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segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

Notas sobre a contabilidade num ambiente cristão

1) O professor Olavo de Carvalho fala que não existe contabilidade cristã.

2) Se eu vejo nos meus clientes a figura de Cristo, enquanto consumidor de meus serviços, e se meus clientes vêem em mim a figura do Cristo servidor, então o fluxo de dinheiro decorrente da prestação de serviço terá um fim justo, de modo não só a aperfeiçoar o negócio, como também a ajudar os que estão necessitando de assistência, por meio da caridade, pois usará de mim, quando tiver tempo, para ajudar quem realmente necessita.

3.1) Ele está certo ao dizer que a técnica, ou mesmo a ciência, não deve ter ideologia. Tanto a ciência quanto a técnica são axiologicamente neutras, pois são meios para se chegar a um fim, a uma determinada destinação pretendida.

3.2.1) No entanto, ambas atenderão a sua adequada destinação se estiverem inseridas num contexto em que a riqueza não é vista como um sinal de salvação, a ponto de edificar liberdade com fins vazios.

3.2.2) A maior prova disso é a contabilidade, que permite o controle do fluxo de riqueza de modo que atinja uma destinação justa, fundada na conformidade com o Todo que vem de Deus. 
 
3.2.3) Se a política organizada permite um ambiente de caridade sistemática - o que contribui para a edificação, conservação ou aprimoramento do bem comum - então a contabilidade tem sua razão de ser neste sentido, pois o empreendedor serve a todos os necessitados, se este vê a Cristo em todas as pessoas e enquanto aquelas vêem no empresário o Cristo servidor. Afinal, a iniciativa privada colabora com a iniciativa pública naquilo que não é próprio do Estado: bancar o empresário, tal costumamos ver por estas bandas.

José Octavio Dettmann

Rio de Janeiro, 19 de fevereiro de 2018.

Por que o distributivismo é o meio termo entre o protecionismo e o livre comércio?

1) Segundo Aristóteles, o melhor caminho, o mais virtuoso, é sempre o caminho do meio, o caminho do equilíbrio [ da conformidade com o Todo que vem de Deus - grifo meu].

2.1) Quando se advoga livre comércio com base no princípio da impessoalidade e da riqueza como um sinal de salvação, você perverte tudo o que há de mais sagrado: qualquer um pode ter a verdade que quiser, conservando o que é conveniente e dissociado da verdade e da justiça na sociedade - e isso é tão verdade que são capazes de declarar o que é ruim bom, invertendo a realidade das coisas.

2.2) Isto faz com que o encontro no livre mercado se torne uma sujeição a tudo o que é injusto e que não presta, a ponto de preferirem o conflito de interesses à cooperação, já que o Estado deve ser mínimo e não se intrometer nos negócios privados - o que é praticamente uma utopia, uma anarquia, fundada numa liberdade voltada para o nada.

3.1) Quando se advoga protecionismo, você tende a tomar o Estado como se fosse religião em que tudo está no Estado e nada pode estar fora dele.

3.2) Com base no princípio da impessoalidade, o Estado cria leis abstratas que atingem a todo e qualquer cidadão - e mesmo que a ação seja inofensiva do ponto de vista da lei natural, essa lei acabará indo contra a lei positiva, já que fere os interesses do Estado, uma vez que, por trás do Estado, há o interesses dos banqueiros e outros elementos perniciosos que concentram os poderes de usar, gozar e dispor em poucas, uma vez que a livre concorrência leva a tirar o poder que eles conseguiram pela mesma livre concorrência fundada do relativismo moral.

3.3) No Estado tomado como se fosse religião, a soberania - que é dada por Deus, para que o país seja tomado como se fosse um lar em Cristo - é voltada para o nada; nela, a autoridade constituída mais parece descendente do faraó do Antigo Egito que escravizou os hebreus, pois isso leva à liberdade voltada para o nada e retrocesso civilizacional, uma vez que nega o princípio de que a autoridade aperfeiçoa a liberdade, a verdade ditada pela lei natural, pela conformidade com o Todo que vem de Deus.

4.1) Como Chesterton bem disse, capitalismo demais leva a socialismo demais. Por isso, o caminho do meio é o distributivismo.

4.2) Livre comércio com pessoas que amam e rejeitam as mesmas coisas tendo por Cristo fundamento leva a relações comerciais justas e a reciprocidade, a ponto de haver uma maior integração entre as pessoas. E as relações comerciais levam a uma relação de serviço, uma vez que a riqueza é usada para aperfeiçoar o trabalho que é feito e também para aprofundar o bem comum, que é organizado de tal maneira a se tomar o país como um lar.

4.3.1) Caso algumas pessoas escolham quebrar o bom direito escolhendo a riqueza como um sinal de salvação, a lei deve ser aplicada como um instrumento sistemático de legítima defesa em face de tal abuso.

4.3.2) Neste ponto, o justo protecionismo é necessário de modo que a liberdade não seja servida com fins vazios, de modo a relativizar a verdade, tudo o que é sagrado e que tem por Cristo fundamento.

5) Enfim, quando me pergunta se sou favorável ao livre comércio ou a proteção, a resposta que eu dou é esta: de que sou favorável ao caminho do meio, pois este é o caminho mais sensato a se percorrer.

José Octavio Dettmann

Rio de Janeiro, 19 de fevereiro de 2018.

domingo, 18 de fevereiro de 2018

Notas sobre um caso de capitalização moral que me acontece - enquanto alguns reproduzem os clássicos, eu medito sobre os clássicos, ao aprender por osmose. Só pago dividendos a quem empresta suas leituras a mim

1) Alguns acham que li O Mundo de Sofia. Eu só ouvi falar do dito cujo quando me perguntaram se havia lido esse livro.

2) Alguns acham que meu pensamento lembra o de Antônio Sardinha, fundador do integralismo português. Na época não conhecia esse pensador - comprei a Teoria Geral das Cortes Portuguesas, a qual vou ler assim que concluir um dos três projetos de digitalização em que estou trabalhando atualmente.

3) Alguns foram até mais longe - acham que sou tomista, só porque escrevo na forma de tópicos, mas ainda não li Santo Tomás de Aquino. O que sei de Santo Tomás de Aquino se deve a citações que o Allan dos Santos e outras pessoas ligadas a ele publicavam no mural do facebook. Eu anotava essas lições e meditava sobre isso depois. Enfim, o que sei veio por osmose de quem realmente leu e sabia Santo Tomás, que só se contentou em reproduzir o mestre.

4.1) Enfim, eu não li nada direto da fonte - apenas aprendi por osmose de quem leu e fui meditando sobre isso.

4.2) Apenas meditei sobre o que foi dito, pagando dividendos ao saber que tomei por empréstimo para desenvolver o meu.

4.3.1) É por essa razão que muitos acham que sei mais do que realmente sei - e essa tem sido uma constante na minha vida desde 2001, quando entrei pra faculdade de Direito da UFF.

4.3.2) Ao contrário da maioria, que só reproduz o que foi dito e nada acrescenta, eu ao menos tento progredir no conhecimento, analisando a realidade da melhor maneira que posso. Talvez eu acabe causando essa impressão, esse exagero da parte de muitos.

José Octavio Dettmann

Rio de Janeiro, 18 de fevereiro de 2018.

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

Notas sobre a relação entre conservantismo e cinismo

1) Aristóteles dizia que o ser humano é o melhor dos animais, dentro da ética; fora dela, é o pior deles.

2) O ser humano é o animal que erra - e, ao reconhecer o erro, ele tende a se aperfeiçoar e a se corrigir.

3) O cão não tem essa dimensão - para ele a vida é estritamente biológica. Tudo para ele é comer, dormir e procriar.

4) O ser humano, quando fora da ética, tende a ser pior do que um cão - e podemos ver isso nos personagens d'O Cortiço. Mais do que comer, dormir e procriar, ele conserva isso conveniente e dissociado da verdade, a ponto de destruir os valores mais básicos da sociedade.

5.1) O cinismo, portanto, é o fundamento da proletarização geral da sociedade - para o cínico, pouco importa a verdade, mas a sobrevivência - ou o mercado, como dizem os liberais.

5.2) Quando nós temos uma sociedade composta sistematicamente de indivíduos que em nada contribuem para a comunidade política a não ser gerando filhos para o mundo criar, nós temos a decadência dessa mesma sociedade e sua conseqüente extinção. E isso acontece sobretudo quando a sociedade se torna descristianizada, vivendo fora da ética cristã.

José Octavio Dettmann

Rio de Janeiro, 16 de fevereiro de 2018.

Comentários adicionais:

Mauro Donizete Holsapfel: O povinho brasileiro é tão FDP que vamos conseguir avacalhar o comunismo.

Eric Fernando: De acordo. 

Como o nacionalismo e o relativismo cultural deram origem ao multilateralismo

1) No bilateralismo, há a distribuição do senso de que cada país vê seus próprios interesses a tal ponto de todos de terem a sua verdade, fundada na ética protestante e o espírito do capitalismo. Afinal, tudo se baseia no que disse Lutero: "Um Príncipe, Uma religião" - se a religião do Príncipe é o Estado tomado como se fosse religião, então todos o seguem, tal como vemos no totalitarismo comunista.

2.1) Os países muçulmanos têm a sua verdade (nacionalismo), com base em sua religião (islamismo).

2.2) Num ambiente onde todos têm a sua cultura e a sua verdade, fica impossível criar uma orbe, uma ordem global, já que não há verdade.

2.3) Como Cristo foi negado, então os anjos que protegem os países - a exemplo do anjo Custódio, no caso de Portugal - ficam impedidos de levarem as coisas da Terra para o Céu de modo que sejam ligadas por meio do poder das chaves, pois há muitos lados, muitas razões e nenhum ângulo de modo a se chegar a um entendimento comum, fundado na conformidade com o Todo que vem de Deus.

3) Eis no que dá o multilateralismo, enquanto conseqüência do nacionalismo: a soberania fundada no amor de si até o desprezo de Deus é diluída no relativismo moral e cultural, bem como no fato de que não há verdade, o que leva à falsa afirmação de que cada povo tem o governo que merece, pois esse governo é constituindo ao se conservar o que é conveniente e dissociado da verdade (isso em linhas mais gerais).

José Octavio Dettmann

Rio de Janeiro 16 de fevereiro de 2018.

Notas sobre a globalização fundada no trilateralismo

1) Recentemente, em reunião no Conselho de Relações Exteriores dos Estados Unidos, Bolsonaro declarou-se ferrenho defensor do bilateralismo.

2) O professor Olavo de Carvalho explicou que o bilateralismo é próprio do nacionalismo.
 (https://web.facebook.com/olavo.decarvalho/posts/10156046962822192)

3.1) Se no nacionalismo o país é tomado como se fosse religião, em que tudo está no Estado e nada pode estar fora dele, então é no bilateralismo que o Estado - a mais elevada das realizações humanas, segundo Hegel - faz com que o homem enquanto medida de todas as coisas acabe se tornando uma verdadeira norma ou mônada racional de toda ciência política. 

3.2) Se o homem é a medida de todas as coisas, então o amor de si até o desprezo de Deus é a marca do bilateralismo - no final, alguém sairá prejudicado, por conta de sucessivos conluios bilarteais, dado que a riqueza será concentrada em poucas mãos, em poucos países, criando uma verdadeira oligarquia em escala global.
4.1) Quando dois ou mais país são tomados como um mesmo lar em Cristo, essa relação tem três lados, sendo que um deles não pode ser visto, mas crido, pois Deus é criador das coisas visíveis e invisíveis.

4.2) No trilateralismo, o brasileiro e o polonês enxergam-se um ao outro na figura de Cristo, a ponto de ambos serem tomados como um lar n'Ele, por Ele e para Ele. Como Cristo é o príncipe em comum de todas as cidades desses dois países, então ele é Imperador, dado que é Rei no Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves e na Polônia.

4.3.1) Para se medir uma esfera, é preciso dividi-la em três lados sistematicamente. 

4.3.2) Quando a relação trilaterial é multiplicada sistematicamente por meio dessa divisão mediada por Deus, então nós temos uma globalização fundada no fato de se servir a Cristo em terras distantes, seja plantando a fé em terras que nunca conheceram a Cristo, como fez Portugal, ou restaurando a fé Cristã, perdida por força da ação comunista, islâmica ou maçônica, tal como está fazendo a Polônia. 

4.3.3) Neste caso um rio que sai da boca de Deus se alarga até tornar-se oceano, quando se leva a terceira margem, que é invisível - é pelo alargamento do fluxo da verdade que todos passam a viver a vida em conformidade com  o Todo que vem de Deus, sistematicamente falando.

5) Se a conformidade com o Todo que vem de Deus é a fonte de todas coisas, então é perfeitamente possível haver uma globalização sem cair no engodo do bilateralismo ou do multilateralismo.

José Octavio Dettmann

Rio de Janeiro,16 de fevereiro de 2018.

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

Notas sobre precificação e capitalização no capitalismo e distributivismo

1.1)  Na economia fundada na concupiscência, no amor de si até o desprezo de si, o preço tende a ser fixo, padronizado - nessa economia, há o império do pegar ou largar.

1.2) Como o produto é voltado para a economia de massa, então a pessoa não negocia, não pechincha, pois isso acaba virando escândalo. E por não poder negociar ou pechinchar, ela é obrigada a ter que usar do artifício da pesquisa de preço, antes de levar algum produto. E´é por força da competição que surge a barganha, o que faz com que o consumidor tenha uma arma apontada na cabeça do empreendedor - e se ele não negociar, ele acaba dançando, pois o Estado tomado como se fosse religião ampara o consumidor.

1.2.1) Na economia fundada na concupiscência e no amor de si até o desprezo de Deus, há uma grande tendência de se levar gato por lebre, pois os produtos anunciados em peças publicitárias nem sempre são tal como são anunciados - há muita propaganda enganosa.

1.2.2) Como essa economia faz da riqueza um sinal de salvação, ela acaba criando conflitos sistemáticos de interesse qualificados pela pretensão resistida, a ponto de ser tudo resolvido por meio de ações coletivas, dado que há "direitos individuais homogêneos" sistematicamente violados - eis a gênese do direito do consumidor. E isso aumenta ainda mais a interferência do Estado, a ponto de tudo estar no Estado e nada estar fora dele ou contra ele.

2.1) Na economia fundada na benevolência, o preço é só uma referência, pois os clientes tendem a ser tratados individualmente e com deferência, dado que são pessoas conhecidas, por amarem e rejeitarem as mesmas coisas tendo por Cristo fundamento.

2.2) Como a economia é de serviços o trabalho é feito da melhor qualidade possível e dentro das especificações do cliente, então a tendência é não pechinchar muito, a ponto de ofender o produtor, se este for muito pobre, dado que na economia de benevolência não há competição, mas colaboração, pois o mercado é um encontro, não uma sujeição do interesse do mais fraco pelo outro, mais poderoso. E na colaboração, as pessoas discutem os preços, dentro daquilo que é usual ou justo, conforme o Todo que vem de Deus.

2.3) Se o comprador é rico e o produtor é pobre, o produtor pobre tende a ser recompensado de uma maneira mais liberal, muito além do preço pedido, dado que ele ganha não só o que cobrou, mas também a caridade do rico, que o ajuda, ao ver no pobre o Cristo que trabalha para ter o pão de cada dia.

3.1) Para os juros serem livres, a capitalização deve ser livre em Cristo, uma vez que o lucro é uma certeza de que Deus ajuda quem serve bem ao seu semelhantes, se a vida for vivida para se servir a Deus e ao próximo.

3.2.1) Não é o amor de si até o desprezo de Deus ou a concupiscência quem manipula os preços, mas a benevolência dos pios que consomem de modo a ajudar os pequenos produtores, que são pobres, já que todo o esforço dos pobres é para produzir com excelente qualidade, dentro de suas circunstâncias limitadas. 
 
3.2.2) Se houver uma ordem econômica composta só de pequenos proprietários, então a economia se fundará no fato de que devemos amar ao próximo como a nós mesmos, o que nos prepara a pátria definitiva, a qual se dá no Céu.

José Octavio Dettmann

Rio de Janeiro, 14 de fevereiro de 2018.