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quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Notas comentadas sobre duas formas de pensar a DSI

A) Tendências do pensamento de Artur Rizzi:

1) Casa a Doutrina Social da Igreja ao Keynesianismo (doutrina do pleno emprego contraposta à eficiência econômica).

2.1) Ignora a nuance que separa o nacionismo do nacionalismo.

2.2) Por conta disso, quando defende o absolutismo monárquico, ele acaba passando por cima do princípio da subsidiaridade, criando uma visão de mundo patrimonialista, em que o patrimônio do conjunto das famílias se confunde com o patrimônio do príncipe, o que favorece à teoria dos círculos secantes, já que a intervenção da autoridade do príncipe favorecerá a busca de uma liberdade voltada para o nada, que a longo prazo restaurará o totalitarismo.

2.3.1) Segundo Rizzi, o Papa Francisco é favorável à Economia Social de Mercado (criada pela escola de Freiburg), que adota tendências keynesianas.

2.3.2) Como o keynesianismo foi criado num contexto cultural de nacionalismo - de que todo país deve ser tomado como se fosse uma segunda religião, a ponto de competir e eliminar a religião verdadeira -, isso mata o princípio da subsidiaridade, o que é claramente herético.

2.3.3) Além disso, uma parte dos católicos tem criticado fortemente o pontificado do Papa Francisco, por conta de suas posições dúbias, principalmente na Carta Encíclica Amoris Laetitia. Pelo menos há 30 cardeais favoráveis à dúbia capitaneada pelo Cardeal Burke. Se o Papa Francisco está sendo questionado por estar se afastando da doutrina de sempre, então é altamente questionável o manifesto apoio que este mesmo Papa deu à Economia Social de Mercado, promovida pela Escola de Freiburg. Isso faz com que a posição defendida por Rizzi não seja levada a sério, por não ser realista.

B) Tendências do pensamento de José Octavio Dettmann:

1.1) Casa a Doutrina Social da Igreja à economia familiar (microeconomia).

1.2) Como o país deve ser tomado como se fosse um lar, é natural que este ciclo naturalmente se expanda por meio de círculos concêntricos (princípio da subsidiariedade). Todo esse processo leva gerações para que isso acabe se consolidando.

1.2 - A) família, por meio do exemplo que arrasta, influi na economia da vizinhança;

1.2 - B) A vizinhança, por sua vez, influi na economia do bairro;

1.2 - C) A economia do bairro influi na economia da cidade;

1.2 - D) A cidade influi nas demais cidades da região;

1.2 - E) A região da qual a cidade-modelo faz parte influi nas outras regiões que constituem o estado ou a província;

1.2 - F) O que afeta uma província afeta as demais por meio dos laços federativos, o que afeta o país inteiro.

1.2 - G) E o que ocorre no país, de modo a ser tomado como se fosse um lar em Cristo, afeta o mundo inteiro, o que edifica uma página na história da civilização.

1.3.1) A visão de absolutismo monárquico de Dettmann parte do pressuposto de que o Rei é um vassalo de Cristo, tendo por modelo aquilo que foi estabelecido em Ourique.

1.3.2) O Rei deve servir a Cristo em terras distantes, seja dentro de seu território ou fora dele. Enquanto bem servir à verdade, àquilo que é conforme o Todo que vem de Deus, ele não abusará do poder de modo a perverter tudo o que há de mais sagrado, de modo a que o país acabe se reduzindo a uma segunda religião, em que o Rei tem o corpo espiritual da nação, o que é uma marca de ruptura com Roma, o que é claramente herético.

1.3.3) A Aliança do Altar com o Trono parte do pressuposto de que o Rei é o senhor dos senhores sendo o servo dos servos de Deus. Por isso, ele trata aos seus súditos como se fossem parte de sua família, o que confirma o princípio da subsidiaridade.

2.1) Da cultura que é própria de se tomar o país como se fosse um lar nasce a cultura da liberalidade edificando a ordem do dia, pois isso se ampara na verdade, naquilo que decorreu da dor de Cristo na Cruz. Se conservarmos a memória dessa dor de Cristo por meio da eucaristia, então o verdadeiro liberalismo se dará quando bebermos do sangue de Cristo e comermos de Sua carne. E tal como antropófagos, nós assimilamos as qualidades deste Deus feito homem, de modo a melhor O imitarmos plenamente.

2.2) Isso tem uma força simbólica e pedagógica monstruosa, o que afeta toda a ação humana norteada à promoção e ao desenvolvimento do bem comum.

José Octavio Dettmann

Rio de Janeiro,19 de janeiro de 2017.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Notas sobre um livro que precisa ser escrito

1) Um dia haverão de escrever um livro vingador, que é este: "Ética Católica e o Espírito do Distributivismo".

2) Há muito a ser feito nesta direção - se tivesse um pouco mais de conhecimento do que aquele que já tenho, acho que seria capaz de conduzir um trabalho dessa natureza. Além de ser uma meta ambiciosa, é uma meta civilizatória, pois uma catedral em forma de livro estaria sendo erguida bem diante dos olhos do leitor - e até do escritor também, já que este deve fazer seu trabalho guiado pelo Espírito Santo - e quando somos guiados por esta força maior, tem coisas que são inacreditáveis até mesmo para quem escreve, como eu.

3) Mais do que dialogar com Weber e suas circunstâncias, você precisaria superá-lo - e a própria realidade fundada na conformidade com o Todo que vem de Deus nos mostra isso, dado que tudo o que é fora disso está nos levando a um desastre que sequer o próprio Weber seria capaz de imaginar.

4) Penso que os mais de 2900 artigos que escrevi não são suficientes para me preparar espiritualmente para o tamanho do desafio. Certamente vou precisar de ajuda especializada - e sei a quem recorrer.

José Octavio Dettmann

Rio de Janeiro, 18 de janeiro 2017.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Notas sobre o potencial dos flogs

1) Tempos atrás, na época de faculdade, notei que alguns de meus colegas tinham um flog (um blog só de fotografias). Naqueles tempos, o flog era usado com o intuito de exibir a vaidade e promover o valores do hedonismo e do relativismo moral - por isso que nunca utilizei este tipo de ferramenta.

2) Nos tempos atuais, em que digitalizo os textos dos meus livros, ter um flog se tornou até uma questão conveniente. Posso fazer destaques do material que tenho digitalizado e tecer comentários posteriores em meu blog.

3) Eis aí o verdadeiro potencial de uma ferramenta que pode ser usada de maneira apropriada.

José Octavio Dettmann

Rio de Janeiro, 16 de janeiro de 2017.

domingo, 15 de janeiro de 2017

Referências bibliográficas para as mais de 2900 postagens que escrevi em meu blog


1) Um Mapa da Questão Nacional - ver o artigo Para onde vão as nações e o nacionalismo, de Katherine Verdery. Verdery cita a distinção entre nacionidade e nacionalidade, estabelecida por John Borneman

2) Belonging in the Two Berlins: kin, state, nation, de John Borneman. Ver o debate entre Borneman e Ernest Gellner sobre nationness, nas notas de fim do livro. É disto que trata o ponto 1

3) A Pátria Descoberta, de Gilberto de Mello Kujawski.

4) Portugueses e Brasileiros na Guiana Francesa, de Arthur Cezar Ferreira Reis.

5) Teoria Geral dos Descobrimentos Portugueses, de Jaime Cortesão.

6) Cosmópolis, de Danilo Zolo.

7) Direito Internacional, as preleções de Pasquale Stanislao Mancini. Mancini disse que devemos tomar o país como se fosse uma segunda religião. Ele é o criador do conceito de nacionalidade, enquanto vínculo jurídico com um Estado por força do nascimento.

8) O artigo Primeira Página de História do Brasil, que é da Revista Catolicismo, que é da TFP. Foi aqui que aprendi sobre Ourique.

9) A verdade como fundamento da liberdade: um tema de São João Paulo II, do Cardeal Avery Dulles.

10) Da natureza e dos limites do Poder Moderador, de Zacharias de Góes e Vasconcellos. Ver a introdução à obra feita por Pedro Calmon - foi dali que tirei o termo conservantismo. A distinção entre conservadorismo e conservantismo foi trabalho meu, seguindo a dica de estudar a linguagem, dada pelo professor Olavo de Carvalho.

11) Postagens dos meus contatos em que estão no meu mural de facebook. Algumas eu reproduzi em meu blog, mas a maioria não.

O eufemismo faz uma mentira repetida tornar-se uma verdade


1) Aquele que vive a vida em conformidade com o Todo que vem de Deus vive na raiz daquilo que foi dito e ensinado por Cristo, pois Ele é o caminho, a verdade e a vida. Por isso, ser radical é uma honra - por isso que somos intolerantes com todos aqueles que conservam o que é conveniente e dissociado da verdade.

2) A palavra não pode ser servida de maneira vazia. E uma dessas formas de servir uma palavra vazia se dá no eufemismo. O conservadorismo não pode ser chamado de eufemismo de conservantismo e nem o liberalismo pode ser chamado de eufemismo de libertarismo, assim como o liberal-conservador não pode servir-se de eufemismo de libertário-conservantista, uma que a pessoa não passará de uma mera caricatura, a ponto de o Cristianismo se reduzir a uma mera falsidade.

3) Do eufemismo sistemático, o falso tende a se confundir com o verdadeiro, a ponto de ser quase um sinônimo. E quanto menos dominarmos as nuances da linguagem, menos conheceremos a verdade, assim como tenderemos a conservar cada vez mais o que é conveniente e dissociado da verdade, a ponto de sermos induzidos ao erro por parte das gerações que nos antecederam - no caso, a geração dos nossos pais e avôs.

José Octavio Dettmann

Rio de Janeiro, 15 de janeiro de 2017.

Notas sobre um vício constante que há nos apátridas que habitam a Terra de Santa Cruz: a incapacidade de cumprirem o que prometem

1) Eu sou muito desconfiado de promessas. Toda vez que me prometem alguma coisa, geralmente não cumprem - aliás, a República brasileira é feita de promessas sistematicamente mal cumpridas. Isso é falta de Deus no coração.

2) Se as pessoas tivessem a boa consciência de saber que estão sendo monitoradas constantemente por um juiz onisciente, jamais seriam capazes de fazer uma promessa que não podem cumprir. Afinal, faltar com uma promessa é pecar contra a bondade de Deus, contra o Espírito Santo.

3) Eu definitivamente odeio gente que não cumpre suas promessas. A vida inteira só lidei com gente assim, incapaz de cumprir suas promessas. É por isso que é preferível não prometer nada a ninguém a prometer e mal cumprir.

José Octavio Dettmann

Rio de Janeiro, 15 de janeiro de 2017 (data da postagem original).

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Um escritor pode ser um médico ou um traficante, dependendo da circunstância

1) Alguns leitores já me disseram que ficaram viciados em meus textos.

2) Eis aí uma boa droga que produzo. Uma droga chamada informação e cultura, capaz de curar algumas coisas que há no Brasil, fundadas na má consciência sistemática e no conservantismo. Num país sério, eu faria medicina social por excelência, pois tomar o país como um lar em Cristo é um santo remédio.

3) Em países totalitários, eu seria considerado um traficante - afinal, semear a verdade é algo ilegal, numa ordem em que o que é conveniente e dissociado da verdade é a ordem do dia.

4) No Brasil, estou mais para um traficante do que para um médico. Mas sou um traficante do bem, pois não destruo famílias - na verdade, construo novos tipos de seres que formarão novas famílias virtuosas, que purgarão o pecado das gerações anteriores, marcadas pela cultura do divórcio e das famílias desestruturadas.

5) Isto resume muito bem o trabalho do nacionista.

José Octavio Dettmann

Rio de Janeiro, 12 de janeiro de 2017.