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segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Notas sobre cinema sob a visão de quem observa o comportamento de um cinéfilo

1) Não sou muito de ver filmes, mas costumo prestar muita atenção aos diálogos dos filmes a que meu pai assiste. A julgar pelos diálogos, se os personagens fossem pessoas reais, seriam pessoas interessantes de se conhecer. Pena que, onde me encontro, há  muitas pessoas muito abaixo da ordem do ser que esses personagens representam.

2.1) Naturalmente, para compor esses personagens extraordinários, os que fizeram o filme tiveram que buscar referências na literatura - cujo modelo decorre de algo que havia no real - ou na própria sociedade onde o filme foi produzido, que possui ou deve possuir tipos sociológicos interessantes que dão causa à composição de personagens cuja ordem do ser é interessante. E neste ponto, literatura e sociologia se casam muito bem, no cinema.

2.2) Por isso que gosto de assistir os filmes dentro da perspectiva cultural de onde ele foi produzido. E é mais fácil fazer isso estando imerso nessa cultura - quando vejo filme por streaming, dentro de um ambiente cultural e televisivo americano, eu tendo a ver filmes dentro da perspectiva de um americano, já que ver filmes americanos num ambiente cultural brasileiro chega a ser grotesco e imbecilizante, visto que há um colonialismo de consumo, fundado na cultura de massa, onde todos têm a sua verdade, o que quer dizer que não há verdade alguma.

3) Se esses personagens fossem reais, alguns deles seriam bons amigos para mim. A julgar pelas coisas que vejo no Brasil, as pessoas aqui parecem ser mais robóticas, mais artificiais do que os personagens jogáveis do The Sims 3, tamanha é a cultura de dissimulação, de impessoalidade, de fingimento. Talvez o Walking Dead retrate melhor a nossa realidade, pois lidamos com verdadeiros zumbis, verdadeiros monstros, embora não aparentem ser aquilo que a série mostra, o que tende ao exagero.

4.1) Enquanto muitos no Brasil querem ser artistas de TV - o que faz do fingimento, próprio da arte cênica, uma marca de nossa cultura -, eu tenho outra ambição: eu quero ser um personagem digno de ser retratado nos filmes.

4.2) Como personagem, minha vida seria vista a partir daquilo que realizei, enquanto escritor e enquanto católico, pois olhariam para o conjunto da minha obra, que estaria cristalizado por força da minha morte. Isso daria um necrológio e tanto.

4.3) Desde pequeno dizem que sou único e muito diferente dos homens de minha terra, em meu próprio tempo. Por isso que me preocupo em ser autêntico, de modo que minha vida seja retratada por alguém que seja pio e sensato, seja no cinema ou mesmo numa biografia. E meus escritos ajudam neste aspecto.

José Octavio Dettmann

Rio de Janeiro, 12 de dezembro de 2016.

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domingo, 11 de dezembro de 2016

Notas sobre o conservantismo e sobre o paradoxo próprio de se dividir o mundo entre eleitos e condenados, constante no protestantismo

1) No protestantismo, o mundo é dividido em "eleitos" e "condenados".

2) Os "eleitos", por conta de sabedoria humana e dissociada da divina, dispensam o confessionário, dispensam a humildade e conservam o que é conveniente e dissociado da verdade. Por conta disso, criam uma falsa cultura que edifica liberdade para o nada, que quebra o ciclo da vida, próprio da conformidade com o Todo que vem de Deus. Logo, o sentido latino da revolução,  que é a renovação de um ciclo virtuoso, é forçosamente alterado para revolução, no sentido germânico do termo, em que os "eleitos" e perseguem e matam os "condenados" - os humildes que vivem a vida na conformidade com o Todo que vem Deus.

3) Quanto maior o conservantismo, maior a hipocrisia e maior é o progressismo na mentalidade revolucionária. No final, quando isso é feito sistematicamente, a maioria do povo ficará em conformidade com os "eleitos" e estará desligada da pátria do Céu. Eis os apátridas.

4) O paradoxo do protestantismo faz distribuir esse senso  falso de que todos são eleitos, criando um nefasto efeito democrático, que é a má consciência distribuída por aí, sem freio nem moderação. No final, os "eleitos" acabam levando um povo inteiro à condenação eterna - e os que eram antes chamados de "condenados", por viverem a vida em conformidade com o Todo que vem de Deus, são os verdadeiros eleitos, pois viveram o martírio, dado que não arredaram pé de sua verdadeira fé, sustentada numa santa razão que só pode ser mostrada por força de milagre, dado que a bondade de Deus é a causa da verdadeira autoridade, pois por sua vontade criou o mundo tal como o conhecemos - e o fez por amor.

José Octavio Dettmann

Rio de Janeiro, 11 de dezembro de 2016.

Por que o vinho e o pão são oferecidos para o santo sacrifício?

1) Certa ocasião, eu vi um texto fazendo uma analogia entre o pão e o vinho.

2) O pão vem do trigo, que nos primórdios era selvagem. Para obtermos a farinha necessária para fabricá-lo, nós tínhamos que moer esse trigo, esmagá-lo. Assim, esmagado nossa selvageria, o que nos torna crus, nós somos moldados e depois cozidos, e depois passamos a provar do sabor decorrente das nossas experiências.

3) O vinho vem da uva, que é algo bem comum e que também foi uma primeiras espécies de vegetais domesticadas pelo homem - e o que é domesticado é tão dócil quanto uma ovelha, assim como Nossa Senhora é dócil nas mãos de Deus. Para obter algo extraordinário, o vinho, nós precisamos esmagar aquilo que nos torna comuns e envelhecer em tonéis de carvalho durante alguns anos. Aí teremos o vinho, em que o comum, trabalhado, se tornou extraordinário, fonte de uma inebriante alegria, quase santa. Por isso que, ao bebermos do vinho, nós somos espiritualizados.

4.1) Da combinação de vinho e pão vem o corpo e o sangue de Cristo, pois o vinho, tinto, pode lembrar sangue derramado, como aquele decorrente da Cruz.

4.2) Quando comemos da carne de Cristo, na espécie do pão, nós aprendemos as experiências necessárias de modo a sermos pessoas mais sensatas, experientes, pois é do trigo que vem o dom da ciência, pois o trigo foi esmagado, tal como nossa selvageria. Eis o poder da catequese, feita a partir do batismo com água.

4.3) Quando bebemos do sangue de Cristo, nós ganhamos coragem para poder servir a Cristo em terras distantes. Eis o poder da fortaleza, próprio de quem foi crismado. E por Cristo morreremos, de modo a semear a verdade pelo mundo afora, pois a uva, algo tão comum, foi esmagada para dar lugar a algo extraordinário, que é viver a vida em conformidade com o Todo que vem de Deus.

José Octavio Dettmann

Rio de Janeiro, 11 de dezembro de 2016.

Sou radical e ortodoxo com muito orgulho, pois não tolero o relativismo moral, que perverte tudo aquilo que há de mais sagrado

1) No final da faculdade, um colega meu me chamou de ortodoxo. Agora, me chamaram de radical.

2) Quem vive a vida fundada na conformidade com o Todo que vem de Deus preza pela fé reta, pela vida e pela consciência reta. E a consciência reta é movida pela verdade - e não pelo relativismo moral que semeiam por aí. E se eu não falar e denunciar aquilo que estão fazendo, as pedras falarão, se forem tomadas como se fossem coisas que levam à conformidade com o Todo que vem de Deus - os ícones. E a maior prova disso são as ruínas de um passado distante, que poderá vir à tona novamente, se forem descobertas.

3) Sou radical naquilo que é verdadeiro - e sei que ao fazer isso eu perco amizades. Houve quem me perguntasse se isso não complicaria a vida. Antes mesmo de ser católico, a vida já me era difícil - minha profissão está totalmente dominada pelos comunistas e o Direito se reduziu a ativismo judicial. E como falei, o que me sobrou, que é o lado de escritor, é o que tenho de modo a combater esse mal.

4) Não estudo mais para concurso público desde 2012 - como estou em começo de carreira, eu ganho pouco dinheiro. E quem me mantém são os poucos pios que encontro pelo caminho. Este trabalho que faço enquanto escritor é a minha cruz e eu a abraço ternamente. Por isso, vou crescer nela - e não me importo com o que digam. Ainda que dê pouco dinheiro, é o meu trabalho - o Brasil verdadeiro, fundado em Ourique, precisa ser restaurado e isso é urgente e necessário - e este É o meu trabalho. Recompensa mesmo terei lá no Céu.

5) A maioria ignara, que conserva o que é conveniente e dissociado da verdade, perecerá; a minoria que se mantém fiel a Deus e conhece a razão pela qual esta país foi fundado, esta deixará descendentes férteis, dado que tiveram a coragem de não se manterem modernos e atuais, nestes tempos de liberdade voltada para o nada, em que cada um tem o pretenso direito de ser o que quiser, até mesmo o de prejudicar o seu semelhante.

6) Minha missão se dá no Brasil, em Portugal e em todo o mundo português. Os apátridas que habitam este mundo perecerão, pois eles abortam os seus filhos, uma vez que vivem no hedonismo, a loucura dos nossos tempos.

7) Os poucos que sabem o que faço, porque conhecem o que conheço, são eternamente gratos a mim. Os que ignoram os perigos que rondam esta terra, estes são ingratos. E a ingratidão não é coisa de quem toma o país como se fosse um lar em Cristo, mas de quem nasceu nesta terra no sentido biológico do termo e que vive no mais puro hedonismo. Como toda mente proletária, em nada contribuirá para a comunidade política a não ser com a sua própria prole, reproduzindo assim o hedonismo na sociedade.

José Octavio Dettmann

Rio de Janeiro, 11 de de dezembro de 2016.

A verdadeira indústria cultural está nos monastérios

1) Em espanhol, macaco que não pode gerar descendentes férteis é um mono estéril, assim como todo rádio tem dois modos de som: mono e stereo. Logo, todo macaco estéril é rádio.

2) Se mandassem esses rádios pra Esparta, eles só iriam ficar escutando abobrinha. Iriam perder a paciência e iriam mandar tudo isso para o raio que os parta.

3) Se o rádio transmite voz para todos os lugares do mundo, incluindo Esparta, sua razão de ser está numa torre de transmissão. Às vezes, a torre de transmissão serve de pára-raio de maluco, edificando liberdade para o nada - e é de tanto servirem maluquices que o pessoal de todo o mundo manda as radios para o raio que os parta. E o raio se retroalimenta.

4) Se é o que é estéril pode se tornar fecundo por força de um milagre, então é melhor que se construam rádios em monastérios. Assim, a palavra de Deus é distribuída ao mundo inteiro - e quanto mais a verdade é distribuída, mais a liberdade tem um propósito, fundado na conformidade com o Todo que vem de Deus.

5) A verdadeira evolução decorre do desenvolvimento do dogma, do aprofundamento da verdade ao longo do tempo, de modo a que os conteúdos se adequem àquilo que é conforme o Todo que vem de Deus, renovando assim todas as coisas. Se o que era estéril se tornou fecundo, então o macaco, dentro desta lógica, se tornou ser humano, a primazia da criação, pois ouviu a palavra de Deus a passou a dizer sim a Ele. Se o mundo do cru, por força de milagre, pode se tornar o mundo do cozido, então para Deus nada é impossível.

José Octavio Dettmann

Rio de Janeiro, 11 de dezembro de 2016.

sábado, 10 de dezembro de 2016

Estar sozinho é bom, mas é também horrível não ter com quem conversar

1) Enquanto estou estudando e perscrutando as coisas, adoro estar sozinho. No entanto, uma coisa da qual eu não gosto muito é não ter com quem conversar. Sempre que descubro alguma coisa interessante, adoro voltar pra casa e ter sempre uma história nova pra contar.

2) Quando sinto que não tenho com quem conversar, eu procuro pessoas comuns, geralmente gente que não está envolvida na atividade intelectual. Muitas dessas pessoas comuns me ouvem e adoram as histórias que conto - e aí acabo construindo laços mais fortes com essas pessoas. 

3) Pelo menos, são essas coisas que procuro fora do facebook: gente comum, com quem possa trocar uma idéia, sempre edificante. Elas aprendem algo comigo e eu não me sinto tão solitário. Afinal, a vida intelectual é solitária, mas isso não quer dizer necessariamente que eu deva ficar sem ter alguém com quem possa conversar. 

4) Pelo menos, esta tem sido uma das funções das outras redes das quais eu faço parte. Aqui no face, o foco é o trabalho; nas outras redes, sempre que preciso, procuro jogar conversa fora - mas isso não quer dizer falar asneira, pois não perco tempo com conversa fiada.

José Octavio Dettmann

Rio de Janeiro, 10 de dezembro de 2016.

O comunitarismo é alimentado por meio da patronagem sistemática

1.1) Patrão é aquele que patrocina uma atividade econômica organizada. Ele não precisa ser necessariamente o dono da empresa - basta que ele compre um produto feito das mãos habilidosas de um artesão ou de um escritor que ele já está patrocinando a atividade. 

1.2) Dentro deste conceito, meu patrão são os meus leitores, pois patrocinam a minha atividade de escritor, coisa que faço sozinho, já que não tenho colaboradores trabalhando comigo, no momento. E procuro fazer meu trabalho da melhor forma possível, de modo a edificar mais e mais consciências pelo bem do Brasil.

2.1) Se eu, que sirvo ao público de maneira organizada, vier a ter colaboradores comigo, eu não serei chefe deles, pois nunca tratei ninguém como um inferior. O que faço é orientá-los de modo a que façam aquilo que precisa ser feito de modo a que eu possa fazer bem meu trabalho. 

2.2) Dentro dessa lógica, meus colaboradores são meus assistentes. Se eles quiserem ter inciativas independentes, eles podem montar seu próprio escritório e recrutar seus próprios assistentes - não incomodo que usem as dependências de meu escritório de modo a tocarem seus projetos, se acharem conveniente. 

2.3) Como meus assistentes, posso dar a eles a chance de começarem trabalhando comigo e aprendendo a fazer as coisas da forma como faço. Se eles forem capazes de exercer uma atividade própria, como um desdobramento da minha, isso acaba criando um departamento novo. E no final, esses meus assistentes se tornam meus sócios - e se tiverem gratidão, por conta de acolhê-los na infância profissional, eles fazem de mim uma espécie de líder da empresa ou uma espécie de rei dentro da atividade organizada, pois tomo meus colaboradores como parte da minha família. E o escritório que comando se torna um centro de pesquisas, um think-tank, uma escola onde há vários pesquisadores trabalhando juntos com uma visão de mundo parecida, tendo por mim um pai espiritual em comum, posto que formei a todos eles, por via do estágio nos meus empreendimentos intelectuais, enquanto assistentes.

3) Pelo menos, do ponto de vista comunitarista é assim que nasce uma universidade: ela nasce a partir da guilda dos escritores, pois os escritores são os professores de uma nação inteira, que deve ser tomada como se fosse um lar, tendo por Cristo fundamento. E uma universidade forma professores, que vão atuar nas escolas. Penso que é por essa via que haverá o renascimento da universidade - é a partir do trabalho independente de um pensador organizado que nasce toda uma organização, do mesmo modo que uma nação inteira nasce a partir de um só indivíduo virtuoso. 

José Octavio Dettmann

Rio de Janeiro, 10 de dezembro de 2016.

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