o resultado é um ROI elevado: um simples livro de R$ 104,97 pode render 23.078 milhas após transferência bonificada, convertendo-se em até R$ 461,56 em dinheiro.

2. O lado colombiano: Letícia e os Puntos Colombia

Do outro lado da fronteira, em Letícia, opera o Puntos Colombia, programa de fidelidade equivalente à Livelo. Para acessá-lo, o estrangeiro precisa de:

  • Residência local ou endereço válido;

  • Cédula de extranjería (documento de identificação para estrangeiros);

  • Chip de celular colombiano para autenticação em aplicativos e serviços.

O diferencial está no fato de que os Puntos Colombia podem ser transferidos para LifeMiles, programa da Avianca e membro da Star Alliance, altamente valorizado no mercado internacional de milhas. Assim como no Brasil, esses pontos podem ser monetizados em dinheiro, mas com a vantagem adicional de terem liquidez global.

3. A lógica da arbitragem transfronteiriça

O consumidor residente em Tabatinga pode atravessar a fronteira a pé até Letícia e operar em dois ecossistemas de fidelidade distintos:

  • No Brasil (Tabatinga):

    • Reais → Livelo → Milhas nacionais (Smiles, Latam Pass, TudoAzul) → Dinheiro em plataformas como Hotmilhas.

  • Na Colômbia (Letícia):

    • Pesos colombianos → Puntos Colombia → LifeMiles → Dinheiro ou viagens internacionais.

Essa operação simultânea configura uma arbitragem transfronteiriça, na qual o consumidor tem liberdade de alternar entre moedas (real e peso colombiano), pontos (Livelo e Puntos Colombia) e milhas (Smiles/TudoAzul/Latam Pass e LifeMiles), escolhendo sempre o canal mais vantajoso conforme as condições do mercado.

4. O papel da geografia e da tecnologia

A livre circulação em Tabatinga–Letícia elimina barreiras logísticas que inviabilizariam esse modelo em outras fronteiras. Além disso, o uso de computadores pessoais facilita a gestão simultânea dos programas, permitindo o cruzamento de planilhas, promoções e oportunidades de transferência bonificada em tempo real.

Nesse sentido, a fronteira amazônica se transforma em um verdadeiro laboratório de soberania financeira pessoal, onde o conhecimento e a estratégia substituem a passividade do consumo tradicional.

5. Implicações e potencialidades

O caso Tabatinga–Letícia evidencia:

  • A importância da arbitragem tributária (Zona Franca do lado brasileiro).

  • A relevância da arbitragem de programas de fidelidade (Livelo e Puntos Colombia).

  • A possibilidade de integração com o mercado global de milhas (LifeMiles como ativo internacional).

Essa combinação cria uma oportunidade única na América do Sul: transformar uma região de fronteira, muitas vezes esquecida nos grandes fluxos econômicos, em um hub estratégico de geração de valor a partir do consumo inteligente.

Conclusão

Tabatinga e Letícia representam mais do que duas cidades gêmeas divididas por uma fronteira: elas configuram um ecossistema de arbitragem financeira e de consumo que alia isenções fiscais, programas de fidelidade e liquidez internacional de milhas.

O consumidor que souber explorar essas condições poderá, de um lado, enriquecer seu patrimônio intelectual com livros e bens culturais; de outro, gerar capital financeiro significativo, transformando a fronteira amazônica em um centro de soberania econômica individual.

Livros, Programas de Fidelidade e Arbitragem Geográfica: uma análise estratégico-financeira

Introdução

O ato de comprar um livro, tradicionalmente considerado um investimento cultural, pode também ser interpretado como uma operação financeira de alto rendimento quando analisado sob a ótica dos programas de fidelidade, da tributação e da arbitragem geográfica. Neste artigo, examinamos como a compra de livros pode ser transformada em uma fonte de acumulação de pontos, milhas e, em última instância, capital monetário.

1. O livro como bem constitucionalmente isento

A Constituição Federal do Brasil garante, em seu artigo 150, VI, d, a imunidade tributária de livros, jornais, periódicos e o papel destinado à sua impressão.¹ Essa norma exclui a incidência de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) e de imposto de importação, tornando o livro um bem de consumo privilegiado em relação a outros produtos.

Assim, um livro adquirido por R$ 104,97 não sofre a carga fiscal indireta aplicada a bens comuns, o que o coloca em posição vantajosa como objeto de estratégias de acúmulo de pontos.

2. Programas de fidelidade e o multiplicador da Livelo

Programas de fidelidade, como a Livelo, permitem ao consumidor acumular pontos a partir de compras realizadas em lojas parceiras. Em campanhas especiais, a pontuação pode chegar a 10 pontos por real gasto.

No exemplo em tela, o livro de R$ 104,97 renderia 1.049 pontos Livelo. Com a adesão ao turbo da assinatura, esse valor é multiplicado por dez, atingindo 11.539 pontos.

Esse mecanismo transforma um consumo ordinário em uma operação de acumulação massiva de pontos, que podem ser entendidos como uma espécie de moeda privada digital.²

3. Conversão em milhas e monetização

Os pontos podem ser transferidos para programas de milhagem (Smiles, TudoAzul, Latam Pass), que frequentemente oferecem bonificações de 90% a 110% em campanhas promocionais.

Com 100% de bonificação, os 11.539 pontos se convertem em 23.078 milhas. Considerando o preço médio de mercado de R$ 20 por mil milhas em plataformas como Hotmilhas ou MaxMilhas, o valor em dinheiro é de aproximadamente R$ 461,56.

O resultado é um ROI (retorno sobre investimento) de mais de 340%, considerando o desembolso inicial de R$ 104,97.

4. Arbitragem geográfica: o caso de Tabatinga

A lógica se torna ainda mais interessante quando inserimos a variável geográfica. Tabatinga (AM), localizada na Zona Franca de Manaus, goza de incentivos fiscais que incluem a isenção de ICMS e ISSQN sobre produtos e serviços consumidos dentro de seu território.³

Nesse contexto, o mesmo livro poderia ter um custo efetivo 10% menor, reduzindo o desembolso para cerca de R$ 94,47. Como a pontuação Livelo não se altera, o consumidor obtém o mesmo retorno em milhas (23.078), mas com menor custo de entrada, elevando o ROI para cerca de 389%.

5. Implicações

A análise demonstra um modelo de arbitragem de consumo composto por cinco etapas:

  1. Escolha de bens constitucionalmente imunes (livros).

  2. Aproveitamento de programas de fidelidade com alta pontuação (Livelo).

  3. Maximização por turbo de assinatura.

  4. Conversão em milhas via transferência bonificada.

  5. Monetização final via venda de milhas, potencializada em regiões com incentivos fiscais (Tabatinga).

Conclusão

A compra de livros, além de fortalecer o patrimônio intelectual do indivíduo, pode ser compreendida como uma estratégia de multiplicação patrimonial indireta, sobretudo quando associada a programas de fidelidade e à arbitragem tributária oferecida por determinadas regiões.

A análise aqui apresentada evidencia que o consumidor atento transforma consumo cultural em ativo financeiro, sendo capaz de aliar conhecimento e capital na mesma operação.