Pesquisar este blog

terça-feira, 25 de fevereiro de 2020

Pelo Estatuto da Destamborização da Sociedade

1) Meus pais botaram num vídeo do youtube onde tinha gente tocando gaita de fole (o vídeo foi feito na Escócia). De repente, o mesmo grupo começou a tocar tambor num ritmo que mais me lembra os bárbaros pagãos dos tempos antigos. 

2) Assim não dá! Vamos fazer o estatuto da destamborização, pois tambor é arma que gera má consciência coletiva (e pelo que ouvi falar, um certo sociólogo marxista falou para um amigo meu que o tambor nos faz lembrar do africano que há em nós e eu quero me livrar desse africano, desse pobre diabo que há em mim)! Vai tocar tambor assim lá no inferno!

José Octavio Dettmann

Rio de Janeiro, 25 de fevereiro de 2020.

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2020

Pequeno manual que toda candidata à namorada deveria ler antes de me pedir em namoro

1) Não vote em comunista (ou mesmo em liberal que apóia a relativização do Cristianismo na sociedade)

2) Não dê ouvidos a quem for anticatólico.

3) Estude História do Brasil a sério, sobretudo a partir do milagre do Ourique, que deu origem ao Reino de Portugal.

4) Reze muito por mim, para que eu possa escrever bastante visando o bem do país.

5) Fuja do carnaval junto comigo - isso não é bom.

6.1) Se você decidir colaborar com o meu trabalho fazendo doação em dinheiro ou livros, não me prometa nada, pois estou farto de promessas. Faça um gesto concreto nessa direção.

6.2) Se quiser fazer surpresa, entregue tudo a mim no dia do meu aniversário (23 de janeiro). Compre o essencial - eu tenho uma lista de mais de 2000 livros - posso te passar a lista, se me pedir.

6.3.1) Se você é boa leitora dos meus artigos, você saberá de quais livros estou realmente precisando.

6.3.2) Pela minha experiência, eu conheci algumas mulheres que tinham essa intuição e me davam o presente certo, aquilo de que estava precisando. Só não tive um relacionamento mais sério com minhas namoradas anteriores porque descobri mais tarde que não eram católicas - e aí amigavelmente eu terminei com todas elas.

7.1) Com mulher não católica eu não quero nada, nem mesmo amizade.

7.2) O presente, vindo de um não-católico, é uma forma de corrupção - e eu geralmente termino devolvendo o presente ou o dinheiro que foi gasto em sua aquisição.

José Octavio Dettmann

Rio de Janeiro, 24 de fevereiro de 2020 (data da postagem original).

O espírito conservantista e zombeteiro dos apátridas nascidos nesta terra não merece perdão

1) Sidney Silveira falou que todo aquele se leva a sério demais não perdoa nada, nem ninguém.

2) No Brasil de 1822, há que se levar em conta esta realidade: num país onde nada que é mais sagrado é levado a sério, eu prefiro levar meu projeto de imitação de Cristo a sério, pois amar e rejeitar as mesmas coisas tendo por Cristo fundamento exige compromisso com a excelência. E quem conserva o que é conveniente e dissociado da verdade não merece ser perdoado até que se tome conhecimento de que ele realmente se emendou.

3) Onde Cristo não é levado a sério, as pedras falam. E meu coração será de pedra de tal modo a falar a verdade para esses que zombam das coisas de Deus.

José Octavio Dettmann

Rio de Janeiro, 24 de fevereiro de 2020.

Carnaval 2020 - como estou sobrevivendo a ele

1) A respeito do carnaval, estou vivendo os dias como se isso nem existisse.

2) Não adianta fazer muita coisa fora de casa, exceto resolver apenas o que é necessário. Se ficar doente, vou ao médico; se for domingo e fizer um bom tempo, eu vou à missa.

3) Há quem diga que isso não é vida, mas é o que pode ser feito nestes tempos difíceis. E em tempos difíceis, a liberdade interior é o único bem que sobra - por isso que escrevo e dedico minhas energias à atividade intelectual, pois não há outra coisa a fazer.

4) Se o brasileiro desse valor à liberdade interior, ao único bem que sobra quando tudo sucumbe, certamente não estaríamos nessa desgraça em que estamos. O desprezo ao conhecimento é um verdadeiro câncer e ele deveria ser extirpado destas terras o quanto antes.

José Octavio Dettmann

Rio de Janeiro, 24 de fevereiro de 2020.

Do passado como prólogo para alguma coisa - comentários sobre isto

1.1) Sei que não se deve julgar um livro pela capa, mas os títulos, por si só geram, são capazes de gerar muitas reflexões. Um exemplo disso é o livro O passado como prólogo.

1.2) Existem vários fatos históricos paralelos - uns constituem ruptura com alguma coisa, ao passo que outros constituem continuidade à alguma coisa. Em algum ponto, a tradição de continuidade e a tradição de ruptura vão se chocar como se fossem placas tectônicas, causando um conflito inconciliável de interesses qualificado pela pretensão de resistir a tudo o que decorre do verbo que se fez carne - eis o fato gerador de uma guerra civil, marcada pela mentalidade revolucionária.

2.1) Tanto o que decorre da conformidade com o Todo que vem de Deus - o fato gerador da continuidade, da estabilidade, pautada na verdade, no verbo que se fez carne - quanto a tradição de ruptura com essa mesma verdade têm uma origem, um prólogo, pautada num fato que se deu no passado.

2.2) A maior prova disso é que, antes da Nova Aliança estabelecida por Deus através de Jesus Cristo, tivemos toda a tradição do Antigo Testamento, que já era milenar até o nascimento de Jesus - e o que Ele fez foi dar pleno cumprimento à antiga lei. Da mesma mesma forma, o marxismo enquanto movimento revolucionário tem sua origem nos movimentos gnósticos e materialistas, os quais constituem a pré-história da mentalidade revolucionária, cujo marco zero se dá na Revolução Francesa, em 1789, marcando o início da Idade Contemporânea.

3) Quando se tem duas tradições conflitantes, uma delas vai entrar em epílogo - e o Armageddon é onde ocorrerá a batalha final entre os exércitos leais a Cristo e os exércitos revolucionários. Como a verdade é fundamento da liberdade, então Cristo sempre vencerá até o fim dos tempos.

José Octavio Dettmann

Rio de Janeiro, 24 de fevereiro de 2020.

Postagens relacionadas:

https://blogdejoseoctaviodettmann.blogspot.com/2020/02/da-esmola-como-prologo-de-uma-historia.html

domingo, 23 de fevereiro de 2020

Notas sobre a diferença entre autobiografia e ego-história

1.1) Uma autobiografia pressupõe que você tenha consciência de todo o curso de sua vida, do nascer ao pôr-do-sol. Isso pressupõe manter um diário e reservar sempre um tempo para escrever suas experiências mais importantes.

1.2) Isso pede disciplina e um chamado da alma para fazê-lo - o que transformará você em escritor. Sua vida neste ponto será um port of call (um pequeno Portugal) para a santificação de muitos - por isso, você deve escrever de tal maneira a servir a Cristo em terras distantes, ainda que você esteja no conforto do seu lar.

2) Para escrever bem, é preciso que a alma esteja bem alimentada com eucaristia - e isso pressupõe ir à missa todos os dias e fazer confissão toda semana, a ponto de prestar contas a Deus de tudo o que foi feito, uma vez que seu dom de escrever pertence a Deus e ele precisa ser empregado de modo a edificar consciência reta, fé reta e vida reta em muitos.

3) Uma autobiografia pressupõe que você honre pai, mãe e todos os que viveram antes de você. Você é o representante vivo de todos os antepassados mortos - por isso, você precisa buscar incessantemente a santidade de modo que todos os outros tenham seus pecados amenizados no purgatório, já que você deve rezar pelos mortos. Trata-se de um caminho de honras a ser percorrido, fundado no verdadeiro Deus e verdadeiro Homem.

4.1) Quando você não está pronto para escrever uma autobiografia, você pode escrever ego-histórias.

4.2.1) Uma ego-história é uma história que revela uma faceta da sua personalidade - ela geralmente indica um caminho de vida que você trilhou, uma profissão de fé.

4.2.2) Um homem sábio aprende a partir do erro dos outros - por essa razão, uma ego-história pode servir de ponto de partida de modo que outras pessoas aprendam o exemplo de outras pessoas tendo por mediação sua pessoa, que mostra o erro dos outros de modo a corrigi-los - por isso, você precisa morrer para si de modo que Deus fale através desta obra.

4.2.3) É neste ponto, portanto, que a terra toca o mar, a ponto de as caravanas serem navios no deserto, de tal modo a servir a Cristo em terras distantes, tal como foi estabelecido em Ourique. E neste ponto, a Arábia troca este demiurgo chamado Allah e passa a ter uma razão de ser como civilização em Cristo, a ponto de fazer dos desertos mares destinados a converter todos à vida fundada na conformidade com o Todo que vem de Deus. E minha pessoa, neste sentido, age como caravançarai, pois uso o exemplo dos outros como se fosse meu exemplo, o que me previne do pecado, pois o verdadeiro sábio aprende do erro dos outros.

4.2.4) Quando você já acumula bastantes ego-histórias, só aí você pode escrever uma autobiografia. Este projeto literário pede que você tenha muito domínio da língua e muita experiência de vida fundada na conformidade com o Todo que vem de Deus. Não pode ser feito por qualquer pessoa - ele só pode ser feito por pessoas de extrema amizade com Deus, realmente santas. Eis aí porque o legado de Santo Agostinho.

José Octavio Dettmann

Reabsorção de circunstâncias: notas sobre a relação entre o processo de escrever ego-histórias e o senso de tomar um país como um lar em Cristo, por Cristo e para Cristo

1) Certo está Ortega y Gasset, quando diz que um homem só pode ser definido pelo que ele é em suas circunstâncias.

2) O que é o homem senão a criatura que foi criada à imagem e semelhança de Deus, a ponto de ser a primazia da Criação? O que são as circunstâncias senão o meio social onde ele vive, como seu país, sua cidade, sua família, seus amigos e sua Igreja?

3) É certo que o mundo não está prontinho, moldado para que ele tome o país onde se vive como um lar em Cristo, por Cristo e para Cristo. Mas, se ele não se revestir de Cristo - de verdadeiro Deus e de verdadeiro Homem -, então como ele vai absorver estas circunstâncias de tal maneira a produzir ego-histórias tão necessárias para estimular os outros a tomarem o país como um lar em Cristo, a ponto de se imaginarem na mesma situação onde este se encontra, a ponto de sentirem o mesmo dilema que ele?

4.1) Uma vez que essa pequena autobiografia epistemológica é produzida para melhor explicar um pensamento filosófico em Deus fundado - que são as ego-histórias - o maior desafio do leitor que deseja imitar Ortega y Gasset é reabsorver suas circunstâncias pessoais tendo por modelo um caminho epistemológico previamente produzido, fundado numa experiência de vida que foi vivida antes da sua, mas que se mantém compatível com a realidade atual.

4.2) Isso certamente te forçará a uma releitura, a ponto de você perceber as nuances que haviam na época de Ortega y Gasset e o que há nos tempos atuais, o que certamente forçará a uma atualização constante dessa tradição de percorrer esses mesmos caminhos, observando o que havia antes, o que há hoje e o que haverá depois, na geração seguinte e em cada geografia onde se realizou este esforço filosófico.

5.1) Trata-se de uma espécie de trail blazing filosófico - escrevendo ego-histórias, você está sendo pioneiro em coisas que talvez jamais haviam sido exploradas antes, uma vez que dentro das suas circunstâncias de vida você é soberano, já que esta experiência de vida dificilmente será repetida. E a verdadeira ciência está em obter experiências que dificilmente se repetem porque cada vida humana é única, já que cada ser foi criado por Deus com muito amor.

5.2.1) É mais ou menos como se fazia viagem nos tempos antigos - enquanto não chegamos ao nosso destino, o saber, nós podemos observar o que iremos encontrar ao longo do caminho. O que se encontra ao longo do caminho não só pode como deve ser registrado, se ele nos causar uma impressão que nos leve a ainda mais conhecimento, a ponto de ganharmos ainda mais a amizade com Deus. E isso é realmente importante. 
 
5.2.2) Este mar só pode ser navegado para quem vive a vida sob a misericórdia de Deus - não pode ser feito por quem age como a Espanha: cheio de si e sem mandato do Céu, pois os mares só são livres com o intuito de servir a Cristo em terras distantes, tal como foi estabelecido em Ourique. Por isso, eles estão fechados para quem age com fins egoísticos, já que a pessoa conservará o que conveniente e dissociado da verdade.

5.2.3) Este mar não se navega com intuito de se buscar a si próprio - isso é sinal de vanglória. Você precisa saber quem você é - e para saber quem você é, você precisa estar diante de Deus contando tudo o que você descobriu, além da forma como você descobriu o que estava antes encoberto. Quanto mais você descobre, quanto mais você medita sobre como se descobre, mais Deus te conta sobre você, como pescador de homens e de idéias. E isso se dá através de constante confissão, seja no diário, seja no confessionário. Não há outro caminho.

José Octavio Dettmann

Rio de Janeiro, 23 de fevereiro de 2020.