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segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

Refutando mais outras quatro falácias liberais

A - Liberais falam que os bens de capital - isto é, os equipamentos e serviços necessários usados  para a produção de outros bens - não são diretamente incorporados ao preço final do produto.

1.1) Se a produção obedece à cadeia causal, então o preço dos insumos - dos bens de capital usados para maxiimizar a riqueza - será incluindo, sim, no custo final do produto, uma vez que os insumos tendem a se autopagar com o seu uso.

1.2) Além de repassarem ao consumidor o custo de oportunidade decorrente da aquisição desses bens, eles também repassam ao consumidor os custos decorrentes do privilegio da patente, se admitirmos que houve P & D por parte da empresa.

2.1) Quem preza o dinheiro mais do que a Deus sempre vai repassar todos os custos inerentes à produção, uma vez que a regulação dos preços pela oferta e demanda tende a ser automática, pois o princípio dessa lei é o amor próprio até o desprezo de Deus, o que leva a conservar o que é conveniente e dissociado dav erdade; quem serve a seus semelhantes olhando neles a figura de Cristo nunca praticará tal arbítrio, tal abuso, pois sempre explicará a eles os motivos que determinarão o preço de seu produto - se os consumidores forem sensatos, eles cooperarão com o produtor, pois quem serve aos outros tem o direito de ser sustentado com o seu trabalho.

2.2) Por meio de um acordo de vontades, produtor e comprador fixarão o preço. Como as necessidades dos clientes são diferentes e não podem ser padronizadas, dado que as preferências individuais são heterogêneas, então o preço nunca será automático - se fosse, haveria a crise do contrato, por conta do conflito de interesses qualificado pela pretensão resistida.
B - Os liberais gostam de citar o exemplo da padaria. Se abro uma padaria num bairro e, de repente, uma outra é aberta no mesmo lugar, então, na lógica deles, sobreviverá o empresário que tiver a maior virtude (incluindo aí inteligência para compreender o teatro de operações econômicas e outros fatores como o fato de ter sede própria, disponibilidade de capital etc). Alegam que uma "guerra" será inevitável, já que não há espaço para duas padarias, dado que não há clientes suficientes).

1.1) Nenhuma pessoa sensata abre uma padaria no mesmo bairro, quando esta funciona muito bem.
1.2) Se alguém abre uma padaria tendo por fundamento o amor de si até o desprezo de Deus, de modo a competir com a aquela existente,  então essa pessoa é inescrupulosa porque preza mais o dinheiro do que a Deus. 

1.3) Ao criar um conflito de interesse qualificado pela pretensão resistida, ela está atentando contra a ordem pública fundada no fato de que devemos tomar a cidade que vivemos como um lar em Cristo, o que nos preparará para a cidade definitiva, que se dará no Céu. 

1.4) A postura do agente inescrupuloso se explica pelo fato de que o mundo foi dividido entre eleitos e condenados, a tal ponto que a riqueza é vista como um sinal de salvação predestinada, uma vez que Deus premia os eleitos com a riqueza. 

1.5) E isso é darwinismo social, coisa que ajuda a montar uma oligarquia, um dos fundamentos da tirania, do governo totalitário. Dizer que o homem é lobo do próprio homem é coisa de gente FDP, que relativa a verdade e tudo o que há de mais sagrado.

2.1) Quando uma cidade é tomada como se fosse um lar em Cristo, é verdade sabida que conflitos de interesse qualificados pela pretensão resistida causam a desintegração do tecido social bem como dos valores - e esses conflitos podem ser prevenidos por meio da razão. Não é à toa que verdade obedecida é verdade obedecida - e só os sensatos enxergam essa realidade.

2.2) Um dos deveres do príncipe é servir ao povo com justiça e uma das formas é permitir que os particulares, com os seus dons, sirvam aos necessitados sem frustrar o trabalho do próximo. Era por essa razão que as pessoas pediam permissão ao príncipe para abrir uma padaria ou uma fábrica na cidade, se não houvesse uma no lugar uma no lugar - e se a demanda for muito grande, a ponto de a existente não conseguir dar conta, uma segunda fábrica era aberta, por força dos círculos concêntricos, pois outras pessoas eram chamadas a colaborar com o trabalho do primeiro padeiro ou do primeiro artesão.

2.3) A competição é uma séria ameaça à ordem pública, pois mata a amizade das pessoas, a tal ponto que deixam de amar e a rejeitar as mesmas coisas tendo por Cristo fundamento e passam a ver a riqueza como um sinal de salvação, edificando liberdade com fins vazios.

2.4) Para se trocar a ética protestante e o espírito do capitalismo pela ética católica e o espírito do distributivismo, o processo de metanóia deve ser constante, de geração em geração, o que leva a uma capitalização moral, onde o governo do príncipe e a iniciativa dos bons cidadãos tendem a compor uma unidade, um todo orgânico onde a cidade dos homens imita a cidade de Deus.

C - Liberais argumentam que a padaria concorrente pode até mesmo criar uma máquina de fazer pão, fazendo com que as vendas caiam  pela metade do preço.

1.1) Ora, tudo o que é fundado no amor de si até o desprezo de Deus faz com que tudo se transforme em arma de destruição em massa.

1.2) Um maquinário que faça pão pela metade do preço pode até ser bom em si mesmo, mas na mão de gente inescrupulosa é uma arma. Isso aniquila com a vida das pessoas que trabalham na outra padaria - isso só confirma o argumento de que competição gera conflito de interesse qualidficados pela pretensão resistida - e neste caso, caberá ao príncipe dizer o direito. No caso mencionado, prevalecerá o direito do primeiro padeiro, dado que ele pediu permissão ao príncipe para servir aos seus semelhantes naquilo que é mais necessário e esse direito a ele foi concedido.

2.1) Na competição, eu não vejo o Cristo no outro, mas o meu inimigo - e este inimigo precisa ser aniquilado de qualquer jeito, quer por estes meios, quer pelos meios de sabotagem ou lobby. Famílias que amam mais o dinheiro do que a Deus tendem a se tornar dinastias - e essas dinastias, como a dos Rockfeller, tendem a usar assassinos profissionais ou a financiar toda uma sorte de gente igualmente imunda disposta a fazer o trabalho sujo no tocante a assassinar a reputação de uma pessoa honesta e trabalhadora.

2.2) Enfim, competição é guerra total - por isso, ela é fora da conformidade com o Todo que vem de Deus. Não é à toa que o capitalismo liberal favorece o totalitarismo comunista.

3.1) Bastiat dizia a que a função da lei é servir de instrumento sistemático de legítima defesa dos interesses individuais e comunitários em face do abuso das empresas, quando concentram o uso de poder de usar, gozar e dispor - inerentes dos direitos da propriedade - de modo a destruir tudo o que há de mais sagrado.

3.2) No caso de empresas que patrocinam toda essa palhaçada comunista, seria sensato que as patentes dessas empresas criminosas fossem quebradas e seus segredos industriais revelados a qualquer um do povo de modo a fazer o robô que ou a máquina de fazer pão que quisesse. Assim uma casa qualquer poderia virar fábrica ou mesmo padaria, atendendo sistematicamente as demandas de toda a população.

3.3) No mundo em que nos encontramos, o amor ao dinheiro está sendo usado para destruir os valores em que esta nação foi fundada. Como isso é uma questão de justiça, a intervenção estatal se faz necessária de modo a coibir os abusos, seja no campo da justiça, seja no campo administrativo e econômico.

D - Liberais falam que não há ameaça liberal.

1) Eu discordo - a maçonaria faz culto do amor de si até o desprezo de Deus um ídolo, a tal ponto que a liberdade se torna uma religião de modo a negar a verdade em pessoa, que é Jesus Cristo. A maçonaria apóia o comunismo, pois vê nela um bom negócio, uma vez que se vale de elementos da ideoogia liberal para poder implantar o totalitarismo.

1.2.1) A ideologia liberal foi condenada pela Igreja Católica, quando esta condenou a maçonaria. 
Ela é o acessório que segue a sorte de seu principal: a maçonaria, que é essencialmente anticristã e antimonáquica. 

1.2.2) Por força disso, é uma ameaça, sim. E dizer que não existe ameaça liberal é dizer que o bem e o mal não existem, assim como que a verdade também não existe. E isso não passa de desinformação, além de heresia e apostasia.

José Octavio Dettmann

Rio de Janeiro, 22 de janeiro de 2018.

Comentários adicionais:

José Octavio Dettmann:

1) Eu não discuto mais com liberal, assim como não discuto mais com comunista.

2) No dia 23, vou completar 37 anos. E stou cada vez mais perto dos 40. E estou num ponto que preciso cuidar cada vez mais da saúde. Se eu me cuidar, não vou me infartar.

Carlos Cipriano de Aquino: Eu vi a discussão entre você e os liberais. Eles não entendem até mesmo as coisas mais básicas.

Carlos Cipriano de Aquino: É o típico sonho neocon: fazer com que os católicos e protestantes se unam em prol do "Ocidente" (leia-se, do projeto moderno).

José Octavio Dettmann:  Exatamente. Por isso que os liberais querem unir a "direita" na marra. 

1) Ora, estar à direita implica estar à direita do Pai, na conformidade com o todo que vem de Deus. Como pode o protestante, que trata a mãe de Nosso Senhor uma mulher qualquer, pode estar à direita do Pai, conservando isso conveniente e dissociado da verdade? 

2) Essa indiferença para com a verdade não passa de um esquerdismo moderado que serve ao radical, coisa que se dá por meio de salvacionismo. Não é à toa que o conservantismo é diabólico. E depois dizem que o ideólogo sou eu.

Carlos Cipriano de Aquino: Por isso que eu concordo com a Monfort, que investe mais numa iniciativa cultural do que político-ideológica.

José Octavio Dettmann:  

1) E eu sigo essa mesma direção, dado que escrevo no sentido cultural. Quando posso, reporto-me ao exemplo que pratico em casa.  

2) Tem certas coisas que penso, mas que não posso praticar porque não tenho as circunstâncias favoráveis. Se tivesse, eu faria.

3) Se uma pessoa estivesse numa situação melhor do que a minha e quisesse testar isso que falo, seria muito bom que ele me contasse o que aconteceu, mas ninguém faz isso.

4) Embora as circunstâncias limitem a experiência, isso não me impede de pensar nas possibilidades, se tivesse uma circunstância mais favorável.

Carlos Cipriano de Aquino: É isso mesmo. É melhor a gente reeducar nossos leitores e ouvintes do que fazer deles massa de manobra.

José Octavio Dettmann: Exatamente. O professor Olavo fala que devemos ser como gárgulas. O que falo é para afugentar libertários e conservantistas - eles buscam unir a direita a torto e a direito, conservando o que é conveniente e dissociado da verdade. O que une mesmo é Cristo, a ponto de todos estarem à direita do pai, na conformidade com o Todo que vem de Deus, amando e rejeitando as mesmas coisas tendo por Cristo fundamento.

José Octavio Dettmann

Rio de Janeiro, 22 de janeiro de 2018.

domingo, 21 de janeiro de 2018

Resumo Histórico sobre a República Romana - da queda de Tarquínio, o soberbo, até a ascensão de Cômodo

1) Pouco depois que os romanos se livraram de Tarquínio, o soberbo, os romanos começaram a observar os regimes dos outros povos de modo a imitá-los na virtude, uma vez que um bom regime de governo distribui virtude a todos que tomam o país como um lar. E isso é um caminho que estava sendo preparado para que Cristo, o evangelizador por excelência, pudesse passar, dado que todas as coisas seriam tomadas como um lar n'Ele, por Ele e para eEe.

2.1) De todos os regimes do mundo conhecido, havia dois em especial: o regime político de Esparta, fundado por homens livres dedicados aos negócios públicos e à guerra, e o de Atenas, uma cidade comercial onde todos os homens tinham voz e voto.

2.2) Como a polis ateniense tende a ser tomada como um fim em si mesmo, então a concupiscência dos comerciantes incutiu no povo da cidade a falsa noção de que a riqueza era um sinal de virtude, a tal ponto que os cidadãos mais ricos e influentes da cidade, ao falarem em nome dos mais pobres, começaram a fazer demagogia, o que levou o regime de Atenas a se degenerar.

2.3) Ao verem o exemplo de Atenas e o exemplo de Esparta, a jovem República Romana optou pelo regime da república aristocrática de Esparta, uma vez que a guerra deve ser usada para se defender de uma injúria ou de uma agressão injusta, seja contra Roma ou contra os amigos de Roma.

2.4.1) O exemplo de Roma se espalhou por toda a Península Itálica. 
24.2) Roma expandiu boa parte de seu território por força da proteção que oferecia aos amigos e por conta do casamento do patriciado com a nobreza das cidades-Estado amigas, criando um laço de federação fundado na mais pura lealdade, já que os amigos de Roma se tornaram parte da família Romana, a tal ponto que os soberanos das cidades-Estados amigas deram aos romanos o direito de assumirem o governo das cidades e fazerem delas um lar tal como Roma, que se tornou a capital, o modelo de toda essa República virtuosa. Esse modelo serviria de base para a monarquia republicana portuguesa.

3.1) Num mundo violento e pagão, a República Romana sempre sofreu muito com corrupção, já que o território estava começando a ficar muito grande e dependia de um número cada vez maior de pessoas vocacionadas aos assuntos de Estado de tal maneira a manter o território conquistado, a tal ponto que a República Romana costumava ter crises por conta da relativização de seus valores a cada geração. Isso começou a se agravar quando a República Romana passou a ser comercialmente próspera, após a conquista de Cartago. A concupiscência dos comerciantes estava instalada na República, tal como aconteceu com Atenas. Por força da atividade mercantil, plebeus começaram a ficar ricos. Por força da Lei Canuléia, os plebeus passaram a se casar com patrícios, degenerando a nobreza, a tal ponto que Roma virou oligarquia, a tal ponto que a nobreza foi dividida entre optimates e os populares, os que estavam falando em nome do povo, dos plebeus, fazendo demagogia, criando um verdadeiro governo de facção.

3.2.1) Durante essas crises, havia revoltas constantes, a tal ponto que ditadores eram chamados de modo a dar conta das rebeliões internas. Um desses ditadores foi Sulla. E após a morte deste, Roma foi governada por três homens: César, Pompeu e Crasso.

3.2.2) Com a morte de Crasso, Roma caiu novamento num governo de facção, o que levaria a República a modificar seu regime: Pompeu liderava os optimates e César os populares. César venceu, passou a ter poder absoluto e por isso foi assassinado. Octavio, seu sobrinho, restaurou os valores tradicionais da República, a tal ponto que estabeleceu o principado, onde o primeiro cidadão de Roma, o cônsul, tinha que servir de exemplo de virtude para toda a federação, moderando os conflitos entre os populares e os optimates.

3.2.3) Durante o tempo de César, Roma tomou contato com o Egito. César teve um relacionamento com Cleópatra e com ela um filho, que seria governante de dois povos em sua pessoa.

3.2.4) Para evitar a influência de um governo estrangeiro em Roma, Octavio invadiu o Egito, já que Marco Antônio passou a ser protetor de Cleópatra, a ponto de trair os valores tradicionais da República Romana. E o Egito foi conquistado.

3.2.5) De Octavio até Marco Aurélio, houve uma série de 5 bons príncipes. O último ótimo príncipe, Marco Aurélio, ao invés de deixar o poder nas mãos de um sucessor bem preparado nos assuntos de Estado, quis deixar o poder nas mãos de seu filho, Cômodo.

3.2.6) Como Cômodo vivia conservando o que era conveniente e dissociado da verdade, então a República Romana caiu, a tal ponto que os novos imperadores, por salvacionismo, se proclamavam deuses vivos, ao imitarem o exemplo dos egípcios. Os romanos, desde a conquista do Egito, quiseram imitar os egípcios no tempo dos faraós - como era um dado cultural, então os governantes estavam em conformidade com o Todo que vinha dessa cultura, que relevava as virtudes pelas quais a República Romana foi fundada.

3.2.7) Somente com a adoção do Cristianismo, que dava aos pagãos a herança que o Deus verdadeiro deu aos judeus, por força de tê-los liberto da escravidão no Egito, é que a virtude republicana romana foi restaurada, mas para isso o Império Romano, por força do paganismo, teve que cair.

3.2.8) Os bárbaros foram cristianizados e aprenderam o que de bom havia em Roma, fundando reinos cristãos virtuosos. O primeiro desses reinos cristãos foi a França, que se tornou a filha favorita da Igreja.

José Octavio Dettmann

Rio de Janeiro, 21 de janeiro de 2018.

Comentários adicionais:

Flávio Fortini: A corrupção assolou Roma após a expansão territorial para além da Península Itálica, como se deu com a conquista da Espanha. A riqueza apossada, por conta da conquista de Cartago, fez com que a cobiça tomasse conta da polis e  passassem a abandonar as virtudes, apesar de haver homens honestos como Catão. 

sábado, 20 de janeiro de 2018

A concentração de grandes complexos fabris em poucas mãos deu causa ao desemprego estrutural, desde que o robô foi introduzido nas indústrias

1) Fábricas são complexos industriais onde a administração é centralizada e focada na tarefa. E a tarefa tende a ser simples e repetitiva.

2) Antes dos robôs, os trabalhos eram feitos por seres humanos. Muitos sofriam de lesões decorrentes do esforço repetitivo.

3.1) Com a implementação do robô, que é muito bom para esse tipo de trabalho, isso causou desemprego estrutural. E esse desemprego estrutural foi gerado por conta de as fábricas terem se tornado a espinha dorsal da economia de uma nação inteira. 
3.2.1) Se o país é tomado como se fosse religião, então o economicismo  se torna norma, pois o amor ao dinheiro, que é tomado como se fosse Deus, se torna religião. 

3.2.3) Como a indústria transforma matéria-prima em produto de primeira ordem, feito para atender necessidades humanas, então o industrialismo se tornou sinônimo de transformação social, de progressismo inexorável, de darwinismo social, onde só os mais fortes sobrevivem. E com isso, os capitães de indústria passam a ter a impressão de que tem poderes mágicos. 

3.2.4) Isso mata todo o senso de nobreza, dado que o trabalho deixa de ser santificador, por perder a conexão de sentido fundada na conformidade com o todo que vem de Deus.  

3.2.5) Se a nobreza for corrompida por força de se amar mais o dinheiro do que a Deus, ocorre a perversão da aristocracia, a ponto de se tornar oligarquia. E quando afeta a chefia da nobreza, a realeza, então haverá tirania, dado que o rei terá o corpo temporal e espiritual da nação ao mesmo tempo, a ponto de fazer o país ser tomado como se fosse religião, em que tudo está no Estado e nada poderá estar fora dele ou contra ele - e isso é totalitarismo.

4.1) O desemprego estrutural, que deu causa a uma nova proletarização geral da sociedade, foi causado por duas coisas: a primeira se deu por força de concentrarem o poder de usar, gozar e dispor em poucas mãos, o que leva ao arbítrio. E por força do arbítrio, o ser humano é tratado como se fosse coisa e descartado.  

4.2) Isso gerou uma crise social no mundo inteiro, entre os 90 e 2000: uma crise provocada pelo abuso do poder econômico. É no arbítrio que os homens são usados e os bens são amados, o que desliga os materialistas da amizade com Deus. 

4.3) Um complexo industrial precisa ocupar grandes extensões de terra e ter uma estrutura centralizada para poder funcionar. E isso implica concentrar o poder de gozar, usar e dispor em poucas mãos, dado que só gente endinheirada terá complexos industriais de grande monta.

5.1) Se o conhecimento para fabricar robôs e todo o material necessário fosse distribuído a toda população comum realmente interessada em produzir produtos que atendessem as necessidades das pessoas sistematicamente, então qualquer casa do país poderia virar uma pequena fábrica, a tal ponto que produtos de tudo quanto é tipo seriam fabricados pelas próprias famílias e poderiam estar disponíveis nos mercados. Haveria uma grande variedade de marcas de tudo quanto é tipo - e isso seria benéfico ao consumidor, dado que ele teria mais liberdade de escolha e poderia levar um produto com qualidade caseira, ainda que feito com a ajuda de robôs, de maneira sistemática.

5.2.1) Para que isso acontecesse, as patentes e os privilégios temporários decorrentes dessas patentes precisariam ser quebrados. As grandes corporações se valem dos segredos industriais de modo a destruírem os seus oponentes. Usam até mesmo espionagem industrial para poder conseguir o que desejam.

5.2.2) As fábricas dessas grandes corporações seriam desapropriadas, por força do abuso do poder econômico, dado que o casamento da indústria com os bancos fomenta toda uma cultura revolucionária. 

5.2.3) No lugar de uma indústria gigantesca, surgiriam muitas pequenas oficinas, a serem tocadas pelas famílias, dado que o terreno seria dividido e loteado para que pessoas comuns do povo pudessem abrir seu próprio negócio e serem úteis ao país. 

5.2.4) No tempo em que vivemos, muitas corporações gigantescas estão pervertendo tudo o que é sagrado, a ponto de destruírem a nossa cultura. E a desapropriação seria no sentido de punir essas empresas que estão ganhando dinheiro a qualquer preço e com isso financiar ação revolucionária no mundo todo, a ponto de nós estarmos financiando nossa própria cova. Basta ver o caso Santander, que financiou uma exposição sobre ideologia de gênero, e a Nestlé, que quer privatizar a água. Essas empresas precisam ser punidas, quer pela desapropriação de seus bens, quer pela quebra de suas patentes, pois estão ajudando a destruir o país.

5.2.5) Isso que falo, contudo, não eliminaria um nicho de mercado. Algumas famílias se especializariam no produto mais artesanal, com série limitada, de modo a atender a gostos mais exigentes ou pessoas que possiem sérios problemas de restrição alimentar. E perceberiam uma alta renda por força disso.

6.1) Na economia familiar, leva-se em conta o fato de que o trabalho enobrece - como ele é feito com excelência, a melhor matéria-prima é buscada e adquirida - e o método para se converter matéria-prima em trabalho acabado é o melhor possível.

6.2) Quando um produto familiar é muito demandado, robôs seriam usados de modo a se atender a demanda com mais eficiência. Mas isso é uma questão de escolha - algumas famílias preferirão trabalhar da forma mais artesanal e outras preferirão trabalhar de modo a atender necessidades de massa. São nichos de mercado diferentes. Com isso o progresso deixa de ser inexorável e passa ser uma questão de escolha.

6.3) Afinal, numa economia familiar não há competição, mas colaboração - e na colaboração membros da família A (que trabalha com economia artesanal) e B (que trabalha para atender necessidades de massa) podem freqüentar a mesma missa, tomar café da manhã juntas e conversar sobre coisas importantes, a ponto de trocarem conhecimentos entre si. 

6.4) Isso seria inconcebível no mundo moderno, onde o sigilo é a razão de ser todas as coisas, dado que o concorrente é um inimigo que precisa ser eliminado, uma vez que a riqueza virou salvação, num gnosticamente divididos entre eleitos e condenados.

José Octavio Dettmann

Rio de Janeiro, 20 de janeiro de 2018.

Da riqueza como ponte e como muralha

1) A riqueza deve ser usada de modo a criar pontes, favorecendo assim a integração entre as pessoas. Além disso, ela deve ser usada como instrumento para incutir nelas um senso de responsabilidade, pois é preciso servir aos nossos semelhantes de modo que a ordem que ajudamos a construir também nos sirva, quando mais precisarmos.

2.1) A riqueza não pode ser usada como um muro. É dos inimigos, e não dos amigos, que aprendemos a construir muros, já que as causas de uma guerra de agressão se devem à inveja e à ganância sem limites, o que é fora da conformidade com o Todo que vem de Deus.

2.2) Num mundo dividido entre eleitos e condenados, a riqueza é vista como um sinal de salvação, um tipo de muro - e toda filantropia que fazemos é por força de ajudarmos os eleitos, uma vez que não estamos olhando a quem estamos ajudando, uma vez que o bem, fundado na liberdade, está voltado para o nada, por conta da relativização da verdade.

2.3) Na filantropia, nós fazemos uma verdadeira publicidade, criando uma falsa aparência de bondade - e não é à toa que Cristo disse que a mão esquerda (a mão que recebe) não deve saber o que a mão direita (a mão que doa) faz, dado que é por força desse mistério que vemos a presença de Deus naquela pessoa pessoa que doa.

3.1) Quando a riqueza é usada como ponte, nós reconhecemos que somos competentes e incompetentes ao mesmo tempo.

3.2) Se ajudamos a alguém que ama e rejeita as mesmas coisas tendo por Cristo fundamento, então nós estamos dando liberdade para essa pessoa fazer o que precisa ser bem feito dentro dos limites da doação que fazemos; se dou a ela R$ 100,00, então estou permitindo que essa pessoa se aprimore intelectualmente e escreva artigos melhores, com base nos livros que comprou, dentro do limite de R$ 100,00.

3.3) Se o trabalho dessa pessoa rende muito fruto com pouca leitura, então ela merece muito mais do que R$ 100,00 - ela precisará de mais dinheiro de modo que possa contratar tradutores e transcritores de modo que faça um melhor trabalho possível - e neste ponto, eu preciso ajudá-la a ganhar ainda mais dinheiro, pois esse trabalho intelectual organizado é nobre e santificador por si mesmo. Aqui no Brasil não temos essa consciência, mas nos EUA esse tipo de coiss existe - o professor Olavo falou muito sobre isso em uma de suas aulas.

4.1) Quando a riqueza é vista como um salvação, ela denuncia a salvação do homem de si mesmo por seus próprios méritos, uma fuga da responsabilidade. A famosa cultura do jeitinho brasileiro aponta que as pessoas vêem a riqueza como uma salvação.

4.2.1) O professor Olavo aponta que um povo é dinheirista demais quando tende a investir seu dinheiro em luxos, a ponto de se tornar uma classe ociosa.

4.2.2) Muitas pessoas aqui no Rio estão imitando o exemplo dos emergentes da Barra da Tijuca, gastando o dinheiro como futilidades e não incentivando os verdadeiros trabalhadores a servirem melhor aos seus semelhantes.

4.2.3) Isso é um indicio de que o Brasil imitou os EUA no que há de pior: na ética protestante. Se o Brasil tivesse olhado para sua rica herança portuguesa, poderia ser mais rico ainda, não só materialmente como também espiritualmente - e essas duas riquezas, quando casadas, fazem o país ser tomado como se fosse um lar em Cristo, o que nos prepara para a pátria definitiva, a qual se dá no Céu.

4.2.4) Esta é uma das razões pelas quais eu odeio esses que querem seguir o modelo anglo-saxão, conservando de maneira conveniente e dissociada da verdade essa secessão que o país fez contra Portugal e contra aquilo que foi fundado em Ourique.

José Octavio Dettmann

Rio de Janeiro, 20 de janeiro de 2018.

Uma boa história começa com um boa cadeia causal entre pessoas, fatos, atos, coisas e circunstâncias

1) Um esquema narrativo pode ser criado a partir de uma cadeira causal.

Eis um exemplo:

A) A conhece B

B) B é livreiro

C) B conhece C, que tem uma coleção de livros que herdou de D.

D) C quer se desfazer da coleção herdada. Sabe que B é livreiro e oferece a este a coleção em consignação.

E) A coleção é cheia de livros de poesia, ficção e não-ficção.

F) A demanda por livros de sociologia. Como sociologia é livro de não-ficção, então B consegue vender alguns livros da coleção, que eram de sociologia.

G) Por força de todas essas circunstâncias, B conseguiu fazer a venda para C. E obteve um boa comissão por força do esforço de venda.

2) A forma como você converte esse esquema causal em palavras, diálogos e descrição dos atos dos personagens é que vai fomentar a imaginação do leitor.

3.1) Um ficcionista imaginário não cria do nada. Ele monta esquemas causais antes de criar um esquema narrativo altamente eficaz, de modo a trazer ao leitor as impressões corretas com relação àquilo que precisa ser visto e que não é. E para ver o que não se ver, então é preciso imaginar.

3.2) Se o lucro é ganho sobre a incerteza, então isso precisa ser posto em evidência. E é só por meio de literatura sensata que se combate a má sociologia e a má antropologia fundadas no materialismo histórico-dialético.

José Octavio Dettmann

Rio de Janeiro, 18 de janeiro de 2018.

Notas sobre a importância de se criar uma cultura literária sistemática, onde todos os homens são capazes de fazer registros autênticos do que vêem, ouvem ou sentem

1) Eu sempre tenho por hábito escrever sobre as coisas que faço e sobre o que sei. E sempre que posso, costumo fazer análise das coisas que vejo e ouço.

2) Quando conheço uma pessoa, eu costumo manter um registro das minhas impressões sobre essa pessoa, a respeito do que ela faz ou fala. E com base nisso, vou fazendo análises dessa pessoa, analisando qual seria sua provável reação se ela estivesse numa determinada circunstância de vida. Com base no fato de que isso é possivelmente verdadeiro, um personagem pode ser criado a partir de um modelo humano real que você conheceu na sua própria convivência ou por meio de meios mediatos, como livros, filmes e até noticiário.

3) Quando exerço uma atividade profissional que me leva a lidar com vários tipos de pessoas, eu preciso manter um registro de cada pessoa que conheço, desde seu conhecimento profissional,de suas vantagens e desvantagens personalíssimas fundadas no seu caráter, além de saber que tipos de coisa ela gosta e não gosta de fazer, se ela possui alguma coleção, se tem livros relevantes que podem me ser emprestados ou vendidos e muitos outros detalhes.

4.1) Uma função empresarial pode ser montada com base no conhecimento que você tem acerca das pessoas. 
 
4.20 E quando você conhece a alma de cada pessoa, por força da convivência, você pode fazer a ponte, a corretagem espiritual de modo que haja uma melhor integração entre as pessoas aconteça, de modo que um bom acordo seja bem feito. É por isso que economia é sempre uma relação interpessoal, uma vez que a impessoalidade nega todo esse conhecimento e toda a possibilidade de se conhecer o que decorreria do que as pessoas são ou poderiam ser.

5.1) A cultura do registro pede homens sistematicamente cultivados no domínio da língua e capazes de captar as nuances das coisas por meio dos sentidos. E isso se faz por meio do domínio da linguagem.

5.2.1) Uma relação de oferta e demanda na economia pode ser melhor entendida se você entender o perfil de cada pessoa ao seu redor, em suas circunstâncias, o que pede que você conheça a alma das pessoas sistematicamente.

5.2.2) Neste ponto, o conhecimento de psicologia é essencial para conhecer os motivos determinantes que fazem uma pessoa escolher um critério a e não b de modo a exercer uma atividade econômica organizada, uma vez que o lucro se funda num ganho sobre a incerteza, uma vez que a vida é um vale de lágrimas, uma incerteza sistemática.

5.2.3) Se houver uma cultura literária, onde as pessoas fazem registros autênticos de tudo o que vêem e sentem, então haverá um verdadeiro tesouro a ser explorado nos arquivos das famílias, cheio de experiências humanas e sociais que poderiam ser usadas para se entender um pais inteiro, de modo a ser tomado como se fosse um lar em Cristo. 
 
5.2.4) E neste ponto, o arquivo nacional só será necessário para você entender os atos administrativos e decisórios de um país, dado que essas funções são típicas de governo, uma vez que não há substituto para isso. 
 
5.2.5) Ao comparar o que ocorre no governo e o que ocorre no âmbito do que você conhece das famílias, você poderá dizer se o país se está sendo tomado como um lar em Cristo ou como se fosse religião, em que tudo está no Estado e nada poderá estar fora dele ou contra. 
 
5.2.6) E quando o Estado é tomado como se fosse religião, o que haverá é ignorância sistemática, a ponto de não haver registros de experiências relevantes para a alma humana.

José Octavio Dettmann

Rio de Janeiro, 20 de janeiro de 2018.

Notas sobre distributivismo e robótica

1) Em determinadas tarefas, o homem é o melhor operário. Ele é muito bom em tarefas complexas (como análise e raciocínio, bem como criação, tal como design, arquitetura, pintura, escrita etc)

2.1) Em outras tarefas, o robô é o melhor operário, dado que ele é capaz de fazer tarefas simples e repetitivas.

2.2) Em determinas cirurgias, o robô é necessário, pois o ser humano pode ficar cansado e precisa ser substituído, após muito tempo fazendo o mesmo trabalho - e nem sempre o substituto humano é capaz de fazer o mesmo tipo de trabalho, no mesmo gênero, quantidade e qualidade. Como isso pede repetição, um robô pode fazer, tornando um trabalho humano, antes infungível, fungível. Basta que ele esteja programado a fazer o que operário humano é capaz de fazer tecnicamente, na sua melhor condição física e mental. Assim ele se torna vigário daquele operário humano, enquanto ele recupera suas forças, tecnicamente falando.

3.1) Para que uma família faça da sua casa uma pequena indústria, é crucial que haja alguém na família que seja capaz de criar robôs.

3.2) Se houver na família um artesão, basta que este crie uma peça original, um conceito - e o robô só faz o trabalho de reproduzir a peça em larga escala. Para garantir a autenticidade da peça, o artista assina a peça com uma caneta cuja tinta tem o seu DNA - e a tinta da caneta vem de um fio de cabelo desse artista.

4.1) O maior problema hoje em dia é a possibilidade de as famílias criarem seus próprios robôs e poderem fabricar coisas de modo a atender às necessidades das pessoas sistematicamente, favorecendo assim uma maior integração dessas pessoas. E por força dessa integração, as pessoas se tornam mais responsáveis umas com as outras.

4.2) Fabricar robôs que façam o trabalho de repetir o que já foi feito ainda é caro e pede conhecimento especializado. E esse conhecimento ainda está protegido por sigilo industrial - e é esse sigilo que faz com que as indústrias tenham um grande poder de usar, gozar e dispor, criando um verdadeiro monopólio, criando toda uma manipulação social, através dos sucessivos lobbys no governo de modo a tornar a população refém do amor próprio dos capitães da indústria, pois estes vêem a riqueza como um sinal de salvação, o que é fora da conformidade com o Todo que vem de Deus.

4.3.1) Se o monopólio gera abuso, então seria sensato que o governo aliado à Santa Religião quebrasse o monopólio de tal maneira que qualquer um do povo fosse capaz de fabricar seus próprios robôs, uma vez que é função do governo proteger a sociedade dos abusos, principalmente daquela decorrente do poder econômico (um exemplo disso podemos ver no caso da quebra de patentes de modo a produzir remédios genéricos - é desumano ver pessoas morrerem, uma vez que as empresas amam mais o dinheiro do que a Deus, dado que a riqueza é vista como um sinal de salvação).

4.3.2) Uma medida administrativa poderia ser feita no tocante a remover o privilégio temporário das empresas, se elas começarem a promover produtos que atentem contra os valores da pátria e que fazem o país ser tomado como se fosse um lar em Cristo.

4.3.3) Se essa quebra de patentes acontecer, de modo a impedir que o poderio econômico de uma grande empresa domine uma sociedade inteira, então ocorrerá uma desconcentração da indústria a ponto de fazer a mais humilde casa do país uma pequena fábrica. E neste ponto, a revolução industrial acaba sendo afetada pelo distributivismo, dado que qualquer um pode ter sua própria fábrica, ao fabricar seu próprio robô. O que ocorrerá será uma grande restauração da propriedade, sistematicamente falando - uma contra-revolução industrial, dado que transformar matéria-prima em produto acabado sistematicamente estará ao alcance de todos.

4.3.4) Neste sentido, o distributivismo é a aplicação da virtude republicana dos romanos no campo econômico. A concentração de usar, gozar e dispor em poucas mãos faz um homem dominar outro homem, a ponto de reduzi-lo à escravidão - e foi contra essa tirania que os romanos buscaram a república.
José Octavio Dettmann

Rio de Janeiro, 20 de janeiro de 2018.