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terça-feira, 27 de dezembro de 2016

Se famílias são árvores, os frutos - se espalhados em outros lugares - reproduzem as virtudes dessas árvores em outros lugares, tomando-as como parte do mesmo lar em Cristo

1.1) Platão dizia que verdade conhecida é verdade obedecida, pois isso se funda na conformidade com o Todo que vem de Deus. Jesus é a verdade conhecida e é fato conhecido que a Igreja é a esposa de Cristo - logo, o ensinamento da Igreja deve ser obedecido porque Cristo é o cabeça da Igreja, assim como o marido é o cabeça da família, por ser o protetor da família, do Estado familiar e ao mesmo tempo da Igreja doméstica, se virmos as coisas no micro.

1.2) Jesus Cristo nos disse que pelos frutos nós conheceremos a árvore. Isso é tão verdade que nós conhecemos o caráter virtuoso de uma família através dos frutos que decorrem dela: os filhos decorrentes da união de um homem virtuoso com um mulher virtuosa.

1.3) Se os filhos são rebentos de oliveira, então nada é mais sensato que boas oliveiras costumam ser enxertadas em outros lugares, de modo a que uma nova seja tomada como um lar em Cristo, tendo aquilo que se edificou em Ourique. Assim é a lusitânia dispersa, a parte do mundo não foi assimilada dentro daquilo que foi edificado em Ourique

2) Se meu irmão fincar residência permanente no Chile, ele acabará estabelecendo um núcleo da família Dettmann no Chile. Em tempos de internet e redes sociais, os laços familiares tendem a continuar vivos, por conta da constante comunicação entre o novo núcleo e o núcleo que lhe deu origem, que se encontra no Rio de Janeiro. Quanto maior for a unidade entre esses núcleos, maior a necessidade de tomar os dois países como se fossem um mesmo lar em Cristo.

3) Para se tomar vários países como se fossem um lar, os núcleos familiares devem estar coesos, pois que são a mesma Igreja doméstica unida a Cristo na conformidade com o Todo que vem de Deus. Se isso é verdade no micro, então é verdade no macro.

4) Uma família nuclear descristianizada, num país que nasceu sem a presença de Cristo na ordem pública, só produz o fato de que todos têm a sua própria verdade, o que gera não só a cultura de divórcio como também a cultura de abolição da família. E isso é o tipo de coisa que favorece os comunistas.

José Octavio Dettmann

Rio de Janeiro, 27 de dezembro de 2016 (data da postagem original).

Notas sobre a conquista espiritual de um povo através das uniões pessoais e dinásticas (onde a nacionidade é distribuída no macro) e de que forma o serviço diplomático pode colaborar neste aspecto

1) Se na monarquia, no macro, o povo é tomado como se fosse parte da família, os agentes diplomáticos enviados e acreditados em nações estrangeiras fazem mais ou menos a mesma coisa que meu irmão tem feito no Chile por mim, no micro: coletam informações relevantes de modo a fazer com que o Brasil seja promovido de modo a que o Chile possa ser tomado como se fosse um lar em conjunto com o Brasil, de modo a haver uma possível união política.

2) Num primeiro momento, essa união política dar-se-á na figura do Imperador de modo a se dar na figura de seu sucessor e assim sucessivamente, até formar uma verdadeira união dinástica.

3) A estabilidade política das monarquias é algo que nenhuma república consegue fornecer, por mais virtuosa que esta seja, pois há alguém moderando os conflitos políticos, já que o monarca vê a todos como parte da família, enquanto os republicanos vêem os adversários como inimigos, por serem de uma facção ideológica diferente - o que caracteriza não-crença na fraternidade universal, e essa crença é fora da conformidade com o Todo que vem de Deus. Esta é talvez a maior riqueza que uma monarquia pode proporcionar, ainda mais se ela observar a Aliança do Altar com o Trono edificada em Ourique.

José Octavio Dettmann

Rio de Janeiro, 27 de dezembro de 2016 (data da postagem original).

Notas sobre a função da foto nas postagens de facebook

1) Se as fotos tendem a ser o principal aparente, aquilo que se vê, então elas devem também apontar para aquilo que não se vê, o acessório que segue a sorte de seu principal: o texto.

2) Tal como uma catedral medieval, que aponta as coisas que levam à conformidade com o Todo que vem de Deus, a função da foto é apontar para o verdadeiro principal, que está mascarado de acessório: os textos. 

3) Tal como Bastiat diz, devemos ver o que não se vê. Por isso, nunca coloque fotos no facebook da mesma forma como se faz hoje com as catedrais modernas. Isso expõe a vaidade do arquiteto, o que tira a real função de uma catedral - o que acaba tirando Deus da ordem pública. E é por conta de uma ordem pública esvaziada de Deus que a apatria é construída deliberadamente, de modo a ficarmos desarmados culturalmente e espiritualmente diante dos inimigos oportunistas que estão querendo nos conquistar a todo custo - como os islâmicos, por exemplo.

José Octavio Dettmann

Rio de Janeiro, 27 de dezembro de 2016.

Matérias relacionadas:

http://blogdejoseoctaviodettmann.blogspot.com/2016/12/notas-sobre-uma-tendencia-que-ha-entre.html

Notas sobre uma tendência que há entre os usuários do facebook

1) Pela minha experiência de facebook, o público desta rede tende a ser muito visual. É mais sensato publicar uma foto junto com o texto. A foto será sistematicamente compartilhada - o texto, acessório, vai junto com ela. 

2.1) Embora a foto seja para muitos o principal, na verdade o acessório vale mais do que o principal, principalmente para os engenheiros e arquitetos da alta cultura. 

2.2) A maior prova disso é que, hoje em dia, muitas edificações, assessões intelectuais que são acrescidas ao solo, valem mais do que o principal, o solo. 

2.3) E isso é muito intuitivo. Basta responder a esta pergunta que o ouvinte onisiciente te faz todos os dias: "o que vale mais? As pirâmides do Egito ou o solo que abriga esta edificação, imprestável para a agricultura e pecuária?"

José Octavio Dettmann

Rio de Janeiro, 27 de dezembro de 2016.

Matérias relacionadas:

http://blogdejoseoctaviodettmann.blogspot.com/2016/12/notas-sobre-funcao-da-foto-nas.html

segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

Notas sobre um tipo nada convencional de imersão cultural que faria

1) Durante o meu aprendizado na língua polonesa eu cheguei ao extremo de pensar mais ou menos o seguinte: cheguei a pensar em comprar um computador específico, com teclado apropriado para me comunicar em polonês. Cheguei a pensar em até mesmo criar um perfil de facebook onde só adicionaria poloneses ou gente daqui que sabe polonês. 

2) Agiria como se estivesse na Polônia, apesar de estar vivendo no Brasil. Pelo menos, esse foi o jeito que encontrei de fazer uma imersão. Pelo menos, nesse extremismo nada ortodoxo, encontrei uma razão para tomar o país como se fosse um lar em Cristo.

José Octavio Dettmann

Rio de Janeiro, 26 de dezembro de 2016.

As melhores respostas satisfazem às exigências que são próprias das questões implícitas, coisas que são feitas por meio de um ouvinte onisciente

1) Muitos escritores têm o hábito de deixar certas questões explícitas, de maneira retórica e de modo a vender uma pretensa solução, geralmente fundada em sabedoria humana dissociada da divina.

2.1) Eu, particularmente falando, tendo a deixar a questão implícita, pois escrevo de modo a responder a um ouvinte onisciente - e esse ouvinte onisciente sabe tudo e pode tudo porque é Deus. E se pode tudo, até mesmo Ele pode questionar tudo - e é por questionar tudo que faço exame de consciência antes e depois de cada escrito.

2.2) Embora eu não tenha ouvido voz humana perguntar sobre algo importante, o próprio Deus onipotente me fez muitas perguntas, perguntas essas que ainda não pude responder. Um exemplo disso: qual seria a teoria de Estado mais adequada àquilo que foi edificado em Ourique, já que o modelo alemão, o modelo francês e o modelo inglês não funcionam para o mundo português, especificamente falando, por conta destas circunstâncias particulares que temos, que é de servir a Cristo em terras distantes?

2.3) Talvez eu não seja capaz de responder a esta pergunta, dentro do espaço de minha vida - até porque o escopo da teoria da nacionidade é muito amplo e sozinho não dou conta de tudo, mas só daquilo que é essencial - e o essencial está na forma de mais de 2800 postagens escritas em meu blog. Eu ficarei agradecido se houver uma alma caridosa disposta a continuar e a ampliar este trabalho. Eu faço o melhor que posso - as perguntas são tantas que fica difícil responder a todas, pois este ser onisciente é extremamente exigente e não conheço ser humano algum com o mesmo tipo de exigência que Ele tem - e talvez não venha mesmo a conhecer, pois este ouvinte mesmo já me basta, dado que Ele sabe quem eu sou.

José Octavio Dettmann

Rio de Janeiro, 26 de dezembro de 2016.

Douglas Bonafé, sobre a questão de o Papa Francisco ser herege ou não

1) Há uma coisa a se pensar realmente sobre toda essa questão do Santo Padre. E convido os amigos Gustavo Abadie, Fagner Luiz, José Octavio Dettmann, Verônica van Wijk, Mirian Lopes, Samuel Lima, William Bottazzini Rezende, D Lourenço Osb, Wagner Bonafé a refletirem comigo a respeito disso e me corrigirem caso se faça necessário. Agradeço ao Padre Cléber Eduardo Dos Santos Dias pelo esclarecimento.

2.1) Boulenger nos explica, na Apologética, a diferença entre certeza, noção, espécie e critério.

2.2) Na questão do Santo Padre, temos "certeza metafísica" de que Deus o assiste. Assim como o todo é maior do que a parte, podemos ter certeza a respeito da infalibilidade papal e da assistência tanto ordinária quanto extraordinária do Espírito Santo ao Papa.

3) A respeito da heresia na Amoris Laetitia temos "certeza moral", aquela que se funda no testemunho dos homens, quando esta se apresenta com todas as garantias de verdade - e nada é mais certo moralmente do que a Tradição Moral da Igreja. É nisso que se baseiam os Exmos. e Rvmos Cardeais, ao lançarem o Dúbia.

4) A respeito de Sua Santidade ser um herege, não temos certeza moral. Logo, Olavo de Carvalho errou neste ponto - e com ele, todos os que, alguma vez, já disseram que "Francisco é um herege", dentre eles eu mesmo.

5.1) Francisco escreveu uma heresia e já disse frases heréticas, mas não é - ao menos não podemos dizer que seja - um herege. Isso porque não temos certeza moral a respeito, dado que falta o juízo de consciência no juízo moral. A condenação por heresia EXIGE o juízo moral de consciência e, neste caso, podemos ter o que A. Boulenger chama de "evidência".

5.2) Até o momento, quando a carta de Dúbia não foi ainda oficialmente apresentada, possuímos apenas "evidência intrínseca", aquela que direta ou indiretamente é aprendida do objeto. Porém, como Boulenger (e também Olavo de Carvalho) ensina: evidência não é certeza, não é conhecimento. Tão logo seja apresentada a carta da Dúbia, teremos também "evidência extrínseca", pois além da própria Amoris Letitia, teremos a autoridade oficial dos Cardeais dizendo ao Romano Pontífice algo como: "Papa, temos tuas palavras e o Magistério da Igreja. Explica-nos: a quem devemos seguir?", o que colocará o Santo Padre no muro. Se, ao ser pressionado, o Romano Pontífice responder algo como: "Creio que, em alguns casos, podemos dar comunhão aos adúlteros" e não PROVAR (no sentido strictus do termo) que isso não contradiz a Tradição Moral da Igreja, aí, sim, - e somente aí - que poderemos definí-lo e tratá-lo como herege - e os próprios cardeais cuidarão disso. Até lá, ele pode inclusive estar louco - embora a heresia seja uma loucura, nem todo louco é herege, mesmo os loucos que dizem heresias.

6.1) Todavia, acusar desde agora que Francisco é herege, mau, usurpador, que faz propositadamente esses erros, ou qualquer coisa do tipo - uma vez que isso necessita de juízo moral de modo a se fazer ser reto juízo - é uma falsa solução para o problema da certeza, ao qual Olavo de Carvalho sempre parece usar: o intuicionismo. Essa postura tende à gnose.

6.2) O intuicionismo leva-nos a crer - tal qual Kant -, quer pela inteligência ou pela intuição - tal qual Bergson -, que podemos chegar à certeza. Isso é um erro. Olavo parece condenar a certeza apenas pela inteligência (e o faz corretamente), mas dizer que pela intuição podemos certas vezes chegar à verdade, à justaposição da teoria com a realidade objetiva (e aí vejo erro).

6.3) Para Olavo - até onde li de sua obra - podemos chegar à realidade pela intuição, tal qual Bergson. E é nesta parte que Bergson julga ultrapassar Kant, pois caso a razão não consiga chegar a um conhecimento objetivo das coisas, ao menos existe, contudo, um meio de se atingir a realidade, a verdade das coisas - e este meio é a intuição, que conhece a realidade viva e móvel por meio da visão direta e imediata do objeto. Portanto, só o conhecimento intuitivo é verdadeiramente objetivo.

6.4) Foi neste ponto que eu errei. Pois isso é mentira - sutil mentira, mas mentira. Por mais que tudo nos leve a crer que Francisco seja de fato herege, por mais que o objeto da Amoris Laetitia nos salte aos olhos como um exemplo - assim como outras homilias e declarações descabidas -, não há certeza moral, pois diversos fatores deixam nebulosíssima tanto a intenção quanto os motivos do Santo Padre - e neste ponto, quem age assim age contra a caridade, contra a bondade de Deus, pois quem assim age está disposto a fazer juízo temerário, dado que o faz sobre coisas que desconhece, e de maneira grave, a respeito do Santo Padre, do Vigário de Cristo - e este tipo de coisa é pecado contra o Espírito Santo, pecado esse que Deus não perdoa.

7.1) Em se tratando do Papa Francisco, por mais que seja difícil não fazer isso, este tipo de postura de criticar o papa, tal qual o Olavo faz, não ajuda em nada. Precisamos agir com prudência e agir com caridade. Isto exige de nós algo muito árduo, neste momento: esperar e confiar em Deus, de maneira calada.

7.2) Devemos, sim, rejeitar as doutrinas estranhas, assim como uma pretensa visão moderna e inovadora do Evangelho - coisas que já foram condenadas pelo Sagrado Magistério, dado que a Verdade é sempre perene e imutável. Todavia, a não ser que alguém tenha visto Francisco manifestando-se decididamente contra a Moral da Igreja - tendo sido ele confrontado com a verdade e optado pela mentira -, ninguém pode afirmar que ele é herege.

7.3) Podemos, sim, dizer que escreveu heresia, pois foi o que de fato fez. Mas o fato de ter dito ou escrito heresias não o torna (ao menos, por enquanto) um herege de fato.

8) Por isso, peço perdão a todos, pois eu os levei ao erro - e por mais que possamos, sim, lançar dúvida sobre a Amoris Laetitia, por caridade temos a obrigação de dar ao Romano Pontífice - assim como a qualquer outro - o benefício da dúvida. Assim fazem os senhores cardeais, ao lançarem mão do Dúbia. 

9) Oremus pro Pontifice nostro Francesco. Que Deus o leve à humildade e o faça guiar seu povo rumo à verdade. Superemos, pois, o intuicionismo com o dogmatismo, assim como o evidencionismo com a certeza religiosa.

Douglas Bonafé (https://www.facebook.com/dsbonafe/posts/1224654827569532)

Cremos e por isso podemos dizer: "As forças do inferno não prevalecerão!"

+Pax.

Manual de Apologética, Boulenger, A. de. 1950. Disponível para download em: http://alexandriacatolica.blogspot.com.br/2010/11/manual-de-apologetica.html