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terça-feira, 16 de setembro de 2025

Carry Trade Empreendedor com Livelo: arbitragem cambial sem empréstimos

 O carry trade é conhecido no mercado financeiro como a prática de captar recursos em uma moeda de juros baixos e aplicar em outra de juros altos, lucrando com o diferencial. Essa operação, no entanto, costuma envolver endividamento, com riscos de variação cambial que podem anular o ganho.

O que descrevo aqui é diferente: um carry trade empreendedor, realizado sem recorrer a empréstimos. O capital inicial não foi tomado de terceiros, mas gerado a partir de atividade produtiva: a venda de livros físicos nos Estados Unidos. Essa característica altera o risco, a natureza e o alcance da estratégia.

1. Estrutura bancária entre EUA e Brasil

A base da operação está na presença financeira nos EUA, com duas contas distintas:

  • Checking account: usada para operações correntes, especialmente para receber pagamentos pelo Zelle.

  • Savings account: usada como cofre, para acumulação de dólares ao longo do tempo.

Os livros vendidos a brasileiros e descendentes na Flórida são o ponto de partida: ao invés de recorrer a crédito, o capital nasce da função empreendedora pura — transformar um bem cultural em liquidez financeira.

2. Conversão de dólares em reais

Os dólares recebidos são convertidos em reais e alocados inicialmente na poupança do Itaú, aproveitando o aniversário mais rentável. Aqui, já ocorre o primeiro estágio do carry trade: dólares de juro baixo transformados em reais de juro alto.

3. Multiplicação via Livelo e AstroPay

Aqui está a principal inovação da estratégia: a combinação entre arbitragem tributária e efeito cascata de pontos.

  1. Em datas promocionais da Livelo (10 pontos por real), o dinheiro convertido é transferido para o AstroPay.

  2. Essa carga do AstroPay é reconhecida como compra no cartão, o que gera pontos adicionais.

  3. Com o saldo do AstroPay, adquirem-se livros, bens imunes de ICMS, ISSQN, IPI e Imposto de Importação.

  4. Essas compras rendem novos pontos na Livelo.

  5. O pagamento ainda pode ser turbinado com cartão de crédito adicional, multiplicando novamente os pontos.

Ou seja, o mesmo real gera pontos em três momentos distintos:

  • na carga do AstroPay,

  • na compra do livro (via Livelo),

  • e na quitação com o cartão de crédito adicional.

É um verdadeiro efeito cascata de pontuação, que transforma gastos cotidianos em ativos multiplicados.

4. Conversão de pontos em liquidez

Quando surgem campanhas de 100% de bônus na Latam Pass, os pontos Livelo são transferidos, convertidos em milhas e vendidos rapidamente no Hotmilhas, com pagamento em D+1.

Assim, ativos intangíveis tornam-se liquidez imediata em reais.

5. Aplicação em renda fixa

Os valores obtidos são aplicados em CDBs a 110% do CDI, que, em um cenário de Selic a 15% a.a., rendem cerca de 16,5% ao ano.

Aqui se dá o coração do carry trade: transformar dólares captados a custo zero em reais multiplicados por juros elevados, sem endividamento.

6. Renovação e janela cambial

Após três anos, existem duas possibilidades:

  • Se os juros brasileiros permanecerem altos, renova-se o CDB, ampliando o efeito composto.

  • Se os juros caírem, preserva-se o capital na poupança, isenta de IR, até que surja uma oportunidade de recompra de dólares a preços favoráveis.

7. Recompra de dólares

No momento adequado, recompra-se dólar e transfere-se novamente para a savings account nos EUA. O ciclo se completa:

  • livros → dólares → reais → pontos → milhas → reais → juros altos → recompra de dólares.

Conclusão

Essa estratégia pode ser definida como um carry trade empreendedor com efeito cascata de pontos:

  • não depende de empréstimos,

  • nasce de atividade produtiva (venda de livros),

  • converte cada real em múltiplas rodadas de pontuação,

  • aproveita imunidades constitucionais e o diferencial de juros,

  • e fecha o ciclo com arbitragem cambial.

Diferente do carry trade especulativo clássico, aqui temos uma engenharia financeira autônoma e sustentável, que combina economia real, criatividade nos programas de fidelidade e disciplina estratégica. É um exemplo concreto de como a função empreendedora pode transformar simples dólares de vendas em uma máquina de multiplicar capital no longo prazo.

Dia 01 da Reunião do Copom - 16/09/2025

Hoje, terça-feira, 16 de setembro de 2025, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil iniciou sua reunião para definir a taxa básica de juros, a Selic. A expectativa é de que a Selic seja mantida em 15% ao ano, conforme sinalizado pelo próprio comitê e amplamente aguardado pelos analistas. Agência Brasil+1

Na manhã de hoje, a primeira etapa da reunião teve início às 10h08, com apresentações técnicas sobre a conjuntura econômica, incluindo inflação, atividade econômica e cenário internacional. A decisão final será divulgada amanhã, quarta-feira, 17 de setembro, às 18h30. CNN Brasil

O cenário atual apresenta desafios para o Copom:

  • Inflação ainda elevada: Apesar de uma leve deflação mensal em agosto, a inflação anual permanece em 5,13%, acima da meta de 3% estabelecida pelo Banco Central. Reuters

  • Cenário internacional incerto: A economia global enfrenta volatilidade, o que pode impactar as decisões do Copom.

Economistas projetam que a Selic se mantenha em 15% até o final de 2025, com possíveis cortes graduais apenas em 2026, caso haja reancoragem das expectativas inflacionárias e maior consistência nos fundamentos fiscais e macroeconômicos. VEJA

O mercado financeiro acompanha atentamente as decisões do Copom, que influenciam diretamente o custo do crédito, os investimentos e o crescimento econômico do país.

Estratégia de Arbitragem Financeira: livros, milhas e CDB

No Brasil, a Constituição Federal estabelece imunidade tributária para livros, jornais, periódicos e o papel destinado à sua impressão (art. 150, VI, “d”). Em termos práticos, isso significa que a compra de livros está livre de tributos como ICMS, IPI, ISSQN e Imposto de Importação. Essa peculiaridade, muitas vezes ignorada pelo consumidor comum, pode ser explorada de maneira inteligente dentro de um ciclo de arbitragem financeira que combina cultura, acúmulo de pontos, geração de liquidez e investimentos em renda fixa atrelados à taxa Selic.

A seguir, descrevo um método de oito etapas que, quando aplicado com disciplina, permite multiplicar o retorno de algo aparentemente simples como a compra de livros na Amazon brasileira.

1. A compra inicial: livros sem impostos

O ponto de partida é adquirir livros vendidos diretamente pela amazon.com.br (e não por vendedores do marketplace). Nessa condição, o consumidor se beneficia da imunidade tributária prevista pela Constituição. O gasto com livros, portanto, já nasce sem a erosão causada pela carga fiscal.

2. Campanhas de acúmulo: 10 pontos por real

Ao aguardar campanhas específicas da Livelo, cada real gasto em livros pode render 10 pontos. Esse é o primeiro multiplicador da estratégia, garantindo que a simples aquisição de conhecimento também se transforme em capital potencial.

3. O turbinamento: 10x dentro da Livelo

Com os pontos creditados, entra o turbinamento. A Livelo permite multiplicar os pontos em até 10 vezes, o que significa que R$ 100 gastos em livros podem se transformar, rapidamente, em 10.000 pontos.

4. Transferência bonificada: 100% para Latam Pass

Em campanhas de transferência com 100% de bônus para o Latam Pass, esses 10.000 pontos se convertem em 20.000 milhas. Mais uma vez, a lógica é esperar o momento certo para maximizar o ganho. 

5. Liquidez imediata: venda no Hotmilhas

As milhas, por si só, têm valor. No entanto, a estratégia prevê convertê-las em liquidez imediata através de plataformas como o Hotmilhas, que paga em D+1. Assim, o consumidor transforma pontos intangíveis em dinheiro no caixa.

6. Do fluxo para o investimento: poupança → CDB 110% CDI

O valor resgatado é transferido para a poupança e, de lá, aplicado em um CDB que rende 110% do CDI. Em um cenário de Selic a 15% a.a., o CDI acompanha (~14,9%). Nesse caso, o rendimento real do CDB chega a aproximadamente 16,4% a.a., bem acima da média do mercado.

7. Rolagem inteligente: só renovar se Selic ≥ 15%

Após três anos de aplicação, a estratégia prevê rolar o CDB apenas se a Selic se mantiver em patamares iguais ou superiores a 15%. Caso contrário, a orientação é manter liquidez até uma nova oportunidade de alta da taxa básica de juros.

8. O fator tributário: declaração e restituição futura

Enquanto vigente o Imposto de Renda sobre investimentos, os rendimentos do CDB devem ser devidamente declarados. Contudo, tramita no Congresso o projeto de lei da deputada Júlia Zanatta que propõe a extinção do IR. Caso aprovado, abre-se a possibilidade de solicitar restituição administrativa ou judicial de tudo o que foi pago nos últimos cinco anos. Nesse cenário, o ganho líquido do investidor seria ainda maior.

Conclusão

Esse ciclo de arbitragem mostra como é possível transformar cultura em capital. Ao comprar livros imunes de impostos, o consumidor não apenas adquire conhecimento, mas também desencadeia uma cadeia de multiplicação de pontos, conversão em milhas, liquidez imediata e investimentos rentáveis em renda fixa.

Mais do que uma simples estratégia de milhas, trata-se de um método de otimização financeira que une prudência, timing e visão de longo prazo. Em um ambiente econômico volátil, saber unir imunidades constitucionais, campanhas promocionais e a disciplina de reinvestir pode ser o diferencial entre um ganho ordinário e um ganho extraordinário.

segunda-feira, 15 de setembro de 2025

Reunião do Copom de setembro de 2025: expectativa de manutenção da taxa Selic em 15%

Na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil, agendada para os dias 16 e 17 de setembro de 2025, a expectativa predominante é de que a taxa Selic seja mantida em 15% ao ano. Esse patamar representa o nível mais alto da taxa básica de juros desde 2006.

Contexto Econômico Atual

Apesar de uma leve deflação mensal em agosto, a inflação anual permanece em 5,13%, acima do teto da meta de 4,5% estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Além disso, o mercado de trabalho continua aquecido, e há incertezas econômicas globais que influenciam a política monetária. Esses fatores contribuem para a decisão do Copom de manter a taxa Selic elevada para controlar a inflação.

Expectativas do Mercado

Pesquisas recentes, como o boletim Focus divulgado em 15 de setembro, indicam que a mediana das projeções para a Selic ao final de 2025 permanece em 15% ao ano. Para 2026, houve uma leve redução na expectativa, passando de 12,50% para 12,38% Reuters. Essas previsões refletem um cenário de inflação ainda acima da meta estabelecida pelo CMN, que é de 3%, com um intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos.

Perspectivas Futuras

Embora a manutenção da Selic em 15% seja esperada para a reunião de setembro, algumas projeções indicam que o primeiro corte na taxa pode ocorrer já em janeiro de 2026, caso a inflação mostre sinais de convergência para a meta do BC. No entanto, essa decisão dependerá da evolução dos indicadores econômicos nos próximos meses.

Em resumo, embora o cenário atual sugira a possibilidade de um aumento da Selic, a expectativa é de que o Copom mantenha a taxa inalterada na reunião de setembro, aguardando uma evolução mais favorável da inflação para considerar futuros cortes.

Vilania, Mentalidade Provinciana e a Aldeia Global: O Brasil entre a vila e o mundo

No português, a palavra vilão possui uma origem surpreendentemente literal: derivada do latim villanus, designava o habitante de uma vila, o camponês ou aldeão que vivia afastado dos centros urbanos e das cortes. Longe de qualquer conotação moral negativa, o vilão medieval era simplesmente alguém provinciano, limitado ao espaço e às preocupações de sua comunidade local. Somente com o tempo a palavra adquiriu o sentido de “malfeitor” na língua, uma mudança semântica fruto da literatura, do teatro e da cultura popular.

Essa etimologia fornece uma lente para compreender problemas contemporâneos na política brasileira. A classe política que se mantém provinciana, com uma visão restrita e limitada do país, cria as condições para a vilania institucional: decisões que preservam privilégios e narrativas convenientes, mesmo quando dissociadas da verdade ou do bem comum.

Olavo de Carvalho criticou de forma incisiva a natureza provinciana e inculta da elite brasileira, destacando que esta permanece confinada à própria “vila”, reproduzindo hábitos e valores que consolidam seu poder imediato, sem se projetar para o universal. Tal mentalidade limita a capacidade do país de agir de forma estratégica e alinhada à verdade, perpetuando uma vilania estrutural que não é apenas moral, mas também política e cultural.

No entanto, a história não permite que a vila permaneça isolada. Marshall McLuhan, em suas análises sobre comunicação, destacou o surgimento da aldeia global, na qual as fronteiras geográficas perdem importância diante da interconexão instantânea entre sociedades, economias e culturas. No Brasil, esse fenômeno se reflete na necessidade de líderes que transcendam a visão limitada da “vila” e compreendam a amplitude das relações globais.

Essa ideia também é explorada por Loryel Rocha em Manifesto sobre o Gran-Brasil: o Império dos impérios do mundo (IMUB, 2023), obra que analisa o potencial do Brasil no contexto mundial e denuncia a incapacidade da elite provinciana de acompanhar as dinâmicas globais. A obra reforça a urgência de superar práticas vilanescas, voltadas apenas à manutenção de interesses locais, e de abraçar uma mentalidade estratégica que permita ao país se tornar protagonista em escala global.

Portanto, compreender a origem do vilão e sua evolução semântica não é apenas um exercício etimológico: trata-se de diagnosticar a mentalidade provinciana que ainda impede o Brasil de atuar plenamente na aldeia global. A superação dessa vilania exige líderes e cidadãos capazes de agir com visão ampla, ancorados na verdade e na responsabilidade coletiva, e não apenas na conveniência imediata de sua “vila”.

Bibliografia

  • Carvalho, Olavo de. O Jardim das Aflições: Mitos e Paradigmas. São Paulo: Vide Editorial, 1995.

  • McLuhan, Marshall. Understanding Media: The Extensions of Man. New York: McGraw-Hill, 1964.

  • Rocha, Loryel. Manifesto sobre o Gran-Brasil: o Império dos impérios do mundo. Rio de Janeiro: IMUB, 2023.

  • Houaiss, Antônio. Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro: Editora Objetiva, 2001.

Do valor do presente no horizonte espiritual

No Brasil, a tradição social associa presentes a datas específicas: aniversários, Natal ou outras celebrações marcadas pelo calendário civil. Para a maioria, o gesto de presentear segue a lógica da obrigação, do costume, ou da convenção social. Mas há quem perceba que o valor de um presente não reside apenas no objeto em si, e sim na intencionalidade, no momento escolhido e na conexão que ele estabelece com quem recebe.

O segredo da generosidade estratégica

A generosidade verdadeira não precisa se submeter às datas fixas. Pelo contrário, a escolha do momento certo para dar um presente — quando o gesto terá o maior impacto e significado — pode transformar um ato comum em algo memorável.

No plano prático, essa visão também pode se articular com inteligência financeira: adquirir um presente de valor em momentos estratégicos, como promoções de Black Friday, otimizar programas de pontos e milhas, e transformar essas oportunidades em capital investido, tudo isso cria um ciclo em que a generosidade e a prudência se reforçam mutuamente. Assim, cada presente dado se torna um ato de amor e de crescimento patrimonial, sem perder a essência da generosidade.

Perspectiva Cultural: o onomástico na Polônia

Enquanto no Brasil o aniversário é a referência, em países como a Polônia celebra-se o onomástico — o dia do santo que dá nome à pessoa. Essa prática desloca a centralidade do presente do calendário biológico para o calendário espiritual. O gesto deixa de ser uma lembrança do simples nascimento e se torna uma homenagem à vida em Cristo, reconhecendo a vocação e o vínculo espiritual da pessoa.

Escolhendo a própria data de receber presentes

Para aqueles que conhecem sua própria identidade espiritual e cultural, a escolha da data para receber presentes pode ser profundamente simbólica. No meu caso, embora o Brasil privilegie aniversários, a data mais significativa seria 19 de março, dia de São José, santo protetor e modelo de fidelidade, além de ser o santo que me dá o nome. Receber presentes nesse dia não seria apenas um gesto material, mas um reconhecimento de quem sou diante de Deus, de minha fé e daquilo que valorizo em minha vida.

Conclusão

A generosidade ganha profundidade quando se liberta do calendário social. Dar presentes em datas estratégicas — por amor, por planejamento ou por significado espiritual — é um ato que transcende o material. No fundo, o valor do presente não é apenas o que se entrega, mas quem se reconhece e quem se honra no momento do gesto, nos méritos de Cristo.

Essa visão une três dimensões: a estratégia financeira, a profundidade afetiva e a consciência espiritual, mostrando que generosidade e sabedoria podem caminhar juntas, edificando relacionamentos, patrimônio e identidade.

domingo, 14 de setembro de 2025

O valor da transmissão de saberes na família

A morte de um pai costuma deixar na família não apenas um luto afetivo, mas também prático: faltam os gestos habituais, as competências cotidianas e as mãos que resolviam os problemas da casa. No entanto, quando uma ausência gera novas presenças, nasce um aprendizado inesperado.

Foi exatamente isso que aconteceu com minha mãe. Com a falta de meu pai, que sempre foi o habilidoso da casa, ela precisou lidar com reparos e consertos. Chamou prestadores de serviço, mas percebeu que muitos não resolviam o que prometiam. Em vez de se resignar ou aceitar trabalhos malfeitos, ela passou a observar com atenção, imitar gestos e buscar soluções em vídeos do YouTube. Pouco a pouco, foi descobrindo em si mesma a engenhosidade necessária para resolver sozinha os problemas que surgiam.

Essa atitude revela algo maior do que simples destreza manual: mostra o valor da resiliência e da curiosidade. Mas, acima de tudo, mostra o espírito de transmissão. Ao contrário de meu pai, que guardava suas habilidades, minha mãe ensina. O que aprende, compartilha. O que descobre, mostra com paciência. Assim, não apenas a casa continua funcionando, mas eu herdo algo que vai além da técnica: herdo a confiança de que, diante de qualquer dificuldade, é possível aprender.

A cultura familiar se constrói também nesses gestos aparentemente pequenos. Não se trata apenas de saber trocar uma resistência, apertar um parafuso ou pintar uma parede, mas de transmitir a convicção de que o conhecimento deve circular, de que a prática se aperfeiçoa no compartilhar. No fundo, a ausência de um habilidoso deu lugar à presença de uma mestra.

É assim que a vida se reinventa: do vazio nasce a abundância, da perda surge a herança, e do silêncio do que não foi ensinado brota a voz paciente de quem decidiu não apenas saber, mas ensinar.

Bibliografia de Apoio

  • Sennett, Richard. O Artífice. Rio de Janeiro: Record, 2009.
    (Mostra como o trabalho manual e a habilidade prática estão ligados à formação do caráter e à transmissão cultural).

  • Bourdieu, Pierre. A Reprodução: Elementos para uma Teoria do Sistema de Ensino. Petrópolis: Vozes, 2013.
    (Analisa como os saberes se reproduzem social e culturalmente, inclusive no espaço familiar).

  • Polanyi, Michael. The Tacit Dimension. Chicago: University of Chicago Press, 2009.
    (Clássico sobre o “conhecimento tácito”, aquele que se aprende pela prática e pela transmissão implícita de gestos e exemplos).

  • Narvaez, Darcia; Immordino-Yang, Mary Helen (orgs.). Moral Development in the Professions: Psychology and Applied Ethics. Psychology Press, 2007.
    (Discute como a aprendizagem ética e prática acontece em ambientes de convivência, como a família).

  • Almeida, Maria Isabel de. Aprendizagem ao Longo da Vida e Educação de Adultos. São Paulo: Cortez, 2016.
    (Reflete sobre como adultos aprendem em contextos não formais, como a experiência de sua mãe).