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quarta-feira, 13 de abril de 2016

Notas sobre a importância da cultura de doação

1) Quando uma pessoa é chamada a fazer uma vocação, ela dedica toda a sua vida a fazer uma atividade organizada, voltada para todos aqueles que amam e rejeitam as mesmas coisas, tendo por Cristo fundamento - e esse trabalho, voltado para essas pessoas, tem caráter salvífico, pois reforça a fé dessas pessoas de modo a que isso não seja relativizado pela heresia, além de converter quem não teve a oportunidade de conhecer a fé verdadeira. Enfim, trata-se de empreendimento fundado na conformidade com o Todo que vem de Deus - uma forma de evangelização.

2) O apostolado deve ser mantido por doações, de modo a que essa boa árvore continue dando bons frutos. A cultura de doação deve ser incentivada tal como se incentiva a agricultura, a jardinagem - se a doação é uma semente, uma muda de planta, então do dinheiro doado, investido nesta nobre atividade, nascerá uma nova árvore, por força da plantação e do cuidado que se dispensa, de modo a que ela cresça vigorosa e produtiva. 

3) Se Cristo nos disse que conheceremos a árvore através dos frutos, então nós também seremos capazes de conhecer o caráter dos doadores não só pelo ato de doar, o que mantém esse apostolado funcionando, como também pelo quanto esses participam no desenvolvimento dessa obra, ao divulgá-la a todos aqueles que amam e rejeitam as mesmas coisas, tendo por Cristo fundamento.

O conservadorismo decorre da transcendência

1) Quem alega que conservadorismo não decorre do religioso está a alegar necessariamente que aquilo que for conveniente deve ser conservado, ainda que dissociado da verdade. 

2) Quem prega a imanência necessariamente prega o conservantismo, em sua forma mais qualificada: a forma revolucionária. Pois caberá ao Estado, à sabedoria humana dissociada da divina, definir o que é conveniente ou não - e se as leis do Estado não estiverem em conformidade com o Todo que vem de Deus, o que haverá é perversão da Lei Eterna e da ordem natural das coisas.

3) O conservantismo parte do pressuposto de que cada um tem a sua verdade. Mas o fato é que a verdade não precisa ser minha ou sua para que seja nossa: quem a proclamou morreu por todos nós e com seu sangue remiu os pecados de nossa ignorância, por não estarmos em conformidade com aquilo que Deus estabeleceu para nós, por conta do pecado original. Pois quem a proclamou não tinha pecado nenhum - e Ele é a causa de toda a santidade. Essa pessoa é Cristo.

4) Enfim, quem faz tal alegação, conforme descrevi no item 1, está a praticar estelionato intelectual. A palavra de tal pessoa não merece ser ouvida. Não se deve debater com esse tipo de pessoa; na verdade, deve-se mandá-la para aquele lugar: o inferno.

Notas sobre empreendimento voltado à conformidade com o Todo que vem de Deus

1) Se servir a Cristo em terras distantes pressupõe atividade organizada de modo a executar um nobre propósito, assim determinado pelo Crucificado de Ourique, isso implica Aliança do Altar com o Trono de tal modo a que façam uma empresa em comum. Essa empresa pressupõe uma atividade espiritual, econômica, militar e politicamente organizada. O sucesso dessa empreitada leva à consagração de Portugal - este pequeno país da Europa Ocidental - a ser contado como uma das maiores nações no Reino dos Céus, pois os últimos, os menores, serão os primeiros, os maiores, ao regerem povos inteiros servindo com base na palavra de Deus, pois Cristo quis também formar um império n'Ele fundado.

2) Toda a história da formação do mundo português como um todo é um feito de empresa voltado à conformidade com o Todo que vem de Deus. Há reveses, é verdade, mas só o fato de encararem o mar mostra a importância da palavra de Deus para tão nobre e arriscado propósito. Isso requer coragem e muita determinação, causa de santidade. No meu entender, é a novela de cavalaria definitiva, em forma de civilização.

3) Se aprender pressupõe apreender a coisa, de modo a extrair o que é dela essencial, então empreender pressupõe prender-se na própria coisa por conta de um chamado, de  uma vocação. Por isso que ser navegante do Império Português era um sacerdócio, pois acessório segue a sorte do principal.

4) Cristo viu que esse trabalho era bom - e por conta das promessas que fez à Santa Faustina Kowalska, Ele colocou São João Paulo II para ser timoneiro da Arca de São Pedro, de modo a servir a Cristo em terras distantes e restaurar o que se perdeu por conta da mentalidade revolucionária - incluindo a civilização que foi edificada por conta de Ourique, que começou a decair por conta da Revolução Liberal do Porto.

5) Meu padrinho, que foi ordenado padre por esse Santo, assistiu a uma palestra sobre empreendimento religioso em Maceió. Ele não entrou em detalhes sobre isso, mas fico imaginando as coisas fantásticas que deve ter ouvido - faço isso tomando por base o que sei.

terça-feira, 12 de abril de 2016

Notas sobre o Poder Moderador e o advento de efeitos colaterais não previstos por conta da modulação dos efeitos de uma decisão tomada

1) Mesmo que um juiz faça um diagnóstico correto acerca da lide e mesmo que faça um prognóstico correto quanto à modulação dos efeitos da decisão que vai tomar, há uma pequena chance de haver efeitos colaterais decorrentes do remédio que vai ser aplicado, efeitos colaterais esses não previstos, uma vez que a ciência humana não é perfeita. O advento desses efeitos colaterais não previstos acaba se tornando objeto digno de estudo de caso, de modo a que se aperfeiçoe o processo da tomada de decisão por parte dos magistrados.

2) No exercício do Poder Moderador, ocorre a mesma coisa. Espera-se que Imperador, ou o Rei, seja um bom juiz, do mesmo modo que é um bom pai de família, um modelo para toda a sociedade. Mesmo que o prognóstico das decisões a serem adotadas, por conta do exercício do Poder Moderador, esteja correto, sempre haverá o risco de haver efeitos colaterais - e é por conta do advento desses efeitos colaterais não previstos, por conta da ciência imperfeita - uma vez que o homem não é um ser onisciente -, que ele não está sujeito à responsabilidade alguma, tal como está atestado na Carta de 1824.

José Octavio Dettmann

Rio de Janeiro, 12 de abril de 2016 (data da postagem original).

O poder natural dos reis é naturalmente limitado

1) Cristo é verdadeiro Deus e verdadeiro homem - Ele é onipotente, onipresente e onisciente. Como Ele é bom, Ele pode reinar absolutamente sem fazer mal algum.

2) Os outros reis não possuem o mesmo poder. Por isso, seus reinados duram enquanto bem servirem ao Rei dos Reis. Eis aí porque não há absolutismo. Todo Rei que queira usurpar as prerrogativas de Deus sempre será um tirano, pois está traindo a autoridade a quem devem o cargo: o próprio Jesus, o Rei dos Reis.

3) Nos tempos atuais, as repúblicas são mais absolutistas do que as monarquias porque ousaram separar o trono do Estado do Altar da Igreja - por isso que temos tanto abuso e tantas constituições escritas pelo homem, fundadas em sabedoria humana dissociada da divina.

Cristo tem o poder de cunhar moedas, do mesmo modo que fez multiplicar pães e peixes

1) Se Cristo é Rei, então toda a honra, toda a glória, todo o poder e toda a riqueza devem ser creditados a Ele.

2) Da combinação de poder e riqueza, temos o poder de cunhar moedas - como isso é prerrogativa de Rei, então isso também deve ser creditado a Ele. Do mesmo modo a atividade bancária, tal como falei anteriormente. Isso decorre da atividade salvífica - e a caridade que a Igreja faz é um investimento que se faz nos despossuídos, de modo a que possam se capacitar e ter uma vida livre e digna. Como a emissão de moeda decorre da atividade bancária, então é natural que a moeda tenda ser a expressão da verdade - se a verdade é como o ouro, então é conforme o Todo que vem de Deus.

3) Cristo faz Reis - no caso dos portugueses, deu a eles a missão constitucional de servir a Ele em terras distantes. Como o poder de D. Afonso decorre do Rei dos Reis, então seu poder de cunhar moeda decorre do Poder Real de Cristo - e ele não pode trair o Rei dos Reis, sob pena de ser ilegítimo, deposto.

Notas sobre a senhoreagem

1) Numa decisão judicial, o juiz deve fazer o diagnóstico com base nos fatos narrados na petição inicial - e para isso deve colher o depoimento das partes, das testemunhas, apurar os documentos que foram arrolados nos autos de modo a chegar a uma conclusão e decidir sobre a matéria, dentro de sua competência. E ao tomar uma decisão, no sentido de administrar um remédio judicial para a lide em curso, ele deve ser capaz de antever os efeitos colaterais decorrentes da aplicação desse remédio - e como o médico, deve ser capaz de fazer uma prognose. E a modulação dos efeitos da decisão é uma marca dessa prognose.

2) No exercício do Poder Moderador, seja no âmbito político ou no âmbito econômico, o Rei, ou o Imperador, deve ser capaz de fazer a mesma coisa.

3) No âmbito econômico, em particular, quando ele vai manipulando o teor da qualidade do metal da moeda através da senhoreagem, ele deve fazer uma prognose, de modo a que esta não desvalorize a moeda demais, de modo a fazer o empobrecimento geral da população, por meio da inflação. Da mesma forma, ele não pode valorizar a moeda demais de modo a que a exportação dos produtos da terra fique inviável, pois o produto tenderá a ficar caro. 

4) Como o monarca é juiz, então ele deve ouvir a todas as classes produtivas da nação de modo a que tome uma decisão, visando ao bem-estar geral - por isso havia os Estados-Gerais, antes de haver uma medida dessas. Por isso, a senhoreagem, que é um imposto inflacionário, necessita de uma audiência pública, tal como há nas audiências que julgam a constitucionalidade ou inconstitucionalidade de uma lei, em face da Constituição - como isso obriga a todos, então todos devem ser ouvidos.