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sexta-feira, 24 de março de 2017

Notas sobre parceria público-privada

1) O instituto da parceria público-privada parte do pressuposto de que o poder não está acima da sociedade, mas que está disperso em toda a sociedade, que toma o país como se fosse um lar em Cristo.

2) Para se fazer uma parceria com o Estado, ele deve estar em aliança com aquilo que foi estabelecido em Ourique. Como o Rei é vassalo de Cristo e é o Estado em pessoa, ele é a garantia pessoal de que os direitos de seus súditos estão garantidos, pois ele é Rei pela graça de Deus, uma vez que Deus está nele de modo a governar o povo de todo o mundo português.

3) Num contexto em que o Estado é tomado como se fosse religião, em que tudo está no Estado e nada pode estar fora dele ou contra ele, a parceria público-privada é feita de tal maneira a concentrar bens em poucas mãos, expropriando os bens das pessoas sob a alegação vazia de que a propriedade deve cumprir a sua função social. Assim, o bem arrecadado vai para as mãos dos asseclas do partidão, que manterão sua boquinha a todo custo, por meio de constante corrupção.

4) Para o Estado ser a garantia da propriedade privada, todo o povo deve ser visto como parte da família do governante - e todos devem amar e rejeitar as mesmas coisas tendo por Cristo fundamento.

José Octavio Dettmann

Rio de Janeiro, 24 de março de 2017.

Frase, oração e período

É triste ver que muitas pessoas estão em conformidade com o Todo que vem do marxismo cultural. Elas estão agindo na sociedade sem perceberem o mal que estão praticando.

Frase 1

é triste = predicado nominal

é = verbo de ligação

triste = predicativo do sujeito.

"ver que muitas pessoas estão em conformidade com o que vem do marxismo cultural" é o sujeito da oração. É uma subordinada substantiva subjetiva.

A subordinada substantiva subjetiva pode ser transformada desta forma:

Ver muitas pessoas pessoas estarem em conformidade com o Todo que vem do marxismo cultural é triste.

Frase 2

Elas estão agindo na sociedade / sem perceberem o mal que estão praticando

sem perceberem = sem que percebam

"sem perceberem o mal que estão praticando" está atuando como um advérbio de modo - por isso, tem dependência sintática em relação à oração principal "elas estão agindo na sociedade".

Quando há um advérbio dessa natureza, é facultativo colocar uma vírgula.

Elas estão agindo na sociedade, sem perceberem o mal que estão praticando.

A frase 2 explica a frase 1. Eis a relação entre elas:

É triste ver que muitas pessoas estão em conformidade com o Todo que vem do marxismo cultural, pois elas estão agindo na sociedade sem perceberem o mal que estão praticando.

José Octavio Dettmann

Rio de Janeiro, 24 de março de 2014.

Notas sobre a relação entre presente do subjuntivo e infinitivo pessoal

É melhor saber = É melhor que eu saiba

É melhor saberes = É melhor que tu saibas

É melhor saber = É melhor que ele saiba

É melhor sabermos = É melhor que nós saibamos

É melhor saberdes = É melhor que vós saibais

É melhor saberem = É melhor que eles saibam

O infinitivo pessoal tem profunda relação com o presente do subjuntivo. Como o presente do subjuntivo está presente em orações subordinadas, a forma reduzida é o infinitivo pessoal.

Quando a pessoa tiver dúvidas quanto à conjugação do infinitivo pessoal, é só lembrar do presente do subjuntivo, que é o seu equivalente mais desenvolvido.

José Octavio Dettmann

Rio de Janeiro, 24 de março de 2017 (data da postagem original).

Notas sobre as dificuldades de se ter uma família grande

1) Dois são os maiores óbices à uma família numerosa: custo de vida elevado e a tendência de se criar casas cada vez menores, de modo a que a prática se torne inviável.

2) O custo de vida pode ser reduzido se as famílias tiverem condição de plantar a própria comida - e isso pede uma casa com quintal, coisa que não é possível nas grandes cidades.

3) O segundo problema pede que o governo das cidades seja tomado, de modo a que a política seja dirigida com base em fundamentos católicos. A matéria de edificações parte do plano diretor da cidade - e isso pede que o prefeito e os vereadores não sejam influenciados pelos que amam o dinheiro mais do que a Deus.

4) Mas o prefeito da grande cidade precisa da colaboração dos prefeitos das cidades menores de modo que o inchamento da cidade grande se reduza, pois a população precisa ser deslocada para um território onde ela possa ter condições de vida mais digna. Se as cidades grandes puderem ajudar as pequenas no desenvolvimento de serviços que façam com que o habitante da cidade grande a troque pela pequena, melhor ainda.

5) Se o inchamento urbano for combatido, a tendência é que as cidades grandes voltem a ser médias e as cidades médias se multipliquem. Nas cidades médias há espaço para casas pequenas e há uma comunidade de gente qualificada com famílias numerosas.

José Octavio Dettmann

Rio de Janeiro, 24 de março de 2017.

Sobre a importância de se ter uma família numerosa

1) Quanto mais filhos você tiver, maior a quantidade e variedade de dons disponíveis não só a serviço da família, como também a serviço da comunidade.

2) Como cada ser é único, a tendência é que o serviço se escasseie e se torne valioso, uma vez que não há um outro indivíduo que poderá substituí-lo à altura, se tomarmos por base a combinação de formação técnica, as circunstâncias de vida vivida e a integridade do caráter do agente que atua em comunidade fomentando benfeitorias nos outros, fatores esses que tornam o indivíduo único, em relação aos demais.

3) Se você souber capacitá-los bem, a grande empresa terminará se subdividindo em três pequenas empresas - e como são parte da mesma família, a tendência é que elas tenham um plano de parceria de modo a que os laços se mantenham, preservando assim os benefícios oferecidos à comunidade na geração de seus pais. E o patriarca acaba atuando de poder moderador.

4) Caso haja um conflito de família, o patriarca cuidará dos conflitos de interesse. E a solução desse conflito de interesse interessará a toda comunidade, uma vez que as benfeitorias organizadas interessam a toda a comunidade, pois ela se beneficia desses serviços. E em seara familiar, o patriarca tem a mesma prerrogativa do juiz, o que diminui a necessidade de o Estado ter de dizer o direito.

5) Como cada família tem uma forma de se resolver os problemas internos, a solução desses conflitos em âmbito familiar se torna costumeira e tende a influenciar a toda a vizinhança, criando uma ordem costumeira. E a função do Estado será a de defender esses costumes virtuosos e cuidar daqueles casos em que o conjunto das famílias da comunidade não puder fazer por si mesmo, atuando em caráter subsidiário.

José Octavio Dettmann

Rio de Janeiro, 24 de março de 2017.

Notas sobre a importância de se ter um hospital próprio para tratar dos seus empregados

1.1) Se eu tivesse uma atividade econômica organizada e tivesse um filho formado em Medicina, eu criaria um hospital voltado para atender aos funcionários da minha empresa e seus familiares.

1.2) O direito a ser tratado nesse hospital seria um salário que receberiam por força de trabalharem na minha empresa. Eles seriam muito bem tratados - e isso os estimula a serem leais à empresa, fazendo com que seus filhos sucedam este empregado, fazendo com que a relação trabalhista se prorrogue a outras gerações, tornando-se permanente, por conta dos laços de confiança que acabam se transformando em verdadeira amizade.

2.1) Os médicos sob supervisão do meu filho seriam verdadeiros médicos do trabalho - nenhuma especialidade será negligenciada.

2.2) Eles cuidariam dos meus empregados, de modo a que possam estar recuperados e aptos a voltarem a trabalhar para a empresa.

2.3) Como a empresa fica dentro do complexo, eles não precisariam perder seu tempo se deslocando inutilmente.

2.4) O hospital estaria disponível à população da cidade também, de modo a atender quem estiver necessitado. E se a pessoa não tiver recursos para pagar pelo tratamento, pode vir a trabalhar na empresa, como uma forma de pagar o tratamento.

2.5) Além disso, o hospital pode atuar como escola de modo a que os estudantes de medicina possam se especializar em medicina aplicada ao âmbito do trabalho.

3.1) Enfim, ao invés de impessoalizar a economia a ponto de tratar a meu semelhante como se fosse um ser humano indigno, eu estou me organizando de tal maneira a cuidar da saúde dos meus empregados - não só da saúde física como também da espiritual, pois no complexo haverá uma capela para que os meus empregados possam rezar e pôr seus dons de modo a servir a Cristo nesta terra e em terras distantes.

3.2) Eis aí porque haverá aliança entre a atividade econômica organizada, coisa que pode ser feita pelo leigo, e o altar - o que constitui um microcosmo da aliança do Altar com o Trono estabelecida em Ourique.

3.3) Certa ocasião, meu professor de Direito Comercial me disse, quando estava na faculdade, que empresas constituem um microcosmo do Estado. Se o empresário é um pequeno rei, então é natural que haja um microcosmos dessa aliança do Altar com o Trono estabelecida em Ourique. E isso é também distributivismo.

José Octavio Dettmann

Rio de Janeiro, 24 de março de 2017.

Notas sobre a relação entre sucessão e nacionidade

1) Vamos supor que você tenha trabalhado duro a ponto de construir um complexo de bens que abrange:

1.1) Uma fazenda, onde você produz trigo - e esta fazenda também tem uma criação de ovelhas.

1.2) Uma tecelagem - um lugar onde a lã das suas ovelhas pode ser processada e convertida em roupas, de modo a atender à população necessitada de vestuário.

2.1) Você tem dois filhos: um tem vocação para a atividade agropastoril, enquanto o outro tem talento para a atividade manual, essencial para o artesanato.

2.2.1) Se você os educa de modo a que suas vocações dêem continuidade ou aprimorem o legado da sua família, então a sucessão está garantida.

2.2.2) O filho que tem vocação agropastoril cuidará da fazenda - ele diversificará os negócios de tal maneira a criar um lugar onde o trigo possa ser processado e usado para atender às necessidades da população, como numa padaria, por exemplo.

2.2.3) O filho com vocação para as atividades manuais, manufatureiras, assumirá a tecelagem e cuidará de diversificar os negócios, atuando em outras vertentes que exijam habilidade manual. Neste ponto, ele se torna um capitão de indústria.

3) Quando você capacita seus filhos de modo a que seus dons aprimorem o legado da família, você tem distributivismo. E distributivismo implica liderança: você precisa preparar seus filhos para a vida - e vida implica servir a Cristo nesta terra e em terras distantes, de modo que o país seja tomado como se fosse um lar n'Ele, por Ele e para Ele. E é assim que se ganha a vida eterna, uma vez que o trabalho é uma escola que nos prepara para a pátria definitiva.

4.1) Para que terceirizar para um estranho, se posso preparar meus filhos para cuidarem dos negócios e servirem seus semelhantes?

4.2) A questão da terceirização está relacionada ao fato de que estamos ensinando nossos filhos a serem felizes egoisticamente falando ao invés de serem nossos sucessores na nossa missão salvífica. Afinal, a felicidade não está neste mundo, mas na vida eterna que se dará no Reino de Deus.

4.3) Afinal, o dinheiro deve ser fruto de um trabalho que implique olhar para o outro como um espelho de meu próprio eu - e isso é evangelização. Se o dinheiro não estiver vinculado a este fundamento, então o dinheiro acaba se tornando um fim em si mesmo, a ponto de edificar coisas com fins vazios.

4.4) Os argumentos dos que estudam economia sem levar em conta a vida eterna semeiam a liberdade voltada para o nada. E isso não é importante.

4.5) Afinal, não faz sentido obedecer a nenhuma lei desta República, uma vez que regimes que fazem o Estado ser tomado como se fosse uma religião a ponto de eliminar o trabalho salvífico da Igreja não devem ser levados a sério. E isso é totalitarismo!

José Octavio Dettmann

Rio de Janeiro, 24 de março de 2017.