Pesquisar este blog

quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

Para progredir, basta conservar o que é conveniente e sensato até conservar a dor de Cristo; quando se conserva o que é conveniente e dissociado da verdade, é preciso trocar a velha ordem da insensatez pela nova ordem da sensatez, seja pela força do arado, seja pela força do Estado

1.1) Quando se conserva o que é conveniente e sensato, você certamente conservará aquilo que decorre de Cristo, que é a verdade em pessoa.

1.2) Se a verdade em pessoa sofreu a paixão e teve morte de cruz, então você conserva a dor de Cristo, a ponto de ser um conservador militante, posto que a Igreja neste sentido também é militante, ao criar uma ponte que liga a Terra ao Céu por meio da eucaristia, já que o cordeiro de Deus foi imolado de modo a sermos livres n'Ele, por Ele e para Ele.

2) Quando se conserva o que é conveniente e dissociado da verdade por meio de ignorância invencível, você deve confessar seus pecados de modo a trocar a insensatez pela sensatez, restaurar os danos cometidos e a começar a conservar o que é bom e sensato, fundado na conformidade com o Todo que vem de Deus. Dito de outra forma, você deve regredir no que é errado para progredir no que é certo - eis o sentido da conversão, pois você sai da esquerda para estar à direita do Pai, já que a metanóia é um ciclo que leva à uma mudança total e radical de vida.

3.1) Quando se conserva o que é conveniente e dissociado da verdade por meio do fechamento da alma à verdade, a ponto de sabotar tudo o que é bom por meio de violência ou malícia, a questão deixa de ser assunto do arado para ser assunto de Estado, dado que é iniciativa do Estado proteger aquilo que está sendo tecido por força da conformidade com o Todo que vem de Deus.

3.2.1) Por essa razão, pegue a espada e elimine todos esses revolucionários que estejam a defender a fé desses bárbaros.

3.2.2) O crime é o microcosmos da guerra - bote o culpado na penitenciária, a ponto de ele só sair de lá até pagar tudo o que deve à sociedade dos homens que amam e rejeitam as mesmas coisas tendo por Cristo fundamento, até o último centavo. Se ele derramou sangue inocente e disso não se arrependeu, derrame o sangue desse infame de modo que o sangue inocente de outras pessoas igualmente inocentes não seja derramado também.

José Octavio Dettmann

Rio de Janeiro, 5 de janeiro de 2017. (data da postagem original).

Novas notas sobre capitalização moral

1) Todo aquele que sabe prova do sabor das coisas de modo a conservar o que é conveniente e sensato, pois nele vê a fumaça do bom direito natural, daquilo que nos orienta a estarmos em conformidade com o Todo que vem de Deus.

2) Todo aquele que prova do sabor das coisas guarda dentro de si a semente que vai ser germinada em solos férteis, em todos aqueles que desejam amar a rejeitar as mesmas coisas tendo por Cristo fundamento. Quando mais ele prova o sabor das coisas, mais sementes ele estoca. E quanto mais pontes ele cria, mais ele é capaz de criar novas sementes ao cruzar uma coisa a outra, criando novos saberes, descobrindo o que antes estava encoberto.

3) Por isso, quando se aprende de alguém que é sábio, você está pedindo um empréstimo dessas sementes a ele de modo a se ter um atalho para poder progredir - afinal, você não perde tempo arrombando portas já abertas. E essas sementes, se plantadas em solo adequado, elas gerarão muito fruto, podendo aperfeiçoar ainda mais as coisas, pois o verdadeiro progresso se dá conservando o que é conveniente e sensato até conservar a dor de Cristo.

4.1) Foi na agricultura que surgiu o conceito de juros.

4.2) Como provar o sabor de coisa é próprio de quem busca o saber, então a capitalização moral está muito relacionada à noção de agricultura da alma - e uma alma cultivada faz com que toda uma tradição intelectual seja construída com base nessa relação de confiança sistemática que se dá entre o mestre e seus discípulos.

José Octavio Dettmann

Rio de Janeiro, 4 de dezembro de 2017.

Postagens relacionadas:

http://blogdejoseoctaviodettmann.blogspot.com/2017/12/notas-sobre-agricultura-da-alma-o-caso.html

http://blogdejoseoctaviodettmann.blogspot.com/2012/04/comentarios-uma-charge-da-mafalda.html 

Dos graus que decorrem do fato de se conservar o que é conveniente e dissociado da verdade

1) Como disse Platão, verdade conhecida é verdade obedecida. E disso decorrem duas definições: "o homem é o animal que erra (Aristóteles)" e "o homem é o animal que mente (Kant)".

2) Por força de ignorância invencível, por força de não saber que Cristo é a verdade em pessoa, conserva-se o que é conveniente e dissociado da verdade por erro, por ignorância; quando a pessoa vai se aprofundando na verdade, a ponto de estar face a face com o Filho muito amado enviado pelo Divino Pai Eterno para nos livrar do pecado, ocorre a metanóia - e a pessoa passa a conservar a dor de Cristo e a viver a vida em conformidade com o Todo que vem de Deus.

3.1) Quando esta pessoa sabe que Cristo é a verdade e que a Igreja que Ele fundou é a sua esposa, então renegar seus ensinamentos é conservar o que é conveniente e dissociado da verdade. E, neste sentido, o conservantista se enquadra na definição de Kant: que o homem é o animal que mente.

3.2.1) Como a mente do conservantista é tão feia quanto o diabo, isso é indício de que não é um animal, mas um monstro, a ponto de fazer os homens negarem sua filiação divina - e por força disso, a herança.

3.2.2) Por força da liberdade voltada para o nada promovida por meio do conservantismo, voltam a ser escravos de si mesmos, a tal que ponto que o amor de si é exacerbado até o desprezo de Deus. Eis o retorno do neopaganismo, promovido pela Revolta Protestante, a primeira etapa da mentalidade revolucionária.

José Octavio Dettmann

Rio de Janeiro, 4 de janeiro de 2018.

O homem é o animal que conserva

1) Para Aristóteles, o homem é o animal que erra. Para Kant, o homem é o animal que mente.

2.1) Uma pessoa que não conhece a verdade conserva o que é conveniente. Se ela observa isso com prudência, aos poucos vai provando o sabor das coisas até saber a verdade, que é Cristo Jesus.

2.2) É pela prudência que vai coando as coisas de modo que, dentre as coisas conservadas, ele fique com aquelas que apontam para a serva do Senhor, a Virgem Maria; se não fosse pelo "sim" dela, o segundo Adão não teria vindo.

2.3) É por conta disso que ela se tornou a segunda Eva - a co-redentora, por ser a mãe de Jesus . Se você não imitar o exemplo de ouvir e guardar as coisas no coração, como você conservará a dor de Cristo, sem a qual não há a verdadeira ordem livre entre nós, de modo que Cristo esteja em nós e nós n'Ele através da eucaristia? Afinal, se você não estiver com a serva do Senhor, nada você conservará.

3.1) Cristo é o Messias que veio para nos salvar do pecado. E imitar as feições do Filho da Virgem Maria implica ser como o Messias que vai vir no Natal.

3.2) Conservar é servir - e servir é ser pro-ativo no tecido social composto por todos aqueles que amam e rejeitam as mesmas coisas tendo por Cristo fundamento. E ser pró-ativo implica necessariamente proteger, pois Deus age em tudo e em todos ao tecer um todo orgânico que fique em conformidade com a sua vontade, pois Ele criou as coisas por amor.

4.1) O verdadeiro amigo de Cristo compartilha das dores e das alegrias de seu mestre. Se você não é amigo de Deus, como você enxergará Deus em seu próximo, que foi verdadeiro Deus e verdadeiro homem.

4.2) Quando o vassalo de Cristo é amigo de Deus e vê no seu povo a figura de Cristo, ele está pronto para identificar os amigos e o inimigos.

4.3) E é imitando Cristo nos assuntos de Estado que ele vai criando uma civilização, servindo a Cristo em terras distantes e levando todo um conjunto de cidades e regiões sob sua proteção autoridade a ser tomado como um lar em Cristo, de tal maneira que no Rei, o primeiro cidadão de todas essas cidades, seja vista também a figura de Cristo, que é o verdadeiro primeiro cidadão de todas as cidades que crêem n'Ele como seu Senhor e Salvador.

José Octavio Dettmann

Rio de Janeiro, 4 de janeiro de 2017.

É da ruptura do Rei Henrique VIII com a Igreja que começa o processo de concentração de terras em poucas mãos na Inglaterra. E com o tempo, houve o deslocamento da riqueza da terra para o dinheiro, com a Revolução Industrial, agravando o problema

1) O Estado tomado como se fosse religião é o lugar onde o primeiro cidadão da cidade, o príncipe, tende a ter os dois corpos: o corpo temporal e o corpo espiritual, de tal maneira que seja tomado como se fosse uma espécie de Deus vivo, o primus inter pares de todos os que estão na qualidade de pater familias, uma pessoa de direito sui iuris, que tem poder de vida e de morte sobre todos os que estão sujeitos à sua autoridade (que se encontram na qualidade de alieni iuris)

2) Tal como o faraó no tempo da escravidão dos hebreus no Egito, ele determina, de maneira conveniente e dissociada da verdade, quem é inimigo e amigo, segundo critérios humanos, do Adão decaído no pecado original.

2.2) É por força desses critérios fundados no Adão decaído que o Rei Henrique VIII não só rompeu com Roma por ter se recusado a anular o casamento com a rainha Catharina de Aragão - o que o levou a fundar sua própria Igreja. E ao determinar que todos os católicos da Inglaterra eram inimigos, ele simplesmente confiscou terras da Igreja sistematicamente. Como a Igreja protegia os pobres camponeses, muitos deles acabaram se tornando despossuídos, compondo aquela massa de pobres que iria acabar servindo de substrato para a proletarização geral da sociedade que viria por força da Revolução Industrial, em que o processo de se concentrar os poderes de usar, gozar e dispor ficou concentrado em poucas.

3.1) Da combinação do princípio do "um só príncipe, uma só religião" com a noção de que a riqueza é indício de salvação predestinada, num mundo dividido entre eleitos e condenados, a economia fundada no amor de si até o desprezo de Deus passou a se consolidar, a ponto de gerar coisas ainda mais tenebrosas. 
 
3.2)Não é à toa que é da ética protestante e do espírito do capitalismo que vêm as primeiras chagas da mentalidade revolucionária, como bem apontou o professor Olavo.

José Octavio Dettmann

Rio de Janeiro, 4 de janeiro de 2018.

terça-feira, 2 de janeiro de 2018

O Rio de Janeiro se tornou um deserto, árido por conta do vazio espiritual que há nas almas que moram na cidade

1) Desde o tempo de universitário, eu me tornei uma pessoa não muito indicada para ser companhia em passeio. A razão pela qual digo isso é que a cidade onde moro se tornou uma cidade muito violenta - desde a morte do traficante Uê, em 2001, a cidade se tornou um verdadeiro barril de pólvora e a coisa só tem piorado. E como as pessoas tendem a valorizar a beleza dos lugares que visitam, acabam dando bandeira para os assaltos. Nos tempos atuais, nem mesmo os shoppings são seguros - é possível haver arrastão a qualquer momento.

2) Desde a década passada eu me tornei uma pessoa pragmática - toda vez que vou a um evento, eu faço o que tem de ser feito e vou embora. Não perco nenhum minuto com bobagem.

3) Além da falta de segurança, os lugares praticam preços exorbitantes, fora da realidade - isso sem contar que a comida é cara e com ela não me sinto alimentado. Como isso atrai os emergentes da Barra, só encontro gente vazia com a qual não se dá nem pra conversar.

4) Passear com alguém num shopping é o tipo de programa que não me atrai. Prefiro estar na casa da pessoa ou chamar a pessoa para vir à minha. Aqui ela come do bom e do melhor, podemos conversar sobre coisas importantes, isso pra não falar que podemos estudar juntos sobre coisas importantes, coisa que adoro e muito.

5) Esse é o programa que gosto. Estou construindo uma biblioteca de tal maneira que eu não precise sair de casa e sentir desgosto, já que as bibliotecas da cidade, além de não emprestarem livro algum, só tem porcaria comunista. Essa foi a maneira que encontrei de sobreviver ao vazio espiritual da cidade e à criminalidade sistemática, que se alimenta disso.

José Octavio Dettmann

Rio de Janeiro, 2 de janeiro de 2018.

Notas sobre a sociedade do espetáculo ou sobre a ordem social voltada para o nada, por conta do sensacionalismo

1) Em inglês, spectacle é o nome que se costuma dar aos óculos. O termo costuma ser simplificado para specs.

2) Espetáculo é o nome dos binóculos usados no teatro de modo a se ver de longe todos os detalhes do teatro, como se estivesse de perto.

3.1) O espetáculo começa no jornalismo de modo a jogar luz sobre os fatos, o que faz com que vejamos de perto aquilo que está distante, em Brasília.

3.2) Quando bem usado, costuma ser uma excelente arma na defesa da liberdade, uma vez que a verdade, fundada na conformidade com o Todo que vem de Deus, não pode ser traída. Até porque o senso de tomar o país como se fosse um lar em Cristo não pode ser pervertido de modo que o país seja tomado como se fosse religião, em que tudo está no Estado e nada pode estar fora dele ou contra ele - o que faz com que a conexão de sentido com as coisas fundadas na conformidade com o Todo que vem de Deus se perca.

3.3.1) Agora, quando essa luz sobre os fatos é jogada para o nada, isso não só cria alienação como também costuma ser usada como uma manobra de diversão, feita de tal modo que os inimigos do povo de Deus consigam conservar o que é conveniente e dissociado da verdade nas sombras.

3.3.2) Quando a imprensa é corrompida, o teatro da sombras começa: alega-se normalidade institucional, quando na verdade tudo está em frangalhos. O amor ao dinheiro faz com que se instale um mercado negro neste endereço: rua do muro das lamentações (Wall Street), esquina com a rua da fascinação (Fascination Street). E quando este mercado se instala, tudo é permitido, pois não há autoridade augusta, nem consolação fundada na conformidade com o Todo que vem de Deus. É o fim da História, pois as pessoas experimentarão de tudo e ficarão com aquilo que mais agrada ao amor de si até o desprezo de Deus, o que é a marca da insensatez sistemática.

3.4.1) Nessa mercado reina a mais pura especulação; tudo se torna pop até uma bolha estourar. 

3.4.2) Platão tem toda a razão ao dizer que os mercadores são corruptores - o sensacionalismo promove a concupiscência. E onde a riqueza é vista como uma espécie de salvação pública, um salvacionismo, a concupiscência reina. E isso acaba edificando liberdade com fins vazios, a tal ponto que as pessoas se esquecem de Deus, ao conservarem o que é conveniente e dissociado da verdade. 

3.4.3) Eis o pecado sistemático do conservantismo entre nós.

José Octavio Dettmann

Rio de Janeiro, 2 de janeiro de 2018.